VIH: Novo programa de rastreio reduz diagnóstico tardio de 90% para 43% dos casos

VIH: Novo programa de rastreio reduz diagnóstico tardio de 90% para 43% dos casos - 

O programa de rastreio intitulado 'Focus' é uma iniciativa da farmacêutica Gilead Science e foi implementado no Hospital de Cascais.

O programa Focus é uma iniciativa da farmacêutica Gilead Science, cuja parceria com o Hospital de Cascais é a primeira fora dos Estados Unidos, avança o jornal Público. O programa começou em 2018 e existe também em Lisboa, numa parceria com o Grupo de Activistas em Tratamento (GAT), e na Madeira.

Os primeiros dados analisados vão até final do ano passado, comparados com os 16 meses anteriores à implementação do rastreio. Com a implementação deste rastreio, quando o doente se desloca à urgência, é inserido no seu fluxo normal de análises o pedido do teste. Quando há um pedido de colheita de sangue, conforme a definição de critérios, sugere-se automaticamente que o teste de VIH faça parte das análises. Por sua vez, doente é informado que o rastreio está a decorrer e cabe a ele decidir se quer ou não realizar o teste.

Em declarações ao jornal Público, a responsável pelo projecto e pela consulta de VIH do Hospital de Cascais, Drª. Inês Vaz Pinto, realça a diferença “enorme no número de diagnósticos”. A médica explica que “cerca de 90% dos doentes diagnosticados na urgência eram diagnósticos tardios e agora são 43%. Esta questão tem muita importância na saúde individual do doente e na saúde pública.”

Mais testes realizados após implementação do programa

Nos 16 meses que antecederam o inicio do rastreio, foram feitos cerca de 1900 testes de VIH no âmbito da urgência, com uma taxa de positivos de 1,27%. Com o programa, foram cerca de 19 mil testes com uma taxa de positivos de 0,24%. A responsável pelo projecto esclarece que a redução da taxa de positivos “é normal”, uma vez que “antes, os testes eram pedidos por motivos clínicos. São 44 novos diagnósticos só neste período.”

Quanto ao perfil dos doentes, são mais os imigrantes e os jovens até aos 24 anos que chegam às urgências para serem testados.

Devido à pandemia da Covid-19, a procura de urgências diminuiu, o que por sua vez provocou um decréscimo de 36% no número de testes feitos a partir do rastreio. Apesar desta redução, a médica do Hospital de Cascais destaca que “o rastreio e o diagnóstico mantiveram-se, enquanto outros rastreios de organizações não-governamentais tiveram de parar.”

A detecção precoce do VIH é fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas pela ONU-SIDA, de até 2030, haver 95% dos doentes diagnosticados, destes ter 95% em tratamento e destes últimos, ter 95% com carga viral indetetável, com o grande objectivo de quebrar cadeias de transmissão e limitar novas infecções da doença.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 14 de Setembro de 2020

Dois terços dos custos com dermatite atópica são suportados pelos doentes

Dois terços dos custos com dermatite atópica são suportados pelos doentes - 

A dermatite atópica representa um custo anual de 1.018 milhões de euros, dois terços dos quais suportados pelos doentes, que recorrem maioritariamente aos serviços de saúde privados devido aos tempos de espera no SNS, revela hoje um estudo.

Em média, cada doente gasta 1.818 euros por ano na gestão da sua doença, nomeadamente em produtos, consultas, medicamentos, deslocações e tratamentos complementares, adianta o estudo divulgado no Dia Mundial da Dermatite Atópica, realizado pela NOVA IMS da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV) e a Associação Dermatite Atópica Portugal (ADERMAP).

Só em gastos com medicamentos, um doente com dermatite atópica ligeira gasta em média 530 euros, valor que aumenta para 2.054 euros nos casos mais graves.

A investigação pretendeu avaliar os impactos sociais, laborais, económicos desta doença inflamatória crónica da pele, sendo "o primeiro estudo desta natureza em Portugal", disse à agência Lusa o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho.

"A dermatite atópica tem um impacto muito significativo, nalguns casos dramático, na qualidade de vida dos doentes, manifestando-se com níveis de intensidade diferentes [ligeiro, moderado e grave]", adiantou.

Em todos estes níveis há "impactos sociais significativos" como mais de um terço dos doentes a manifestar sentimentos de "vergonha, ansiedade e frustração" devido à doença.

Em média, estes doentes gastam três quartos de hora por dia a tratar da doença e nos casos mais severos 81 minutos, refere o estudo que decorreu entre Junho de 2019 e Janeiro de 2020 e obteve 204 repostas de doentes diagnosticados.

"Tudo isto se propaga às actividades dos doentes", disse o investigador, explicando que esta doença afecta pessoas em idade activa, o que tem impactos laborais.

Estes doentes perdem, em média, dois dias de trabalho por ano, chegando aos nove dias nos casos mais severos.

"Mas mais importante do que o absentismo são os dias de trabalho perdidos" por perda de produtividade, porque "a pessoa se sente mal", sublinhou o investigador.

Neste caso, estima-se uma perda equivalente a 50 dias de trabalho por ano, o que tem "uma expressão económica muito significativa".

"Entre dias faltados, perda de produtividade, e também dias faltados por familiares ou cuidadores, nós estimamos que haja um impacto económico total na sociedade de perto de 1.500 milhões de euros", salientou.

A doença também acarreta "custos significativos" anuais para o Estado (218 ME) e para os doentes (800 ME), mas "o investimento nesta doença tem "um significativo retorno positivo para a sociedade, que se traduz em qualidade de vida do doente, e numa importante mitigação do seu impacto económico", salientou.

Cerca de 70% dos inquiridos recorreram ao sistema de saúde privado, 86% dos quais por esperarem menos tempo para uma consulta de dermatologia, que é oito vezes superior no Serviço Nacional de Saúde.

"A relevância do sistema de saúde privado para estes doentes, mostra que existem questões de equidade que necessitam ser garantidas para um acesso à saúde justo para todos", defendeu o presidente da SPDV, Miguel Peres Correia.

Segundo o estudo, os doentes estariam dispostos a abdicar de 21% do seu rendimento anual para conseguirem eliminar a doença, cujo diagnóstico surge, em média, dois anos após os primeiros sintomas. Em 10% dos doentes demorou mais de seis anos.

"Na maioria das pessoas, acresce ainda outras comorbilidades que fazem piorar ainda mais" o estado de saúde e "agravar a qualidade de vida que nalguns casos é inexistente", disse a presidente da ADERMAP, Joana Camilo, portadora da doença.

Para Joana Camilo, esta doença "tem de ser valorizada, pelos doentes, pelas famílias e pelo Estado".

Estima-se que existam cerca de 440 mil pessoas em Portugal com dermatite atópica, das quais 46% apresentam formas mais graves da doença, que tem como sintomas vermelhidão na pele, edema, comichão, pele seca, fissuras, lesões descamativas, crostas e exsudação.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 14 de Setembro de 2020.

Lucro da Glintt sobe 1,2% para 896 mil euros no semestre

Lucro da Glintt sobe 1,2% para 896 mil euros no semestre - 

Os resultados líquidos da Glintt ascenderam a 896 mil euros nos primeiros seis meses deste ano, o que representa uma subida de 1,2% face ao período homólogo. Receitas cederam para os 43,3 milhões.

Glintt totalizou 896 mil euros de lucro no primeiro semestre, uma subida de 1,2% em comparação com igual período de 2019, foi hoje comunicado ao mercado.

“No primeiro semestre de 2020, os resultados líquidos da Glintt ascenderam a 896 mil euros, representando um crescimento de 1,2% face a igual período de 2019”, lê-se no comunicado remetido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Nos primeiros seis meses do ano, o volume de negócios da tecnológica cedeu 4,6%, em comparação com o período homólogo, para 43,3 milhões de euros.

De acordo com a empresa, esta evolução é justificada pelas “restrições à actividade empresarial na sequência da crise pandémica da covid-19”, sendo que o impacto no mercado internacional foi “mais severo” do que no doméstico.

Já o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) da Glintt fixou-se, no período em causa, em 6,1 milhões de euros, o equivalente a um crescimento homólogo de 10% ou de aproximadamente 551 mil euros, que traduz uma melhoria da eficiência operacional.

Perante a Covid-19 e os seus consequentes impactos, a empresa “implementou medidas de contenção e de controlo de custos, o que permitiu que, não obstante do decréscimo do volume de negócios, a rentabilidade aumentasse de forma relevante”, sublinhou.

No documento, a Glintt referiu ainda não prever “impactos materialmente relevantes” no seu desempenho, além dos registados no primeiro semestre, tendo em conta que implementou medidas “de defesa da rentabilidade e de capitalização”, permitindo “encarar com tranquilidade o resto do ano”.

Assim, “a administração da Glintt acredita que a empresa está a desenvolver com sucesso a estratégia correta, com vista a maximizar o valor a todos os stakeholders [partes interessadas], nomeadamente, accionistas, colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros e financiadores”.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco" e autor em 14 de Setembro de 2020.

 

Investigadores nacionais querem travar danos neurológicos de vários vírus

Investigadores nacionais querem travar danos neurológicos de vários vírus - 

Entre eles, o SARS-CoV-2.

Há um ano, após a conquista de um financiamento europeu de 4,2 milhões de euros, a equipa de investigadores liderada por Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, iniciou o projecto NOVIRUSES2BRAIN.

O objectivo? Desenvolver fármacos capazes de chegar ao cérebro e aí inactivar vírus, como Dengue, Zika ou HIV, evitando os seus possíveis efeitos neurológicos. 

No arranque do projecto, dizem, já se sabia que algumas moléculas eram capazes de chegar ao cérebro e outras apresentavam uma grande actividade antiviral. “Durante os últimos 12 meses, unimos os dois tipos de moléculas, formando conjugados, e demonstrámos que, de facto, algumas delas, como esperado, são capazes de passar da corrente sanguínea para o cérebro. Falta agora demonstrar que estes conjugados são activos contra vírus no cérebro e que os efeitos secundários (no cérebro e fora dele) não são graves", explicou o investigador em comunicado.

Recentemente, à lista de vírus estudados neste projecto foi adicionado o SARS-CoV-2, mas a equipa de investigadores ainda está a dar os primeiros passos. “Os ensaios ainda estão numa fase muito inicial, dado que todos os procedimentos com o SARS-CoV-2 são absolutamente novos. O que estamos a fazer é utilizar a mesma estratégia e ensaios que utilizámos para os outros vírus para testar a capacidade anti-viral das moléculas que estamos a desenvolver contra o SARS-CoV-2”, referiu.

Segundo os investigadores, o próximo passo passa por “garantir que as moléculas em causa são suficientemente seguras e eficazes em animais de laboratório”, antes de serem testadas em humanos. Por isso, o desafio que se segue “será optimizar as circunstâncias em que possamos testar os fármacos que estamos a desenvolver in vivo, uma vez que os vírus que estudamos multiplicam-se em humanos e não o fazem naturalmente em animais; esta é uma limitação enorme na avaliação da acção in vivo dos fármacos anti-virais”.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 11 de Setembro de 2020.

Metade dos portugueses confia nas vacinas, menos que outros países

Metade dos portugueses confia nas vacinas, menos que outros países - 

Ainda assim, confiança está ligeiramente acima da média dos países da União Europeia e melhorou significativamente desde 2015.

Cerca de metade dos portugueses confia na segurança e eficácia das vacinas, um número relativamente baixo, à semelhança do resto da Europa, em comparação com outras regiões, segundo um estudo.

A revista científica The Lancet publicou os resultados da última edição do projeto “Vaccine Confidence”, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, que analisou e comparou dados de 2015 e 2019 de vários inquéritos nacionais em 149 países sobre o nível de confiança das pessoas nas vacinas, em relação à sua segurança, eficácia e importância.

Para Portugal, os investigadores estimam que 50,20% das pessoas confia na segurança das vacinas, um número que sobe para 54,94% quando se avalia a eficácia.

Confiança nas vacinas caiu em Portugal

Em comparação com 2015, em Dezembro de 2019 os portugueses confiavam mais nas vacinas, registando-se uma diferença de 12 pontos percentuais em relação à segurança e 14 pontos percentuais em termos de eficácia.

Nos dois campos, o país está ligeiramente acima da média da União Europeia onde, segundo os resultados, a confiança na vacinação continua baixa em comparação com as outras regiões: países como o Uganda, Bangladesh, Índia ou Burundi estão entre aqueles que mais confiam.

À semelhança de Portugal, também na Europa a tendência parece ser para confiar cada vez mais, mas os investigadores destacam alguns países onde, por outro lado, são a desconfiança e a oposição que tendem a crescer, como o Azerbaijão, Afeganistão, Paquistão ou Sérvia, reflectindo os climas de instabilidade política e extremismo religioso.

Os investigadores também associam os baixos níveis de confiança à desinformação, considerando que essa é uma das principais ameaças à resiliência dos programas de vacinação.

“Por vezes, há um risco genuinamente pequeno que é rapidamente difundido e amplificado para parecer muito maior”, afirmou Heidi Larson, a investigadora que liderou o estudo, referindo também a polarização do debate público e a desconfiança em relação ao governo e às elites científicas.

Além da segurança e da eficácia das vacinas, o estudo olha também para a opinião das pessoas em relação à importância da vacinação e aqui a maioria dos países parece considerar que as vacinas, mais que eficazes e seguras, são importantes.

“Os nossos resultados sugerem que as pessoas não descartam necessariamente a importância da vacinação nas crianças, mesmo que tenham dúvidas sobre quão seguras são”, explicou outra investigadora, Clarissa Simas, acrescentando que, por isso, a comunidade científica tem de “fazer melhor” para melhorar os níveis de confiança.

Portugal não é excepção e se cerca de metade dos portugueses confia na segurança e eficácia das vacinas, a percentagem estimada de portugueses que em 2019 consideravam que a imunização é importante era de 69%, à semelhança de 2015.

Considerando o contexto actual da pandemia da covid-19, os investigadores sublinham que a necessidade de acompanhar a opinião da população em relação à vacinação é ainda maior, para que seja possível responder de forma rápida a eventuais quebras na confiança pública.

“É vital, com a ameaça de novas doenças como a covid-19, que monitorizemos regularmente atitudes públicas para identificar rapidamente países e grupos com um declínio na confiança, para que possamos ajudar a orientar onde é preciso criar confiança e optimizar o recurso a novas vacinas”, defendeu Heidi Larson.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 11 de Setembro de 2020

Universidade de Aveiro desenvolve ferramenta de rastreio precoce

Universidade de Aveiro desenvolve ferramenta de rastreio precoce - 

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) está a desenvolver uma ferramenta de rastreio precoce para detectar o vírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19 em pacientes sintomáticos, foi hoje anunciado.

O projecto, denominado 'Sensecor', pretende facilitar a descentralização do rastreio do SARS-cov-2 e posterior centralização de dados de monitorização epidemiológica da infecção, nas unidades de saúde competentes e autorizadas.

"O sistema 'Sensecor' apoiará a tomada de decisão clínica rápida, minimizando o recurso a testes de diagnóstico moleculares dispendiosos, a sobrecarga de recursos humanos especializados e de profissionais da saúde, o que contribuirá para a contenção do contágio e mitigação do alastramento da pandemia", refere uma nota de imprensa da Universidade de Aveiro (UA).

Coordenado por Catarina Marques, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da UA, em colaboração com peritos de diferentes áreas científico-tecnológicas, o 'Sensecor' propõe-se desenvolver um sistema integrado composto por vários módulos: um elemento sensorial imunológico para deteção do vírus, uma aplicação móvel para 'smartphone', uma unidade de condicionamento de sinal e uma de comunicação de dados.

"Desta forma, o cidadão comum poderá utilizar o sistema e tomar conhecimento do resultado do rastreio que, em simultâneo, pode ser comunicado às instituições de saúde", antevê a coordenadora.

O sistema está a ser desenvolvido em co-promoção entre a UA e a empresa Wavecom - Soluções Rádio S.A., sendo a equipa do projecto constituída também por duas entidades parceiras: o Instituto de Telecomunicações (IT2) e o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 900 mil mortos e infectou mais de 27,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.849 pessoas das 61.541 confirmadas como infectadas, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 10 de Setembro de 2020.