Dióxido de cloro continua a ser vendido como tratamento da covid-19. INEM fala em “ilegalidade”, DGS, Infarmed e DGAV passam a “bola”

Dióxido de cloro continua a ser vendido como tratamento da covid-19. INEM fala em “ilegalidade”, DGS, Infarmed e DGAV passam a “bola” - 

Substância química é usada em contexto médico em Portugal apesar de poder causar vómitos, febre e queimaduras de estômago, sublinha o jornal “i”. Nenhuma entidade nacional diz ter autoridade para proibir este tratamento fraudulento.

Tem um nome simpático, “Miracle Mineral Solution”, mas é na verdade feito à base de dióxido de cloro, um composto químico usado, por exemplo, no tratamento das águas e no fabrico de lixívia. É vendido em Portugal, e quem o comercializa diz que é indicado para tratar o VIH, o autismo, ou, mais recentemente, a covid-19. Em Espanha, entre Abril e Junho, foram detectados 26 casos de intoxicação por MMS.

Em Portugal, lembra esta segunda-feira o “jornal i”, o MMS encontra-se num vazio legal. O Infarmed não o certifica enquanto medicamento e desaconselha o seu uso, mas a sua venda não é proibida - é considerado “uma lixívia” e foge à jurisdição da autoridade nacional. Por isso, continua a ser utilizado em “escolas” de medicina alternativa no país.

Já em 2010 o Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura (hoje integrado na DGAV, Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária) tinha alertado a população para os malefícios desta substância: “Por via oral, os efeitos tóxicos variam segundo a quantidade ingerida: vómitos, febre, dores epigástricas e torácicas e, por isso, queimaduras graves das mucosas do esófago e do estômago.”

Ao jornal “i”, a DGAV diz que o dióxido de cloro “não está autorizado” nem “foi notificado”. O INEM considera o seu uso em contexto médico uma “ilegalidade”, mas ninguém parece actuar no sentido da sua proibição, diz o “i”: a DGS remete para o Infarmed, que remete para a DGAV, que remete para o Infarmed. Enquanto isso, a ASAE demarca-se do problema, conclui o jornal.

O líder da Igreja Génisis II da Saúde e Cura foi recentemente preso na Colômbia por fabricar, promover e vender MMS, prometendo que este curaria a covid-19 e outras doenças, apesar do seu carácter fraudulento. O esquema rendeu-lhe cerca de 100 mil euros mensais, segundo a BBC.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 21 de Setembro de 2020.

Campanha de vacinação contra a gripe antecipada para 28 de Setembro

Campanha de vacinação contra a gripe antecipada para 28 de Setembro - 

A campanha de vacinação para a gripe vai ser antecipada este ano, começando em 28 de Setembro pelas faixas da população prioritárias, que incluem idosos e grávidas, revelou hoje a directora-geral da Saúde.

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia da covid-19, Graça Freitas afirmou que a campanha de vacinação do Serviço Nacional de Saúde, que começa habitualmente em 15 de Outubro, começará mais cedo com uma primeira fase para qual há 350 mil vacinas disponíveis.

Residentes em lares de idosos, profissionais de saúde, profissionais do sector social que prestam cuidados e grávidas estão entre os sectores mais vulneráveis e serão os primeiros a poder ser vacinados, afirmou.

Na segunda fase, que começará em 19 de Outubro, estão incluídos outros grupos de risco: pessoas com 65 ou mais anos e pessoas com doenças crónicas.

"Queremos vacinar o mais depressa possível e estamos a fazer planeamento com as administrações regionais de saúde para, se for necessário, ampliar os pontos vacinação para outras estruturas da comunidade" além dos centros de saúde, afirmou a responsável da DGS.

Graça Freitas apelou a todas as pessoas que tiverem indicação médica para que se vacinem, salientando que este ano, com a pandemia, é "ainda mais importante que o façam".

Havendo a covid-19 "convém não ter outras infecções respiratórias que se possam confundir com covid e que obriguem a fazer um diagnóstico para ver se as pessoas têm covid ou têm gripe", referiu.

Além das vacinas gratuitas para as pessoas incluídas nos grupos de risco, haverá vacinas à venda nas farmácias que podem ser compradas com receita médica e são comparticipadas, indicou.

No total, o SNS comprou este ano mais de dois milhões de vacinas da gripe a duas empresas diferentes, por concurso público, mas todas as vacinas são iguais.

Uma das empresas entregou já 150 mil doses, a distribuir pelas administrações e "muito rapidamente" chegará mais uma tranche para permitir começar a vacinação mais cedo.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 18 de Setembro de 2020.

Número disparou. Profissionais de saúde já fizeram 6,5 milhões de horas extra neste verão

Número disparou. Profissionais de saúde já fizeram 6,5 milhões de horas extra neste verão - 

Entre Junho e Agosto, médicos, enfermeiros, técnicos e assistentes operacionais prestaram 6 592 875 horas extraordinárias no Serviço Nacional de Saúde, mais 976 mil (17%) do que em igual período do ano passado. A pandemia de covid-19 veio dar ainda mais visibilidade a um problema crónico, apontam a bastonária da Ordem dos Enfermeiros e o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos.

O Verão é só por si uma altura em que os profissionais de saúde fazem mais horas extraordinárias para compensar algumas ausências por férias, mas, neste ano, em plena pandemia de covid-19, estes números cresceram ainda mais. Entre Junho e Agosto, médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e técnicos de diagnóstico fizeram 6 592 875 horas a mais; o que significa um aumento de 17% (975 725 mil horas) em relação ao período homólogo, de acordo com dados disponíveis no portal do SNS. A maioria destas horas foram prestadas em horário diurno e Junho foi o mês em que se tornaram mais necessárias.

Os hospitais e centros de saúde que mais tiveram de recorrer a horas extra (nocturnas, em dias de folgas ou feriados) encontram-se em Lisboa e vale do Tejo. A seguir, os profissionais de saúde tiveram de trabalhar mais horas, por esta ordem, no norte, no centro, no Alentejo e no Algarve. No entanto, no que diz respeito às horas realizadas em horário diurno - as mais comuns - o norte foi onde os trabalhadores do sector da saúde mais tiveram de ficar para lá do seu horário laboral.

As instituições que registam maior recurso às horas extra correspondem aos hospitais do país com maior dimensão: o Centro Hospitalar Lisboa Norte (que inclui os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente), o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, a Administração Regional de Saúde do Norte, o Centro Hospitalar Lisboa Central (onde se inserem os hospitais de São José, Santo António dos Capuchos, Santa Marta, Dona Estefânia, Curry Cabral e a Maternidade Dr. Alfredo da Costa) e o Centro Hospitalar Universitário do Porto.

Segundo a informação disponível no Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), actualizada até ao dia 31 de Agosto, o mês de Junho foi o mais exigente, tendo sido feitas 2 405 103 horas. Em Julho, realizaram-se 2 057 450 e em Agosto 2 130 322.

É sem surpresa que a bastonária dos enfermeiros olha para estes resultados. "Portugal tem dos mais baixos rácios dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE] de enfermeiros por mil habitantes, tem 20 mil enfermeiros no estrangeiro, sendo que 2019 foi o ano com mais enfermeiros a emigrarem. É evidente que iam aumentar as horas extraordinárias e vão aumentar muito mais", sentencia Ana Rita Cavaco.

Para a bastonária, este é um problema com duas décadas que só poderia agudizar-se com o actual contexto. "Com a pandemia, com o auxílio aos lares na sequência da pandemia, é evidente que não é de estranhar este aumento. E os enfermeiros que neste ano acabaram de se formar não chegam para as necessidades. É necessário contratar, claro, mas para isso é preciso que haja enfermeiros para contratar, o que não acontece neste momento. É urgente encontrar mecanismos de fixação dos enfermeiros em Portugal, ou continuaremos a exportar enfermeiros, que tanta falta nos fazem cá. Se no início da pandemia a guerra foi por equipamentos de protecção individual, agora vai ser por enfermeiros", acrescenta.

Sobre a possibilidade de reforço dos profissionais, a ministra da Saúde, Marta Temido, voltou a referir, em conferência de imprensa, na sexta-feira, que, desde a legislatura anterior, se tem procedido a contratações. E que, desde que a pandemia começou, o governo aprovou um regime excepcional de contratação com o objectivo de facilitar o aumento de recursos humanos nas instituições que precisem. Inicialmente, estes contratos tinham a duração de quatro meses, mas Marta Temido, anunciou no final da semana passada que passarão a ser por tempo indeterminado de forma que o "conhecimento e a experiência obtidos nos últimos meses não se percam".

Profissionais contratados durante a pandemia vão ter contratos por tempo indeterminado.

Apesar disto, a responsável pela pasta da Saúde admitiu dificuldades nas contratações em algumas áreas por falta de profissionais, nomeadamente, de assistentes operacionais.

Horas extra "interferem negativamente na vida familiar, pessoal e cultural" dos profissionais

O secretário-geral do SIM considera que a atitude do ministério fica muito aquém do necessário, que são precisos mais médicos e que há que "tratá-los bem" para impedir que saiam do país.

Jorge Roque da Cunha assume que a maioria dos colegas "não querem fazer horas extra". Uma vez que estas "são mal pagas" e "interferem negativamente na vida familiar, pessoal e cultural" dos profissionais. São antes obrigados a fazê-las para garantir a capacidade de resposta do SNS.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 18 de Setembro de 2020.

Novos tratamentos da insuficiência cardíaca prometem reduzir mortalidade

Novos tratamentos da insuficiência cardíaca prometem reduzir mortalidade - 

O estudo incluiu 8.442 pacientes com mais de 18 anos (média de idade de 64 anos). Todos sofriam de insuficiência cardíaca e o tempo médio de seguimento foi de 27 meses.

Investigadores da Faculdade de Medicina do Porto anunciaram esta quinta-feira que os ensaios clínicos de dois novos tratamentos demonstraram "um impacto positivo no tratamento da insuficiência cardíaca", reduzindo a mortalidade e os internamentos.

Os resultados foram apurados no decorrer de ensaios clínicos realizados a nível internacional, com a colaboração de uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), do CINTESIS e do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

O primeiro novo tratamento diz respeito "à utilização de ARNis - inibidores de neprisilina e dos receptores da angiotensina", um grupo de medicamentos já conhecido.

A eficácia da utilização deste tipo de medicamentos na insuficiência cardíaca foi aferida num ensaio clínico que comparou a sua acção com um dos medicamentos convencionalmente utilizados nestes doentes.

O estudo incluiu 8.442 pacientes com mais de 18 anos (média de idade de 64 anos). Todos sofriam de insuficiência cardíaca e o tempo médio de seguimento foi de 27 meses.

Segundo os investigadores, os resultados do ensaio foram "significativos".

De acordo com José Silva Cardoso, cardiologista e investigador da FMUP, responsável pela coordenação da parte do ensaio que decorreu em Portugal, "os ARNis mostraram-se superiores ao medicamento convencional, reduzindo o risco de morte cardiovascular ou hospitalizações por insuficiência cardíaca em 20%".

Outros estudos, como o DAPA-HF e o EMPEROR-Reduced, avaliaram a eficácia de outro medicamento na redução da mortalidade e hospitalizações nesta patologia, que todos os anos mata duas a três vezes mais pessoas em Portugal do que o cancro da mama ou do cólon.

Esta classe de medicamentos era já conhecida e usada no tratamento de pacientes diabéticos (os inibidores do cotransportador sódio-glicose).

Os resultados destes trabalhos foram publicados no New England Journal of Medicine durante o último ano e debatidos também no último Congresso Europeu da Cardiologia, assim como noutros meios especializados.

"Percebemos que estes medicamentos reduzem a mortalidade e os internamentos por insuficiência cardíaca", podendo ser utilizados com sucesso no seu tratamento, mesmo quando o paciente não tem um quadro clínico de diabetes, explica José Silva Cardoso.

A equipa da FMUP e do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalizar Universitário de São João participou também em ensaios clínicos dedicados ao estudo da eficácia destes fármacos sobre a capacidade funcional dos doentes com Insuficiência Cardíaca - os Ensaios EMPERIAL-Reduced e EMPERIAL-Preserved. Estes resultados estão ainda em publicação.

Até aos anos 80, 75% dos pacientes com insuficiência cardíaca morriam no espaço de cinco anos após os primeiros sintomas, que consistem habitualmente de queixas de falta de ar, cansaço e/ou edemas (pés inchados).

Nas últimas décadas, registaram-se progressos que permitiram reduzir esta taxa para 50%.

"Ainda é muito pouco. Há ainda muito a fazer. Os resultados destas investigações mostram-nos que há outros caminhos que devemos explorar na prática clínica, para benefício dos doentes", sublinha, em comunicado, o investigador português.

Defende, por isso, que "a investigação científica nesta área não pode parar",

"Estamos a falar de uma doença que atinge em Portugal mais de 400 mil pessoas, sendo fortemente incapacitante e causando uma grande deterioração da qualidade de vida. É a primeira causa de internamentos acima dos 65 anos", descreveu.

Adicionalmente, em Portugal, esta patologia representa 3,4% dos custos anuais em saúde.

Estes novos tratamentos e os resultados da investigação mais recente sobre insuficiência cardíaca vão ser apresentados aos médicos portugueses e discutidos em detalhe, sexta-feira e sábado, no âmbito das reuniões científicas anuais "Advances in Heart Failure" organizada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

A reunião deste ano contará com mais de quarenta peritos em insuficiência cardíaca nacionais e internacionais e decorrerá online.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 18 de Setembro de 2020.

Câmara de Lisboa quer farmácias a administrar vacina contra a gripe

Câmara de Lisboa quer farmácias a administrar vacina contra a gripe - 

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, esta quinta-feira, uma moção do CDS-PP que insta o Governo a incluir as farmácias na rede de administração das vacinas contra a gripe, sendo remuneradas pelo Serviço Nacional de Saúde.

O documento, apreciado em reunião privada do executivo, teve os votos contra do PCP, a abstenção do BE e os votos favoráveis das restantes forças políticas (PS, PSD e CDS-PP), disse à Lusa fonte dos centristas.

O CDS argumenta na moção que "os serviços de saúde estão fortemente condicionados pelas medidas de contenção do SARS-CoV-2 e é de prever que existam sérias dificuldades logísticas e de alocação de recursos humanos para a administração da vacina contra a gripe aos muitos milhares de utentes que dela necessitam".

Os centristas defendem que a rede nacional de farmácias, que "conta com mais de 2800 estabelecimentos", permite "oferecer com segurança e celeridade a administração de vacinas".

"A circunstância pandémica, apesar de imprevisível e absolutamente inusitada, revelou, melhor do que qualquer estudo ou investigação, o enorme potencial que as farmácias comunitárias têm para aportar valor e eficiência ao serviço de saúde", acrescenta o documento.

"É hoje uma evidência que as farmácias são unidades de saúde de proximidade e prestadoras de serviços que vão muito além da dispensa de medicamentos, são veículos promotores de saúde e bem-estar", consideram os vereadores do CDS, o maior partido da oposição na Câmara de Lisboa, presidida por Fernando Medina (PS).

Segundo dados do Vacinómetro, citados na moção, em finais de Outubro do ano passado vacinaram-se 573.195 portugueses com 65 ou mais anos e 133.299 com idades entre os 60 e os 64 anos.

As farmácias administraram mais de 25% das vacinas contra a gripe, mas sem qualquer comparticipação do Serviço Nacional de Saúde, refere a mesma informação.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 17 de Setembro de 2020.

Covid-19. Um teste que permite resultados em 15 minutos? É portátil e está a caminho de Portugal

Covid-19. Um teste que permite resultados em 15 minutos? É portátil e está a caminho de Portugal - 

O uso do dispositivo de teste rápido é autorizado para profissionais de saúde.

A Abbot, empresa de produtos de saúde, desenvolveu um dispositivo de teste rápido para a covid-19, uma ferramenta portátil que permite aos profissionais médicos detectarem infecções activas do novo coronavírus. Chama-se “Panbio Covid-19 Ag”, os resultados são obtidos em apenas 15 minutos e já está a caminho de Portugal.

“O teste rápido de antígeno permite testes frequentes à covid-19 em grande escala, permitindo identificar rapidamente os indivíduos infectados e reduzir a propagação do vírus”, salienta Tiago Cravo, gestor de vendas da Abbot.

O responsável assegura que a empresa “usou a sua liderança, conhecimento e experiência na área das doenças infecciosas para criar esta ferramenta poderosa que torna os testes em grande escala rápidos, baratos e acessíveis”.

Neste momento, contextualiza Tiago Cravo, a empresa “está a trabalhar com as autoridades nacionais para implementá-los em Portugal”, cujos resultados, de acordo com a Abbot, não requerem teste de confirmação.

Os testes rápidos de antígeno detectam uma proteína do vírus para determinar a infecção. A recolha de amostras em indivíduos é efectuada através do exsudado da nasofaringe (utilização de zaragatoa).

O sistema utiliza tecnologia de fluxo lateral e não necessita de instrumentação.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 17 de Setembro de 2020.