Mais de 80% dos portugueses sem médico de família vivem na região de Lisboa

Mais de 80% dos portugueses sem médico de família vivem na região de Lisboa - 

Governo voltou a falhar meta de meta da cobertura total – neste momento, cerca de 600 mil utentes ainda não têm clínico atribuído (500 mil em Lisboa).

A ministra da Saúde adiantou esta segunda-feira que cerca de 600 mil portugueses ainda não têm médico de família e que, desses, 500 mil residem na região de Lisboa. Marta Temido justificou o número com a inscrição no SNS de milhares de cidadãos estrangeiros, que vieram pressionar o sistema de saúde.

“Temos tido dificuldades em concretizar o objectivo porque temos um número significativo de cidadãos de outros países que se têm fixado em Portugal. Mais 200 mil inscritos do que tínhamos quando nos propusemos alcançar a nossa meta”, referiu a ministra.

Apesar de o número de utentes sem médico ter vindo a baixar de forma tímida ao longos dos anos (apesar de algumas variações contrárias), no final da anterior legislatura, em Outubro, o governo ficou longe do objectivo de conseguir uma cobertura total nos cuidados de saúde primários. E para o conseguir nos próximos quatro anos, o Ministério da Saúde terá forçosamente de aumentar de forma exponencial o número de especialistas em Medicina Geral e Familiar na região de Lisboa.

Isto porque há centros de saúde onde a capacidade de resposta é muito baixa. No centro de saúde de Algueirão, nos subúrbios da capital, 60% dos utentes não tem médico – são mais de 26 mil pessoas. Já no centro de saúde da Alameda, no ‘coração’ de Lisboa a situação é ainda pior: 65% não têm clínico atribuído (mais de 21 mil pessoas). Em Setúbal, o centro de saúde de São Sebastião não consegue dar resposta a quase 20 mil utentes. E na Amadora, são quase 21 mil o que ficam de fora. E os exemplos sucedem-se.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 18 de Fevereiro de 2020.

Despesa do SNS com medicamentos para diabetes duplicou em dez anos

Despesa do SNS com medicamentos para diabetes duplicou em dez anos - 

Os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos para a diabetes duplicaram em 10 anos, tendo aumentado em 44% o consumo de fármacos para o controlo da doença que afecta 10% da população portuguesa.

Os dados constam de uma análise feita pelo Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento à evolução da despesa e da utilização com medicamentos anti-diabéticos no SNS entre 2009 e 2018, segundo um artigo publicado no boletim 'Infarmed Notícias'.

"Os encargos para o SNS passaram de 137,5 milhões de euros em 2009 para 291 milhões de euros em 2018, o que corresponde a cerca de 23% dos encargos do SNS com medicamentos dispensados em farmácia comunitária", refere a análise do Infarmed.

Quanto às insulinas, o aumento da despesa passou de 35 milhões de euros para 70 milhões de euros, o que também significa uma duplicação.

Com base nos dados de dispensa de medicamentos nas farmácias, o uso de fármacos para controlar a diabetes aumentou 44% entre 2009 e 2018.

O aumento mais significativo foi nas insulinas (com um acréscimo de 72%), podendo significar, segundo a análise, que existem mais diabéticos do tipo 2 a precisar também de insulina.

Ainda assim, a terapêutica com medicamentos anti-diabéticos que não a insulina é mais prevalente (86%), estando alinhada com a proporção de diabéticos do tipo 2.

As autoras da análise concluem que o aumento da despesa e de utilização destes medicamentos nos últimos 10 anos decorre de um "maior número de doentes em tratamento, da introdução de novas classes terapêuticas, mas também de uma possível intensificação terapêutica".

No artigo, o Infarmed considera que há "um potencial para uma utilização mais adequada dos medicamentos para o controlo da diabetes", fazendo uma gestão adequada dos recursos públicos.

A diabetes afecta cerca de 10% da população portuguesa entre os 25 e os 74 anos. Em 2018, cerca de 1,2 milhões de utentes adquiriram pelo menos uma embalagem de medicamentos para controlo da diabetes.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 14 de Fevereiro de 2020.

Lancet publica reacção de especialistas portugueses a editorial sobre SNS

Lancet publica reacção de especialistas portugueses a editorial sobre SNS - 

Especialistas portugueses alertam numa resposta publicada hoje na revista The Lancet a um editorial sobre o estado Serviço Nacional de Saúde (SNS) que os cuidados em fim de vida são a "área mais negligenciada da saúde" em Portugal.

Quatro clínicos e investigadores em cuidados paliativos, Bárbara Gomes, Duarte Soares, Ana Lacerda e Maja Brito, decidiram juntar-se e responder a um editorial de 12 de Outubro de 2019 da The Lancet, dedicado aos 40 anos do SNS, que afirmava que "a redução do investimento público na saúde em Portugal entre 2000 e 2017 impediu a modernização dos hospitais públicos" e facilitou o "crescimento do sector privado".

"Quando a Lancet publicou um editorial sobre o estado do nosso SNS ocorreu-nos responder e reagir, salientando a área dos cuidados em fim de vida como uma das mais negligenciadas no nosso sistema nacional de saúde", disse à agência Lusa, Bárbara Gomes, investigadora da Universidade de Coimbra e do King's College London.

Os investigadores nos estudos que realizaram observaram que "o número de mortes de pessoas com necessidades paliativas estava a crescer".

"Portugal é um país extremamente envelhecido, dos mais envelhecidos do mundo, e notávamos uma tendência continuada de morte no hospital, que sabíamos que é uma realidade muitas vezes contrária às preferências das pessoas de morrer em casa", afirmou à Lusa Bárbara Gomes.

Apesar de Portugal não ser dos países em que os cuidados paliativos estão mais desenvolvidos, têm sido dados passos nesse sentido. "Porém, achamos importante alertar que o investimento" feito ao longo dos anos "tem sido deficitário em relação às necessidades", o que "pode deixar a descoberto as necessidades da população de uma forma séria", salientou.

Para Duarte Soares, médico e presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, "um investimento deficitário nos cuidados em fim de vida impede que se reverta a tendência de morte no hospital e afecta as condições em que as pessoas morrem nestas instituições de saúde".

"Por outro lado, observamos uma expansão do sector privado nesta área, o que significa que mais pessoas acedem a cuidados paliativos, mas que a desigualdade aumenta", sublinha Duarte Soares.

Em declarações à Lusa, Duarte Soares afirmou que "Portugal acompanha as alterações demográficas de muitos outros países", mas o que difere são "as políticas e a capacidade de investimentos diferentes nesses países".

"Temos que olhar para aqueles países que sofrem dos mesmos desafios demográficos, mas que têm neste momento respostas muito mais dirigidas e muito mais robustas ao alívio do sofrimento das pessoas", defendeu.

A pediatra oncologista Ana Lacerda alerta na carta que esta realidade afecta também as crianças, "um grupo particularmente vulnerável e carente de cuidados, que merece especial atenção". Maja de Brito, psicóloga e investigadora, alerta, por seu turno, que "as famílias dos doentes e os cuidadores informais" também "não podem ser esquecidos", defendendo que o Estatuto do Cuidador Informal e as propostas anunciadas no Orçamento de Estado para 2020 "têm de ser postas em prática sem demora".

Perante esta realidade, os autores alertam para a necessidade de uma "revolução Copernicana" na "gestão da saúde, de forma a assegurar que os cuidados paliativos estão acessíveis a todos e que o SNS se adapta aos seus utentes, e não o contrário".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 14 de Fevereiro de 2020.

 

Doentes com hepatite C esperam dois a quatro meses por tratamento

Doentes com hepatite C esperam dois a quatro meses por tratamento - 

A SOS Hepatites alertou, esta sexta-feira, para os atrasos nos tratamentos dos doentes com hepatite C nos hospitais mais pequenos, do interior do país, lembrando que a espera pela medicação chega, por vezes, a quatro meses.

"Está melhor do que estava há um ano, em que se esperava entre nove e 12 meses. Neste momento isso não acontece, mas mesmo assim ainda esperamos dois a quatro meses", disse à agência Lusa Emília Rodrigues, da associação de doentes SOS Hepatites.

A responsável lembra também que, apesar de esta espera não colocar em causa a eficácia do tratamento, "pode colocar em causa a saúde do doente, porque o fígado continua a degradar-se".

"Mesmo estando cuidado da hepatite, o fígado pode continuar a degradar-se, quanto mais não tendo o medicamento", acrescentou.

Emília Rodrigues lembra que os atrasos maiores surgem nos hospitais mais pequenos, no interior do país, e recorda que desde finais de 2017 os pagamentos ficaram a cargo das administrações hospitalares (antes eram da responsabilidade da Administração Central do Sistema de Saúde).

É mesmo uma questão economicista. (...) Eu também entendo as administrações hospitalares e a lei dos compromissos. O doente é que não pode sofrer por causa disso", sublinhou.

A qualidade de vida destes doentes vai estar em debate no sábado, no VII Congresso Nacional SOS Hepatites, que decorre na sede da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA), em Lisboa.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 14 de Fevereiro de 2020.

Exportações em Saúde crescem 14,5% e atingem "máximo histórico" de 1,5 MME

Exportações em Saúde crescem 14,5% e atingem "máximo histórico" de 1,5 MME - 

As exportações portuguesas em saúde cresceram em 2019 14,5% face ao ano anterior e atingiram um “valor recorde” de 1,5 mil milhões de euros, segundo dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Estes dados, que têm como fonte o Instituto Nacional de Estatística (INE) reforçam o peso do sector da saúde na economia nacional e reflectem, de acordo com o Health Cluster Portugal (uma associação privada sem fins lucrativos) “o esforço que tem sido feito pelas diferentes entidades no sentido de consolidar a presença de Portugal nos mercados externos”.

O Health Cluster Portugal (HCP), através do seu presidente, Salvador de Mello, “congratula-se com esta evolução positiva, que traduz o investimento persistente que tem vindo a ser feito pelas empresas nacionais na sua aposta de internacionalização e está em linha com o pacto de competitividade e internacionalização para a Saúde, assinado no ano passado entre o Ministério da Economia e o HCP”.

“Este pacto é um importante instrumento para a concretização dos objectivos estratégicos do HCP, que definiu, até 2025, ultrapassar os 2,5 mil milhões de euros de exportações em saúde”, adianta citado numa nota enviada à agência Lusa.

Segundo os dados, em Portugal o sector da saúde representa um volume de negócios anual na ordem dos 30 mil milhões de euros e um valor acrescentado bruto de cerca de nove mil milhões, envolvendo perto de 90 mil empresas e empregando quase 300 mil pessoas.

Neste valor de exportações estão incluídos o fabrico de produtos farmacêuticos de base, de preparações farmacêuticas, de equipamento de radiação e eletromedicina e de instrumentos e material médico-cirúrgico.

O Health Cluster Portugal – Polo de Competitividade da Saúde (HCP) reúne actualmente mais de 180 associados, incluindo instituições de investigação e desenvolvimento, universidades, hospitais, organizações da sociedade civil, e empresas das áreas da farmacêutica, biotecnologia, tecnologias médicas e serviços.

Assume como missão tornar Portugal num parceiro competitivo na investigação, concepção, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos e serviços associados à Saúde, em nichos de mercado e de tecnologia seleccionados, “tendo como alvo os mais exigentes e mais relevantes mercados internacionais, num quadro de reconhecimento da excelência, do seu nível tecnológico, e das suas competências e capacidades no domínio da inovação”.

 

Fonte:  Site "lifestyle.sapo.pt/saude" e autor em 13 de Fevereiro de 2020.

Cientistas identificam dois novos antibióticos promissores contra bactérias resistentes

Cientistas identificam dois novos antibióticos promissores contra bactérias resistentes - 

Cientistas identificaram no Canadá um grupo de antibióticos que mata bactérias de uma forma diferente e que pode ser promissor para combater as resistências.

Os antibióticos em causa são o ‘corbomycin’ e o ‘complestatin’, que pertencem à família dos antibióticos glicopéptidicos.

Numa experiência com ratinhos, cujos resultados foram publicados na revista científica Nature, a equipa de cientistas verificou que a administração dos dois antibióticos, que actuam na parede celular da bactéria impedindo o seu crescimento, trava infecções causadas pela ‘Staphylococus aureus’, conhecida por ser uma bactéria resistente aos habituais antibióticos.

Ao contrário do efeito produzido por outros antibióticos, como a penicilina, que mata as bactérias evitando a formação das paredes celulares, estes dois antibióticos impedem a divisão e o crescimento celular das bactérias bloqueando o rompimento das paredes das células.

As paredes das células das bactérias são o que lhes dá a forma e a resistência, explicou uma das autoras do estudo, Beth Culp, da universidade canadiana de McMaster.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 13 de Fevereiro de 2020.