Esomeprazol. Medicamento inibidor da secreção de ácido gástrico em ruptura

Esomeprazol. Medicamento inibidor da secreção de ácido gástrico em ruptura - 

O Infarmed garante que está a desenvolver esforços para antecipar a reposição do fármaco no mercado.

O Infarmed revela, esta quinta-feira, que medicamentos que contêm esomeprazol, 40 mg, pó para solução injectável ou para perfusão, estão em ruptura. Trata-se de um inibidor da secreção de ácido gástrico utilizado na terapia de úlceras do estômago.

A Autoridade Nacional do Medicamento, com o intuito de "racionalizar as embalagens existentes", recomenda que "este medicamento apenas seja utilizado nos casos em que não seja possível a sua substituição pela via oral ou por outros inibidores da bomba de protões".

Em comunicado, o Infarmed assegura que está, em conjunto com empresas responsáveis pela comercialização destes medicamentos, "a desenvolver esforços no sentido de antecipar a sua reposição no mercado".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 20 de Novembro de 2020.

Farmácias e farmacêuticos prontos a ajudar o SNS

Farmácias e farmacêuticos prontos a ajudar o SNS - 

Tanto a Ordem dos Farmacêuticos (OF) como a Associação Nacional das Farmácias (ANF) vieram esta sexta-feira, dia 20 de Novembro, reiterar a sua disponibilidade para colaborar com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) na detecção rápida da covid-19. Ambas as estruturas emitiram hoje comunicados, esclarecendo a sua posição em face da recente polémica em torno dos testes rápidos para a covid-19.

Farmacêuticos habilitados

A Ordem dos Farmacêuticos, através de nota divulgada, começa por lembrar que nos termos da Circular Conjunta n.º 005/CD/100, de 13 de Novembro, sobre a operacionalização da utilização dos testes rápidos de antigénio, a Direcção-Geral da Saúde, o Infarmed e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge esclarecem que estes testes devem ser realizados por “profissionais de saúde com experiência e competência para a colheita da amostra biológica”, de acordo com o Manual de Boas Práticas Laboratoriais.

Tendo em conta esta Circular, a OF esclarece que os farmacêuticos preenchem as condições definidas, estão legalmente habilitados para realizar testes rápidos nas farmácias para rastreio de outras infecções, como o VIH/sida, hepatite B e hepatite C, e, como tal, estão também habilitados a realizar os testes de detenção rápida da covid-19.

A Bastonária Ana Paula Martins avança que “é importante generalizarmos o acesso a estes testes rápidos. Com prudência e rigor, mas de forma massiva, para que os portugueses se sintam mais seguros e confiantes”.

Para isso, a OF “solicita também a intervenção da Comissão Europeia para que impulsione os Governos nacionais a adoptarem estratégias de testagem em massa, envolvendo e reconhecendo o contributo dos farmacêuticos – nas farmácias e laboratórios de proximidade – para o aumento dos rastreios por testagem, e assim preservar a saúde dos portugueses, quebrar cadeias de transmissão e proteger a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde”. E concluí: “os farmacêuticos estão disponíveis para ajudar o Governo a salvar o Natal”, conclui.

Farmácias aptas

Também a Associação Nacional das Farmácias emitiu um comunicado a insistir na disponibilidade da rede de farmácias para colaborar com o SNS na detenção rápida da covid-19.

“As farmácias, enquanto rede de saúde pública que abrange todo o País, assumem a sua obrigação de contribuir para este objectivo nacional. Todos os serviços de saúde habilitados devem ajudar a detectar e a interromper o mais cedo possível as cadeias de transmissão”, afirma Duarte Santos, membro da Direcção da ANF.

A ANF informa que desde o início da pandemia que os portugueses procuram os seus farmacêuticos comunitários para fazerem testes rápidos à covid-19, tal como já fazem testes rápidos orientadores para o diagnóstico a doenças como o HIV-sida e hepatites, pois reúnem todas as competências técnicas para a realização segura deste serviço.

“A Estratégia Nacional de Testes para SARS-CoV-2 veio reconhecer a importância dos Testes Rápidos de Antigénio (TRAg) na redução e controlo da pandemia, recurso adoptado maciçamente noutros países”, sublinham.

A Associação das Farmácias acrescenta ainda que as farmácias comunicam os resultados positivos dos testes rápidos de antigénio realizados ao médico prescritor e à linha Saúde 24, assim como os sistemas informáticos das farmácias estão preparados para partilhar dados com o SNS, como acontece no registo da vacina.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 20 de Novembro de 2020

Autoridades falam de forma "irresponsável" nas vacinas, critica bastonária

Autoridades falam de forma "irresponsável" nas vacinas, critica bastonária - 

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, considerou esta quarta-feira que as autoridades de saúde portuguesas falam de forma irresponsável nas potenciais vacinas para a covid-19, valorizando-as sem haver qualquer estratégia para a sua aplicação.

Intervindo na Convenção Nacional da Saúde, Ana Paula Martins afirmou que "o processo [de descoberta e aplicação de uma vacina] é tão complexo que é completamente leviano fazer considerações sobre a distribuição da vacina sem saber exactamente quais as primeiras que vão chegar ao mercado, quais as condições de refrigeração para as manter e quais os grupos primários a vacinar".

Por isso, declarou que é "irresponsável usar a vacina como meio de apontar o caminho", quando "as várias vacinas, com as suas características, vão exigir uma estratégia nacional que vai levar tempo".

As vacinas "não são uma solução milagrosa da pandemia, apesar de serem um importante desenvolvimento", afirmou, defendendo testes mais alargados à população como uma das medidas eficazes para controlar a pandemia e a utilização de medicamentos como formas de profilaxia e prevenção.

Ana Paula Martins defendeu que deve ser criada uma comissão de peritos que inclua "profissionais de saúde, a indústria farmacêutica, a Direcção-Geral da Saúde, o Ministério da Saúde, virologistas e outros clínicos", apontando que Portugal será "um dos poucos países da Europa" a não ter ainda uma comissão dessas.

A bastonária considerou que com medidas como as restrições ao movimento, recolheres obrigatórios e estados de emergência, não estão a conseguir o "achatamento da curva" epidémica e a redução do número de novos casos diários, defendendo que é preciso procurar alternativas e ouvir "vozes discordantes e contraditórias".

"A ciência não é a preto e branco. Continuamos a seguir exemplarmente manuais que já ninguém percebe", apontou.

O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, João Almeida Lopes, criticou que não se discuta utilização profiláctica de medicação na prevenção da covid-19, que "não se dê esperança às pessoas".

Questionado sobre se a defesa do uso da hidroxicloroquina por políticos como os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos enviesou a discussão científica possível sobre os seus méritos, afirmou que "de políticas de saúde pública e medicina percebem tão pouco os políticos de direita como os de esquerda".

Outro aspecto fundamental para João Almeida Lopes é "manter os cuidados de saúde primários a funcionar".

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 18 de Novembro de 2020.

SNS gastou 54 milhões com testes à covid-19 feitos pelos laboratórios privados

SNS gastou 54 milhões com testes à covid-19 feitos pelos laboratórios privados - 

Portugal já realizou mais de quatro milhões de testes para detectar infecções com o novo coronavírus. Exames de antigénio começaram a semana passada a ser realizados em massa. Saliva pode vir a ser amostra alternativa às secreções da faringe.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou pelo menos 54 milhões de euros até agora em testes moleculares para detectar infecções pelo novo coronavírus realizados pelos laboratórios privados. Esta semana foi ultrapassada a fasquia dos quatro milhões de testes realizados desde o início da pandemia, 45% dos quais executados no sector público e uma percentagem semelhante no privado. Os restantes foram feitos em laboratórios de universidades. 

Na semana passada, começaram a ser utilizados em massa os testes rápidos de antigénio, tendo todos os dias úteis passado a fasquia dos mil por dia. Na sexta-feira passada chegou-se perto dos 2700 exames rápidos, mesmo assim muito longe do recorde de quase 47 mil testes realizados num só dia, que se registou nessa mesma sexta-feira. Apesar disso, Portugal já não aparece no top 10 mundial dos países com mais testes de diagnóstico do novo coronavírus por milhão de habitantes, como acontecia em Abril. Mesmo assim esta terça-feira Portugal surgia em 29º. lugar no Worldometers, acima da Alemanha e da França numa lista que inclui mais de 200 países.

Apesar dos laboratórios privados terem realizado até 4 de Novembro, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,5 milhões de testes moleculares para detectar a covid-19, menos de 40% terão sido pagos pelo erário público, segundo estimaram ao PÚBLICO responsáveis das principais redes de laboratórios privadas do país. Tal significa que uma fatia significativa saiu do bolso dos particulares que realizaram os testes, que desembolsaram à volta de 100 euros por análise. Também empresas, instituições do sector social e seguradoras estão no rol dos principais clientes.

A Administração Central do Sistema de Saúde informou o PÚBLICO que, entre Março e Setembro, foram apresentadas facturas no valor de quase 41,6 milhões de euros pelos laboratórios que têm convenção com o Serviço Nacional de Saúde. Tal corresponde a um total de 474.788 testes, a maior parte dos quais pagos a 87,95 euros. Só nos últimos dias de Setembro é que o SNS passou a pagar 65 euros por exame molecular. Os restantes 12,4 milhões de euros que terão sido gastos em Outubro e na primeira metade deste mês resultam de uma estimativa, conservadora, feita pelo PÚBLICO com base no número de exames realizados pelos laboratórios e a percentagem que estes dizem ser paga pelo SNS.

A ACSS justifica só ter os valores até ao final de Setembro “devido ao tempo de processamento necessário relacionado com a facturação”. O PÚBLICO solicitou à Associação Nacional de Laboratórios Clínicos o número de testes realizados em Outubro e nos primeiros dias de Novembro, mas a entidade não disponibilizou o número. Não deixou, contudo, de destacar um quadro da execução orçamental do Ministério da Saúde, com dados acumulados até Setembro, que notava que até esse mês tinham sido gastos 969 milhões de euros em meios complementares de diagnóstico e terapêutica, menos 73 milhões do que o desembolsado nesta rubrica o ano passado até à mesma altura.

Os responsáveis das maiores redes de laboratório do país, como a Unilabs e a Germano de Sousa, sublinham que entre Março e Maio a sua actividade esteve praticamente circunscrita à covid-19, o que teve um impacto muito negativo nas suas contas. O médico Germano de Sousa, por exemplo, sublinha que apesar disso não despediu ninguém, nem realizou qualquer lay-off, como aconteceu com a Unilabs. Os lucros que os testes à covid-19 estão a trazer a estas empresas só serão verificáveis em meados do próximo ano, quando estas forem obrigadas a entregar nas conservatórias as respectivas contas.

Apesar de admitirem realizar testes rápidos de antigénio, que custam cerca de um terço dos testes moleculares, os laboratórios privados parecem querer continuar a apostar nos testes moleculares que procuram o material genético do próprio vírus, conhecidos por RT-PCR, que continuam a ser considerados os de referência por apresentarem uma maior fiabilidade. A Unilabs anunciou no início do mês a abertura, em Matosinhos, do maior laboratório de biologia molecular do grupo na Península Ibérica, com capacidade para a realizar entre 12.000 a 15.000 testes de despiste para a Sars-Cov2 por dia.

Para perceber a evolução que o negócio dos testes de detecção do novo coronavírus teve basta recuar aos dados de Março, quando se confirmou a primeira infecção em Portugal, mês em que se realizaram 80 mil testes. Em Junho o número já subia para 355 mil e em Setembro para 566 mil. Ao longo dos 31 dias de Outubro realizaram-se perto de 827 mil teste, um número que vai ser ultrapassado em Novembro.

Tiago Guimarães, director do serviço de Patologia Clínica do Hospital de S. João, no Porto, um dos maiores centros hospitalares do país, garante que apesar da pressão da procura, o sistema de saúde está a resolver melhor a questão do que em Março ou Abril. O patologista reconhece que os novos testes rápidos de antigénio não têm a mesma performance que os RT-PCR, mas insiste que são úteis e permitem poupar recursos numa fase em que o sistema vai estar muito tempo sob pressão.

O director da Patologia explica que o S. João levou a cabo um estudo, ainda em fase final, com 190 amostras, que foram sujeitas simultaneamente a testes moleculares e de antigénio rápidos e apontam para uma sensibilidade de 86% destes últimos. Ou seja, o teste detectou 86 em cada 100 casos positivos. O principal problema prende-se com os falsos negativos – no estudo não foram detectados falsos positivos – mas essa questão é ultrapassada com a selecção da amostra. Isto porque se o exame for feito apenas a pessoas com sintomas e nos primeiros cinco dias após o aparecimento da doença, a sensibilidade sobe acima dos 90%. “É uma questão entre o óptimo e o bom”, resume Tiago Guimarães. O patologista lembra que quanto maior for a carga viral mais contagiosas são as pessoas, logo o teste permite detectar os mais contagiosos, sendo que alguns positivos detectados pelos exames moleculares podem já não ser contagiosos.

Também Raquel Guimar, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o vírus da Gripe e Outros Vírus Respiratórios do Departamento Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), defende a utilização dos testes de antigénio “em determinadas circunstâncias”. A virologista explica que quando estes testes apareceram em Abril ou Maio a sua fiabilidade era bem pior que a referida pelo fabricante. “Entretanto outros fabricantes ou os mesmos colocaram novos testes no mercado e estes já coincidem mais com o referido. Os estudos independentes indicam níveis de sensibilidade entre 80 e 90%”, afirma Raquel Guiomar. Por outro lado, a responsável do INSA realça que a rapidez dos resultados permite identificar mais cedo surtos em lares ou escolas, o que possibilita o isolamento precoce dos mais contagiosos. Não ignora uma desvantagem, igualmente sublinhada por Germano de Sousa e pelo director clínico da Unilabs, Maia Gonçalves: como têm que ser realizados um a um, estes testes têm uma logística mais complicada, que dificulta a sua realização em amostras muito grandes.

O S. João e INSA têm igualmente a decorrer estudos para avaliar a fiabilidade de se recorrer à saliva como amostra dos testes de detecção de covid-19. Tiago Guimarães assegura que até agora os resultados são bons e acredita que, em breve, a saliva será uma alternativa à zaragatoa. “A colheita é mais simples e demora menos tempo a processar”, nota o patologista. Raquel Guiomar e Germano de Sousa são mais cautelosos. “As células da mucosa da nasofaringe são muito mais ricas do que as da saliva. Mas na impossibilidade de recolher essa pode ser uma alternativa. Ou uma opção para testar crianças em surtos nas escolas”.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 18 de Novembro de 2020.

Custo de não combater resistência aos antibióticos será mais alto do que o da pandemia

Custo de não combater resistência aos antibióticos será mais alto do que o da pandemia - 

Estimativas apontam para 10 milhões de mortes por ano, dentro de 30 anos, por causa deste problema. Em Portugal, consumo desceu em 2020.

O presidente do Grupo Infecção e Sépsis (GIS) alerta que as estimativas para os custos de não combater eficazmente o problema da resistência aos antibióticos serão maiores do que vai ser o custo da pandemia de covid-19.

“Andamos agora habituados a falar em triliões por causa dos custos do confinamento” na sequência da pandemia da covid-19, mas as estimativas para os custos de não combatermos eficazmente o problema da resistência aos antimicrobianos são de uma ordem de grandeza acima do que vai ser o custo da pandemia”, disse à agência Lusa Paulo Mergulhão, no Dia Europeu do Antibiótico.

O médico intensivista lembrou um relatório encomendado pelo Governo britânico sobre o impacto mundial do problema da resistência aos antimicrobianos e as estimativas em termos globais apontarem para que, se não se conseguir mudar a trajectória de evolução deste problema, em 2050 haverá 10 milhões de mortes por ano em consequência directa desta situação.

“Subjacente à pandemia do SARS-CoV-2 e da covid-19 nós temos uma pandemia potencialmente muito mais complicada que precisamos de reconhecer e combater”, disse o também secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Portugal tem “bons exemplos de boa resposta”

Para Paulo Mergulhão, o problema da resistência aos antimicrobianos tem resposta, não pode ser encarado “como uma fatalidade”.

“Em Portugal há bons exemplos de boa resposta, já conseguimos reduzir pelo menos a nível hospitalar o consumo de alguns antimicrobianos”, salientou.

Deu como exemplo os antibióticos de muito largo espectro que são usados para tratar as infecções por microrganismos multirresistentes, “os mais resistentes de todos”, que os médicos tentam reservar “o mais possível”.

“O Programa Nacional de Combate às Resistências e de Controle de Infecção definiu como objectivo diminuir o consumo de alguns desses antimicrobianos problema e isso foi feito de forma sustentável ao longo dos últimos três ou quatro anos”, sustentou.

Algumas bactérias multirresistentes muito características do hospital que era um problema quase endémico em Portugal há 10 anos, tem vindo a diminuir de forma sustentada em relação à sua incidência.

Especialista admite que utilização de antibióticos tenha aumentado em internamento de covid-19

“Temos um problema gravíssimo não há dúvida nenhuma, mas é um problema que nós começamos a perceber como combater. Agora demora o seu tempo e a inércia muita”, comentou.

Sobre o consumo de antibióticos, Paulo Mergulhão disse que já estava a diminuir antes da pandemia, mas que agora “há o outro o reverso da medalha” que é preciso pensar, nomeadamente “se a sobrecarga dos sistemas de saúde e o elevado número de internamentos por covid pode condicionar o aumento da utilização de antimicrobianos, principalmente nos casos mais graves”.

Na prática, o doente com covid-19 tem uma pneumonia e às vezes é difícil ao médico distinguir uma pneumonia vírica de uma pneumonia causada por bactérias e, por vezes, podem coexistir.

“Nós podemos ter as duas coisas ao mesmo tempo e uma grande questão é se realmente o problema da covid-19 vai aumentar de forma significativa os consumos de antibióticos nos hospitais e também há estratégias que permitem de certa forma combater essa possibilidade”, defendeu.

Por outro lado, é preciso passar a informação à população que a covid-19 não é uma doença tratável com antibióticos.

Mas há outras áreas da sociedade que concorrem para o uso de antimicrobianos além da Medicina, como a medicina veterinária, a agro-pecuária e até a construção civil, em que são utilizadas há tintas impregnadas com fármacos antimicrobianos ou antifúngicos.

“Há uma utilização muito alargada, e ou conseguimos em conjunto regular este tipo de utilização, ou não vamos chegar a bom porto”, alertou.

Em Portugal o consumo de antibióticos começa a revelar alguma quebra, quer nos hospitais, quer na comunidade, contudo o país continua acima da média europeia na utilização de antibióticos e apresenta uma das mais elevadas taxas de infecções hospitalares da Europa.

Quase diariamente, internamentos para tratar pequenos problemas transformam-se em grandes problemas de saúde ou em mortes devido a infecções por bactérias multirresistentes hospitalares. E este tipo de bactérias pode já não estar restrito aos ambientes hospitalares, refere o GIS em comunicado.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 18 de Novembro de 2020

Dia Europeu do Antibiótico

Dia Europeu do Antibiótico - 

Data alerta para consumo consciente e seguro. Em Portuga baixou 20%.

Comemora-se, de 14 a 18 de Novembro, a Semana Mundial e, a 18 de Novembro, o Dia Europeu do Antibiótico. O objectivo é sensibilizar profissionais de saúde e população em geral para a utilização correcta dos antibióticos, contribuindo para a diminuição da resistência das bactérias aos antibióticos.

De acordo com dados do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, a dispensa de antibióticos nas farmácias comunitárias baixou 20% entre Janeiro e Setembro deste ano, com menos 1,2 milhões de embalagens relativamente ao período homólogo

A informação foi divulgada no âmbito da data comemorativa e numa altura em que o Infarmed, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) estão a promover uma campanha alargada no âmbito da Semana Mundial dos Antibióticos.

De acordo com os dados, nos primeiros nove meses do ano foram dispensadas nas farmácias comunitárias menos 1.249.637 embalagens de antibióticos do que em igual período do ano anterior. Assim, a média de embalagens de antibióticos dispensada nas farmácias passou de 17,46 doses diárias definidas por mil habitantes por dia (DHD) para 13,97 DHD.

Portugal voltou a ficar abaixo da média europeia em 2019, tanto a nível hospitalar como no consumo em meio ambulatório, segundo os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Portugal é ainda referido como o único país, além da Noruega, onde a redução do consumo de carbapenemes (classe de antibióticos que é muito importante preservar, uma vez que é considerada terapêutica fim de linha em infecções graves) foi considerada estatisticamente significativa entre 2010 e 2019.

«À semelhança do que se verificou no ano passado, foi enviada informação específica aos médicos e farmacêuticos de todo o país e materiais para colocação nas unidades de saúde e farmácias comunitárias», sublinha o Infarmed.

O objectivo, acrescenta, é «continuar a incentivar o uso adequado dos antibióticos, tendo em conta que o arsenal terapêutico pouco tem sido reforçado nos últimos anos e que os actuais medicamentos estão em risco de perder a sua eficácia face ao crescimento das resistências bacterianas».

 

Fonte: Site do "sns.gov.pt"  e autor em 18 de Novembro de 2020