Medicina personalizada vai demorar algum tempo a ser incorporada no SNS

Medicina personalizada vai demorar algum tempo a ser incorporada no SNS - 

A especialista em bioinformática Ana Teresa Freitas considerou hoje que a medicina personalizada e precisa, com a vulgarização do recurso a dados genéticos, "vai demorar algum tempo" a ser incorporada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas é inevitável.

A adaptação do novo paradigma ao SNS vai demorar algum tempo, não quer dizer que não se possam dar passos", afirmou, numa videoconferência promovida pela Culturgest sobre longevidade, em particular sobre a medicina de precisão e o impacto da tecnologia e do conhecimento genético na gestão da doença e do prolongamento do tempo de vida saudável.

Para a professora catedrática do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a medicina do século XXI é a medicina "centrada em tratar pessoas e não doenças".

"Uma medicina personalizada, preventiva, precisa e participativa", acentuou, defendendo que os testes genéticos são determinantes para se perceber, por exemplo, quais os medicamentos mais ajustados para uma pessoa tomar, evitando outros pelos seus efeitos secundários indesejáveis.

Ana Teresa Freitas é co-fundadora de uma empresa que aplica a informação genética das pessoas para mantê-las saudáveis, traçando, com base nos dados, planos de estilo de vida personalizados.

Os testes genéticos, que podem ser feitos a partir de uma amostra de saliva, permitem avaliar o risco de doenças cardiovasculares.

Para Ana Teresa Freitas, a informação genética "é relevante" para aferir "a predisposição" das pessoas para certas "características" que podem influenciar "as suas opções" de vida.

Segundo a docente, o novo paradigma da medicina, personalizada e participativa, pressupõe que as próprias pessoas sejam "corresponsáveis na gestão da sua saúde", tarefa que pode ser facilitada com aplicações móveis que permitem monitorizar sinais vitais, a alimentação, o exercício físico ou, mesmo, fazer um electrocardiograma em casa e depois ter uma consulta de telemedicina.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 21 de Maio de 2020.

Exportações portuguesas na área da saúde sobem 9% no primeiro trimestre

Exportações portuguesas na área da saúde sobem 9% no primeiro trimestre - 

As exportações da área da saúde ascenderam a 377 milhões de euros entre Janeiro e Março, um crescimento de 8,8% face a igual período de 2019, destacou hoje em comunicado o Health Cluster Portugal (HCP).

"As exportações da área da Saúde cresceram, assim, em contraciclo com as exportações nacionais de bens, que apresentam um decréscimo de 3,3% em comparação com igual período do ano passado", assinalou a associação sem fins lucrativos, que conta com mais de 180 associados, entre universidades, hospitais e empresas.

Segundo o HCP, que usou dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), com fonte no Instituto Nacional de Estatística (INE), "estes números surgem no seguimento dos esforços desenvolvidos por empresas e entidades do sector no sentido de consolidar a presença de Portugal nos mercados externos".

O HCP definiu como objectivo, até 2025, ultrapassar os 2,5 mil milhões de euros de exportações em saúde, onde estão incluídas a fabricação de produtos farmacêuticos de base, a fabricação de preparações farmacêuticas, a fabricação de equipamento de radiação e electromedicina e a fabricação de instrumentos e material médico-cirúrgico.

O presidente do HCP, Salvador de Mello, salientou que o crescimento nos primeiros três meses do ano verificado nas exportações da área da saúde "reflecte o dinamismo e o esforço desenvolvido pelo sector, sendo particularmente importante num momento em que a área da saúde tem sido tão desafiada e colocada à prova".

De acordo com o responsável, "as empresas do cluster têm demonstrado uma forte capacidade de adaptação, assumindo o HCP o seu papel agregador promovendo sinergias entre muitos dos seus associados".

O sector da saúde representa para a economia portuguesa um volume de negócios anual na ordem dos 30 mil milhões de euros e um valor acrescentado bruto de cerca de 9 mil milhões, envolvendo perto de 90 mil empresas e empregando quase 300 mil pessoas.

 

Fonte: Site do "Jornal Negócios" e autor em 21 de Maio de 2020.

Investigadores criam sistema que permite evitar ruptura de 'stocks' em hospitais e farmácias

Investigadores criam sistema que permite evitar ruptura de 'stocks' em hospitais e farmácias - 

Sistema, intitulado ‘KnowLogis – Expertise in Healthcare Logistics’, surgiu com o propósito de auxiliar a “logística e gestão de inventário hospitalar”

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, desenvolveram um sistema de “gestão inteligente” que permite evitar a ruptura de stocks em hospitais e farmácias, revelou esta quarta-feira o responsável.

Em declarações à Lusa, Mário Amorim Lopes, investigador responsável pelo projecto, explicou que o sistema, intitulado ‘KnowLogis – Expertise in Healthcare Logistics’, surgiu com o propósito de auxiliar a “logística e gestão de inventário hospitalar”.

“Em alguns hospitais estamos a falar de milhões de euros em compras e, se for possível, melhorar esta gestão de inventário significa que, por um lado, é possível poupar dinheiro e, por outro, garantir que os medicamentos estão no sítio certo à hora certa para serem administrados no paciente e que não há adiamentos de cirurgias porque falhou um ‘kit’ cirúrgico”, exemplificou.

O sistema de gestão inteligente desenvolvido para dar resposta à gestão de inventário de produtos farmacêuticos e consumíveis clínicos está implementado, desde Fevereiro, no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Ligado aos sistemas de informação do hospital, o sistema permite saber a quantidade de fármacos que existem, o histórico de consumo e estimar o consumo que será necessário futuramente.

“Com base nesta informação, o KnowLogis gera um sistema de alarme para dizer quanto e quando encomendar, sejam produtos farmacêuticos ou equipamentos clínicos. Além disso, dá avisos para que os serviços do próprio hospital consigam calcular a encomenda a tempo”, esclareceu o investigador, que é também professor auxiliar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Segundo Mário Amorim Lopes, este sistema não substitui a função dos auxiliares e técnicos de saúde, mas “ajuda-os bastante” e complementa o seu trabalho.

O investigador admitiu que o sistema ainda não está preparado para “lidar com riscos”, como é caso da pandemia da covid-19, mas que um dos objectivos da equipa é incorporar numa próxima versão do KnowLogis a “componente de previsão e capacidade para responder a riscos”.

“Se sabemos que vai haver um pico de gripe ou que é extemporâneo outro evento, podemos incorporar isso no sistema, que automaticamente vai converter essa informação em cuidados de saúde e, com base nisso, estimar quantos consumíveis clínicos e fármacos vão ser necessários. Numa das próximas versões do sistema queremos incorporar essa componente”, declarou.

Mário Amorim Lopes adiantou que, neste momento, “há outros hospitais no distrito do Porto interessados" este sistema, sendo que o objectivo dos investigadores passa por “consolidar o ‘software’ a nível nacional” e depois, eventualmente, a nível internacional.

“Este é um problema que é transversal a qualquer hospital do mundo, seja público ou privado”, concluiu.

No comunicado enviado esta quarta-feira, o INESC TEC adianta que o KnowLogis, que começou a ser desenvolvido em 2017 em parceria com a tecnológica Glintt e ao abrigo do programa COMPETE 2020, envolveu um investimento elegível de 532 mil euros e um incentivo de 332 mil euros do FEDER.

Citada no comunicado, Daniela Silva Maia, vogal do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho afirma que com este sistema inteligente a unidade hospitalar prevê “uma redução do valor médio de inventário em pelo menos 10%, assim como uma redução do tempo despendido em todo o processo, desde a detecção de uma necessidade até à colocação de uma nota de encomenda em pelo menos 20%”.

 

Fonte: Site da "TVI24.iol.pt"  e autor em 20 de Maio de 2020

Linha de Apoio ao Farmacêutico recebeu mais de 7.000 chamadas em dois meses

Linha de Apoio ao Farmacêutico recebeu mais de 7.000 chamadas em dois meses - 

Segundo dados avançados pela Ordem dos Farmacêuticos, a maioria destas chamadas estavam relacionadas com a dispensa de medicamentos hospitalares.

Criado pela Ordem dos Farmacêuticos (OF), em parceria com as associações ligadas ao setor, para apoiar os farmacêuticos durante a pandemia de covid-19, a LAF, um número gratuito (800 219 219), está capacitada para responder a dúvidas e questões frequentes em matérias técnico-científicas e do foro profissional.

Desde que entrou em funcionamento (em 16 de março) e até 18 de maio, recebeu 7.095 chamadas, 4.363 das quais (61,5%) tiveram como motivo a dispensa de medicamentos hospitalares, 297 (4,2%) equipamentos de protecção individual, 145(2%) desinfectantes a antissépticos, 106 (1,5%) procedimentos perante casos suspeitos e 95 (1,3%) procedimentos de medidas de prevenção.

Em declarações à Lusa, a bastonária da OF, Ana Paula Martins, explicou que a LAF foi um projecto criado “na primeira semana da emergência”, tendo nas duas primeiras semanas estado muito virada para questões relacionadas com os equipamentos de protecção individual e as soluções desinfectantes.

Também surgiram “muitas perguntas” relacionadas com medicamentos, porque “as pessoas queriam comprar a medicação que ouviam dizer que era importante ter em casa por causa da covid”, disse a bastonária, à margem de uma visita a uma farmácia em Lisboa, onde juntamente com o bastonário da Ordem dos Médicos fizeram uma entrega simbólica de máscaras cirúrgicas no âmbito do projecto “Todos por quem Cuida”.

A partir da segunda semana foi montada a “Operação luz verde”, um serviço gratuito para os utentes e para os hospitais, que visa garantir que os doentes com cancro, VIH-sida, esclerose múltipla e outras doenças continuem a toma a medicação de dispensa hospitalar sem ter de se deslocar ao hospital.

A dispensa da medicação é articulada pela Linha de Apoio ao Farmacêutico e efectuada pela farmácia escolhida pelos doentes.

Os dados da OF indicam que já foram aprovados 11.083 processos pelos hospitais para entrega de medicamentos em proximidade e que foram seleccionadas pelos utentes 2.138 farmácias, de 273 concelhos do país, que já notificaram 5.379 dispensas de medicamentos entre 23 de Março e 10 de maio.

Para a bastonária, foi “um trabalho importantíssimo” ao qual a LAF esteve dedicada 90% no último mês e meio.

No final de maio, terminará formalmente a operação que “era um esforço colectivo de muitas entidades com um fundo próprio para a altura de emergência”.

“Agora o Ministério da Saúde e o Infarmed terão que olhar para a experiência que tivemos”, para aquilo que os hospitais e os seus serviços farmacêuticos pensam fazer e para “as opções que os doentes experimentaram e que querem continuar a manter”, defendeu.

Foi “um tempo excepcional” em que médicos farmacêuticos, distribuidores, farmácias hospitalares e comunitárias e doentes estiverem todos “no mesmo barco”.

“Agora é altura de pensar com a experiência que tivemos como é que este serviço se pode montar e qual é a vontade que o Ministério da Saúde tem em o manter e em que moldes”, insistiu, sublinhando que esta “era uma necessidade há muito tempo e agora tornou-se uma prioridade”

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 20 de Maio de 2020

Venda de fármacos para deixar de fumar aumentou 11%

Venda de fármacos para deixar de fumar aumentou 11% - 

Vendida sem receita médica, a nicotina foi a substância mais consumida. Logo de seguida, aparecem a vareniclina e o bupropiom - tratamentos sujeitos a receita.

Durante os primeiros três meses de 2020, os portugueses consumiram 57.637 embalagens de medicamentos para deixar de fumar, mais 11,7% (5.980) do que no mesmo período de 2019, segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed). Esta notícia é avançada pelo “Jornal de Notícias” esta quarta-feira.

Vendida sem receita médica, a nicotina foi a substância mais consumida. Logo de seguida, aparecem a vareniclina e o bupropiom - tratamentos sujeitos a receita.

Questionado se a covid-19 teria alguma influência na procura de medicamentos para deixar de fumar, José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, lembrou que “nunca nenhum fumador deixou de fumar quando está com medo, quando está com stress”.

José Pedro Boléo-Tomé, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, disse ao “JN” que o stress do confinamento é “uma probabilidade real”. E admitiu também que os fumadores podem ter tentado fazer uma vida mais saudável. “Tem sido notório com o exercício físico”, disse.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 20 de Maio de 2020.

 

Investigadores portugueses “deviam apostar em ensaios clínicos mais controlados”

Investigadores portugueses “deviam apostar em ensaios clínicos mais controlados” - 

A Rede Portuguesa de Investigação Clínica (PtCRIN) alerta para a necessidade de dar robustez aos estudos e garantir ensaios sólidos.

A PtCRIN alerta para a necessidade de investigadores que em Portugal trabalham a covid-19 falarem com colegas internacionais para poderem dar robustez aos estudos, garantir ensaios sólidos e evitar os que não saem do papel.

Apontando um artigo publicado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês), Joana Batuca, gestora da PtCRIN sublinha a chamada de atenção da EMA para que os ensaios clínicos sejam bem desenhados e com robustez suficiente, evitando ter centenas deles submetidos às autoridades, mas que depois não conseguem dar evidência científica suficiente.

Num artigo publicado no final da semana passada, a EMA diz que há 300 estudos clínicos registados nas bases de dados europeias, mas a grande maioria são estudos observacionais, onde, por exemplo, não existe comparação com placebo.

“Mesmo no poder de evidência clínica são diferentes. No topo estão os ensaios clínicos, com evidência e segurança para o doente”, explicou à agência Lusa Joana Batuca, que é correspondente europeia de Portugal na rede europeia ECRIN – European Clinical Research Infrastructures Network, na véspera do Dia Internacional dos Ensaios Clínicos.

 

Há 7 estudos relacionados com a Covid-19 em Portugal

Nos 300 estudos registados nas bases de dados europeias, a maioria são iniciativas de um só país. Apenas 36 têm como objectivo recrutar mais de 1.000 doentes.

Em Portugal estão registados nas bases de dados sete estudos clínicos relacionados com a covid-19, alguns internacionais, com maior número de doentes e que podem oferecer maior solidez de resultados.

Um deles já existia antes da pandemia e estudava doentes com pneumonia, mas os investigadores acabaram por alterar o protocolo para passar a recrutar doentes com covid-19, e o outro é um ensaio clínico com Remdesivir (antiviral usado no Ébola) para o qual Portugal também vai recrutar doentes.

Há ainda o Solidarity, delineado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que vai recolher evidência científica sobre algumas opções de tratamento para a covid-19. Na semana passada foi anunciada a participação portuguesa nesta ensaio.

Os restantes são “estudos observacionais”, de iniciativa dos investigadores, mais económicos e menos complexos, que investigam temas como o comportamento de lavagem das mãos durante a pandemia, a relação da covid-19 com a vitamina D e a relação da doença com o microbioma.

“Este tipo de estudos têm amostras menores, não têm de estar registado na base de dados nem no Infarmed. Basta a comissão ética do hospital onde ele vai ser realizado”, explicou Joana Batuca, sublinhando que, como há várias iniciativas em cada país, a PtCRIN tem tentado “pôr investigadores a falarem uns com os outros para transformar estes estudos em iniciativas internacionais, aumentando a robustez do estudo”.

“É preciso pôr os investigadores a falarem uns com os outros. Senão, podemos ter a mesma pergunta a ser respondida em Espanha, Itália e Portugal. O que acontece é que, se não falarem entre si, como não há harmonização da pergunta e dos dados recolhidos, há menos robustez no resultado”, explicou.

Joana Batuca considera que os investigadores portugueses “deviam apostar nos ensaios clínicos mais controlados”, mas reconhece que, como exigem mais investimento, são mais difíceis de concretizar”.

“Esperemos que, com a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica [criada há dois anos], se possa incentivar mais o investimento na investigação clínica”, disse.

A especialista defende que são importantes as iniciativas que partem dos investigadores, pois “são eles que estão na pratica clínica e que fazem as perguntas”, mas sublinha que, em casos de pandemia, “também é importante haver orientações dos governos e da comissão europeia sobre como actuar e que ensaios devem avançar”.

“No fundo, a EMA, no artigo que publicou, diz isso mesmo. Interpreto a posição da agência como um apelo para a comissão europeia, governos e instituições se organizarem e utilizarem as infraestruturas que já existem”, considerou.

“Se não apostarmos nos que estão bem desenhados e podem ter robustez e não teremos doentes suficientes para responder às perguntas”, concluiu.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 20 de Maio de 2020