MOVA lança campanha de sensibilização sobre a vacinação antipneumocócica

MOVA lança campanha de sensibilização sobre a vacinação antipneumocócica - 

O Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA) lançou uma campanha denominada por “Leva-me a sério”, que pretende sensibilizar a população para a importância da vacinação antipneumocócica.

A campanha “reflecte a ironia de haver uma doença grave e potencialmente fatal, a pneumonia pneumocócica, que, apesar de ser prevenível através de vacinação, ainda é responsável pela morte de muitas pessoas por ano”, indica o MOVA em comunicado divulgado.

O Movimento pretende com esta campanha alertar sobretudo os grupos de risco, indicando que “pode fazer a diferença entre a vida e a morte”.

Isabel Saraiva, fundadora do MOVA, no comunicado divulgado defende que “a aposta na prevenção sempre foi fundamental, sobretudo entre os grupos de risco, perante o contexto actual” de pandemia de covid-19 “é imperativo” poder “contribuir para a diminuição do recurso aos cuidados de saúde, através da prevenção de doenças pela vacinação”.

O Movimento pretende “mostrar de forma clara que a vacinação pode fazer a diferença entre a vida e a morte, que as vacinas salvam vidas e que protegem as populações para as quais são indicadas”, principalmente numa altura em o país está “prestes a entrar na época percepcionada como a de maior incidência de gripe e pneumonia”.

Esta campanha, vai ter como protagonista o humorista Herman José e vai estar presente online, na televisão e num microsite, que vai ser lançado até ao final de Novembro.

“Ao longo de cerca de dois meses, a população será impactada através de mensagens gerais, transversais a todos, e através de mensagens especiais, dedicadas a diferentes grupos de risco”, explica a nota divulgada.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a pneumonia foi responsável, em 2018, pela morte de 16 pessoas por dia, totalizando 5,1% de todas as mortes em Portugal.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 16 de Setembro de 2020

Covid: Mais de 100 personalidades portuguesas em defesa de acesso universal a vacina

Covid: Mais de 100 personalidades portuguesas em defesa de acesso universal a vacina - 

Entre os subscritores estão vários profissionais de saúde e figuras como o ex-Presidente da República Ramalho Eanes e os cardeais José Tolentino Mendonça e Manuel Clemente.

Mais de cem personalidades portuguesas subscreveram a campanha "Vacina para todos", que defende "o acesso universal, justo, simultâneo e equitativo" a uma futura vacina contra a covid-19, apoiando-se no "princípio ético de uma só família humana".

Lançada em Portugal pela Academia de Líderes Ubuntu, um projecto do Instituto Padre António Vieira, a campanha associa-se à iniciativa "Declare covid-19 vaccine a global common good" (Declarar a vacina covid-19 um bem comum global), do Prémio Nobel da Paz Mohammad Yunus, e junta 117 personalidades portuguesas de variados sectores sociais e políticos (www.vacinaparatodos.pt).

Entre os subscritores estão vários profissionais de saúde e figuras como o ex-Presidente da República Ramalho Eanes e os cardeais José Tolentino Mendonça e Manuel Clemente.

Em declarações à Lusa, Ana Jorge, médica, ex-ministra da Saúde (entre 2005 e 2011) e uma das porta-vozes da campanha, vincou o "princípio da solidariedade".

Os 117 subscritores e apoiantes da campanha - explicou - defendem "o direito ao acesso para todas as pessoas que se queiram vacinar", contra a ideia de que só "quem tem dinheiro é que tem acesso".

Reconhecendo que "a vacina para todos poderia ser quase como uma utopia", Ana Jorge sublinha que isso deve ser um objectivo. "Todas as pessoas têm direito à vacina, porque é a única forma de podermos combater eficazmente a pandemia. Se não tivermos esse objectivo não vamos conseguir aproximar-nos", frisa.

A "chamada de atenção" colectiva assenta na premissa de que "a vacina deve ser para ricos e pobres, para países com capacidades financeiras e para países com menos capacidades económicas", disse Ana Jorge, recordando que existem Estados sem acesso garantido aos cuidados de saúde e sem vacinas gratuitas.

Ana Jorge acredita que movimentos como este podem minimizar o risco da mercantilização da vacina e apela para a "responsabilidade social" das farmacêuticas, que "devem ser ressarcidas do seu investimento", mas não como "uma oportunidade de grandes lucros".

"Obviamente que há critérios de vacinação para definir as prioridades e as prioridades estão bem definidas e são consensuais entre toda a gente", frisa a médica, concordando com a Organização Mundial da Saúde na prioridade aos mais velhos, aos profissionais de saúde e aos doentes crónicos.

A pandemia de covid-19 afectou todo o mundo e todas as sociedades, mas, sublinha a porta-voz, "obviamente" que distinguiu as pessoas no que respeita ao acesso aos meios de prevenção e protecção.

Exemplo disso, diz, foram os surtos na zona da Grande Lisboa, que se explicam pelas condições de vida na periferia da capital, onde há "mais bolsas de pobreza", mais "problemas de habitação, mais pessoas na mesma casa, mais concentração", uma maior utilização dos transportes públicos e menos literacia em saúde e acesso à informação.

"A pandemia e os efeitos da doença são mais significativos e mais importantes na população mais carenciada ou mais pobre", assinala a médica.

"[A covid-19] é democrática, porque é grave de acordo com a idade e as patologias -- e aí é igual para todos --, mas sabemos que essa população tem mais patologias e mais graves, porque tem menos acesso aos serviços e cuidados de saúde", ressalva.

Perante este cenário, a defesa do acesso à vacina para todos e em simultâneo "é uma questão de justiça e equidade", sustenta Ana Jorge em nome dos 117 subscritores, entre os quais estão também a socióloga Luísa Schmidt e a professora universitária Ana Paula Laborinho, ambas igualmente porta-vozes da campanha, actuais e antigos deputados, ex-governantes (Marçal Grilo, Silva Peneda, Braga da Cruz, Bagão Félix, Roberto Carneiro, Pedro Roseta, Luís Castro Mendes), o filósofo Viriato Soromenho Marques, os juristas Álvaro Laborinho Lúcio e Catarina de Albuquerque, a ex-procuradora Joana Marques Vidal, o psiquiatra Daniel Sampaio, a pintora Graça Morais, o músico Luís Represas, o judoca Nuno Delgado, a escritora Lídia Jorge, os jornalistas Adelino Gomes e Leonete Botelho.

Os subscritores da campanha reclamam uma informação "exacta, clara, completa e transparente" por parte das autoridades públicas, das equipas científicas e do sector privado envolvidos na investigação de uma vacina em tempo recorde

E instam também a Organização Mundial de Saúde a "elaborar um Plano de Acção Mundial sobre a vacina covid-19" e a criar "um comité internacional responsável pela monitorização da investigação da vacina e por garantir a igualdade de acesso à vacina para todos os países e todas as pessoas dentro de um prazo predeterminado anunciado publicamente".

 

Fonte: Site do "Jornal de Negócios" e autor em 16 de Setembro de 2020.

Medicamento da Bial para Parkinson chega às farmácias dos EUA e Japão

Medicamento da Bial para Parkinson chega às farmácias dos EUA e Japão - 

O Ongentys, medicamento desenvolvido pelo grupo da família Portela, inicia comercialização naqueles que são o primeiro e o terceiro maiores mercados farmacêuticos mundiais.

O segundo medicamento desenvolvido pela Bial, que se destina a doentes com Parkinson, chega agora às farmácias dos Estados Unidos e do Japão, onde se estima que exista mais de um milhão de pessoas com esta doença.

"É um marco muito relevante para a nossa companhia e para a investigação ‘made in’ Portugal. Estados Unidos e Japão ocupam respectivamente o primeiro e o terceiro lugar na lista dos principais mercados farmacêuticos", enfatiza António Portela, CEO da Bial, em comunicado.

"O Ongentys (opicapona) é o primeiro medicamento português a ser comercializado na Ásia, concretamente num mercado muito sofisticado como é o japonês. Estamos muito satisfeitos por disponibilizar aos doentes de ambos os países, em conjunto com os nossos parceiros, um medicamento que contribuirá para a melhoria da sua qualidade de vida", salienta o mesmo gestor.

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum depois da doença de Alzheimer.

Nos Estados Unidos estima-se que exista cerca de um milhão de pessoas que vivem com esta doença e, a cada ano, são diagnosticadas mais de 50 mil pessoas, enquanto no Japão são cerca de 163 mil os doentes de Parkinson.

Trata-se da "primeira vez que um medicamento de investigação portuguesa é comercializado no Japão", destaca a Bial, que lembra que a comercialização deste fármaco neste mercado asiático e nos Estados Unidos "decorre da recente aprovação pelas autoridades regulamentares de ambos os países, e está a ser realizada no âmbito dos acordos de licenciamento estabelecidos por Bial com companhias farmacêuticas presentes nesses territórios".

Também disponível no Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália e Portugal, a Bial perspectiva que, "ao longo de 2020 e 2021", o Ongentys seja introduzido "em outros países europeus e na Coreia do Sul".

Com as exportações a valerem 75% do seu volume de negócios, que em 2019 foi de 309 milhões de euros, a Bial vende os seus medicamentos em mais de 50 países, sendo que os Estados Unidos são já o principal mercado em vendas de farmácia para a farmacêutica portuguesa.

A Bial, que emprega mais de mil pessoas, tem canalizado mais de 20% da sua facturação anual para I&D, que está centrada nas neurociências e no sistema cardiovascular, tendo já sintetizados mais de 15 mil novas moléculas.

 

Fonte: Site do "Jornal de Negócios" e autor em 15 de Setembro de 2020.

Fundação para a Saúde alerta para sub-orçamentação do SNS

Fundação para a Saúde alerta para sub-orçamentação do SNS - 

A Fundação para a Saúde (FS) alertou hoje para a sub-orçamentação, arrastada por décadas, do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com desresponsabilização das equipas de gestão e agravamento de ineficiências e de desperdícios.

Este alerta e outros problemas constam de um comunicado hoje divulgado pela fundação a propósito da celebração na terça-feira do 41.º aniversário do SNS, só que desta vez em tempo de pandemia de covid-19, o que para a FS coloca riscos, desafios e oportunidades para transformar o SNS.

"Estamos, desta vez, numa encruzilhada crítica sem precedentes onde riscos, desafios e oportunidades se emaranham de modo tanto ameaçador como esperançoso. Tudo depende das escolhas que forem feitas desde já", aponta a fundação.

Segundo a FS, a pandemia de covid-19 veio evidenciar, relativamente ao SNS, dois aspectos opostos: por um lado realçou o "valor de um serviço público de saúde compreensivo (abrangente)", abarcando todo o espetro de cuidados de saúde (da saúde pública aos cuidados intensivos), universal, baseado numa lógica de "solidariedade e não mercantil", por outro lado acentuou as fragilidades estruturais e a escassez de meios do SNS.

De entre os problemas, a fundação indica três, "especialmente críticos", a começar pelo agravamento do acesso oportuno e célere das pessoas aos cuidados de saúde de, agora com "barreiras e atrasos nunca antes vivenciados".

Outro problema resulta da "fragmentação e descontinuidade" de cuidados clínicos -- quer entre equipas, serviços e tipos de cuidados, quer entre sectores, especialmente entre saúde e segurança social - afastando as pessoas da posição central que deveriam ter no SNS.

O agravamento de "desigualdades indesejáveis" entre pessoas e comunidades, tanto em relação ao acesso, como à utilização de cuidados e aos resultados de saúde é outro dos problemas identificados.

No entender da fundação, tais problemas resultam de causas como "organização desligada e descontínua, por silos ou tipos de cuidados (hospitalares: primários, continuados, paliativos, instituições do sector social público e privado, instituições do sector privado mercantil), remetendo a integração de cuidados centrada na pessoa para um horizonte longínquo".

Outra das causas, acrescenta, resulta da "governação clínica frágil e dispositivos de gestão organizacional desequilibradamente centralizados" e da "escassa ou nula participação dos cidadãos nas decisões que influenciam a organização e o funcionamento dos serviços".

A sub-orçamentação, arrastada por décadas, do SNS e a ausência de uma estratégia e de um plano de investimentos que concedam, "objectivamente, prioridade ao eixo central e alicerce de todo o SNS, ou seja uma rede de cuidados de saúde proximidade (cuidados de saúde primários adicionalmente qualificados) são outras das causas identificadas pela fundação que aponta ainda a "ausência de uma política avançada para as profissões de saúde capaz de atrair, reter e motivar os seus profissionais tornando o SNS o contexto mais apetecível para plena realização profissional e de onde não sai nenhum dos seus melhores".

Para a FS as transformações a concretizar deverão visar um SNS "bem ajustado" às novas realidades sociodemográfica e epidemiológica.

"Isto é, ter em conta tanto a covid-19 e outras possíveis doenças emergentes, como também e maioritariamente o vasto espetro das restantes doenças e problemas de saúde que afectam a população. Destacam-se, em especial, a morbilidade múltipla crónica, crescentemente mais complexa, que acompanha o aumento da esperança de vida e da longevidade", salienta a fundação, que anuncia a publicação ainda este mês de uma pequena monografia com contributos prospectivos sobre o SNS e o IV Congresso SNS, a realizar em Lisboa em 10 de Dezembro.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 15 de Setembro de 2020.

Nos 41 anos, conheça 14 números do Serviço Nacional de Saúde

Nos 41 anos, conheça 14 números do Serviço Nacional de Saúde - 

O Serviço Nacional de Saúde completa 41 anos, quando o foco está no combate à pandemia. Com orçamento reforçado, os profissionais fazem milhares de consultas e cirurgias aos utentes.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) completa 41 anos esta terça-feira, um aniversário celebrado em plena pandemia. Se já dominava a agenda pública nos últimos tempos, nomeadamente com a negociação da Lei de Bases da Saúde no ano passado, voltou a ficar em grande plano com a pandemia.

Até agora, a capacidade de resposta do SNS à Covid-19 tem sido elogiada, apesar de a canalização de esforços para conter o surto ter deixado consultas e cirurgias por fazer, que terão de ser recuperadas.

Neste dia que marca o aniversário deste sistema, juntamos 14 números que mostram como está a saúde do SNS.

1.500 milhões de euros de orçamento

Depois de já ter definido no Orçamento do Estado para a Saúde que um montante 941 milhões de euros superior ao ano anterior, o valor ainda recebeu reforços, nomeadamente através do Orçamento Suplementar, que contemplava mais 500 milhões de euros para o SNS. Acabou assim por totalizar 1.500 milhões de euros.

“[O ano de] 2020 foi um ano de excepção para a saúde fora a pandemia da Covid-19 porque houve o maior reforço inicial para o orçamento da saúde de sempre, 941 milhões de euros, e depois foi reforçado com 256 milhões de euros (…) Com este orçamento suplementar, desenhamos uma solução que impacta em cerca de 504,4 milhões de euros que visa várias vertentes”, explicou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, em Junho. “Se somarmos o esforço do orçamento 2020 com o esforço do orçamento suplementar estamos a falar de 1.500 milhões injectados na saúde”, completou.

29 mil médicos

Segundo os últimos dados disponíveis no portal de monitorização do SNS, referentes ao mês de Julho deste ano, trabalham no SNS cerca de 29 mil médicos, dos quais 10 mil são internos. Estes dados incluem os trabalhadores vinculados com contrato de trabalho às entidades do sector público administrativo e entidades públicas empresariais sob a tutela do ministério da Saúde, bem como os profissionais das parcerias público-privadas.

47 mil enfermeiros

Em Julho deste ano, trabalhavam no SNS 47 mil enfermeiros, sendo este o grupo profissional em maior número, de acordo com a Análise Mensal do Balanço Social no portal de monitorização do SNS. O Governo já foi anunciando reforços dos profissionais, sendo que uma fatia já estava prevista no Orçamento do Estado para este ano, mas outra parte teve como objectivo garantir a capacidade de resposta do SNS à pandemia da Covid-19.

Entre 13 de Março e o início de Abril, por exemplo, o Ministério da Saúde contratou meio milhar de enfermeiros para reforçar o combate da pandemia.

7,39 camas de cuidados intensivos por 100 mil habitantes

A ministra da Saúde adiantou, no Parlamento, em Maio, que em Dezembro do ano passado Portugal contava com 5,66 camas de cuidados intensivos por 100 mil habitantes, número que evoluiu para 7,39 em Abril de 2020. O Governo estabeleceu o objectivo de chegar à média da União Europeia, que é de 11,5 camas.

41 hospitais

A rede de hospitais do SNS, do sector público empresarial, contempla cerca de 41 hospitais, sendo que oito são unidades locais de Saúde, segundo a lista disponível na página do SNS. Neste conjunto inclui-se também o Hospital de Braga, que voltou à esfera pública depois de ser gerido em regime de parceria público-privada.

3 parcerias Público-Privadas

As parcerias Público-Privadas (PPP) na saúde são um tema quente entre os partidos, tendo sido um obstáculo nas negociações para a Lei de Bases da Saúde. O número de PPP actualmente na saúde é de três, sendo eles o Hospital Beatriz Ângelo, o Hospital de Vila Franca de Xira e o Hospital de Cascais Dr. José de Almeida.

O Governo não renovou os contratos com as empresas que geriam os hospitais, mas irá avançar para novas PPP em Cascais e Loures. Já o hospital de Vila Franca de Xira poderá regressar à esfera pública, como aconteceu com o hospital de Braga.

47 agrupamentos de Centros de Saúde

Existem 47 agrupamento de Centros de Saúde, cada um contemplando várias unidades, que são serviços desconcentrados das Administrações Regionais de Saúde, segundo a página do SNS. Para além disso, nas unidades locais de saúde, do sector público empresarial, também estão incluídos alguns centros de saúde.

9,5 milhões de utentes com médico de família

Em 2019, eram 9.551.178 os utentes do SNS que tinham médico de família atribuído, segundo o Relatório anual sobre o acesso a cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS. Este número representa 92,7% da população inscrita nos cuidados de saúde primários. Por outro lado, 730.232 utentes não tinham médico de família, no final de 2019.

12,4 milhões de consultas médicas

Em 2019, realizaram-se 12,4 milhões de consultas médicas nos hospitais da rede pública, de acordo com o Relatório anual sobre o acesso a cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS, número que representou um crescimento de 1,9% face ao ano anterior.

Já no mês de Julho deste ano realizaram-se 992.724 consultas médicas hospitalares, segundo os dados da página do SNS. O total acumulado deste ano fixa-se nas 6.339.345 consultas médicas realizadas no SNS.

386 mil cirurgias

Foram realizadas 386 mil cirurgias em Maio deste ano, de acordo com os dados mais recentes do monitor SNS. Destas, 174 mil foram programadas, 111 mil realizaram-se em ambulatório, 64 mil foram convencionais e 37 mil eram urgentes. Contabilizando estas estatísticas, disponíveis na página do SNS, até maio realizaram-se 1,3 milhões de cirurgias, de todos os tipos.

Neste mês ainda se sentiu o impacto da pandemia nas operações, sendo que a ministra da Saúde adiantou, na comissão parlamentar de saúde, em Julho, que se realizaram “menos 85 mil cirurgias em maio, comparando com o mesmo período homólogo”.

Segundo os dados do Relatório anual sobre o acesso a cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS, em 2019, foram 704 mil as intervenções cirúrgicas feitas nos hospitais públicos.

300 mil vacinas

Os últimos dados disponíveis relativamente às vacinas administradas no SNS, no portal de monitorização, dizem respeito a Maio deste ano e fixam-se nas 300.693 picadas. Contas feitas, a partir destes números mensais, o acumulado de vacinas administradas este ano até maio totalizam 2.174.342.

Mais de 2 milhões de atendimentos em urgência

Até Junho deste ano, já foram realizados 2.317.316 atendimentos em urgência, revelam os dados do portal de monitorização do SNS. A grande maioria, 273 mil, disse respeito a urgências hospitalares gerais, seguida de pediátrica (36 mil) e obstetrícia (26 mil). Uma fatia bastante pequena foram urgências psiquiátricas.

22 mil testes à Covid-19 por dia

Dia 11 de Setembro marcou o recorde de mais testes de diagnóstico à Covid-19 realizados num dia em Portugal, na rede de laboratórios, que conta com 102 laboratórios, 42 dos quais no SNS. Foram no total 21.700 testes. Este número já se aproxima do objectivo do Governo apenas para o SNS. Em Julho, Marta Temido comprometeu-se a aumentar a capacidade dos laboratórios do SNS para que este seja capaz de fazer 22 mil testes por dia até ao final do ano.

169.906.710 euros de taxas moderadoras

Em 2019, os proveitos com taxas moderadoras, que o Governo está progressivamente a eliminar, atingiram um total de 169.906.710 euros, sendo que foram “a mesma ordem de grandeza entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares”, segundo o Relatório anual sobre o acesso a cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS.

Já a percentagem de valores de taxas moderadoras que foram efectivamente cobradas aos utentes rondou os 93% do valor de taxas moderadoras emitidas em 2019.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco" e autor em 15 de Setembro de 2020.

VIH: Novo programa de rastreio reduz diagnóstico tardio de 90% para 43% dos casos

VIH: Novo programa de rastreio reduz diagnóstico tardio de 90% para 43% dos casos - 

O programa de rastreio intitulado 'Focus' é uma iniciativa da farmacêutica Gilead Science e foi implementado no Hospital de Cascais.

O programa Focus é uma iniciativa da farmacêutica Gilead Science, cuja parceria com o Hospital de Cascais é a primeira fora dos Estados Unidos, avança o jornal Público. O programa começou em 2018 e existe também em Lisboa, numa parceria com o Grupo de Activistas em Tratamento (GAT), e na Madeira.

Os primeiros dados analisados vão até final do ano passado, comparados com os 16 meses anteriores à implementação do rastreio. Com a implementação deste rastreio, quando o doente se desloca à urgência, é inserido no seu fluxo normal de análises o pedido do teste. Quando há um pedido de colheita de sangue, conforme a definição de critérios, sugere-se automaticamente que o teste de VIH faça parte das análises. Por sua vez, doente é informado que o rastreio está a decorrer e cabe a ele decidir se quer ou não realizar o teste.

Em declarações ao jornal Público, a responsável pelo projecto e pela consulta de VIH do Hospital de Cascais, Drª. Inês Vaz Pinto, realça a diferença “enorme no número de diagnósticos”. A médica explica que “cerca de 90% dos doentes diagnosticados na urgência eram diagnósticos tardios e agora são 43%. Esta questão tem muita importância na saúde individual do doente e na saúde pública.”

Mais testes realizados após implementação do programa

Nos 16 meses que antecederam o inicio do rastreio, foram feitos cerca de 1900 testes de VIH no âmbito da urgência, com uma taxa de positivos de 1,27%. Com o programa, foram cerca de 19 mil testes com uma taxa de positivos de 0,24%. A responsável pelo projecto esclarece que a redução da taxa de positivos “é normal”, uma vez que “antes, os testes eram pedidos por motivos clínicos. São 44 novos diagnósticos só neste período.”

Quanto ao perfil dos doentes, são mais os imigrantes e os jovens até aos 24 anos que chegam às urgências para serem testados.

Devido à pandemia da Covid-19, a procura de urgências diminuiu, o que por sua vez provocou um decréscimo de 36% no número de testes feitos a partir do rastreio. Apesar desta redução, a médica do Hospital de Cascais destaca que “o rastreio e o diagnóstico mantiveram-se, enquanto outros rastreios de organizações não-governamentais tiveram de parar.”

A detecção precoce do VIH é fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas pela ONU-SIDA, de até 2030, haver 95% dos doentes diagnosticados, destes ter 95% em tratamento e destes últimos, ter 95% com carga viral indetetável, com o grande objectivo de quebrar cadeias de transmissão e limitar novas infecções da doença.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 14 de Setembro de 2020