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Farmácias reduzem stock em 30% por falta de dinheiro
Quarta, 15 Fevereiro 2012 00:00
Crise - A diminuição da margem de lucro e as mudanças constantes nos preços estão a obrigar a nova gestão dos medicamentos armazenados.

As Farmácias estão a cortar 30% do valor do stock que tinham disponível para responder às necessidades dos utentes. A falta de dinheiro para ter muitas embalagens de várias marcas nas gavetas, a redução do preço e das margens de lucro, bem como as dificuldades em aceder a alguns dos medicamentos mais caros por estarem esgotados no mercado nacional explicam o facto de muitos doentes não conseguirem levar para casa de uma só vez todos os medicamentos prescritos pelos médicos nas receitas.

"É um problema de tesouraria. Falta dinheiro para terem o mesmo tipo de oferta que tiveram antigamente. No ano passado, houve uma redução de 12% do valor de mercado, o que originou uma diminuição da rentabilidade, devido à descida do preço dos medicamentos. Para este ano, está prevista uma continuidade na descida", explicou ao Dr. Paulo Duarte, secretário-geral da Associação Nacional de Farmácias (ANF)

Os medicamentos mais caros e com menos saída, por um lado, e os genéricos mais baratos e com maior número de marcas disponíveis são os mais afectados por este novo tipo de gestão que as Farmácias se viram forçadas a fazer. "Há casos de genéricos que baixaram dez vezes de preço num ano. As Farmácias não conseguem cumprir as necessidades correntes, quanto mais investir em produtos caros ou com pouca saída", salientou, referindo que aceder ao crédito é cada vez mais difícil, até porque os juros e os spreads podem chegar aos dez por cento.

O problema já se reflecte nos fornecedores, que já estão a diminuir o número de entregas feitas por dia. "Deve ser rara a Farmácia que não tenha feito uma redução entre os 30% e os 40% do investimento feiro na compra de stock. Uma Farmácia que tivesse uma facturação mensal de 100.000 Euros, há dois ou três anos tinha um stock de 150.000 a 200.000 Euros. Agora, não têm mais de 70.000 Euros", disse Pedro Pires, da distribuidora UDIFAR. "Com a perversão das margens, a crise geral, as Farmácias passam dificuldades. O valor do dinheiro está mais caro e stock é dinheiro. A distribuição é um espelho do que se passa nas Farmácias. Se não pedem, também reduzimos o stock e, por outro lado, os custos com o combustível também aumentaram muito. Estamos a disciplinar as Farmácias para duas entregas por dia", explicou.

Fontes: Jornal "Diário de Notícias" e autor em 15 de Fevereiro de 2012

 
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