85% dos Utentes já tomaram genéricos

No primeiro semestre de 2011, quase 85% da população adulta portuguesa já tinha experimentado este tipo de medicação. A conferência de imprensa, que decorreu hoje na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, surge como reacção ao título “Médicos resistem aos genéricos”, referente a um artigo publicado este sábado no Sol, onde se dizia que dos inquiridos que indicaram nunca ter tomado genéricos, a maioria atribui responsabilidades aos próprios profissionais de saúde (43,6% afirma que o seu médico se recusa a prescrever esse tipo de medicação), 28,7% considera que esses medicamentos não são seguros e 20,2% entende que os genéricos não são tão eficazes como os outros.

O bastonário realçou este número, os 85% que já experimentaram genéricos, o que, na sua opinião, revela uma adesão dos médicos à sua prescrição, avançando como prova com números da quota de mercado de genéricos de algumas das substâncias activas mais prescritas, como é o caso da fluoxetina, um antidepressivo, que é de 80%, e da Ciprofloxacina, um antibiótico, em 87%. No total, a quota de mercado (em número de embalagens) andava em Julho deste ano nos cerca de 20%, referem dados do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde).

José Manuel Silva notou que “há marcas que se sobrepõem ao princípio activo e que os doentes preferem/exigem, como o Ben-ur-on, o Voltaren, o Brufen, o Lerin, o Lexotan, diversos contraceptivos orais, etc)”. Manifestou-se ainda contra a possibilidade de os farmacêuticos poderem vir a substituir o medicamento prescrito pelo médico por outro, quando actualmente o médico pode impedi-lo bloqueando a receita e escolhendo a opção de não substituição.

O bastonário notou que a substituição de fármacos de marca por genéricos pode ser desestabilizadora, apontando para “a perturbação nos doentes mais idosos e menos letrados”. “Os doentes mais idosos confundem-se com muitos nomes, muitas cores. Muitos acabam nas urgências por excesso de dosagem”.

O estudo/barómetro “Os Portugueses e a Saúde” - desenvolvido pela empresa de estudos de mercado Spirituc - Investigação Aplicada - revelou que é na população envelhecida, não activa e nos residentes na região Sul e ilhas, com baixa escolaridade, que se verificam as maiores resistências ao consumo de genéricos.

O bastonário defendeu ainda que nem sempre é possível a substituição de fármacos de marca por genéricos, a bem da “estabilidade clínica do doente”, notando que pode haver “consequências negativas para os doentes”. “Há situações específicas em que as reservas aos genéricos existem e estão cientificamente reconhecidas”, nomeadamente em relação a diferenças de efeitos adversos.

Quanto à questão económica, defendeu que “é ultrapassável” se for seguida a proposta da Ordem de que todos os genéricos do mesmo princípio activo e da mesma dose sejam marcados pelo preço mais baixo e o seu preço diminuído em 10%, assim como a baixa em 50% do preço dos medicamentos inovadores quando perdem a patente, “em consonância com a troika”.

Fontes: Jornal "Público" e autor em 26 de Setembro de 2011