O secretário de Estado da Saúde revela que os medicamentos vão ficar mais caros para os doentes, nos casos em que haja um genérico como alternativa.
Os medicamentos vão ficar mais caros para os doentes que comprem um remédio de marca quando têm um genérico como alternativa, até ao Verão. A notícia foi confirmada pelo secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, num debate realizado anteontem á noite sobre a Política do Medicamento. Em causa está a redução de preço dos genéricos em 30%, decretada em Outubro e que devia também abranger o valor que o Estado paga de comparticipação - este valor é igual ao preço do genérico mais caro, o que faria com que, reduzindo o preço, baixasse também o valor que o Estado paga quando um doente compra um medicamento. Como os doentes passariam a pagar muito mais pelos mesmos medicamentos (porque o valor de comparticipação descia), o Governo optou por criar um regime transitório, no qual o valor da ajuda do Estado se manteria, apesar de o genérico ser mais barato. Até agora, não se sabia até quando duraria este regime de suspensão. A resposta chegou anteontem: "Vamos reconduzir os valores à situação normal, provavelmente num processo faseado, mas muito brevemente", garantiu Francisco Ramos, assim assumindo que os doentes vão pagar mais se escolherem um medicamento inovador em vez de um genérico. No ano passado, o mercado de medicamentos genéricos representou 18,5% do mercado total, mas se olharmos apenas para os medicamentos onde os genéricos podem concorrer, isto é, aqueles que já perderam a exclusividade de venda no mercado, então esses valores sobem para perto dos 50%. Assim, os genéricos valem 622 milhões de euros, num mercado total que ultrapassa os 3.300 milhões de euros, revelando uma taxa de crescimento de 6,1%, de acordo com os dados da Autoridade Nacional de Farmácia e Medicamento (Infarmed).
Saúde sensibiliza médicos para as vantagens dos genéricos O incentivo para os doentes pedirem aos médicos para lhes receitar um genérico não vai, no entanto, ficar-se por aqui. Francisco Ramos revela ainda que "existe um grande trabalho a fazer com os médicos prescritores para os sensibilizar para as vantagens da prescrição baseada em factores económicos e para que os genéricos ganhem a confiança dos médicos". Em causa está a desconfiança nos genéricos manifestada por alguns profissionais de saúde, alicerçada nas dúvidas sobre a capacidade do Infarmed no acompanhamento e fiscalização da qualidade deste tipo de medicamentos, principalmente no que diz respeito ao controlo sobre a proveniência geográfica dos remédios.
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