De 42 cêntimos a 20 euros (ou mais), máscaras já não faltam

De 42 cêntimos a 20 euros (ou mais), máscaras já não faltam - 

No início da pandemia de covid-19, escasseavam, atingiram preços nunca antes praticados e foram motivo de polémica, devido à hesitação da DGS em recomendar o seu uso. Três meses depois, tornaram-se um bem de primeira necessidade, dado o uso obrigatório em todos os espaços fechados. Quanto custa protegermo-nos a nós e aos outros do novo coronavírus?

Noutras latitudes, há muito que fazem parte da ética e da estética quotidianas, mas em Portugal ver toda a gente de máscara na rua era até há três meses cenário só imaginável em filme de ficção científica, género nunca abraçado pelo cinema nacional.

E, no entanto, a pandemia de covid-19 veio entranhar aquilo que nos era estranho e já serão poucos os que saem de casa sem máscara de protecção, seja descartável ou reutilizável, seja feita em polipropileno, em algodão ou até em cortiça. Se a usam correctamente ou pendurada na orelha ou puxada para debaixo do queixo, já são outros quinhentos.

Seja como for, ao contrário do que aconteceu no início da crise pandémica, máscaras não faltam neste momento. Centenas de empresas têxteis e outras dedicaram-se ao fabrico de máscaras reutilizáveis. Com a perspectiva de uma procura crescente, o mercado funcionou e o abastecimento das descartáveis (vulgarmente chamadas de cirúrgicas apesar de não serem indicadas para uso médico) regularizou-se e a especulação diminuiu. Mas serão acessíveis para todos?

É discutível. 42 cêntimos foi o preço mais baixo por unidade que conseguimos encontrar numa volta por diversos estabelecimentos em Almada, por uma máscara cirúrgica, que permite uma única utilização e é a que oferece o nível mais baixo de eficiência. Mas este valor, pela amostra que nos foi dada a conhecer, é mais provável se forem compradas em pack.

Nas farmácias, onde mais facilmente se encontram comercializadas à unidade, o valor unitário sobe. Ainda assim, se multiplicarmos pelos 30 dias do mês, assumindo que uma máscara dá para um dia, o que é pouco se a utilização for contínua e prolongada, a despesa nesta protecção específica contra a covid-19 rondará os 12 euros e sessenta cêntimos por mês.

Não são já as farmácias as únicas lojas onde pode encontrar máscaras. Supermercados ou lojas de roupa e de acessórios são apenas alguns dos estabelecimentos que têm agora este produto, em diversas variedades, à venda.

Por exemplo, um Auchan de bairro, vende packs de 50 máscaras cirúrgicas por 29,99 (o que dá cerca de 60 cêntimos a unidade) enquanto o Pingo Doce as têm em promoção e por 8,49 compra um pack de 20 (cerca de 42 cêntimos a unidade), o mesmo preço unitário que encontra na Well's, do grupo Sonae, onde um pack de 50 custa 20,99.

Numa farmácia, pelo menos as que visitámos, o preço da unidade das máscaras mais básicas pode variar entre os 54 e os 65 cêntimos. Segundo a funcionária de uma delas, que preferiu não ser identificada, antes da pandemia o preço deste tipo de máscara era de cerca de 20 cêntimos enquanto nos primeiros tempos da mesma chegou a atingir um valor unitário de 1,60.

Na Clarel, do grupo Dia, 54 cêntimos é também o preço unitário praticado, seja em packs de cinco ou de dez, para as máscaras cirúrgicas. Já as KN 95 | FFP2, também descartáveis, mas com maior resistência e eficácia de protecção (um uso correto e não prolongado e a desinfecção após cada utilização permite o uso por um máximo de cinco dias, explicou-nos a farmacêutica), têm um preço mais variável: 1,89 na Clarel, 2,30, na Well's (vendidas em packs de cinco, por 11,49), 2,95 numa farmácia e 3,15 noutra.

Máscaras comunitárias, sociais, reutilizáveis, de tecido ou outros materiais, há para todos os gostos e carteiras e estão transformadas em autênticos acessórios de moda, cujo preço, como é costume, varia de acordo com a notoriedade da marca. A Tiffosi, por exemplo, criou uma linha casual, de padrões e cores variados, que custa 19,99, enquanto a MO comercializa as suas MoxAd-Tech, com certificação de nível 2, na Well's e no Continente, por 10 euros. Também as há de cortiça - encontrámo-las na loja Império das Malas, em Almada - com certificação covid 19 para uso geral de nível 3 da CITEVE por 8,95 (se forem em tecido o preço baixa para 6,95).

Importante, quando se compra uma máscara reutilizável, além do preço, é verificar que esta é certificada e depois de quantas lavagens se mantém eficaz, porque muitas lojas estão a vender máscaras de tecido, como aquelas que quem tem jeito para costura pode fazer em casa, sem qualquer tipo de certificação.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 4 de Junho de 2020.

Vacinas administradas em maio caíram mais de 40%

Vacinas administradas em maio caíram mais de 40% - 

O número de vacinas administradas em maio caiu mais de 40% em comparação com o mesmo mês de 2019.

Os dados do Portal do SNS, actualizados até ao passado dia 27, indicam que em maio de 2019 tinham sido administradas 519.234 vacinas. Este ano, o valor fixou-se em 300.693.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) foi a que registou maior número de vacinas administradas (111.262), seguida pela ARS Norte (111.013), ARS Centro (49.285), ARS Algarve (15.054) e ARS Alentejo (14.079).

Comparando com o mês de Abril (395.416), em maio o número de vacinas administradas caiu quase 24%.

As autoridades de saúde já tinham alertado para a importância de não descurar o Programa Nacional de Vacinação (PNV), sobretudo nesta altura de pandemia da covid-19, lembrando que as vacinas previstas para o primeiro ano de vida conferem protecção contra 11 doenças potencialmente graves.

Por ocasião do Dia Mundial da Criança, na passada segunda-feira, a directora-geral da Saúde voltou a apelar aos pais para que vacinem os filhos, utilizem as consultas de vigilância e realizem o teste do pezinho aos recém-nascidos.

"Não há nenhum motivo neste momento para que as crianças não tenham as suas vacinas actualizadas", disse Graça Freitas, sublinhando que "a vacina evita muitas doenças, algumas delas graves" e que a última coisa que as autoridades querem é ter surtos de outras doenças.

Para cumprir a vacinação dos filhos, os pais devem marcar as visitas, para evitar filas e aglomerados, por causa da pandemia.

Numa nota publicada em Abril, e perante a necessidade de adoptar medidas de carácter excepcional e temporário para prevenção da transmissão da infecção por covid-19, a Direcção Geral da Saúde (DGS) definiu como prioritária a vacinação recomendada no primeiro ano de vida, sublinhando que "aos 12 meses, as vacinas contra o meningococo C e contra o sarampo, papeira e rubéola são muito importantes".

Dados divulgados no final de Abril indicavam que uma em cada 10 crianças com 13 meses de idade em Portugal não tinham no final do ano passado qualquer vacina contra o sarampo.

O relatório do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que avalia o cumprimento do PNV em 2019, diz que aos 13 meses de idade, 14% das crianças ainda não tinham iniciado a vacinação contra o sarampo nem contra a doença invasiva meningocócica do grupo C, que devem ser administradas aos 12 meses.

"Este facto coloca as crianças desta idade em risco de surtos de sarampo, se contactarem com casos, uma vez que estão, na sua maioria, juntas em creches, sem beneficiarem da imunidade de grupo, conferida a partir de uma cobertura de 95%", alerta o documento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha avisado que as campanhas de vacinação não podiam ser postas em risco pela pandemia de covid-19, sublinhando que doenças como a poliomielite ou o sarampo podem ressurgir.

A UNICEF e a OMS voltaram a alertar na semana passada para o impacto da interrupção na administração de vacinas, devido à covid-19, colocando em risco milhões de crianças em todo o mundo.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 3 de Junho de 2020.

Infarmed aprovou comparticipação do Olumiant para a artrite reumatóide

Infarmed aprovou comparticipação do Olumiant para a artrite reumatóide - 

A Lilly Portugal anunciou através de comunicado, que a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (Infarmed) aprovou a comparticipação do medicamento Olumiant (baricitinib) para o tratamento da artrite reumatóide activa moderada a grave, em doentes adultos com resposta inadequada ou intolerância a um ou mais antirreumatismais modificadores da doença biológicos.

O Olumiant (baricitinib) foi o primeiro inibidor Janus quinase (JAK)1 e JAK2 aprovado para o tratamento da artrite reumatóide na União Europeia.

A comparticipação surge na sequência da Autorização de Introdução no Mercado (AIM), a 13 de Fevereiro de 2017, por parte da Comissão Europeia, e do parecer positivo do Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP), da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a 15 de Dezembro de 2016.

Em 2019, o Infarmed já tinha aprovado a comparticipação para o tratamento da artrite reumatóide activa moderada a grave, em doentes adultos com resposta inadequada ou intolerância a um ou mais antirreumatismais modificadores da doença convencionais. Agora, foi aprovado a comparticipação também para o tratamento dos doentes adultos com resposta inadequada ou intolerância a um ou mais antirreumatismais modificadores da doença biológicos, permitindo um financiamento na totalidade da indicação terapêutica para a AR activa moderada a grave, o que melhora o acesso dos doentes a este tratamento.

A artrite reumatóide é uma doença crónica, inflamatória, auto-imune que se caracteriza pela inflamação das articulações e que pode conduzir à destruição do tecido articular e periarticular. A AR não tem cura, mas se eficazmente tratada, tem bom prognóstico vital e funcional.

Em Portugal estima-se que a artrite reumatóide afecte 0,7% da população.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 3 de Junho de 2020

Cientistas criam insulina híbrida que pode vir a melhorar tratamento

Cientistas criam insulina híbrida que pode vir a melhorar tratamento - 

Cientistas criaram uma versão minimalista e híbrida de insulina, a partir da hormona humana e de um caracol marinho, que pode vir a melhorar o tratamento da diabetes, divulgou hoje a universidade norte-americana de Ciências da Saúde de Utah.

A insulina híbrida, que os investigadores chamam de mini-insulina, foi testada em ratazanas e interagiu com os receptores de insulina com o mesmo vigor com que faz a insulina humana.

A diferença é que a insulina híbrida actua mais rapidamente.

Os resultados do trabalho, divulgados em comunicado pela universidade norte-americana, foram publicados na revista da especialidade Nature Structural and Molecular Biology.

Algumas espécies de caracóis de cone que vivem nos recifes de corais, como a 'Conus geographus', libertam na água um tipo de insulina que causa choque hipoglicémico, inibindo os movimentos das suas presas, pequenos peixes que acabam, desta forma, por ser dominados e engolidos pelo predador quando sai da concha.

Num estudo anterior, o bioquímico Danny Hung-Chieh Chou, da Universidade de Ciências da Saúde de Utah, e outros investigadores verificaram que a insulina venenosa desta espécie de caracol de cone tinha muitos traços bioquímicos em comum com a insulina humana.

Mas a insulina do caracol marinho tinha uma vantagem: actuava de forma mais rápida do que, por exemplo, a administrada pelas bombas de insulina, dispositivos electrónicos que libertam pequenas quantidades de insulina durante o dia conforme as necessidades dos doentes diabéticos insulinodependentes.

Segundo uma das co-autoras do estudo hoje publicado, Helena Safavi, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, uma insulina que actue mais rápido poderá diminuir o risco de hiperglicemia (concentrações elevadas de açúcar no sangue) e outras complicações sérias da diabetes.

Além disso, poderá melhorar o desempenho das bombas de insulina e de dispositivos que reproduzem o funcionamento do pâncreas na monitorização dos níveis de glucose no sangue.

A equipa de cientistas descobriu que a insulina do caracol de cone tem falta de um componente que leva a que a insulina humana possa estar armazenada no pâncreas antes de ser libertada no organismo.

Em contrapartida, a insulina do caracol de cone está pronta para trabalhar no organismo quase imediatamente.

Para produzirem a insulina híbrida, os investigadores usaram técnicas de biologia e de química para isolar quatro aminoácidos que ajudam a insulina do caracol de cone a ligar-se ao receptor humano de insulina.

Versões modificadas destes aminoácidos foram integradas numa versão modificada da molécula de insulina humana.

"Com poucas substituições estratégicas, gerámos uma estrutura molecular de insulina potente e rápida, e a mais pequena até à data", sustentou Danny Hung-Chieh Chou, acrescentando que as dimensões moleculares da insulina híbrida permitem que possa ser facilmente sintetizada e tornar-se num "primeiro candidato ao desenvolvimento de uma nova geração de terapêuticas de insulina".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 2 de Junho de 2020.

Fármaco desenvolvido para combate ao cancro da mama usa composto encontrado nos brócolos

Fármaco desenvolvido para combate ao cancro da mama usa composto encontrado nos brócolos - 

Um novo fármaco baseado num composto natural encontrado em brócolos e outros vegetais pode ser eficaz para reverter ou mesmo impedir a resistência à terapia hormonal do cancro da mama.

Um novo fármaco baseado num composto natural encontrado em brócolos, couve de Bruxelas e outros vegetais pode ser eficaz para reverter ou mesmo impedir a resistência à terapia hormonal do cancro da mama, segundo um estudo científico.

O português Bruno Simões e outros cientistas da Universidade de Manchester, no Reino Unido, descobriram que o medicamento SFX-01 poderá reverter ou mesmo impedir a resistência ao tratamento por bloquear uma via de sinalização importante do cancro chamada STAT3.

O fármaco foi desenvolvido com uma empresa britânica que estabilizou o composto sulforafano, que investigadores norte-americanos já tinham demonstrado ter efeitos no tratamento do cancro, e que Bruno Simões e os colegas testaram em ratinhos para garantir que a molécula estabilizada tinha o mesmo impacto.

Posteriormente foi feito um teste clínico com mais de 40 doentes, que concluiu que 25% deles viram o seu cancro parar de progredir durante os seis meses que receberam tratamento.

“Muitos destes cancros acabam por desenvolver resistências aos tratamentos. O que demonstrámos é que este composto consegue eliminar células resistentes ao tratamento”, disse à Agência Lusa o português, que é investigador num grupo liderado por Rob Clarke.

O cancro da mama é um dos mais frequentes no Reino Unido, afectando cerca de 55.000 mulheres e 370 homens anualmente.

O resultado do estudo foi publicado no sábado na publicação ‘Oncogene’, ligada à revista científica Nature, e representa, segundo o português, um exemplo de investigação translacional, que partiu de uma investigação básica do mecanismo biológico e teve uma aplicação real, estando agora em testes clínicos.

Este fármaco vai continuar a ser desenvolvido com mais testes clínicos para testar a eficácia, mas Bruno Simões, que fez licenciatura na Faculdade de Ciências, em Lisboa, e concluiu o doutoramento em Bilbao, em Espanha, pretende concentrar-se na investigação de mecanismos de prevenção.

“Quando o cancro da mama chega a um estado avançado, por mais drogas que tentemos usar só conseguimos atrasar um pouco a progressão, mas é difícil controlá-lo. Estamos interessados em estudar casos de mulheres de alto risco para identificar drogas que possam prevenir o cancro de ocorrer”, adiantou.

 

Fonte: Site do Jornal "Observador" e autor em 2 de Junho de 2020.

 

Covid-19. É português o escudo protector de aerossóis para medicina dentária

Covid-19. É português o escudo protector de aerossóis para medicina dentária - 

A criação do equipamento de protecção pertence a dois investigadores portugueses e o pedido de patente já foi submetido.

Miguel Pais Clemente é investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Joaquim Gabriel Mendes está filiado à Faculdade de Engenharia da mesma academia. Juntos desenvolveram um equipamento que apelidaram de “escudo protector de aerossóis em medicina dentária”. A inovação, cuja patente está em processo de análise, visa conferir maior protecção aos utentes e aos profissionais de saúde.

“A proximidade com a cavidade oral, bem como a facilidade de transmissão do coronavírus pelas gotículas que se propagam no ar faz com que haja a necessidade de conferir ao profissional de saúde oral um maior grau de protecção”, frisa Miguel Pais Clemente, um dos mentores do projecto.

O colega Joaquim Gabriel Mendes, por sua vez, explica que esta nova alternativa dota a actividade clínica de “um meio de protecção adicional que funciona como um escudo protector entre o doente e o clínico”, descrevendo o dispositivo como “um prolongamento dos equipamentos de protecção individual.

A invenção, concebida em tempo recorde, promete resolver alguns dos desafios que a pandemia trouxe para este sector. O instrumento — feito em acrílico para permitir uma visualização correta do campo operatório — é composto por uma campânula de protecção um forma de U invertido. O equipamento extrai os aerossóis através de um sistema de ventilação forçada, através de um filtro para reter bactérias e vírus.

Perante o surto de covid-19, médicos dentistas e estomatologistas viram a sua profissão suspensa por decreto do Governo durante o estado de emergência, com excepção para a realização de intervenções de urgência ou inadiáveis.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 2 de Junho de 2020.