Coimbra cria primeiro laboratório ibérico para certificar ventiladores

Coimbra cria primeiro laboratório ibérico para certificar ventiladores - 

A empresa da Universidade de Coimbra (UC) ICNAS-Produção acaba de instalar o primeiro laboratório ibérico especializado no teste e certificação de dispositivos médicos respiratórios, designadamente ventiladores pulmonares, no contexto da covid-19, foi hoje anunciado.

Denominado 'VentiLab 4 covid-19', o ventilador instalado no ICNAS [Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde]-Produção resulta de um projecto que obteve 329 mil euros de financiamento do COMPETE 2020 (Programa Operacional Factores de Competitividade), através do Sistema de Incentivos I&D Empresas e Infra-estruturas de Ensaio e Optimização (covid-19).

Face à actual situação pandémica, em que aumenta a pressão nos hospitais devido ao número elevado de infecções graves causadas pela covid-19, os ventiladores de emergência são críticos, mas, sublinha a UC numa nota enviada hoje à agência Lusa, "estes dispositivos médicos só podem ser utilizados após certificação".

Este laboratório permite fazer os testes "físico-químicos e microbiológicos indicados pelo INFARMED [autoridade responsável pela certificação em Portugal], segundo as normas internacionais (normas 'ISO'), para avaliar a biocompatibilidade e a segurança dos ventiladores desenvolvidos no âmbito da resposta à pandemia da covid-19", explica Antero Abrunhosa.

"As normas são aplicáveis a todo o tipo de ventiladores", acrescenta, citado pela UC, o gerente da ICNAS-Produção e líder do projecto.

O 'VentiLab 4 covid-19' possui equipamento analítico capaz de avaliar a qualidade dos gases que percorrem os ventiladores e "assegurar que os dispositivos não libertam contaminantes que possam ser nocivos para os doentes", afirma Antero Abrunhosa.

Esses contaminantes, esclarece, "podem ser partículas, compostos voláteis que sejam libertados, por exemplo, pelos materiais utilizados para fabricar os ventiladores, ou mesmo microrganismos como bactérias ou fungos".

Para o gerente da ICNAS-Produção, este projecto é "um exemplo de como se pode readaptar os laboratórios e o conhecimento científico existentes nas empresas e nas universidades para fazer face à situação actual".

A ICNAS-P produz medicamentos, tem "laboratórios para o seu controlo de qualidade", salienta o responsável, notando que, "através deste projecto, [a empresa] adaptou agora um desses laboratórios para o teste dos ventiladores".

Actualmente, no espaço ibérico não existem laboratórios dedicados ao teste de ventiladores de emergência no âmbito da covid-19, refere a UC, realçando que o 'VentiLab 4 covid-19' é "o primeiro laboratório ibérico construído especificamente para testar todos os tipos de ventiladores de emergência desenvolvidos no âmbito da pandemia, permitindo a certificação, essencial para a utilização clínica destes equipamentos".

Embora o laboratório agora criado esteja centrado na certificação de ventiladores no âmbito do combate à covid-19, Antero Abrunhosa afirma que também é possível realizar outros testes que "envolvam a análise de componentes gasosos e está à disposição da comunidade científica e das empresas interessadas".

"A prioridade serão os ventiladores, mas não rejeitamos outros desafios", conclui Antero Abrunhosa.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 8 de Fevereiro de 2021.

Campanha apela para uso seguro de antibióticos para travar bactérias multirresistentes

Campanha apela para uso seguro de antibióticos para travar bactérias multirresistentes - 

Uma estimativa da OCDE divulgada há dois anos indicava que em Portugal podiam morrer até 2050 mais de 40 mil pessoas na sequência de infecções por bactérias resistentes a antibióticos, apontando para um valor próximo dos 1.100/ano.

A Direcção-Geral da Saúde lança hoje uma campanha sobre a utilização segura de antibióticos para travar as infecções por bactérias multirresistentes, que na União Europeia atingem 670 mil pessoas/ano, mais do que o VIH, tuberculose e gripe.

Apesar de o consumo de antibióticos ter vindo a baixar nos últimos anos – em particular no último por causa das medidas de protecção por causa da pandemia de covid-19 -, a DGS sublinha que “a emergência de bactérias resistentes a antibióticos continua a ser uma ameaça à escala global”.

Evitar as infecções usando medidas de protecção como a lavagem das mãos e a etiqueta respiratória (espirrar para o antebraço), cumprir o programa de vacinação, usar os antibióticos só se prescritos pelo médico e respeitar a duração do tratamento e a regularidade das tomas, entregando na farmácia as sobras, caso existam, são as chaves para travar o avanço das bactérias multirresistentes.

Uma estimativa da OCDE divulgada há dois anos indicava que em Portugal podiam morrer até 2050 mais de 40 mil pessoas na sequência de infecções por bactérias resistentes a antibióticos, apontando para um valor próximo dos 1.100/ano.

Em declarações à Lusa, o médico Artur Paiva, do colégio da especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, reconhece que é difícil ter um número exacto das mortes por bactérias multirresistentes em Portugal, sublinhando que nem sempre é fácil separar “quem morre com infecção e quem morre por causa da infecção”.

O especialista recorda que as estimativas para a União Europeia apontam para 670 mil infecções por bactérias multirresistentes por ano, “mais do que a soma das doenças VIH, tuberculose e gripe”, e que estas infecções causam cerca de 30.000 mortes/ano na UE, o que indicará um valor superior de mortes/ano em Portugal relativamente às estimativas da OCDE apresentadas há dois anos.

Artur Paiva sublinha o facto de o cidadão ser cada vez mais um agente activo no tratamento e a importância de cumprir a sua parte nesta batalha: “O segredo para manter a efectividade dos antibióticos é usá-los apenas quando são necessários”.

“Os antibióticos são algo de muito importante na nossa vida (…). Há intervenções, como a quimioterapia para o cancro, grandes cirurgias e a transplantação, por exemplo, que só conseguem ter bons resultados porque há antibióticos”, recorda o especialista, frisando que, sendo bons [os antibióticos], o seu uso excessivo “tem efeitos laterais”.

Fazendo uma analogia com a pegada ecológica, o responsável fala da pegada antibiótica e exemplifica: “A energia também é óptima e mudou a nossa vida, mas ao utilizar excessivamente estamos a aumentar a quantidade de gases com efeito estufa e a ter um efeito colectivo muito negativo, que é a mudança climática”.

“Com os antibióticos é a mesma coisa: são muito bons, mas se usarmos em exagero têm efeito negativo, pois as bactérias ao serem expostas modificam-se para ganhar resistência (…) e estas bactérias com mutações podem passar de pessoa a pessoa”, explicou, recordando: “Assim como a energia é consumida em vários ramos da economia, os antibióticos também são não só na saúde humana, mas na veterinária”.

A campanha da DGS – PORCAUSA (PORtuguese CAmpaign for the safe USe of Antibiotics) – pretende sensibilizar a população para o problema da resistência aos antibióticos e para a sua utilização segura e adequada, recorrendo a ‘spots’ de rádio, de TV e imprensa (nacional e regional), além do uso das redes sociais e da colocação de materiais informativos em transportes e unidades de saúde.

Subordinada ao lema “Antibióticos é tudo ou nada, NÃO TOME POR TUDO E POR NADA”, a campanha lembra que os antibióticos servem para tratar infecções graves, “mas não têm qualquer utilidade nas infecções causadas por vírus, como gripes e constipações”.

Recorda ainda que as medidas individuais como a lavagem das mãos e a etiqueta respiratória são essenciais para prevenir infecções e que as infecções causadas por bactérias multirresistentes “são mais difíceis de tratar, levando a internamentos hospitalares mais longos e ao aumento dos custos económicos e sociais relacionados com o tratamento”.

A estas ideias Artur Paiva junta outra: “Se por acaso houver sobras, não devem ser deitadas no lixo doméstico nem na sanita. São para entregar na farmácia, porque assim diminui a tentação de voltar a tomar o mesmo antibiótico se tiver nova infecção, que pode ser diferente, mesmo sem ir ao médico, assim como evita que o dê a um vizinho ou amigo”.

 

Fonte: Site do "Jornal Económico" e autor em 8 de Fevereiro de 2021.

DGS diz que vacina da AstraZeneca deve ser dada a pessoas até aos 65 anos

DGS diz que vacina da AstraZeneca deve ser dada a pessoas até aos 65 anos - 

Direcção-Geral da Saúde emitiu parecer sobre imunizante da AstraZeneca, juntando-se aos vários países que desaconselham a administração da vacina a maiores de 65 anos.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) considera que, até novos dados estarem disponíveis, a vacina contra da covid-19 da AstraZeneca deve ser preferencialmente utilizada para pessoas até aos 65 anos de idade.

Numa norma divulgada no seu site, a DGS acrescenta, no entanto, que "em nenhuma situação deve a vacinação de uma pessoa com 65 ou mais anos de idade ser atrasada" se só estiver disponível esta vacina.

A DGS recorda que a vacina da AstraZeneca está aprovada para prevenção da covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, em pessoas com idade igual ou superior a 18 anos e diz também que "em nenhuma situação deve a vacinação de uma pessoa com 65 ou menos anos de idade ser atrasada se só estiver disponível uma vacina de mRNA".

Nas vacinas mRNA é introduzido no corpo um mensageiro de ácido ribonucleico (mRNA na sigla em inglês), que contém informação genética sobre o vírus e engana o corpo para que seja ele próprio a produzir a proteína do agressor.

Na norma divulgada esta segunda-feira, a DGS informa que o esquema vacinal recomendado para esta vacina da Astrazeneca é de duas doses com intervalo de 12 semanas e lembra que, se após a 1.ª dose for confirmada infecção por SARS-CoV-2, "não deve ser administrada a 2.ª dose".

Se foi administrada a 1.ª dose a uma pessoa que tenha estado infectada por SARS-CoV2, não deve ser administrada a 2.ª dose, diz ainda a DGS, que recomenda que, se houver atraso em relação à data marcada para a 2.ª dose, ou, por qualquer motivo, não puder ser administrada a 2.ª dose, "a mesma será administrada logo que possível".

"O esquema vacinal deve ser completado com uma dose de vacina da mesma marca", acrescenta.

Sobre a gravidez e amamentação, a DGS considera que "não existem dados sobre a administração desta vacina durante a gravidez" e que estudos feitos em animais "não indicaram efeitos negativos no feto ou na grávida".

"Se os benefícios esperados ultrapassarem os potenciais riscos para a mulher, a vacina poderá ser considerada, por prescrição do médico assistente. Não é necessário evitar a gravidez após a vacinação", considera.

A DGS lembra ainda que se desconhece-se se a vacina é excretada no leite humano, no entanto, "por ser uma vacina de um vector viral geneticamente modificado sem capacidade replicativa, não é expectável a existência de efeitos adversos na criança amamentada, à semelhança das vacinas inactivadas" e sublinha que as mulheres que estejam a amamentar e sejam pertencentes a grupos de risco "podem ser vacinadas" e que "não se recomenda parar a amamentação após a vacinação".

Na norma, a autoridade nacional de saúde recorda que "as pessoas com sintomas sugestivos de covid-19 não devem dirigir-se à vacinação sem que seja excluída a infecção por SARS CoV-2" e que as que estiverem em isolamento profiláctico "devem adiar a vacinação para quando este terminar".

"Se, entretanto, desenvolverem sintomas e for confirmada a infecção por SARS CoV-2, não serão priorizadas para a 1.ª dose da vacina e não será administrada a 2.ª dose se já tiverem recebido a 1.ª dose", esclarece.

A DGS refere que não está estudada a interacção da vacina da AstraZeneca com outras, mas, uma vez que se trata de uma nova vacina e "para permitir a valorização de eventuais efeitos adversos, a administração desta vacina deve, sempre que possível, respeitar um intervalo de duas semanas em relação à administração de outras vacinas".

Contudo, "se tal implicar um risco de não vacinação, a mesma não deve ser adiada", recomenda.

A DGS refere que os ensaios clínicos da vacina da AstraZeneca incluíram pessoas com comorbilidades como obesidade (IMC =30.0 kg/m2), doença cardiovascular, doença respiratória e diabetes e que a eficácia "foi semelhante nos participantes com e sem uma ou mais destas comorbilidades".

"Esta vacina é constituída por um vector viral (adenovírus) geneticamente modificado, sem capacidade replicativa, não havendo por isso contra-indicação à sua administração em pessoas com imunodeficiência, à semelhança das vacinas inactivadas", acrescenta.

Quanto a quem faz terapêutica com produtos contendo imunoglobulinas humanas, a DGS diz que não existem ainda estudos para esta vacina.

No entanto - sublinha -, segundo as indicações do Programa Nacional de Vacinação, "a interacção entre imunoglobulinas (Ig) e vacinas inactivadas é reduzida, pelo que estas podem ser administradas em simultâneo, antes ou depois da administração de produtos contendo imunoglobulinas, desde que em locais anatómicos diferentes".

Quanto às pessoas com doença auto-imune ou autoinflamatória, não existe evidência de que a vacinação cause agravamento ou precipite crise aguda.

"A vacinação de pessoas com exacerbação documentada da sua doença relacionada com administrações anteriores de outras vacinas, deve ser decidida e prescrita pelo médico assistente", acrescenta.

Portugal segue linha de outros países

Portugal junta-se assim aos vários países estão a desaconselhar a administração desta vacina a pessoas com mais de 65 anos.

O primeiro lote de 43 200 vacinas da AstraZeneca, o primeiro deste laboratório, chegou este domingo ao país.

"Informa-se, após efectuados os normais procedimentos de verificação, da chegada a Portugal hoje [domingo], 7 de Fevereiro, de um lote de 43.200 vacinas da AstraZeneca", adiantou a task force numa breve declaração enviada à Lusa.

Esta é a terceira vacina contra o novo coronavírus a chegar ao país, depois da Pfizer e da Moderna.

O primeiro lote do consórcio AstraZeneca/Oxford foi recebido em Portugal um dia após a chegada a Espanha das primeiras 196 800 doses, segundo o Ministério da Saúde espanhol.

Numa actualização do processo de vacinação contra a covid-19 em Portugal até 01 de Fevereiro, a ministra da Saúde, Marta Temido, referiu que o país já recebeu mais de 400 mil vacinas, 387.270 da BioNTech/Pfizer e 19.200 da Moderna.

Da BioNTech/Pfizer chegaram 86.580 vacinas, das quais 11 700 foram enviadas para os Açores e 11 700 para a Madeira.

Para Fevereiro estão previstas mais duas entregas de vacinas da Moderna e três da Pfizer e a segunda da vacina da AstraZeneca, a mais recente a ser aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, tendo Marta Temido afirmado que as entregas desta farmacêutica totalizam 200 mil.

A entrega do primeiro lote da AstraZeneca a Portugal acontece no mesmo dia em que foi revelado que esta vacina oferece protecção limitada contra a variante detectada na África do Sul, segundo resultados preliminares de um estudo que será publicado na segunda-feira.

A pesquisa realizada por especialistas das universidades de Oxford e da sul-africana de Witwatersrand - cujas descobertas foram avançadas, no sábado, pelo jornal britânico Financial Times - mostrou que a vacina tem uma eficácia limitada contra essa mutação.

Na semana passada, e no meio de um conflito contratual da farmacêutica anglo-sueca com a Comissão Europeia, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) deu "luz verde" à utilização da vacina da AstraZeneca/Oxford para ser administrada a adultos a partir dos 18 anos, sem impor um limite superior de idade.

O plano nacional de vacinação contra a covid-19 arrancou a 27 Dezembro com a administração das vacinas aos profissionais de saúde dos hospitais directamente envolvidos na prestação de cuidados aos doentes.

Segundo disse na quinta-feira a ministra da Saúde, o país tinha nesse dia "cerca de 378 mil inoculações de vacinas" contra a covid-19.

Na terça-feira, arrancou a vacinação em centros de saúde de idosos com 80 ou mais anos e de pessoas com mais de 50 anos com doenças associadas.

A campanha de vacinação contra a covid-19 foi planeada de acordo com a disponibilidade das vacinas contratadas para Portugal, que estão a ser administradas faseadamente a grupos prioritários, até que toda a população elegível esteja vacinada.

A fase 1 abrange os profissionais de saúde directamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes, funcionários e utentes de lares de idosos e da rede nacional de cuidados continuados integrados, assim como elementos das forças armadas, das forças de segurança, de serviços críticos e titulares de órgãos de soberania e altas entidades públicas.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 8 de Fevereiro de 2021.

Covid-19: Vacina AstraZeneca com “100% de protecção” para casos graves

Covid-19: Vacina AstraZeneca com “100% de protecção” para casos graves - 

A farmacêutica AstraZeneca anunciou que os dados da fase final de ensaios clínicos da eficácia da sua vacina contra a covid-19 indicam que esta dá “100% de protecção” para casos graves, hospitalizações e mortes.

Em comunicado divulgado pela farmacêutica, o vice-presidente executivo, Mene Pangalos, afirma que os novos dados “voltam a confirmar que a vacina (AstraZeneca) previne casos graves (do novo coronavírus) e mantém as pessoas fora do hospital”.

A conclusão consta de um estudo preliminar publicado pela Universidade de Oxford, que colaborou no desenvolvimento da vacina, elaborado a partir de dados da fase final de ensaios clínicos do imunizante.

O estudo indica não se terem registado casos graves ou de hospitalização de pacientes, 22 dias depois de administrada a primeira dose da vacina.

Andrew Pollard, investigador principal da equipa de Oxford para desenvolvimento de vacinas, afirma que os novos dados confirmam os iniciais, que permitiram a aprovação da vacina pelos reguladores, e que “sustentam” a decisão do Governo britânico de atrasar a administração da segunda dose da vacina para até 12 semanas depois de primeira.

A política destinou-se a maximizar a quantidade de pessoas com alguma protecção, pelo menor espaço de tempo possível até que a primeira dose mantenha a sua eficácia.

Os mais recentes ensaios clínicos indicam que a vacina AstraZeneca tem uma eficácia de 76% depois da primeira dose e de 82% depois de a segunda dose, se esta for injectada num intervalo de pelo menos 12 semanas.

A vacina da AstraZeneca já foi autorizada em numerosos países, incluindo da União Europeia.

 

Fonte:  Site "Netfarma.pt" e autor em 5 de Fevereiro de 2021.

Investigadores monitorizam reacções a medicamentos em doentes Covid-19

Investigadores monitorizam reacções a medicamentos em doentes Covid-19 - 

Uma equipa de investigadores do Porto está a desenvolver um projecto de monitorização activa da segurança da terapêutica utilizada no contexto da covid-19 nos hospitais do distrito do Porto.

Um dos objectivos deste estudo, de carácter multicêntrico, é desenvolver uma base de dados de reacções adversas aos medicamentos (RAM) em doentes com covid-19, explicaram hoje os investigadores.

Pretende-se também caracterizar o perfil farmacoterapêutico antes da infecção por SARS-CoV-2 em doentes com covid-19, de modo "a avaliar o efeito favorável, desfavorável ou neutro desse perfil no curso da infecção, em termos de susceptibilidade, gravidade e desfecho".

O projecto 'Intensive Drug Monitoring COVID-1' decorre no âmbito da actividade desenvolvida pela Unidade de Farmacovigilância do Porto (UFPorto), liderada por Jorge Polónia, investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS.

De acordo com um artigo publicado na Acta Médica Portuguesa ('O Papel da Farmacovigilância em Contexto de Pandemia por Covid-19'), o projecto irá recolher dados sobre as RAM de forma retrospectiva e prospectiva, sendo que nesta última irá permitir detectar "sinais de risco em tempo real".

Nesse sentido, a equipa irá rastrear os registos clínicos e monitorizar activamente a medicação administrada aos doentes com covid-19 identificados nas várias instituições de saúde, inclusivamente após a alta hospitalar.

"As metodologias de monitorização activa poderão contribuir para se ter uma noção mais exacta da realidade das RAM associadas à covid-19 na prática clínica, nomeadamente no que diz respeito aos medicamentos usados no tratamento", referem os autores do estudo.

Até à data, referem os investigadores, apenas os fármacos remdesivir e dexametasona foram aprovados para o tratamento da covid-19 pelas autoridades reguladoras, com indicações muito restritas e, no caso do remdesivir, com resultados contraditórios, justificando uma monitorização atenta.

Um dos grandes obstáculos à monitorização das RAM em doentes infectados será a evolução para um estado crítico. Outro factor que pode dificultar um melhor conhecimento das RAM é a idade dos doentes.

Na União Europeia, as reacções adversas a medicamentos representam 6,5% dos internamentos e 197 mil mortes por ano.

Além de Jorge Polónia, participam neste estudo os investigadores Renato Ferreira da Silva, Inês Ribeiro Vaz, Ana Marta Silva e Joana Marques (CINTESIS/FMUP) e Manuela Morato, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

O projecto conta ainda com a colaboração dos delegados de farmacovigilância da UFPorto nas respectivas instituições de saúde onde exercem actividade profissional.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.269.346 mortos resultantes de mais de 104,3 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 13.482 pessoas dos 748.858 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 5 de Fevereiro de 2021.

Gripe em Portugal é residual e sem casos detectados na última semana de Janeiro

Gripe em Portugal é residual e sem casos detectados na última semana de Janeiro - 

Esta tendência gripal em Portugal está em linha com o resto da Europa, já que na terceira semana de Janeiro houve a "identificação esporádica de casos"

A intensidade da gripe sazonal em Portugal é residual, com uma taxa de incidência de 6,05 por 100.000 habitantes, e sem quaisquer casos detectados entre 25 e 31 de Janeiro.

De acordo com o "Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e outros Vírus Respiratórios" mais recente, divulgado na noite de quinta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), "a taxa de incidência de síndrome gripal (SG) foi de 6,05 por 100.000 habitantes" e o número de consultas por causa da gripe "manteve-se na área de actividade basal".

A população sob observação foi de 16.534.

Na última semana de Janeiro, entre 25 e 31, "não foram detectados casos de gripe", mas a Rede portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe identificou um caso de Gripe A (H1N1).

A intensidade da gripe sazonal é residual no território português, apesar de o valor médio da temperatura mínima do ar em Dezembro de 2020 ter sido 0,20 ºC inferior "ao normal", entre 1971 e 2000.

Na última semana de Janeiro, o valor médio de temperatura mínima foi 6,54 ºC superior ao valor de referência para o primeiro mês do ano.

Esta tendência gripal em Portugal está em linha com o resto da Europa, já que na terceira semana de Janeiro houve a "identificação esporádica de casos de gripe em amostras provenientes de sistemas de vigilância de sentinela e não sentinela", tendo sido identificados "vírus do tipo A e do tipo B", sustenta o INSA.

O boletim adverte que a pandemia da doença provocada pelo SARS-CoV-2 afectou "o modo de funcionamento dos serviços de saúde" e a capacidade de testagem, o que poderá impactar a "notificação clínica e laboratorial de casos de gripe".

Por isso, os resultados reportados "devem ser interpretados tendo em conta esta limitação".

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 5 de Fevereiro de 2021.