Farmacêuticos. Os infectados invisíveis

Farmacêuticos. Os infectados invisíveis - 

São uma das classes na linha da frente a combater o covid-19, mas incluem o grupo dos "outros" na estatística oficial sobre profissionais de saúde infectados. Sabem que há, mas quantos ninguém arrisca. A Ordem dos Farmacêuticos já solicitou uma alteração da metodologia de registo.

No dia 12 de Março, a farmácia do Hospital Curry Cabral, uma das unidades de referência para tratar o covid-19, teve de fechar as portas. Um farmacêutico testou positivo. O resto da equipa, 30 funcionários, tiveram de ficar em quarentena. No mesmo dia, a Vitália, farmácia histórica na Baixa do Porto, encerrava também. Da equipa de dez elementos havia três infectados, entre eles o director técnico e a directora técnica adjunta. Dez dias depois, Joana Casimiro, farmacêutica há 34 anos, proprietária da Farmácia Curie, junto ao IPO de Lisboa, passava a atender só pelo postigo. Uma decisão que teve de tomar para proteger os funcionários e ela própria, dado não ter material de protecção individual em quantidade suficiente para todos.

Três histórias que atravessam o universo de actividade de quem optou pela farmacologia. Mas neste universo ainda faltam os que estão na investigação científica, na indústria farmacêutica, nos laboratórios de análises, nas Administrações Regionais de Saúde ou ainda nos centros de saúde. Seja como for, são uma das classes profissionais que estão na linha da frente no combate a este novo coronavírus - o SARS-CoV-2, que apareceu no final do ano na cidade Whuan, na China.

E, para quem não saiba, costumam dizer que eles são os profissionais de bata branca que se deslocam nos mesmos corredores que médicos e enfermeiros, apenas com funções diferentes. Ora a manusear medicamentos, a repor stocks, a preparar soros e outras substâncias, ora a acompanhar a medicação de doentes crónicos seguidos em ambulatório.

Não quer dizer que haja alguma rivalidade com as outras classes profissionais, não. Isso deixam-no bem claro. Ainda agora lançaram um programa de apoio no combate à doença, com a Ordem dos Médicos e a associação que representa a indústria farmacêutica, Apifarma. e participaram num debate na internet com todas as ordens na área da saúde. Apenas quer dizer que também estão na linha da frente, que são infectados, que têm de ter material de protecção individual, porque lidam com doentes, quer nas unidades de saúde quer na comunidade, e que também isto falta a alguns.

Quer dizer que, por tudo isto, não percebem por que o registo de profissionais de saúde infectados, que é a base dos dados oficiais, apresentados pelo Ministério da Saúde, inclui apenas médicos, enfermeiros e outros. Eles fazem parte dos outros infectados, dos que são invisíveis e que incluem também assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico, administrativos, etc., e que ninguém sabe ao certo quantos são, em cada grupo profissional.

Grupo dos "outros" infectados já vai em mais de 800 profissionais

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, numa das conferências de imprensa de balanço epidemiológico desta semana, indicam que até agora só no SNS há 1345 profissionais de saúde infectados, 370 enfermeiros, 240 médicos e 825 no grupo dos "outros".

O DN sabe que a Ordem já solicitou ao Ministério da Saúde que altere a metodologia de registo para que se saiba com exactidão quantos infectados fazem parte do seu grupo profissional, mas até agora tal nada foi alterado.

A Ordem dos Farmacêuticos criou um Gabinete de Crise que se "reúne periodicamente para acompanhar a evolução da situação que estamos a viver e para auscultar todo o sector, desde a indústria à farmácia hospitalar e à comunitária, até aos laboratórios de análises, porque todas estas áreas têm de estar enquadradas com os novos procedimentos e regras", explicou ao DN uma farmacêutica.

Mas não só. E, porque são uma profissão também muito virada para os doentes, a Ordem trabalhou na criação de linhas de apoio aos profissionais, mas também aos doentes. "Temos feito um grande trabalho no sentido de ajudar os doentes, para que aqueles que não se podem deslocar, aos hospitais ou à farmácia comunitária, recebam a sua medicação em casa."

Nove farmácias infectadas, sete já reabriram

E é isto que as farmácias de oficina, ou comunitárias, têm feito, quer com a ajuda de juntas de freguesia ou de autarquias. Tentar chegar a todos. Mas nesta fase já nove viram as portas fecharem-se por o vírus ter chegado até elas. Sete já reabriram, faltam apenas duas. A Associação Nacional de Farmácias espera que mais não sejam afectadas. Não só pelos profissionais, mas também pelo negócio.

Na Baixa do Porto, a Farmácia Vitália é uma das que passaram por esta situação. Os delegados de saúde fecharam-lhe as portas no dia 12 de Março, depois de um dos sócios ter sido internado no Hospital de Santo António e ter dado positivo ao novo coronavírus. A despistagem levou a que se testasse os restantes nove elementos da equipa. O director técnico e também sócio, Armindo Cosme, de 55 anos, era um dos que estavam infectados, e não sabia, a directora técnica adjunta também. Os restantes, embora sem sintomas, tiveram de ir para casa de quarentena. O primeiro foi infectado no âmbito social, os outros já no meio laboral.

A sorte "é que tínhamos um funcionário de baixa médica e foi ele que nos ajudou com a equipa de desinfecção na farmácia e com todas as alterações que tivemos de fazer para podermos reabrir no dia 25, 13 dias depois", conta ao DN este farmacêutico com mais de 30 anos de profissão e há quase 20 na Vitália.

Mais ninguém ficou infectado, os restantes voltaram ao trabalho. Ele continua em casa. Nesta quarta-feira, fez novo teste para saber se já está negativo, espera que sim, há muito que não tem sintomas, mas os resultados só os terá daqui a 48 ou 72 horas.

Armindo faz parte do grupo dos cem primeiros casos de covid-19 em Portugal. Nunca o imaginou, mas a cadeia epidemiológica traçada pela saúde pública não deixa muitas dúvidas. "Fui infectado pelo meu sócio, que tinha estado numa festa na zona de Aveiro, onde esteve com um senhor, que trabalha em Lisboa, mas que tinha passado por Felgueiras e que tinha estado com pessoas infectadas."

Foi o suficiente para o infectar a ele e, porventura, a outra colega, que é o seu braço-direito na farmácia. Ele infectou a mulher e os dois filhos. Desde o dia 12 de Abril que estão todos em casa. "Sofro de rinite alérgica, tinha um pouco de tosse, mas é um sintoma normal para esta época, não liguei e só soube que estava infectado depois de o meu sócio ter sido internado na madrugada do dia 12. Ele esteve mal, eu tive apenas uma situação ligeira, sem febre, mas com dores musculares, aquela dormência própria de gripe", afirma.

O sócio de Armindo foi o primeiro a dar sinal de que algo se passava, pois as pessoas que estiveram com ele na festa na zona de Aveiro só souberam que estavam infectadas depois de ele ter sido internado e de terem sido contactadas pela saúde pública. "A cadeia de transmissão foi mesmo designada pela festa de aniversário na zona de Aveiro. Foram uma série de pessoas e muitas em isolamento profilático. Só à minha conta ficaram em isolamento mais de uma vintena de pessoas. Antes de saber tive a festa de anos do meu filho, onde esteve a família toda e amigos", refere mostrando como a multiplicação do vírus pode acontecer. "Mas mais ninguém teve doença, ninguém teve sintomas, alguns fizeram mesmo o teste e deram negativo. Só eu e a minha família ainda estamos fechados em casa."

Espera regressar ao trabalho na próxima semana, a farmácia ainda não está a funcionar normalmente. "Colocámos postigos de acrílico a separar a comunicação entre os profissionais e os clientes. Só entra uma pessoa à vez, mas os funcionários estão instruídos para usarem máscaras, luvas e desinfectarem constantemente os ATM." Neste momento, a Vitália está só a funcionar a um terço do habitual. Armindo Cosme espera que rapidamente tudo volte ao normal.

Sem máscaras para todos, só atende pelo postigo

Joana Casimiro tem 58 anos. É farmacêutica e proprietária da Farmácia Curie, em Lisboa, e doente de risco no covid-19. Há uns anos foi operada a um tumor, e ainda não obteve alta após o tratamento. Desde o início da epidemia que a sua preocupação foi sempre a de proteger as pessoas que com ela trabalham e ela própria. Por isso, no dia 22, já em pleno estado de emergência, decidiu fechar as portas da farmácia e começar a atender pelo postigo.

A farmacêutica conta que não tem outra solução. Não tem material de protecção suficiente para todos os funcionários, portanto era o que lhe restava fazer. "Marquei o chão para as pessoas cumprirem o distanciamento, coloquei cartazes a pedir que não colocassem nada em cima do balcão, tinha indicação à porta que só entrava uma pessoa de cada vez, mas nem sempre era respeitado. E, no dia 22, quando entra ao fim da tarde um senhor na farmácia que tinha estado na fila junto de outras pessoas e a fumar, tinha máscara e tirou-a quando entrou na farmácia e que depois manifesta visíveis sintomas da doença, decidi que fechava a porta, não podia continuar assim."

No dia seguinte estavam a trabalhar rotativamente duas equipas em dois turnos, o da manhã e o da tarde, continuando a fazer 11 horas por dia e 55 horas semanais, "respeitando o que está na legislação". Abrem às 08.00 e fecham às 13.30, para a farmácia ser desinfectada e às 14.00 entrar outro turno, e quando fecham há nova desinfecção.

Joana é farmacêutica há 34 anos, há 31 que está naquela farmácia, junto ao IPO de Lisboa. Sempre teve stock de máscaras, porque "os doentes imunossuprimidos usam-nas muito. Em Janeiro, tive uma procura grande, mas o abastecimento foi normal. Em Fevereiro já começou a escassear, até que deixei de receber encomendas dos fornecedores normais, comecei a receber propostas de compra deste tipo de material a preços muito mais elevados, ainda hoje me pediram 40 euros mais IVA por uma caixa de 50 máscaras. Não compro e não tenho stock".

Do stock que ainda tinha deu algumas caixas à Unidade de Transplantes de Medula do IPO, que "já não tinham para dar aos doentes". Restam-lhe algumas, mas, como não chegam para todos os funcionários, irá fazer o mesmo. Joana receia a infecção, uma das suas preocupações sempre foram os doentes oncológicos, mas receia também pelos seus funcionários. Por isso, irá continuar de porta fechada e só a abrir o postigo, que à frente tem um cilindro e protege-a a ela e aos funcionários.

"Uma farmácia tem a obrigatoriedade de estar aberta 55 horas semanais, não quisemos infringir a regra, que ainda se mantém em vigor, mas somos tratados como estando ao mesmo nível de outro negócio de porta aberta, ao nível da padaria, do café, da mercearia, que não têm essa obrigatoriedade. Estamos expostos, mas ninguém das autoridades de saúde nos perguntou ou disponibilizou material para os profissionais", salienta. "Os farmacêuticos estão na linha da frente, mas ninguém tem pensado muito neles. Não obstante o trabalho que a nossa bastonária tem feito junto do Ministério da Saúde desde o início desta situação", acrescenta.

Joana ganhou alguma tranquilidade com as medidas que foram tomadas e que estão a permitir controlar melhor a situação do que era expectável, mas está apreensiva com a saída de tudo isto. "Se não estávamos preparados para estar dentro disto, também não estamos para a saída. Só podemos aguardar."

Farmácias hospitalares fechadas

O primeiro caso que nos reportam é o do Hospital Curry Cabral, mas há mais. Pelo menos mais duas situações, asseguram-nos. Só conseguimos confirmar a situação de Lisboa. Um farmacêutico infectado, numa equipa de 30 elementos, levou ao encerramento da farmácia da unidade que é referência para o covid-19 na zona sul.

A farmácia foi desinfectada durante três dias, dois de fim de semana, em que habitualmente está fechada também, e ao quarto dia reabriu com elementos das outras farmácias das unidades que integram o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central. "Ninguém ficou sem medicamentos. Tudo foi assegurado pela farmácia central no Hospital de São José", confirmou ao DN fonte do centro. Até agora, não houve qualquer outra situação.

O número de profissionais infectados vai aumentando, não se sabe quando será descoberto algum fármaco ou vacina que trate ou previna a doença. Portugal está com 13 141 infectados neste dia e 380 mortos.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias"  e autor em 9 de Abril de 2020

Farmácias hospitalares devem dar preferência à entrega de medicamentos em casa

Farmácias hospitalares devem dar preferência à entrega de medicamentos em casa - 

Objectivo é evitar que os doentes tenham de se deslocar ao hospital. Farmácias podem disponibilizar maiores quantidades, durante o período do estado de emergência.

De acordo com uma norma do Infarmed, “os critérios para definir as quantidades adicionais de medicamentos a dispensar devem ter em conta a disponibilidade dos mesmos (…), bem como a existência de condições especiais de conservação (ex.: medicamentos de frio)”.

Contudo, no caso de ser uma primeira prescrição do medicamento, o Infarmed diz que tem de ser presencial, pois é “essencial o aconselhamento farmacêutico hospitalar”, e tal recolha deverá acontecer no dia da consulta médica, uma vez que o doente já se encontra na instituição.

Para qualquer outro levantamento presencial, é aconselhado o agendamento prévio, via telefone ou email.

Na norma, a que a Lusa teve acesso, o Infarmed sublinha que as medidas agora definidas visam “assegurar a continuidade do fornecimento de medicamentos dispensados em regime ambulatório de farmácia hospitalar, contribuindo para a protecção dos utentes que deles necessitem, evitando deslocações aos hospitais e minimizando o risco de exposição dos doentes” à covid-19.

A sinalização da necessidade de procedimentos alternativos para fazer chegar o medicamento ao doente “deve ser realizada pelo doente ou seu cuidador, mediante contacto directo, por telefone ou correio electrónico”, explica o Infarmed.

A autoridade do medicamento diz ainda que os serviços farmacêuticos hospitalares, para este acesso de proximidade, devem articular-se directamente com entidades que detenham autorização para o exercício da actividade de distribuição por grosso de medicamentos de uso humano, a fim de possibilitar a entrega directa dos medicamentos dispensados em regime ambulatório de farmácia hospitalar, no domicílio dos doentes”

De acordo com os critérios clínicos e sociais do doente, e sempre em articulação com o médico assistente, os serviços farmacêuticos hospitalares “podem promover a dispensa de quantidades adicionais de medicamentos”, acrescenta.

Caso não seja possível fazer chegar a casa do doente o medicamento nem de uma forma (presencial) nem de outra (via distribuidores), o Infarmed diz que os serviços farmacêuticos hospitalares se podem articular directamente “com a farmácia comunitária escolhida pelo utente, e após pedido do doente/cuidador, de modo a possibilitar a dispensa dos medicamentos nessa farmácia”.

A articulação de todas as acções necessárias a este procedimento pode ser feita através da Linha de Apoio ao Farmacêutico, disponibilizada pela Ordem dos Farmacêuticos (800 219 219).

Neste caso, será a farmácia comunitária a responsável por garantir os meios humanos e técnicos necessários, por reservar um espaço físico dedicado aos medicamentos dispensados em regime de ambulatório de farmácia hospitalar encaminhados pelos serviços e a identificar o doente a quem se destinam.

A farmácia comunitária deve ainda, neste caso, garantir que a dispensa do medicamento é feita apenas por um farmacêutico, “que deve avaliar se o doente relata novos sinais ou sintomas sugestivos de agravamento da doença, interacções medicamentosas ou efeitos indesejáveis relacionados com o uso do medicamento”, reportando essas informações aos serviços farmacêuticos hospitalares.

Cumpridas estas regras, a farmácia comunitária poderá entregar no domicílio do doente o medicamento em causa.

Excluindo os doentes em que se trata de uma primeira prescrição de medicamento, estas regras, que vigoram durante o estado de emergência, dispensam a identificação do doente presencialmente e a assinatura do documento de responsabilização habitualmente previsto.

No caso das prescrições externas ao hospital e para os doentes com artrite reumatóide, espondilite anquilosante, artrite psoriática, artrite idiopática juvenil poliarticular e psoríase em placas, os dados do doente deverão ser comunicados aos serviços farmacêuticos hospitalares via email ou telefone, preferencialmente pelo médico, aquando da renovação da prescrição.

A criação de circuitos alternativos para fazer chegar os medicamentos aos doentes serve para manter o nível de cuidado e acompanhamento e, evitando as deslocações e os contactos desnecessários, que devem ser reduzidos ao mínimo indispensável nesta fase da pandemia e do estado de emergência, que foi prolongado até dia 17 de Abril.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 8 de Abril de 2020

Infarmed esclarece acusação sobre Portugal estar a “açambarcar” medicamentos

Infarmed esclarece acusação sobre Portugal estar a “açambarcar” medicamentos - 

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (Infarmed) divulgou um comunicado a informar sobre a aquisição de medicamentos Equipamentos de Protecção Individual e Dispositivos Médicos no âmbito da pandemia covid-19, tendo em conta as noticias mais recentes sobre a acusação da Bélgica de Portugal estar a “açambarcar medicamentos”.

Segundo o Infarmed, “aquando da preparação para a pandemia da covid-19, foi definida pelas entidades do Ministério da Saúde, uma lista de medicamentos, Equipamentos de Protecção Individual e Dispositivos Médicos para os quais os hospitais deviam reforçar o stock em 20% do respectivo consumo anual, de modo a estarem preparados para uma utilização elevada dos serviços de saúde, em particular dos cuidados intensivos”.

Este reforço tinha também como intuito assegurar face a eventuais constrangimentos na cadeia de distribuição, os serviços de saúde portugueses.

Todos os países da Europa têm adoptado as mesmas práticas em relação ao reforço de stocks de medicamentos para o tratamento dos doentes. “Este reforço tem sido feito em articulação com a industria farmacêutica nacional e internacional, para que se possa aumentar a produção de forma a fazer face às necessidades dos doentes, com o inerente aumento dos consumos”, explica o Infarmed.

“O Infarmed, em articulação, com a Agência Europeia de Medicamentos e com a rede de Autoridades do Medicamento dos outros Estados Membros, está a monitorizar a disponibilidade de medicamentos (stock da indústria) no sentido de evitar faltas, nomeadamente dos medicamentos essenciais e dos que são apontados como tendo algum potencial terapêutico no combate à covid-19. Durante todo este processo, Portugal tem adoptado uma postura de total transparência e disponibilidade para articular com todos os parceiros europeus da área do medicamento. Neste sentido, falar em açambarcamento é um total absurdo”, sublinha na nota divulgada.

O Infarmed aproveita ainda para deixar claro que a sua preocupação maior é “de prestar os melhores cuidados aos doentes, nomeadamente evitar a escassez e a falta de acesso ao medicamento, em particular num período tão crítico como este, e não gerir um excedente que não deve existir”.

“Estamos a monitorizar em permanência, a utilização e o abastecimento de medicamentos em meio hospitalar e em meio ambulatório, bem como a monitorizar os stocks dos medicamentos que fazem parte da Reserva Estratégica Nacional, em todas as entidades do circuito do medicamento, de modo a garantir que as terapêuticas estão disponíveis para prestar os cuidados de saúde necessários a quem deles necessite”, termina por indicar a Autoridade do Medicamento na nota divulgada.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 7 de Abril de 2020

 

 

SNS prescreveu mais de 5 mil receitas médicas por hora em 2019

SNS prescreveu mais de 5 mil receitas médicas por hora em 2019 - 

Cada residente em Portugal continental consumiu, em média, mais de 16 embalagens de medicamentos em 2018.

No ano passado, foram prescritas 49,6 milhões de receitas médicas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que equivale, em média, a 5.657 receitas por hora, de acordo com a Pordata.

No ano anterior, havia o registo de 161 milhões de embalagens de medicamentos prescritas pelas unidades hospitalares públicas em Portugal continental, o correspondente, em média, a 18.415 medicamentos por hora, mais do dobro do que em 1990.

O portal reuniu uma série de indicadores estatísticos – com o Eurostat, INE, OCDE, Ministério das Finanças, entre outras entidades – a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se comemora esta terça-feira, sob o patrocínio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma das conclusões a que se chegou é que, em 2018, os encargos do SNS com medicamentos foram de 1.255,0 milhões euros, enquanto os dos utentes foram de 711,1 milhões de euros.

Cada residente no país (sem incluir Madeira e Açores) consumiu, em média, mais de 16 embalagens de medicamentos em 2018, mas a comparticipação do SNS com essa medicação.foi quase o dobro (64%) dos encargos dos utentes (36%).

Quanto às consultas médicas, nos últimos 25 anos, o número triplicou nos hospitais, ultrapassando as 20 milhões em 2018. É como se cada habitante tivesse duas consultas, em média, por ano. A maioria (60%) realiza-se nas unidades hospitalares públicas, onde ocorrem também 72% do total de internamentos e 79% do total de urgências dos hospitais.

“Se o adágio já diz que «é preciso é ter saúde», este dia de 2020 em que se comemora o Dia mundial da Saúde é aquele em que, no decurso das nossas vidas, mais importância o adágio terá. Embora 22% dos residentes em Portugal tenham 65 ou mais anos, desses pouco mais de 4.000 (0,2%) têm 100 ou mais. São assim os únicos que poderão ter uma memória, mesmo que ténue, de uma época com contornos epidemiológicos semelhantes – a gripe pneumónica de 1918″, refere a Fundação Francisco Manuel dos Santos, a instituição por trás da Pordata.

 

Fonte: Site do "Jornal Económico"  e autor em 7 de Abril de 2020

Empresas estão a pedir 150 euros às farmácias por máscaras

Empresas estão a pedir 150 euros às farmácias por máscaras - 

Fornecedores não têm máscaras para vender e existem empresas a propor às farmácias a compra de caixas de 50 máscaras por 150 euros.

Antes do surto do Covid-19, uma caixa de máscaras custava às farmácias aproximadamente cinco euros e ao público sete euros. Actualmente, face à escassez deste tipo de equipamento médico, os fornecedores habituais não têm máscaras para vender às farmácias e existem várias empresas, muitas nem são do ramo farmacêutico, a propor a compra de caixas de 50 máscaras por 150 euros, avança o Diário de Notícias.

“Caixas de 25 máscaras a 150 euros cada, 6 euros a unidade”, “mínimo de encomenda 100 caixas” ou “caixas de 50 ou de 500 a 5 euros cada unidade”, estas são algumas propostas que chegam às farmácias portuguesas.

“Os fornecedores normais não têm material para vender às farmácias, que estão a ser confrontadas com propostas enviadas por empresas de ocasião e com preços muito superiores ao normal”, explica a Associação Nacional das Farmácias, que escreveu uma carta ao primeiro-ministro, com conhecimento para várias entidades, nomeadamente para o Presidente da República, apelando para que coloquem um ponto final à especulação.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco.sapo.pt"  e autor em 7 de Abril de 2020

Portugal reforça "stock" de novos fármacos para Covid-19

Portugal reforça "stock" de novos fármacos para Covid-19 - 

Medicamentos contra VIH e malária ainda não demonstraram eficácia, mas estão a ser adquiridos. Autorizados três pedidos para uso de antiviral do ébola.

O Infarmed está a adquirir mais fármacos para o VIH e para a malária, cuja utilização tem vindo a ser alargada a doentes Covid-19. O objectivo é que estes medicamentos não faltem nos hospitais ainda que, até agora, nenhum deles tenha eficácia comprovada no tratamento da doença provocada pelo novo coronavírus.

A hidroxicloroquina (malária) e o lopinavir + ritonavir (VIH) são medicamentos que já têm Autorização de Introdução no Mercado em Portugal para o tratamento das respectivas doenças.

O que está agora em causa é uma utilização "off-label", ou seja, para uma indicação terapêutica diferente daquela que consta na bula. Esta decisão é tomada pelo médico, com o consentimento informado do doente, e não requer autorização especial da autoridade do medicamento.

Em resposta ao JN, sobre a hidroxicloroquina, o Infarmed informou que "no âmbito do tratamento da Covid-19, estão a ser adquiridas centralmente mais embalagens, sendo a distribuição assegurada pelo Laboratório Militar".

Relativamente aos dois fármacos, o Infarmed acrescentou que, "além das aquisições efectuadas, ao nível central" está a ser assegurada "quantidade suficiente destes medicamentos para as necessidades previstas em estreita articulação com as empresas farmacêuticas". O objectivo é que, caso estes fármacos venham a demonstrar eficácia, os laboratórios mantenham a disponibilidade de produto para Portugal.

Experimental

Também o medicamento experimental para o tratamento do ébola (remdesivir) já está a ser usado em Portugal. Ao contrário dos fármacos do VIH e da malária, não está aprovado em nenhum país do Mundo para qualquer doença. Pelo que a sua utilização em contexto hospitalar carece de aprovação da Autoridade do Medicamento. Até à semana passada, já tinham sido autorizados três pedidos para utilização do remdesivir, disse o Infarmed.

Este antiviral, criado pela farmacêutica norte-americana Gilead como potencial tratamento para o ébola, é, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, "uma molécula promissora no tratamento de Covid-19 tendo em conta o seu largo espetro antiviral", a informação in vitro e in vivo disponível para os coronavírus, assim como a extensiva base de dados de segurança clínica, nota o Infarmed, acrescentando que estão a decorrer ensaios clínicos com remdesivir na China, EUA e que há um potencial alargamento a países na Europa.

Saber mais

Ensaios prioritários

O Infarmed vai dar prioridade à avaliação de novos ensaios clínicos para novos fármacos que visem prevenir ou tratar a doença Covid-19, segundo uma orientação publicada no site da instituição com "medidas excepcionais durante o período de risco para a saúde pública".

Petição pela cloroquina

Em França, está a correr uma petição para facilitar a prescrição da hidroxicloroquina, um tratamento que tem suscitado vivos debates sobre a sua utilização contra o coronavírus.

Plasma de curados

Na China e nos EUA, está a ser usado plasma de pessoas curadas no tratamento de doentes Covid-19.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias"  e autor em 7 de Abril de 2020