Falsas vacinas à venda na internet são grande risco para a saúde

Falsas vacinas à venda na internet são grande risco para a saúde - 

Muitas dessas fraudes com produtos inexistentes ou falsos não pretendem apenas ganhar umas centenas de dólares, mas aceder a algo muito mais valioso: os dados pessoais dos compradores.

Embora milhões de pessoas tenham sido já vacinadas contra a covid-19 nos países ricos, proliferam as fraudes na internet com fármacos falsos que representam um grande risco para a saúde, alertaram peritos das Nações Unidas.

As fraudes na internet dispararam porque existe uma procura que não é atendida pelas vias legais e a pressa ou o desespero de algumas pessoas para se imunizarem levam-nas ao mercado ilegal, escreve a agência Efe.

Na net obscura oferecem-se vacinas falsas com nomes de distintas farmacêuticas, com preços desde 120 dólares (98,4 euros) até mais de mil dólares.

Estes produtos, em caso de existirem, podem conter material tóxico muito nocivo para a saúde.

"Creio que muitas dessas vacinas não existem em absoluto: É uma fraude em sentido estrito. Se compras, não recebes nada. É uma forma muito fácil de tentar ganhar dinheiro", explicou à Efe o maior perito das Nações Unidas em cibercriminalidade, Neil Walsh.

"E no caso de se receber algo, pode estar-se seguro de que não será a vacina real. No melhor dos casos será um placebo e no pior pode ter elementos químicos prejudiciais", resumiu Walsh, director do programa contra a cibercriminalidade da agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDD).

Mesmo no improvável caso de ser uma embalagem de vacinas autênticas roubadas, seguramente não foi mantida em condições sanitárias para o seu uso - como a cadeia de frio - sublinhou o especialista.

Walsh assegurou que nunca se deparou no submundo da Web com vacinas autênticas, apesar de reconhecer que o seu departamento precisa de meios para rastrear em profundidade todos os ângulos.

Muitas dessas fraudes com produtos inexistentes ou falsos não pretendem apenas ganhar umas centenas de dólares, mas aceder a algo muito mais valioso: os dados pessoais dos compradores.

"Um dos produtos mais fáceis de vender no mundo cibercriminal são os dados pessoais. Se alguém tem o teu correio electrónico, nome, data de nascimento, morada e número de telefone, todos esses dados juntos são muito úteis para delinquentes que procuram assumir a tua identidade", disse.

Além da fraude, a preocupação de Walsh é a desinformação e os efeitos negativos que estes fármacos falsos podem ter, ao gerarem dúvidas sobre as vacinas autênticas.

O conselho: não comprar nunca estas vacinas na internet e utilizar o senso comum.

"Se nem governos puderam aceder a vacinas ou comprá-las, como é que eu encontrei uma na net?", resumiu o perito da ONU.

O problema com medicamentos falsificados é muito anterior à pandemia. A ONUDD denuncia há anos que o crime organizado ganha milhares de milhões de dólares a vender medicamentos falsos.

Cerca de 80% desses fármacos fraudulentos vende-se em países em desenvolvimento de África e da Ásia, a maioria proveniente da Ásia.

Uma investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2017, concluiu que um em cada 10 medicamentos nos países em desenvolvimento era falsificado, o que estaria por trás da morte de dezenas de milhares de pessoas todos os anos.

"A covid deu um impulso ao mercado de medicamentos falsos, não só porque agora há mais, mas também porque abriu novos mercados, como o ocidental, onde se pode ganhar muito dinheiro", explicou à Efe Angela Me, investigadora chefe de análises e tendências na ONUDD.

A perita afirmou que o crime organizado aproveita sempre a brecha entre a oferta e a procura.

E recordou que proliferaram na Primavera as fraudes com produtos sanitários básicos porque escasseavam, mas à medida que a indústria legal foi cobrindo a necessidade, os engodos foram desaparecendo.

O mesmo sucede agora com as vacinas, insistiu Me.

"Isto estava destinado a acontecer porque as organizações criminosas actuam muito rápido onde podem ganhar dinheiro", concluiu.

Defendeu, por isso, que o problema irá desaparecer nos países mais ricos, à medida que avancem os programas de vacinação, mas alertou que persistirá nos países em desenvolvimento, onde os fármacos chegarão mais tarde.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 26 de Janeiro de 2021.

Centros de saúde ainda têm dúvidas sobre processo de vacinação que começa na próxima semana

Centros de saúde ainda têm dúvidas sobre processo de vacinação que começa na próxima semana - 

Os centros de saúde ainda não sabem como vão convocar os doentes, nem como vão chegar aos utentes sem médico de família ou que são seguidos nos hospitais privados. Processo começa na próxima semana

A vacinação de pessoas com mais de 50 anos e com determinadas patologias associadas começa na próxima semana, mas os centros de saúde, locais onde decorrerá a vacinação, ainda não têm informações sobre como vai decorrer o processo.

Ao "Jornal de Notícias", Diogo Urjais, representante das unidades de saúde familiares, explicou as várias dúvidas que ainda existem a poucos dias do início da vacinação: "Não temos ainda informação de como os utentes vão ser convocados e ainda há dúvidas sobre os utentes sem médico de família e os que não frequentam o Serviço Nacional de Saúde".

Os centros de saúde ainda não sabem quais as unidades que vão poder administrar as vacinas, já que a vacina da Pfizer tem algumas especificidades relacionadas com o armazenamento e aproveitamento das doses. Diogo Urjais defende que o processo deve ser centralizado, sendo escolhido um centro de saúde por cada agrupamento ou por cada concelho.

Já sobre os doentes seguidos no sector privado, a regra dita que estes devem apresentar uma declaração do seu médico para comprovar a patologia e poder marcar a toma da vacina. No entanto, diz o representante das unidades de saúde familiares, falta explicar quem é que vai validar esses atestados.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 26 de Janeiro de 2021.

Moderna já produz reforço da vacina para a variante sul-africana

Moderna já produz reforço da vacina para a variante sul-africana - 

O director médico da Moderna revela que está a desenvolver uma forma da vacina contra a nova variante, que pode ser usada como uma injecção de reforço.

A vacina da Moderna é eficaz contra novas variantes do coronavírus que surgiram na Grã-Bretanha e na África do Sul, anunciou a empresa esta segunda-feira. No entanto, parece ser menos protectora relativamente à variante sul-africana, razão pela qual a Moderna está já a desenvolver uma nova forma da vacina que poderá ser usada como uma injecção de reforço contra essa nova variante do novo coronavírus.

"Estamos a fazer isso para estarmos à frente da curva, caso seja necessário", revelou Tal Zaks, director médico da Moderna, numa entrevista. "Eu estou a pensar nisto como uma apólice de seguro, uma vez que não sei se vamos precisar, espero que não", acrescentou.

A Moderna relatou resultados de um estudo que usou amostras de sangue de oito pessoas que receberam duas doses da vacina, bem como de dois macacos que também foram imunizados.

A variante britânica não teve impacto sobre os níveis de anticorpos neutralizantes - o que pode desactivar o vírus - produzidos após a vacinação. Contudo, com a variante sul-africana, houve uma redução de seis vezes no que diz respeito a esses níveis.

Mesmo assim, de acordo com a Moderna, esses anticorpos "permanecem acima dos níveis que devem ser protectores".

A Moderna colaborou no estudo com o Centro de Investigação de Vacinas do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, dos Estados Unidos. No entanto, os resultados não foram publicados ou analisados pelos pares, mas foram enviados para o bioRxiv, que publica estudos preliminares online.

Tal Zaks disse que a nova versão da vacina Moderna, direccionada para a variante sul-africana, poderá ser usada se necessário como reforço um ano depois de as pessoas receberam a vacina original. A necessidade de tal reforço pode ser determinada por exames de sangue para medir os níveis de anticorpos ou observando a população de pessoas vacinadas para ver se começam a ficar doentes com a nova variante.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 25 de Janeiro de 2021.

Novas estirpes não “têm impacto de provocar maior doença”, diz virologista

Novas estirpes não “têm impacto de provocar maior doença”, diz virologista - 

O facto de uma estirpe ser mais contagiosa, "não quer dizer que tenha propriedades de causar doenças maiores", explica o virologista Pedro Simas.

O virologista Pedro Simas afirma que as novas estirpe não “têm impacto de provocar maior doença”, depois de ter sido identificado o primeiro caso de covid-19 associado à variante genética da África do Sul em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, o virologista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa explicou que estão sempre a surgir novas variantes, desde o início da pandemia. “Estão sempre a aparecer variantes e as variantes que predominam, em relação às outras, são aquelas que têm mais vantagem de disseminação, mais aptidão para se disseminar”, disse, adiantando que é um “processo natural”.

De acordo com o virologista, as novas variantes devem ser vigiadas e não criar pânico na sociedade, porque faz parte do processo de replicação e evolutivo do vírus SARS-CoV-2.

“[As variantes] Não têm impacto de provocar maior doença. Do ponto de vista evolutivo, não faz sentido, porque se assim fosse não tinha uma capacidade de disseminação tão rápida, seriam facilmente identificadas em termos clínicos e as pessoas isoladas sem hipótese de as disseminar”, realçou.

Estirpe pode ser mais contagiosa mas não necessariamente mais danosa

Para Pedro Simas, as variantes não devem ser utilizadas para tentar justificar falhas na contenção da propagação comunitária e nem usadas para “tentar incutir um sentido de insegurança nas pessoas em relação às vacinas”.

Se uma variante como a do Reino Unido que tem uma maior vantagem de disseminação numa determinada área geográfica e é natural que ela se espalhe, porque ela domina em relação às outras, isso não quer dizer que tenha propriedades de causar doenças maiores, não quer dizer necessariamente impacto na eficácia das vacinas”, indicou.

Demonstrando preocupação, mas não alarmismo, o virologista precisou que as vacinas serão mudadas caso surja uma estirpe com “impacto significativo”. “Não é um caso que não possamos resolver ou solucionar”, concluiu.

O primeiro caso de covid-19 associado à variante genética da África do Sul foi identificado em Portugal pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

O caso identificado em Portugal, através da sequenciação genómica, foi já reportado pelo INSA às autoridades de saúde, que estão já “a realizar as devidas diligências para o rápido rastreio de contactos e interrupção da potencial cadeia de transmissão”, referiu o INSA.

Segundo cientistas sul-africanos, os dados recolhidos até agora não mostraram que a nova variante do SARS-CoV-2 detectada na África do Sul, nomeada 501Y.V2, não acompanha uma maior taxa de morbilidade, embora o aumento da pressão do sistema de saúde possa estar por detrás de mais mortes.

O INSA tem vindo a desenvolver desde Abril de 2020, em articulação com o Instituto Gulbenkian de Ciência e com a colaboração de mais de 65 laboratórios, hospitais e instituições de todo o País, um estudo que visa determinar os perfis mutacionais do SARS-CoV-2 para identificação e monitorização de cadeias de transmissão do novo coronavírus, bem como identificação de novas introduções do vírus em Portugal.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 25 de Janeiro de 2021

Cientistas criam fórmula para ajudar detecção precoce de picos da pandemia

Cientistas criam fórmula para ajudar detecção precoce de picos da pandemia - 

Fórmula pode ainda contribuir para uma "detecção precoce e previsão de diferentes tipos de cancro em desenvolvimento", de acordo com a Universidade de Coimbra.

Um estudo internacional demonstrou que “um novo formato de análise dos modelos matemáticos” pode ajudar na “detecção precoce e previsão de diferentes tipos de cancro em desenvolvimento e pandemias”, anunciou esta segunda-feira a Universidade de Coimbra (UC).

A investigação fornece à comunidade científica que trabalha com este tipo de modelos matemáticos “um novo formato de leitura dos dados, mais precisamente, numa escala logarítmica e linear”, designada ‘log-lin’, explicita a UC, numa nota enviada à agência Lusa.

Liderado por Paulo Rocha, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e Lode Vandamme, da Universidade de Eindhoven (Holanda), o estudo já foi publicado na Scientific Reports, revista do grupo Nature.

“Nós explorámos o modelo matemático mais frequentemente utilizado pela comunidade científica, um modelo proposto por Verhulst, e verificámos que, se interpretarmos os dados desta forma (‘log-lin’) e não nos formatos convencionais, consegue-se obter informação que permite a detecção precoce, não só dos picos de pandemias, mas também do desenvolvimento de vários tipos de cancro, embora em escalas temporais muito diferentes”, explica Paulo Rocha.

O cientista da FCTUC, citado pela UC, afirma que “este artigo científico sugere à comunidade científica que trabalha com este tipo de modelos que passe a usar este formato de análise”.

Atendendo à situação pandémica que se vive, o estudo pode permitir “detectar mais atempadamente quando os picos da pandemia vão surgir”, sustenta o investigador.

“O cancro e as pandemias são duas das principais causas de morte em todo o mundo e representam, actualmente, uma severa preocupação global. Para ambos os cenários, a detecção precoce e respectiva previsão são críticas”, salienta.

“O nosso trabalho mostra que, em pandemias e cancros, problemas semelhantes podem ser resolvidos e sinalizados em tempo útil, usando modelos matemáticos e físicos análogos”, nota o investigador, acrescentando que estes modelos “podem sinalizar, oportunamente, o aparecimento de picos epidemiológicos – actualmente importantes para a previsão do segundo e terceiro picos de Covid-19 –, além de resumir dados vitais para entidades governamentais e cidadãos”.

Outro dado importante do estudo é o facto de o modelo de análise proposto por este grupo de cientistas revelar que o “movimento browniano explica as regras de comportamento numa pandemia e enfatiza a importância do confinamento, distanciamento social, máscaras, protectores faciais e ar condicionado”.

Os resultados apresentados no artigo científico definem, segundo os autores, um novo marco científico, “uma vez que a nossa investigação matemática entre cancros e pandemias revela uma correlação multifactorial entre ambas as fragilidades e ajuda a compreender, prever em tempo oportuno e, em última análise, diminuir o obstáculo socioeconómico de doenças oncológicas e pandemias”.

Esta investigação matemática possui um amplo e importante impacto científico com relevância técnica e constitui uma relevante contribuição, tanto para a comunidade científica, como também para a população em geral.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco.sapo.pt" e autor em 25 de Janeiro de 2021.

OF pede intervenção do Governo e apela aos portugueses

OF pede intervenção do Governo e apela aos portugueses - 

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) divulgou no seu portal um comunicado onde pede a intervenção urgente do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, assim como um apelo aos portugueses.

A Ordem começa por apelar ao “sentido cívico dos portugueses e à solidariedade nacional” indicando que “está solidária com as famílias que todos os dias perdem os seus entes queridos e com o esforço de milhares de profissionais de saúde para salvar inúmeras vidas neste contexto de luta contra a pandemia de covid-19”.

Contudo “entende que a situação limite que o País actualmente enfrenta justifica a adopção de todas as medidas que possam minimizar a propagação do vírus SARS-CoV-2 na comunidade, reduzir o congestionamento do internamento hospitalar e, ainda mais importante, poupar vidas, tal como tem sido reiteradamente proposto e defendido por várias outras instituições e especialistas na área da Saúde Pública”, explica no comunicado divulgado.

E para que essas medidas sejam tomadas, a “OF solicita a intervenção urgente do Governo e do Chefe de Estado, concretizando as recomendações dos peritos para contenção da pandemia”.

A Ordem dos Farmacêuticos indica estar de acordo com as medidas sugeridas pela Ordem dos Médicos, e acreditam que estas “merecem-nos total concordância e são o caminho para começar a inverter esta tendência alarmante de aumento da infecção e mortalidade por covid-19, cujo impacto se estende além da prestação cuidados, à economia e à sociedade no geral”.

Para além do apelo ao Governo, a “OF apela ainda a todos os portugueses, sem excepção, para o respeito e cumprimento escrupuloso das medidas para a contenção da mobilidade decretadas pelas autoridades. Há muitas vidas em jogo que não podemos continuar a perder se queremos ter futuro”.

Neste apelo, a OF defende que não é o momento de nos preocuparmos “com a nossa passividade enquanto cidadãos”. O momento é o de “Tinterromper de forma categórica este ciclo trágico de perdas de vidas, todos os dias somadas. Mortes irreparáveis, mas que podiam ter sido evitadas; vidas que podem ser poupadas pelas acções de todos e cada um de nós individualmente”.

A Ordem lembra que “os profissionais de saúde estão no limite. O Serviço Nacional de Saúde e o Sistema de Saúde, na sua globalidade, já atravessaram a linha vermelha”, e como tal, cabe aos portugueses fazerem a diferença, pois “já não temos mais tempo!”

“Os farmacêuticos continuarão a cumprir o seu dever, de serviço público e protecção aos portugueses. Disponíveis para reforçar a capacidade de testagem no País, contribuindo assim para isolar pessoas numa fase cada vez mais precoce da doença, quebrando cadeias de transmissão e aliviando a pressão sobre os nossos hospitais e profissionais de saúde. Mas também na vacinação em massa, com a segurança, o rigor e a proximidade que o acto requer. Tudo o que deles depender será feito sem hesitação. Onde quer que exerçam a sua actividade. Portugal e os portugueses vêm em primeiro lugar!”, indica a OF no comunicado divulgado.

A OF termina com um apelo de união.

“É tempo de unirmos esforços, de pensar nos mais frágeis, nos mais desprotegidos. É tempos de assumirmos a nossa responsabilidade individual e colectiva. Este é um dos maiores desafios da nossa História. Temos de continuar a lutar! Que seja a esperança, e não a adversidade, a moldar o nosso futuro!”, termina a Ordem, no seu portal.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 25 de Janeiro de 2021