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Farmácias apostam nos remédios personalizados, os únicos capazes de tratar certos doentes
Quarta, 10 Dezembro 2008 20:18
Para alguns doentes são o único recurso terapêutico disponível. Vindos do passado, os medicamentos manipulados estão a ser recuperados e aperfeiçoados.

São um aposta da Associação Nacional de Farmácias (ANF) que encara como uma "prioridade" disponibilizar aos farmacêuticos a formação e o apoio técnico e cientifico necessários para preparar remédios individualizados. É que os medicamentos industrializados não servem para todas as pessoas e há áreas como a pediatria, dermatologia, geriatria e terapêutica da dor "nas quais a utilização de remédios personalizados tem demonstrado benefícios".

Quem o diz é João Cordeiro, presidente da ANF, que na sessão de apresentação do novo Formulário Galénico Português, salientou o facto de a legislação continuar "a descriminar negativamente os medicamentos manipulados, atribuindo-lhes um regime de comparticipação diferente", daquele que vigora para os remédios da produção industrial. Não há, frisa Cordeiro, qualquer "razão técnica ou económica que o justifique".

Além disso, o patrão das Farmácias lembra que "nunca foi actualizada a lista de manipulados comparticipáveis pelo Serviço Nacional de Saúde, que remonta a 1968". Cordeiro diz mesmo que esta situação "tem criado graves problemas na acessibilidade dos doentes aos medicamentos de que necessitam e para os quais não há alternativas".

O presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria, destacou a importância do novo manual galénico - é como que um livro de receitas passo a passo - que vem "suprir lacunas no arsenal da indústria farmacêutica", além de ser um instrumento fundamental "de apoio às farmácias de oficina e de hospitalar".

Editado pelo Laboratório de Estudos Farmacêuticos da ANF, esta nova edição ( a primeira compilação data de 2001) é orientada para a pediatria e contém novas formulações de remédios. " Muitos dos medicamentos destinados a crianças não foram testados nesta faixa etária, o que comporta alguns problemas e riscos. Há falta de medicamentos para a pediatria, a que se soma o facto da indústria farmacêutica não ter interesse comercial em manter determinados produtos no mercado, com evidente prejuízo dos doentes", adiantou Vasco Maria.

Além de permitirem continuar a tratar doentes cujos remédios forma descontinuados, os manipulados também permitem ajustar doses, adaptar o tratamento à fase da doença( sobretudo nas patologias dermatológicas) e ultrapassar os problemas da intolerância a excipientes (como a lactose ou o glúten) e dos doente polimedicados.

Fonte: Expresso de 21 de Junho de 2008

 
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