Farmácias recordam carácter simbólico do protesto de 23 minutos

Farmácias recordam carácter simbólico do protesto de 23 minutos - 

Após o comunicado divulgado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (Infarmed), a Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a Associação de Farmácias de Portugal (AFP), sob o mote “Salvar as Farmácias, cumprir o SNS” emitiram um esclarecimento a indicar que as farmácias sabem quais os seus deveres para com a população.

“O Infarmed, com a sua ameaça de hoje de sanções sobre as farmácias, mostra incompreensão pela natureza simbólica de uma paragem de 23 minutos. O sistema de prescrição electrónica já esta semana esteve parado mais tempo, por problemas inerentes aos servidores dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. No passado, já esteve parado vários dias e nunca o Infarmed manifestou qualquer preocupação com isso. As farmácias sabem bem quais os seus deveres para com a população, que servem todos os dias, em todo o território”, explicam.

As farmácias sublinham ainda que “nunca adoptaram nem vão adoptar formas de protesto que ponham em causa o seu serviço aos portugueses. As farmácias garantem que a sua manifestação de 23 minutos não deixará um único português sem os seus medicamentos”.

Devido à importância do debate parlamentar de hoje sobre a Petição “Salvar as farmácias Cumprir o SNS”, as farmácias “convidam todos os cidadãos a assistir, às 15 horas, a um debate decisivo para a sua saúde”.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 27 de Maio de 2020

Infarmed avisa: farmácias podem sofrer sanções se cumprirem suspensão de 23 minutos esta quarta-feira

Infarmed avisa: farmácias podem sofrer sanções se cumprirem suspensão de 23 minutos esta quarta-feira - 

Farmácias têm “obrigação de atender e dispensar medicamentos em permanência durante o seu horário de funcionamento”, salienta a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. A petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS” é discutida esta quarta-feira no Parlamento a as farmácias vão suspender o seu funcionamento durante o tempo reservado para a discussão da mesma.

As farmácias estão vinculadas a obrigações legais e incorrem em sanções, avisou terça-feira a Infarmed, em resposta à Associação Nacional das Farmácias (ANF) que anunciou para esta quarta-feira uma paragem simbólica dos serviços farmacêuticos.

"Inerente ao dever de interesse público, as farmácias estão vinculadas às obrigações que sobre elas impedem no quadro legal de regulação da sua actividade, de que faz parte a obrigação de atender e dispensar medicamentos em permanência durante o seu horário de funcionamento", salientou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

"Estes deveres vinculados, não podem ser livremente suspensos mesmo que de forma curta e temporária por livre iniciativa da mesma e muito menos por parte da associação de que possam ser sócias, uma vez que, tal como já referido, prosseguirem, em exclusivo, uma actividade de interesse público, sujeita a obrigações legais e passíveis de sanccionamento", sublinha-se na mesma nota.

Por um lado, a Infarmed "reconhece o importante papel e contributo que as farmácias detêm no sistema de saúde português e, no momento presente, a importância e o esforço que tiveram, a par de tantas outras entidades, no desígnio nacional do combate à covid-19", pode ler-se no comunicado.

Mas, por outro, a autoridade aproveitou para recordar "a responsabilidade das farmácias e dos farmacêuticos", bem como "o quadro legal em vigor (...), "a actividade de saúde e de interesse público" que desempenham.

 

O PROTESTO

Em causa está um comunicado da ANF sobre a petição "Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS'", que é discutida esta quarta-feira no parlamento.

"Na quarta-feira, às 15h00, as farmácias vão suspender o seu funcionamento durante os 23 minutos reservados pela Assembleia da República para debater a petição", anunciou no domingo a ANF em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo a nota, a plataforma informática de dispensa das receitas electrónicas "ficará 23 minutos inactiva".

Com a paragem simbólica, as farmácias querem alertar "a sociedade portuguesa e o poder político sobre a urgência de medidas concretas para salvaguardar os serviços das farmácias aos portugueses".

"O Estado tem iniciado várias experiências de serviços farmacêuticos críticos para a saúde dos portugueses, mas esses processos arrastam-se no tempo, sem decisão ou qualquer investimento público", aponta a ANF.

O presidente da ANF, Paulo Cleto Duarte , associação que reúne 2.750 farmácias, sublinhou, citado na nota, que "a indecisão do Estado deixa os farmacêuticos comunitários entre a espada e a parede".

"Por um lado, a sua consciência profissional impede-os de deixar de servir um único doente. Por outro, a sobrevivência das farmácias proíbe-os de continuar a prestar serviços gratuitamente, sem qualquer comparticipação por parte do Estado", afirmou.

Segundo a ANF, na última década, a rede de farmácias tem sido alvo de uma série de medidas de austeridade "que conduziram ao colapso da sua sustentabilidade económica".

Neste momento, "há 702 farmácias alvo de processos de penhora e de insolvência, o que corresponde a 24% da rede", de acordo com a associação.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 27 de Maio de 2020.

Infarmed aprova financiamento de Keytruda

Infarmed aprova financiamento de Keytruda - 

De acordo com um comunicado divulgado, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (Infarmed) aprovou o financiamento de Keytruda (pembrolizumab) em combinação com pemetrexedo e quimioterapia contendo platina (cisplatina ou carboplatina) para o tratamento de primeira linha de doentes com cancro do pulmão de células não-pequenas, não-escamoso, metastático, sem mutações tumorais EGFR ou ALK.

Keytruda (pembrolizumab) é um anticorpo monoclonal humanizado que actua através do aumento da capacidade de resposta imunitária do próprio organismo contra células tumorais.

Esta decisão tem por base os resultados do ensaio clínico de fase 3, KEYNOTE-189, que demonstrou que pembrolizumab em combinação com pemetrexedo e quimioterapia contendo platina aumenta significativamente a sobrevivência global e sobrevivência livre de progressão comparado com quimioterapia isolada.

“Estamos profundamente orgulhosos na forma como a nossa ciência tem contribuído decisivamente para a esperança das pessoas com cancro do pulmão. Compreendemos o impacto desta terrível doença no doente e para quem o acompanha. É por isso que esta decisão de financiamento nos deixa muito satisfeitos e a sentir que a aposta que temos feito na investigação e desenvolvimento é um compromisso para a vida”, afirmou Vitor Virgínia, Director Geral da MSD Portugal.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 26 de Maio de 2020

OMS suspende temporariamente ensaios com hidroxicloroquina, o medicamento que Trump tomou

OMS suspende temporariamente ensaios com hidroxicloroquina, o medicamento que Trump tomou - 

Apesar da decisão da OMS, o Ministério da Saúde brasileiro mantém a recomendação de usar hidroxicloroquina em doentes diagnosticados com covid-19.

Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou na segunda-feira a suspensão temporária dos ensaios clínicos com hidroxicloroquina para combater a covid-19 por causa de estudos científicos que associam maior mortalidade ao uso daquele medicamento.

Apesar desta decisão, o Ministério da Saúde brasileiro mantém a sua recomendação de usar hidroxicloroquina em doentes com o novo coronavírus.

"Estamos muito tranquilos e serenos em relação à nossa orientação. Ela segue uma orientação feita pelo Conselho Federal de Medicina, que dá autonomia para que os médicos possam prescrever essa medicação para os pacientes que assim desejarem. Isso é o que vamos repetir diariamente", declarou Mayra Pinheiro, secretária de gestão em trabalho na saúde do ministério, durante uma conferência de imprensa, em Brasília.

O medicamento foi usado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, apesar de a autoridade responsável pela aprovação de novos medicamentos nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), ter alertado para o risco de causar problemas de coração.

A hidroxicloroquina é medicamento que Trump tem defendido quase desde o início da pandemia. Na semana passada disse que já o estava a tomar. "Tudo o que posso dizer é que até agora pareço estar bem", disse o presidente norte-americano.

O director-geral da OMS afirmou que a decisão do Comité Executivo da organização surge depois de na semana passada a revista científica The Lancet ter divulgado um estudo em que se observou mortalidade acrescida em doentes tratados com aquele medicamento.

Tedros Ghebreyesus destacou que o resto dos testes clínicos solidários com outras terapias vão continuar em mais de 400 hospitais em 35 países, que contam com 3.500 voluntários.

"Queremos usar a hidroxicloroquina se for segura e eficaz", diz OMS

Na habitual conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, a cientista sénior da OMS Soumya Swaminathan declarou que "há muito poucos estudos randomizados e é importante recolher informação sobre a segurança e eficácia" da hidroxicloroquina como terapia para a covid-19, uma vez que é usada principalmente para tratar a malária.

"Os dados dos estudos observacionais [como o do Lancet] podem ser enviesados. Queremos usar [a hidroxicloroquina] se for segura e eficaz, se reduzir a mortalidade e os internamentos e se os benefícios forem mais do que os danos", afirmou.

Tedros Ghebreyesus afirmou que os organismos de vigilância e segurança da OMS vão voltar a reunir-se brevemente, na próxima semana, para reavaliar a decisão.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 26 de Maio de 2020.

UTAD valida em Portugal dispositivo portátil de detecção da doença

UTAD valida em Portugal dispositivo portátil de detecção da doença - 

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, disse hoje que está a validar o funcionamento de um dispositivo portátil de detecção da covid-19, que visa a obtenção de resultados em 30 minutos.

A academia transmontana explicou, em comunicado, que o centro de testagem covid-19, em funcionamento desde o início do mês, foi escolhido pela empresa STAB VIDA para iniciar os testes através do "Doctor Vida", um dispositivo portátil de detecção rápida do novo coronavírus (SARS-CoV-2), que visa a obtenção de resultados "em 30 minutos".

Este centro, acrescentou, "está a validar o funcionamento, a tecnologia e o software deste dispositivo que, depois da validação, será disponibilizado para comercialização pela STAB VIDA".

"Trata-se de uma colaboração muito importante para a UTAD e para o centro de testagem, porque é um reconhecimento do trabalho que está a ser desenvolvido aqui", afirmou a responsável pela unidade, Raquel Chaves.

De acordo com a academia, "esta colaboração foi agora reforçada através de um projecto conjunto submetido à Fundação para a Ciência e Tecnologia, o 'Call COVID-19', que terá também a colaboração dos Hospitais do Porto e Covilhã, e cujo objectivo é a utilização do dispositivo "Doctor Vida" para a realização de testes serológicos.

Neste projecto, o centro de testagem da UTAD "irá fazer marcadores de prognóstico para avaliar o desenvolvimento da doença".

O centro da universidade transmontana está validado pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge e realizou mais de um milhar de testes à covid-19 em menos de um mês de funcionamento, trabalhando em coordenação com o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, através dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) Douro I e Tâmega II.

Neste laboratório da universidade trabalham em regime de voluntariado 11 docentes, investigadores e estudantes de mestrado e doutoramento.

Portugal contabiliza 1.330 mortos associados à covid-19 em 30.788 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim diário da Direcção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado hoje.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 25 de Maio de 2020.

Lóbi farmacêutico bloqueou Bruxelas na investigação aos coronavírus em 2018

Lóbi farmacêutico bloqueou Bruxelas na investigação aos coronavírus em 2018 - 

As organizações não-governamentais (ONG) Global Health Advocates e Corporate Europe Observatory acusam as grandes farmacêuticas envolvidas em parcerias público-privadas (PPP) com a União Europeia (UE) de terem impedido a investigação sobre coronavírus proposta por Bruxelas em 2018.

"Estamos indignados por encontrar provas de que o lóbi da indústria farmacêutica EFPIA [European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations] não só não considerou o financiamento da bioprevenção (ou seja, estar pronto para responder a epidemias como a causada pelo novo coronavírus, covid-19), como se opôs a que a mesma fosse incluída nos trabalhos da IMI [Iniciativa de Inovação Médica] quando essa possibilidade foi levantada pela Comissão Europeia em 2018", lê-se nas conclusões de um estudo a que a agência Lusa teve acesso.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Comissão Europeia (CE) sublinhou que está a ser investida "uma verba significativa de dinheiro em pesquisa e inovação na saúde, nas alterações demográficas e no bem-estar, assim como na sustentabilidade ambiental e na acção climática, com o foco nos desafios da sociedade e atacando as necessidades médicas e ambientais".

Segundo o relatório "Mais privada do que pública: como as grandes farmacêuticas dominam a Iniciativa de Inovação Médica", integrado num documento mais amplo denominado "Em nome da Inovação", feito pela Global Health Advocates (GHA) e pelo Corporate Europe Observatory (CEO), a indústria farmacêutica beneficiou de 2,6 mil milhões de euros do orçamento público de investigação da UE no período compreendido entre 2008 e 2020, através da IMI, "mas até agora falhou em investir significativamente em áreas de pesquisa onde o financiamento é urgentemente necessário".

A GHA e o CEO sublinham que, entre as áreas negligenciadas que necessitavam de um financiamento significativo, estão "a prevenção para epidemias (incluindo as causadas pelos coronavírus), o HIV/sida, e as doenças tropicais relacionadas com a pobreza", mas que, em vez disso, "a indústria farmacêutica usou sobretudo o orçamento para financiar projectos em áreas que eram comercialmente mais rentáveis".

As duas ONG assinalam que, desde a aparição do coronavírus SARS, "um primo chegado do novo coronavírus", em 2003, os investigadores têm pedido que seja acelerado o desenvolvimento de tecnologias médicas para combater este tipo de vírus.

"Na verdade, já houve um 'candidato promissor para tratar coronavírus em 2016', mas não captou a atenção das grandes farmacêuticas para mais desenvolvimentos", acusam as duas organizações sem fins lucrativos.

E acrescentam: "Só agora, com uma pandemia global em curso e quando existem fundos públicos mobilizados para combatê-la, é que a indústria está a mostrar vontade de ajudar a desenvolver vacinas e tratamentos".

De acordo com as ONG, a indústria farmacêutica já tinha tratado a Ébola de forma semelhante, uma vez que só se dedicou à sua investigação quando a mesmo se tornou uma epidemia em 2014, e depois de a IMI ter começado a financiar projectos de pesquisa relevantes.

Investir em bioprevenção

"Esse caso mostra como intervenções tardias quando uma epidemia já está em andamento são muito menos úteis do que o tipo de bioprevenção que a indústria rejeitou", vincaram.

Questionada pela Lusa, Marine Ejuryan, da GHA, considerou que, face à actual crise, "é expectável" que Bruxelas coloque a bioprevenção entre as prioridades do financiamento de projectos nas próximas PPP da área da investigação na saúde.

Contudo, realçou que "é demasiado pouco e demasiado tarde investir em epidemias após surgirem", e que uma "resposta efectiva requer tempo e investimentos sustentáveis para garantir que existem as vacinas e tratamentos necessários quando surgem os surtos epidémicos".

Sobre a postura das grandes farmacêuticas, a especialista considerou que "muitas multinacionais estão agora envolvidas na pesquisa da vacina e de tratamentos contra o coronavírus, uma vez que agora existem enormes quantias de financiamento público mobilizado na União Europeia e a nível global. Mas não necessariamente por razões altruístas".

Por seu turno, Martin Pigeon, investigador do CEO, considerou que "já é tempo de a política de investigação e inovação da UE receber o escrutínio político e os debates que merece", a bem do interesse público.

"O que está em jogo aqui é a captura corporativa de grandes áreas da política e dos orçamentos de pesquisa da UE, às custas das necessidades públicas, da nossa saúde e da saúde do nosso planeta", destacou.

E rematou: "O financiamento público da pesquisa e inovação é um investimento na produção de conhecimento e ferramentas para o futuro, e, num momento de crise em curso, acertar esses investimentos é mais crucial do que nunca".

 

Fonte: Site do "Jornal Notícias" e autor em 25 de Maio de 2020.