IVA dos medicamentos veterinários entre as despesas que abatem ao IRS

IVA dos medicamentos veterinários entre as despesas que abatem ao IRS - 

Os deputados aprovaram hoje uma proposta do PAN que alarga aos medicamentos veterinários o mecanismo que permite deduzir ao IRS parte do IVA pago pelos consumidores finais.

A dedução à colecta do IRS que permite abater 15% do IVA de determinadas despesas até ao limite de 250 euros por agregado.

Esta dedução por exigência de factura já contempla actualmente, além dos gastos com restauração, alojamento, cabeleireiros e oficinas, as "actividade veterinárias".

Com a proposta do PAN, aprovada hoje durante as votações na especialidade do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) com a abstenção do BE e do PSD, o voto contra do PCP e o voto favorável dos restantes partidos, esta dedução alarga-se à "aquisição de medicamentos de uso veterinário".

Além disso, a proposta do PAN prevê ainda em vez de 15% seja considerado 22,5% do IVA suportado na aquisição destes medicamentos.

Para se beneficiar desta dedução é necessário que o consumidor associe o seu NIF à factura, que será depois comunicada à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 25 de Novembro de 2020.

Vacinas contra a gripe. Farmácias não receberam nem metade das doses encomendadas - e estas são as razões que o explicam

Vacinas contra a gripe. Farmácias não receberam nem metade das doses encomendadas - e estas são as razões que o explicam - 

Ainda há centenas de pessoas de grupos de risco por vacinar. Enquanto esperam e desesperam pelas vacinas da gripe sazonal, no Sistema Nacional de Saúde (SNS) já só se ouve falar na vacina contra a Covid-19. As farmácias dispensaram até agora 205.996 doses, nem metade da encomenda.

O Ministério da Saúde soube desde cedo que as vacinas da gripe sazonal não iriam chegar para todos, nem sequer para os grupos de risco. Ainda assim, apostou numa forte campanha de vacinação, frustrando as expectativas de muitas pessoas que quiseram vacinar-se e não conseguiram. Ao todo, Portugal comprou 2.510.000 vacinas (2,070 milhões para o SNS, 440 mil para as farmácias), quando só a população com mais de 65 anos, e por isso com recomendação para tomar a vacina, é superior a dois milhões.

A Direcção-Geral da Saúde afirma que a compra das vacinas foi feita no início do ano, "antes da pandemia" ter chegado a Portugal, através dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. Quando, mais tarde, tentou reforçar essa quantidade, já a disponibilidade de vacinas produzidas no mercado mundial estava praticamente esgotada.

Nem o Ministério da Saúde nem a Direcção-Geral da Saúde especificaram a data da compra, e no site dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) torna-se difícil encontrar uma correspondência com as informações prestadas pelas autoridades, já que a discriminação específica "vacinas gripe" não aparece nas datas referidas, mas apenas posteriormente.

Para as farmácias, a situação revelou-se ainda mais grave, pois os formulários dos armazenistas para as encomendas chegaram entre Agosto e início de Setembro, numa altura em que já era previsível a corrida às vacinas. Ao todo, para as 2449 farmácias certificadas para vacinar foram disponibilizadas 440 mil vacinas, embora os pedidos fossem quatro vezes superiores.

Além de as farmácias terem recebido menos 160 mil vacinas do que no ano passado, as doses estão a chegar aos poucos desde o dia 19 de Outubro e até agora foram dispensadas apenas 205.996 vacinas, das 440 mil encomendadas. Foi tudo o que chegou.

São muitas as queixas, de norte a sul as farmácias reclamam por até ao momento terem recebido apenas parcelas muito pequenas das suas encomendas. Isabel Simões, com farmácia em Lisboa, seis pessoas ao balcão, é apenas um entre centenas de exemplos: "Pedi 400 vacinas e recebi 80 na primeira tranche, mais 90 agora. O armazenista disse-me que na próxima entrega serão dez", conta.

Pior: "As farmácias sempre receberam vacinas e fizeram a vacinação sem problemas. Desta vez a senhora ministra quis intervir e estragou tudo. Parte das vacinas que viriam para as farmácia foram requisitadas para o SNS e foi ela [Marta Temido] que programou as entregas. Além disso, falhou a comunicação", denuncia.

Ninguém consegue explicar porquê, mas a Mylan, que produz a Influvac, a marca distribuída este ano pelas farmácias, garantiu ao SAPO24 que “para a época de vacinação de 2020/2021, a empresa não só tem cumprido os seus compromissos para com o SNS, entregando as doses dentro do prazo, como tem consistentemente antecipado a entrega das mesmas. Confirmamos ainda que este ano fornecemos mais doses ao mercado português versus 2019".

Pode parecer confuso, mas não é. É que além de fornecer as farmácias, a Mylan está também a fornecer o SNS, que já esgotou todas as doses disponíveis de Vaxigrip, a vacina da gripe de outra farmacêutica, a Sanofi. Os laboratórios remetem mais explicações para "as autoridades" ou mesmo para a Associação Nacional de Farmácias (ANF).

Na realidade, a Mylan recusou-se desde o início a deixar de fora as farmácias, quando se verificou que as vacinas não chegariam para as necessidades em Portugal. Embora não tenha conseguido satisfazer todos os pedidos - cerca de quatro vezes mais do que o habitual - e tenha até reduzido o número de doses em relação ao ano passado, foi possível distribuir o mal pelas aldeias e chegar (mal) às farmácias e SNS, que por estes dias recebe uma tranche de 270 mil vacinas - que, com as 1,8 milhões de doses já recebidas, perfazem a totalidade da encomenda para o Serviço Nacional de Saúde.

Note-se que no ano passado, de acordo com o boletim informativo de compras públicas na saúde Nº.45, a SPMS adquiriu 1.493.203 doses de vacinas contra a gripe para instituições do SNS. Este ano, comprou apenas mais 576.797, muito pouco, tendo em conta a pandemia, o envelhecimento da população e a corrida às vacinas provocada pela Covid-19.

Normalmente, sobram vacinas contra a gripe no mercado português. No no passado, foram utilizadas 99% das vacinas disponíveis através do SNS, e nas farmácias, das 600 mil recebidas, foram utilizadas 543 mil, ou seja, sobraram 57 mil doses. Note-se que as vacinas não podem ser devolvidas ou vendidas no ano seguinte, já que todos os anos contêm três estirpes diferentes de vírus inactivos, que provocam a produção de anticorpos, escolhidos de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

 

DGS: uma estratégia falhada?

O Programa Nacional de Vacinação é uma atribuição do Estado. O Ministério da Saúde define o número de doses adquiridas para cada época vacinal, os grupos de risco prioritários e as condições de administração da vacina nos cuidados primários de saúde.

A questão que se coloca é relativa à estratégia definida, nomeadamente através da Norma N.º 016/2020, de 25 de Setembro de 2020 , assinada por Graça Freitas, quando já era possível saber que o número de vacinas não seria suficiente para todos os grupos definidos como prioritários.

"Em 2020, em contexto de pandemia Covid-19, são adoptadas medidas excepcionais e específicas no âmbito da vacinação gratuita contra a gripe, nomeadamente o início mais precoce em relação aos anos anteriores, a vacinação faseada e a inclusão na gratuitidade dos profissionais que trabalham em contextos com maior risco de ocorrência de surtos e/ou de maior susceptibilidade e vulnerabilidade", define o documento.

Assim, "a 1ª fase da vacinação gratuita, que tem início a 28 de Setembro, destina-se à vacinação em determinados contextos, incluindo residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e às grávidas. A 2ª fase, que tem início previsto a 19 de Outubro, integrará os outros grupos alvo abrangidos pela vacinação gratuita, incluindo os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos."

Depois vêm as recomendações: "A vacinação contra a gripe é fortemente recomendada para os seguintes grupos prioritários": "pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; doentes crónicos e imunodeprimidos, com seis ou mais meses de idade; grávidas; profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados". Mais: "Recomenda-se também a vacinação das pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos".

Ora, sabe-se que a população com 65 ou mais anos é superior a dois milhões de pessoas. Quanto aos profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos de diagnósticos, só no SNS existiam 102.612 em 2018, de acordo com a Pordata. Diabéticos Tipo1, de acordo com o Mistério da Saúde, há entre 50 mil e 60 mil. Faltam as grávidas, os doentes com cancro, os asmáticos, doentes renais e cardíacos e tantos outros. Mesmo tendo em conta a acumulação de alguns destes critérios na mesma pessoa, o número é largamente superior à quantidade de vacinas, que devem ser administradas "durante o Outono/Inverno, de preferência até ao fim do ano civil."

Uma da opções, teria sido redefinir o critério de "prioritário". Esta é, aliás, uma das muitas críticas ouvidas a utentes e farmácias. Para perceber melhor, basta saber que há pessoas saudáveis com mais de 65 a ser vacinadas, enquanto doentes com cancro em faixas etárias inferiores continuam por vacinar. Porque assim ditaram as regras da DGS.

De acordo com a norma atrás referida, "a operacionalização da vacinação gratuita contra a gripe, em contexto de pandemia, contempla cenários alternativos e complementares com organização a nível regional e local, incluindo a vacinação em farmácias comunitárias". Foi neste âmbito que foi criado o programa Vacinação SNS Local.

 

Burocracia: 23 passos para registar cada vacina

Numa tentativa de libertar os centros de saúde, o Ministério da Saúde lançou à Associação Nacional de Farmácias e aos municípios portugueses um desafio, criando o programa Vacinação SNS Local, para o qual canalizou 150 mil vacinas (das suas 2.070.000) a título gratuito.

A vacinação implicou a adesão das câmaras municipais e farmácias ao programa, através de uma plataforma específica para o efeito. Inscreveram-se 108 municípios (de 308) e 2384 farmácias.

Como condição, a DGS impôs apenas que as vacinas fossem dispensadas a pessoas "com mais de 65 anos de idade", seguindo uma ordem de chegada ou lista de espera. Esta condição, obrigou a que muitas pessoas com 65 anos em perfeitas condições de saúde fossem vacinadas, deixando para trás, por exemplo, doentes imunodeprimidos, nomeadamente pessoas com cancro.

Isabel Tavares-Ribeiro dos Santos, doente oncológica, foi uma das muitas pessoas que se viu nesta situação. Em teletrabalho, só conseguiu a vacina na passada quinta-feira, dia 19 de Novembro, e teve de a pagar do seu bolso (25 euros, incluindo serviço ao domicílio), pois tem menos de 65 anos (51).

De acordo com uma circular, "as equipas das farmácias serão vacinadas prioritariamente, em simultâneo com as outras equipas de saúde, tendo o SNS disponibilizado 10.000 vacinas para esse efeito", três por farmácia. Mas, além de muitas farmácias terem equipas superiores às vacinas a que têm direito (criando um problema de equidade; dos quatro ou cinco quem vai tomar a vacina?), dada a escassez de doses, muitos farmacêuticos optaram por ceder as suas aos utentes.

Foi o caso de Cristina Nápoles, farmacêutica, que recebeu três vacinas para a farmácia que tem em São Domingos de Benfica desde 1992. "Decidi abdicar da minha vacina, até porque somos sete pessoas a trabalhar na farmácia. Embora nem todos façam vacinação e estejam na linha da frente, há quatro farmacêuticos e dois técnicos, não seria justo uns ficarem de fora. Com que justificação? Como sou saudável, decidi imediatamente ceder a minha vacina ao Sr. Vítor, um utente já com idade e com poucos recursos. Os outros seguiram o exemplo, e assim foi vacinada também a mulher do senhor Vítor e a Sra. D. Cremilde", a terceira na lista de espera".

Também Isabel Simões fez o mesmo: "Não nos vacinámos". Ou a família Carvalho, com diversas farmácias no Algarve e Douro. Os exemplos replicaram-se pelo país e as vacinas foram cedidas a doentes crónicos ou pessoas com 65 ou mais anos.

Outros responsáveis, apesar de concordarem que as condições são excepcionais, lembram que as farmácias podiam ter ajudado muito mais, até porque, ao contrário dos quartéis de bombeiros ou juntas de freguesia em que dezenas de pessoas foram vacinadas nos municípios aderentes, há doze anos foram obrigadas a investir em frio, adrenalina e oxigénio (para socorrer possíveis efeitos alérgicos), marquesas ou cursos de formação, entre outras despesas. Afinal, tendo a logística pronta, porque não contar com as farmácias como cadeia complementar aos SNS na vacinação, questionam.

Os custos parciais do serviço de administração da vacina da gripe no âmbito do programa serão remunerados às farmácias através de um PVP (preço de venda ao público) de 2,5 €, que foi convencionado com o Ministério da Saúde. O financiamento deste serviço envolve ainda o Fundo de Emergência Abem Covid-19, com apoios europeus (Portugal 2020), da Associação Dignitude, uma instituição particular de solidariedade social que tem por missão o desenvolvimento de programas solidários de grande impacto social, que promovam a qualidade de vida e o bem-estar dos portugueses.

Para terem direito a receber a comparticipação estatal, e conforme indicação da ANF, as farmácias têm de registar obrigatoriamente no Sifarma.Clínico, uma ferramenta de gestão específica, cada vacina dispensada no âmbito do programa. O que requer 23 passos. Ou seja, uma burocracia que acaba por representar uma enorme perda de tempo, consideram os farmacêuticos.

Como estipulado inicialmente, após a primeira recepção destas vacinas, podiam ser feitos pedidos adicionais até ao máximo de 15 vacinas diárias, de acordo com a necessidade da farmácia para administração à população-alvo, estando a entrega sujeita à libertação das parcelas por parte da indústria farmacêutica.

Até ao presente, no contingente ao abrigo do programa Vacinação SNS local, foram dispensadas 186.439 vacinas.

 

CTT, Galp e Jerónimo Martins entre as empresas que vacinaram colaboradores

A par dos contingentes já mencionados, empresas como os CTT, a Galp, a Ageas, a Medis ou a Jerónimo Martins, entre outras, têm, há alguns anos, programas de vacinação dos seus colaboradores, sobretudo aqueles cuja exposição ao risco é mais elevada.

A Associação Nacional de Farmácias confirmou ao SAPO24 que "respondeu a solicitações de serviços públicos, serviços de atendimento ao público e cadeias logísticas vitais para os cidadãos que implementaram, há vários anos, programas próprios de vacinação dos seus colaboradores".

Segundo a ANF, "essas empresas faziam, muitas vezes, aquisições directas aos fornecedores de vacinas e seleccionavam locais de vacinação". Agora, a escolha da farmácia "é sempre livre por parte de cada beneficiário, o que evita deslocações e concentrações de pessoas, desnecessárias em tempo de pandemia".

No âmbito destes protocolos, "foram pedidas pelas farmácias 6.802 vacinas, e já foram vacinadas 4.386 pessoas", diz a ANF. "Os protocolos, por regra, não abrangem todos os colaboradores dos serviços, mas apenas os considerados prioritários pelos respectivos departamentos de Medicina no Trabalho. A administração de vacinas protocoladas depende sempre de receita médica, o que previne a sua administração sem indicação clínica", acrescenta.

 

Covid-19: 212 vacinas em ensaios

Apesar de continuarem a faltar vacinas contra a gripe - mais de 234 mil só às farmácias - e de a ministra da Saúde, Marta Temido, ter admitido que "não há mais vacinas no mercado mundial", ou talvez por isso, muitas pessoas tentam reservar já nas farmácias a vacina contra a Covid-19.

Existem neste momento, segundo dados da OMS, 164 vacinas em ensaios pré-clínicos e 48 vacinas em ensaios clínicos.

A Comissão Europeia tem liderado as negociações com os laboratórios da indústria farmacêutica. Actualmente, e de acordo com o Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, já existem cinco contractos assinados - com a AstraZeneca, a Sanofi-GSK, a Janssen, a CureVac e com a parceria BioNTech/Pfizer -, que garantem para já cerca de 1.400 milhões de vacinas para a União Europeia.

A maioria destes contractos tem como premissa uma distribuição equitativa pelos países da UE, conforme a população de cada país. Portugal receberá, assim, 2,3% das vacinas que forem contratadas nestas condições.

Outros contractos estão em negociação, como já foi comunicado, nomeadamente com o laboratório Moderna.

"Para que possa ser iniciada a sua distribuição", diz o Infarmed, "as vacinas terão ainda que passar pela necessária e rigorosa avaliação da Agência Europeia de Medicamentos. Neste momento, já se encontram em avaliação as vacinas dos laboratórios AstraZeneca, BioNTech/Pfizer e Moderna".

Mais, "as vacinas serão disponibilizadas gradualmente – em todos os países da União Europeia – e a sua administração será feita em consonância com os grupos populacionais definidos na Estratégia de Vacinação da DGS".

No dia 20 de Novembro o primeiro-ministro, António Costa, disse que "já temos, relativamente a três vacinas que foram contratadas, as doses definidas que vamos comprar - numa 6,9 milhões, noutra 4,6 milhões, noutra 4,5 milhões", o que dá 16 milhões de doses. Note-se que a maior parte das vacinas implica duas tomas (separadas por entre quatro a seis semanas), pelo que poderá chegar a oito milhões de pessoas.

Marta Temido veio dizer que espera que a vacina contra a Covid-19 esteja disponível em Portugal já em Janeiro de 2021. Na semana passada, a ministra da Saúde avançou no podcast do PS "Política com Palavra" que foi criada uma equipa de trabalho para gerir o processo de recepção e distribuição das vacinas. Mais uma vez, a população-alvo será "pessoas acima de uma certa idade, com morbilidades associadas, profissionais de saúde e de serviços essenciais e provavelmente de serviços sociais". Esta é a definição que "está a ser trabalhada pelos técnicos", disse.

A Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC) é constituída por especialistas "de áreas do conhecimento que contribuem para o estudo e a aplicação das vacinas e da vacinação", explica a DGS. "Os peritos nomeados têm acompanhado a evolução dos conhecimentos sobre o vírus SARS Cov-2, sobre a clínica e epidemiologia da Covid-19 e sobre vacinas contra Covid-19 em desenvolvimento ou sobre a vacinação em geral".

Integram a CTVC 11 personalidades: Válter Fonseca (coordenador, Medicina Interna), José Monteiro Marques (pediatra), Diana Silva Costa (farmacêutica), Ema Paulino (farmacêutica),  Luís Silva Graça (imunologista), Luísa Rocha Vaz (medicina geral e familiar), Maria de Fátima Ventura (farmacêutica), Maria de Lurdes Silva (enfermeira), Manuel do Carmo Gomes (epidemiologista), Raquel Moreira (virologista) e Teresa Alves Fernandes (bióloga).

 

Fonte: Site da "24.sapo.pt"  e autor em 25 de Novembro de 2020

Só dois em cada dez portugueses consideram fácil o acesso a cuidados de saúde no SNS

Só dois em cada dez portugueses consideram fácil o acesso a cuidados de saúde no SNS - 

Excluindo a covid-19, cancro é a doença que mais preocupa os portugueses. Tempos de espera são o maior obstáculo no acesso aos cuidados de saúde para o tratamento da doença.

Apenas 22% dos portugueses consideraram que o acesso aos cuidados de saúde, no geral, em centros de saúde é fácil e 23% tiveram a mesma opinião em relação aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta é uma das conclusões do estudo “Cancro: O que pensam os Portugueses”, que é apresentado esta quarta-feira e que mostra que, sem contar com a covid-19, é o cancro a doença que mais preocupa as pessoas. Mais de metade dos inquiridos consideraram que é preciso mais investimento nesta área e que os tempos de espera são o maior obstáculo no acesso aos cuidados de saúde para o tratamento de cancro.

O estudo, realizado pela Gfk Metris e apresentado pela APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, recolheu informação de 1001 entrevistas feitas por telefone entre 27 de Outubro e 11 de Novembro. Responderam ao inquérito pessoas com 18 ou mais anos e os dados foram ponderados para o universo da população em estudo, 8.251.000 indivíduos. O objectivo foi perceber a importância que os portugueses dão à doença oncológica e qual a percepção que têm da resposta que o sistema de saúde dá.

Quanto à facilidade de acesso a cuidados de saúde no geral no SNS, a nota não é muito positiva, com 32% a considerarem que o acesso a cuidados nos centros de saúde é difícil e 24% a dizerem o mesmo em relação aos hospitais. Assim como também não foi positiva a avaliação que fizeram sobre a prioridade que consideram que o Governo dá à saúde: apenas 33% dos inquiridos consideraram ser uma prioridade.

Se, para 97% das pessoas, a saúde é muito importante, quando se fala das doenças que mais preocupam – excluindo a covid-19 –, é o cancro que está no topo da lista (75%). Os principais motivos são a elevada taxa de mortalidade e terem ou já terem tido casos na família. Quando novamente questionados sobre se consideram que a doença oncológica é uma prioridade do Governo em relação a outras doenças, quatro em cada dez consideraram que sim. No caso dos doentes oncológicos a percentagem aumentou, com 56% a considerá-lo.

Quanto aos obstáculos no acesso a cuidados de saúde para o tratamento do cancro, 44% consideraram que o principal é o tempo de espera. Seguiram-se a dificuldade em fazer um diagnóstico rápido/precoce (15%) e a distância/deslocações para fazer o tratamento. Questionados sobre se a disponibilidade e qualidade dos serviços de saúde que um doente com cancro recebe é igual de hospital para hospital, ou varia muito dependendo do hospital a que recorrem, 30% dos portugueses consideraram que “há grandes diferenças com elevado impacto” e 29% referiram que “há algumas diferenças com algum impacto”.

Financiamento insuficientes

O estudo faz também uma comparação entre público e privado, sendo que cerca de seis em cada dez portugueses consideraram ser mais fácil, para um doente oncológico, aceder a cuidados de saúde no privado. Apontaram como uma das principais diferenças a maior rapidez no atendimento.

Relativamente à qualidade global do serviço prestado em caso de cancro, a diferença entre público e privado é mínima: 37% avaliaram o público com boa qualidade e 40% fizeram o mesmo em relação ao privado. Mas quando se trata de doentes oncológicos a diferença é maior: 65% avaliaram o público com boa qualidade e 28% a deram essa classificação ao privado.

No que respeita ao investimento na área oncológica, 11% classificaram-no como justo enquanto 68% dos inquiridos consideraram que é insuficiente. Para os portugueses é preciso haver modernização das instalações, mais acesso aos tratamentos mais modernos, maior quantidade de profissionais de saúde, mais acesso a cuidados paliativos, uma redução dos tempos de espera e mais apoios financeiros a doentes com cancro e aos seus cuidadores. Quanto a estes últimos, o desgaste psicológico foi a principal dificuldade apontada. E a quase totalidade (98%) disse não ter recebido nenhum apoio da segurança social.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 25 de Novembro de 2020.

Vacinação contra covid-19 vai passar pelas farmácias, mas plano ainda está a ser delineado

Vacinação contra covid-19 vai passar pelas farmácias, mas plano ainda está a ser delineado - 

“É difícil dizer em que estado estamos apenas com base em press releases [comunicados de imprensa] sobre a fase III [dos ensaios clínicos das vacinas. Temos de aguardar”, explica membro da comissão de especialistas que vai emitir parecer sobre grupos prioritários a imunizar.

O plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal - que está a ser delineado por um grupo de trabalho interdisciplinar encarregado das questões logísticas e por uma comissão de especialistas que emitirá pareceres técnicos - vai passar pelas farmácias, segundo adiantou esta segunda-feira a directora-geral da Saúde, Graça Freitas. As Forças Armadas e a Protecção Civil estão envolvidas nesta operação e a TAP já se disponibilizou para apoiar no transporte das vacinas, mas ainda pouco se sabe, em concreto, sobre a estratégia deste processo de imunização em larga escala, apesar de a ministra da Saúde ter garantido na semana passada que Portugal está pronto para o iniciar mal as vacinas forem aprovadas. O primeiro-ministro assegurou, entretanto, que Portugal está já preparado para comprar 16 milhões de doses de três vacinas diferentes.

Assegurando que o plano de vacinação português está a ser preparado “há meses”, Graça Freitas especificou esta segunda-feira, na habitual conferência de imprensa para balanço da situação epidemiológica, que, “de acordo com as características da vacina, haverá um ponto de chegada e pontos de distribuição secundários, ou seja, como para todas as outras vacinas e de acordo com um plano pré-estabelecido, as vacinas são enviadas para as farmácias de locais descentralizados” do continente e regiões autónomas.

 

Mas as questões logísticas ainda vão ser analisadas por um grupo de trabalho interdisciplinar que acaba de ser criado. Coordenada pelo ex-secretário de Estado da Saúde Francisco Ramos, esta “task force” integra no seu núcleo duro representantes da Direcção-Geral da Saúde (DGS), da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), além das Forças Armadas e da Protecção Civil, e tratará das complexas questões logísticas que uma operação como a vacinação em massa de parte significativa da população vai implicar. Caberá a este grupo determinar “quem se vai vacinar, onde se vai vacinar, onde serão armazenadas as vacinas, como evitar rupturas de stocks, como será feita a farmacovigilância [para monitorizar eventuais efeitos adversos], a definição da estratégia de comunicação”, sintetiza uma fonte ligada ao processo.

Numa fase já mais avançada mas ainda a aguardar informações que vão ser determinantes para poder emitir pareceres, a Comissão Técnica de Vacinação contra covid-19 - que foi nomeada por despacho da directora-geral no início deste mês mas já mantinha contactos desde o início de Setembro -  tem marcada para esta quarta-feira a sua segunda reunião oficial. Cabe a este grupo dar pareceres técnicos sobre as estratégias de vacinação, sobre as vacinas, recomendar prioridades, aconselhar sobre medidas de excepção, entre outras coisas.

Com onze especialistas, nomeadamente médicos, virologistas e farmacêuticos, o grupo aguarda ainda informações dos fabricantes das vacinas, nomeadamente sobre os resultados da fase III dos ensaios clínicos, para poder pronunciar-se. “É difícil dizer em que estado estamos apenas com base em press releases [comunicados de imprensa] sobre a fase III. Temos de aguardar”, explicou ao PÚBLICO Manuel Carmo Gomes, epidemiologista que integra esta comissão. “Há informações que aguardamos por parte dos fabricantes (directamente ou via reguladores) que ainda não temos. A natureza dessa informação, nomeadamente aquela que diz respeito aos resultados da fase III dos ensaios, poderá ser mais ou menos complexa e isso irá condicionar a nossa tarefa”, acrescentou.

Também Hélder Mota Filipe, professor na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, defendeu, em declarações à Sic Notícias, que se deve olhar para os resultados apresentados com “uma confiança prudente”, porque têm sido adiantados através de comunicados de imprensa e não pela publicação de artigos em revistas científicas para poderem ser verificados por entidades independentes.

Quem será vacinado em primeiro lugar?

Sobre a avaliação dos grupos de risco a vacinar primeiro, a directora-geral da Saúde lembrou, na conferência de imprensa desta segunda-feira, que essa questão está pendente da aprovação da Agência Europeia do Medicamento. Há “vários graus de incerteza”, nomeadamente sobre a quem se destinam as vacinas, qual a eficácia e quantas doses vão ser necessárias, notou.

Na semana passada, a ministra da Saúde afirmou que pessoas “acima de uma certa idade”, com “comorbilidades associadas”, profissionais de saúde e de serviços essenciais (protecção civil e forças de segurança) e, “eventualmente, também profissionais de serviços sociais”, poderão estar incluídas na população-alvo para as primeiras vacinas. No entanto, “a definição concreta” do que “está dentro destas categorias” e a “priorização dentro destas categorias tem de ser agora” mais “especificada e é nisso que os técnicos estão a trabalhar”.

Adiantando que o plano de vacinação será apresentado no início de Dezembro, Marta Temido explicou que o objectivo é planear, ainda que com “incerteza”, como serão administradas as diferentes vacinas que fazem parte dos acordos da Comissão Europeia e dos fabricantes, dado que implicam diferentes condições de armazenamento (diferentes temperaturas, por exemplo) e de administração (uma ou várias doses). Ainda não se sabe qual das vacinas chegará a Portugal em Janeiro, daí que este planeamento esteja a ser feito “por cenários”.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 24 de Novembro de 2020.

Portugueses bastante satisfeitos com atendimento nas farmácias

Portugueses bastante satisfeitos com atendimento nas farmácias - 

De acordo com um estudo do Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Católica Lisbon School of Business & Economics, em parceria com a Tecnigen, os portugueses estão bastante satisfeitos com o atendimento nas farmácias.

O estudo denominado por “As Farmácias e a População Portuguesa”, realizado junto da população portuguesa, teve como objectivo perceber de que forma os portugueses olham para as farmácias portuguesas, o que mais valorizam e como avaliam o acto farmacêutico.

Neste estudo, auferiu-se também o nível de satisfação do atendimento nas farmácias, em que numa escala de 1 a 5, em que 1 representava nada satisfeito e 5 representa muito satisfeito, os portugueses indicaram que se encontram bastante satisfeitos com o atendimento das farmácias (4.62).

Quanto à razão de se deslocarem à farmácia, os inquiridos indicaram em primeiro lugar a aquisição de medicamentos prescritos com receita médica (média de 4.40, em que 1 era nada importante e 5 era muito importante), seguido da opinião do farmacêutico (2.93). A aquisição de acessórios não médicos (1.96) e a realização de testes rápidos (2.24) foram apontados como os motivos menos relevantes.

Já 80% dos inquiridos indicou que vai à farmácia pelo menos uma vez por mês, sendo que na faixa etária dos mais de 65 anos, 58% referiu ir mais de duas a três vezes por mês.

Quanto à importância atribuída a actos farmacêuticos, todos os actos sugeridos foram considerados como importantes e muito importantes, usando a mesma escala de 1 a 5, sendo o “aconselhamento na toma de medicação prescrita por médicos” (4.33), o “acompanhamento de doentes crónicos” (4.27), e os “conselhos na presença de sintomas ligeiros” (4.26) os mais valorizados.

Outra das questões colocadas teve a ver como os inquiridos antecipam a farmácia do futuro. Aqui a escolha mais importante recaiu sobre as farmácias terem “balcões de atendimento rápido” (4.35) e “entrega ao domicílio” (4.35), “farmacêuticos para doenças crónicas” (4.29) e “mais proximidade com a comunidade” (4.29). Como menos importância, os participantes apontaram “kiosks self service” (2.74), “compra online” (3.31), “renovação de terapia sem intervenção do médico” (3.33) e “maior intervenção na prescrição de medicamentos” (3.41).

Questionados sobre a origem dos produtos, 79% dos inquiridos referiu que gostava de ser informado sobre a origem portuguesa dos produtos distribuídos pelas farmácias.

Este estudo, foi realizado entre 12 e 17 de Outubro de 2020, com uma amostra constituída por 1003 inquéritos válidos de 3710 chamadas realizadas, para residentes em território nacional, com mais de 18 anos. Relativamente aos participantes, 21% tinha entre os 18 e os 34 anos, 60% entre os 35 e os 64 anos e 19% tinha mais de 65 anos. Quanto ao género, 55% dos inquiridos são do género feminino e 45% do masculino.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 23 de Novembro de 2020

Consumo de antidepressivos aumentou nos primeiros oito meses do ano

Consumo de antidepressivos aumentou nos primeiros oito meses do ano - 

Entre Janeiro e Agosto, as farmácias venderam mais de 13 milhões de embalagens de antidepressivos e ansiolíticos, registando o valor mais elevado dos últimos três anos

O consumo de antidepressivos aumentou nos primeiros oito meses do ano e atingiu o valor mais elevado dos últimos três anos. Segundo os dados avançados ao "Correio da Manhã" pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), foram vendidas nas farmácias mais de 13 milhões de embalagens de antidepressivos e ansiolíticos entre Janeiro e Agosto.

Apesar de a venda de ansiolíticos ter registado uma quebra de 2%, a venda de antidepressivos aumentou 4,7%, comparativamente ao período homólogo do ano passado. Só em Março, mês em que começou o confinamento, foram dispensadas cerca de dois milhões de caixas de ansiolíticos e antidepressivos.

"As causa vão além do vírus: o isolamento, as limitações familiares e económicas, a exigência, a perda de liberdade e o facto de não vermos fim a tudo isto", explicou Ana Peixinho, coordenadora da unidade de Psiquiatria do Hospital Lusíadas.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 23 de Novembro de 2020.