Resistência a antibióticos pode matar 10 milhões até 2050, alertam médicos

Resistência a antibióticos pode matar 10 milhões até 2050, alertam médicos - 

Infecções simples que existem na actualidade podem vir a ser fatais nos próximos anos e causar a morte de 10 milhões de pessoas até 2050 devido à resistência aos antibióticos.

“Todos os anos morrem 700 mil pessoas devido à resistência aos antibióticos e o cenário pode complicar-se ainda mais no futuro, tal como mostram as previsões realistas e assustadoras da Organização Mundial de Saúde, que nos diz que se o consumo de antibióticos se mantiver nos números actuais, a resistência aos mesmos, e consequente falha no tratamento, vai ser responsável pela morte de 10 milhões de pessoas até 2050”, alerta o médico Eurico Silva, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

“Importa ainda relembrar que, anualmente, morrem mais pessoas em Portugal devido a infecções associadas aos cuidados de saúde – falamos de bactérias resistentes – do que por acidentes de viação", acrescenta o clínico, em vésperas do Dia Europeu do Antibiótico.

Os médico e especialistas da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) voltam a juntar-se à campanha de sensibilização nacional “Responsabilidade é o Melhor Remédio” e pede consciencialização na utilização destes medicamentos. "O assunto é sério e muito preocupante e está na hora de fazermos alguma coisa para reverter esta situação", assevera Eurico Silva.

"É tempo de sermos conscientes e alertar o familiar, o amigo ou o conhecido para este problema e tentar evitar o consumo de antibióticos de forma frequente e desnecessária porque, mais uma vez, relembramos que os antibióticos não são eficazes nas infecções causadas por vírus, situações onde costumam ser recorrentemente utilizados", conclui o especialista em Medicina Geral e Familiar.

Dores de garganta e antibióticos: uma combinação sem sentido

Cerca de 80% das dores de garganta são causadas por vírus, nas quais os antibióticos não são eficazes. Uma inflamação na garganta inclui sintomas como dor,  vermelhidão,  inchaço e calor, que podem durar entre 3 a 7 dias, devendo a pessoa melhorar após esse período.

Para sensibilizar para esta problemática, a APMGF uniu-se mais uma vez à campanha de sensibilização nacional “Responsabilidade é o Melhor Remédio”, uma iniciativa que tem como principal objectivo sensibilizar médicos, farmacêuticos e população em geral para a importância da utilização responsável do antibiótico e que, desde a sua criação, já fez chegar milhares de materiais informativos às farmácias e centros de saúde de todo o país.

 

Fonte: Site da "lifestyle.sapo.pt"  e autor em 17 de Novembro de 2020

Dia do Não Fumador. "80% do fumo não desaparece com abrir de uma janela"

Dia do Não Fumador. "80% do fumo não desaparece com abrir de uma janela" - 

Direcção-Geral da Saúde e Serviço Nacional da Saúde já marcaram a data nacional nas redes sociais.

Esta terça-feira, dia 17 de Novembro, é o Dia Nacional do Não Fumador e a Direcção-Geral da Saúde (DGS)  quis aproveitar a data para (voltar a) assinalar os malefícios do tabaco. Nas redes sociais, a Autoridade para a Saúde aponta que "mais de 80% do fumo é invisível e não desaparece no ar interior da casa ou do carro com o simples abrir de uma janela".

"Fumar no interior da casa, à janela ou em varandas com as portas para o interior da casa abertas, permite que o fume se espalhe, invadindo o seu interior e até as habitações contíguas", explica ainda a DGS.

Uma em cada dez pessoas com 15 ou mais anos está "diariamente exposta ao fumo ambiental", revela ainda a Autoridade, lembrando que este "contribui para agravar várias doenças, quer nas crianças, quer nos adultos".

O Dia Nacional do Não Fumador foi também já marcado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) que publicou no Twitter uma mensagem directa e simples: "Não fumar é a melhor decisão que uma pessoa pode tomar para proteger a sua saúde e a dos outros".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 17 de Novembro de 2020.

OMS lança estratégia para eliminar o cancro do colo do útero

OMS lança estratégia para eliminar o cancro do colo do útero - 

OMS alerta que sem novas medidas, o número anual de novos casos deverá aumentar de 570.000 para 700.000 e o número anual de mortes deverá crescer de 311.000 para 400.000.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lança hoje uma estratégia para eliminar o cancro do colo do útero, estimando que o acesso generalizado à vacinação, rastreio e tratamento pode salvar cinco milhões de vidas até 2050.

“Eliminar o cancro teria em tempos parecido um sonho impossível, mas agora temos instrumentos eficazes e baratos, baseados em provas, para tornar esse sonho uma realidade”, afirma, num comunicado, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O cancro do colo do útero é uma doença evitável. Também é curável se for detectado precocemente e tratado adequadamente. No entanto, é o quarto cancro mais comum entre as mulheres em todo o mundo.

A menos que sejam tomadas novas medidas, o número anual de novos casos deverá aumentar de 570.000 para 700.000 entre 2018 e 2030 e o número anual de mortes deverá crescer de 311.000 para 400.000, adverte a OMS.

“Só podemos eliminar o cancro do colo do útero como um problema de saúde pública se combinarmos o poder dos instrumentos à nossa disposição com uma determinação inabalável de expandir a sua utilização à escala global”, salienta o responsável da OMS.

Estratégia da OMS visa que 90% das raparigas sejam vacinadas contra o papilomavírus

Os 194 membros da OMS comprometeram-se a eliminar o cancro do colo do útero, adoptando uma resolução nesse sentido, na reunião anual da agência, realizada na semana passada.

“Este é um marco importante”, considerou, numa conferência de imprensa, a directora-geral adjunta da OMS, Princess Nothemba Simelela. A representante da OMS acentua que “pela primeira vez, o mundo concordou em eliminar o único cancro que podemos prevenir com uma vacina, e o único cancro que é curável se for detectado a tempo”.

Até agora os três principais instrumentos contra o cancro do colo do útero (vacinação, rastreio e tratamento) têm sido amplamente utilizados na maioria dos países ricos, mas a situação não é a mesma no resto do mundo, em particular devido ao elevado custo da vacina.

A estratégia da OMS visa que 90% das raparigas sejam vacinadas contra o papilomavírus humano (a causa do cancro do colo do útero) até aos 15 anos de idade.

Também exige que 70% das mulheres sejam rastreadas aos 35 e 45 anos e que 90% das mulheres diagnosticadas com a doença sejam tratadas.

Se estas medidas forem implementadas com sucesso até 2030, os novos casos da doença poderão ser reduzidos em mais de 40% e o número de mortes em cinco milhões até 2050.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 17 de Novembro de 2020

Director do Programa Doenças Oncológicas quer mais entreajuda hospitalar

Director do Programa Doenças Oncológicas quer mais entreajuda hospitalar - 

O director do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas defende uma maior coordenação entre hospitais para dar resposta aos doentes não covid, lembrando que a pandemia pode ter efeitos devastadores na mortalidade destes doentes.

"É importante que a rede de cuidados seja reconfigurada e que as estruturas se adaptem aos momentos que vivemos", afirmou José Dinis, lembrando que, neste momento, há unidades que não estão tão sobrecarregadas com doentes covid e que podem ajudar na assistência aos outros doentes.

O responsável diz que a capacidade do Serviço Nacional de Saúde está longe de esgotar a resposta, que a pressão não é igual em todas as unidades e que os menos 'stressados' devem ajudar os outros a dar resposta aos doentes não covid, tal como acontece com os utentes covid, dando o exemplo dos doentes transferidos para do Norte para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

"O SNS está longe de esgotar a sua capacidade, mas é preciso passar esta potencial capacidade para o terreno e ver se é possível. Não sendo possível, (...) em tempo de emergência deixa de haver privados e Estado e somos todos saúde e os cuidados têm de ser prestados", afirmou.

"Se há hospitais em stress por causa da resposta covid e têm doentes oncológicos em atraso, (...) contactem os centros de referência dentro do SNS", disse o responsável, dando o exemplo do IPO do Porto: "Não podemos dizer que estejamos sob stress. Mas é importante que haja separação do doente covid e não covid".

A propósito da redução de novas consultas, por exemplo na área da oncologia pneumológica, uma questão levantada por especialistas da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, José Dinis afirma: "Tudo me preocupa na área da oncologia, mas preocupa-me mais os casos dos tumores que eram e são detectados numa fase perfeitamente curável e em que um atraso pode fazer baixar de forma drástica a sobrevivência".

"Não é o caso do cancro do pulmão. Entre 70 a 80% já eram diagnosticados em estadio 4, não curável, na era pré-covid", acrescenta.

José Diniz aponta, por exemplo, os doentes pediátricos, para os quais se consegue uma cura em mais de 80% dos casos, ou os casos de cancro de mama, em que o rastreio é fundamental.

"Um atraso de cinco, seis ou sete meses aqui por fazer aumentar o estado da doença e isso vem a repercutir-se depois", sublinha.

O responsável reconhece que os atrasos tanto no rastreio como nas consultas e cirurgias foram o resultado esperado da suspensão da actividade decidia na primeira vaga da pandemia de covid-19, que afectou tanto o sector público com os convencionados e o privado.

"O [atraso] que estamos a ter era esperado. Não há novidade nenhuma. E isto vale seja as doenças oncológicas, seja as doenças cardíacas ou as cerebrovasculares. É uma consequência inevitável", reconhece.

Sobre a recuperação da actividade na área da oncologia, o especialista remete os dados para o Ministério da Saúde, mas diz que há um "aumento progressivo" na resposta.

Contudo, os casos cujos diagnósticos dependem dos cuidados de saúde primários, por exemplo, dos médicos de família, como o cancro do colo do útero, José Dinis diz que estão "mais prejudicados".

"Estes casos estão mais prejudicados, pois os equipamentos que fazem diagnóstico estão desviados para o diagnóstico de covid. Além do mais, [os utentes] precisam de consulta médica e os colegas dos cuidados de saúde primários todos sabemos as dificuldades que existem para acesso", diz.

Adianta ainda que o medo dos utentes em ir aos cuidados de saúde, no caso dos IPO, já foi ultrapassado, pois as medidas tomadas deram segurança aos doentes, e que os surtos de que se ouviu falar podem sempre acontecer, mas "são situações muito esporádicas".

"A lógica tem de ser vista a nível nacional pelas ARS e os hospitais são pontos de entrada. Se o ponto A está mais stressado, passa ao ponto B e ao C. É quase como a lógica militar", afirmou o especialista, lembrando que o atraso nos doentes não-covid pode ter uma repercussão devastadora em termos de mortalidade.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 16 de Novembro de 2020.

Cardiologistas querem receita renovável para anticoagulantes orais

Cardiologistas querem receita renovável para anticoagulantes orais - 

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) quer que a prescrição de medicamentos anticoagulantes orais directos para a fibrilhação auricular seja feita em receita renovável pois facilita o acesso do doente e tem melhor adesão terapêutica.

Num documento conjunto a que a Lusa teve acesso, a SPC e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) consideram que estes medicamentos devem ser prescritos em receita médica renovável pois "as suas indicações incluem doenças que carecem de tratamentos prolongados".

Explicam que a indicação inicial destes medicamentos foi "a prevenção primária do tromboembolismo venoso em adultos submetidos a artroplastia eletiva total da anca ou do joelho" e que o período da profilaxia estava limitado a um máximo de duas (joelho) e cinco (anca) semanas, mas as indicações alargaram-se e quatro deles passaram a ser comparticipados para "prevenção de eventos tromboembólicos em doentes com fibrilhação auricular não-valvular".

"Nesta indicação, diferentemente das indicações iniciais, está recomendada a manutenção da terapêutica anticoagulante oral de forma indefinida", sublinham, sustentando a ideia da necessidade de prescrição em receita renovável.

O tipo de receita médica disponível para a prescrição destes fármacos está confinado às receitas não-renováveis com duração de um mês, acrescentam os especialistas, que dizem que com as recentes indicações "este tipo de receita torna a prescrição destes fármacos mais burocrática, necessitando de um maior número de actos médicos para prescrever mais receitas num curto espaço de tempo, comprometendo também o acesso ao medicamento por parte dos doentes".

Uma menor adesão terapêutica promovida pelo tipo receituário actualmente disponível para os anticoagulantes orais directos "aumenta a probabilidade de formação de trombos, sendo neste contexto um factor de risco documentado para AVC e mortalidade, comprometendo o prognóstico dos doentes com fibrilhação auricular", acrescentam.

As duas entidades lembram que a prescrição de anticoagulantes orais, em particular destes, tem aumentado nos últimos anos e que a fibrilhação auricular "é provavelmente a patologia mais prevalente com indicação para anticoagulação oral".

Tanto a SPC como a FMUL sublinham que este anticoagulantes orais directos "mostraram uma redução significativa do risco relativo mortalidade, e acidente vascular cerebral (AVC) ou embolia sistémica", assim como mostraram ser "mais seguros no que diz respeitos ao risco de hemorragia major, demonstrando uma redução significativa do risco destes eventos, em particular do risco de hemorragia intracraniana, com redução do risco relativo foi cerca de 50% comparativamente com os antagonistas da vitamina K".

Em Portugal, nos últimos anos, tem-se observado uma diminuição da mortalidade por AVC e, segundo as duas entidades, foi reconhecido pelo relatório de 2017 do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares que esta melhoria dos resultados estava associada a um alargamento das indicações de prescrição de anticoagulantes orais directos para a fibrilhação auricular.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 16 de Novembro de 2020.

Covid-19. Depois de aprovada, vacina chegará à Europa e a Portugal em dias

Covid-19. Depois de aprovada, vacina chegará à Europa e a Portugal em dias - 

Depois de aprovada pela Agência do Medicamento Europeia, a vacina pode chegar ao mercado em dias ou em um mês. Já está a ser produzida na Alemanha e na Bélgica e as doses que daqui saírem irão em simultâneo para os vários países da UE. A ciência ganhou tempo à pandemia, mas é preciso ganhar tempo na transmissão do vírus.

Num só dia o mundo ouviu duas palavras mágicas do léxico da pandemia: vacina e eficácia. Precisamente numa altura em que a marca do SARS CoV-2 já ultrapassou os 50 milhões de infectados e 1,9 milhões de mortes. Numa altura em que a Europa é atacada fortemente pela segunda vaga, com países como Itália, França, Alemanha e Reino Unido a atingirem mais de 20 mil e 30 mil novos casos por dia. Portugal não foge à regra - este sábado foram registados mais 6602 novos casos e 55 mortes.

Os países reforçam as medidas de isolamento, e depois de a Pfizer e o parceiro alemão, BioNTech, anunciarem que a vacina que estão a produzir tem eficácia acima dos 90%, no mundo da ciência já há quem faça um apelo: "É preciso mais um esforço por parte da população, é preciso travar a curva de transmissão da doença. Se o conseguirmos são vidas que estamos a poupar", afirmou ao DN Luís Graça, médico, investigador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, onde lidera o laboratório de Imunologia Celular, e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

A ciência ganhou tempo à pandemia. Agora, é preciso ganhar tempo na luta contra o vírus. O cientista sublinha que, em Março, "não acreditava ser possível alcançar-se uma vacina tão rapidamente". Aliás, todas as estimativas vindas do lado da ciência apontavam para que tal só fosse possível, na melhor das hipóteses, no espaço de 18 meses a dois anos, mas o que se comprova agora, praticamente oito meses depois, é que afinal "estamos mais próximos desse resultado", argumenta o investigador, lembrando: "É certo que não se sabe tudo sobre este estudo, mas o que se sabe é importante e dá-nos razões para estarmos optimistas".

E se há razões para o optimismo é porque também "o protocolo do estudo desta vacina, tal como o protocolo das outras que estão a ser desenvolvidas pela Universidade de Oxford e pela Astrazeneca e pela Moderna, estão publicados e podem ser consultados. Ou seja, sabe-se exactamente como é que as vacinas estão a ser administradas às pessoas, quais os resultados dos ensaios da Fase I e II e os resultados que, no caso da Pfizer, são esperados, depois desta primeira avaliação interina à eficácia, agora publicada".

Mais de 50,5 milhões de casos de infecção no mundo por covid-19, e mais de 1,9 milhões de óbitos.

Luís Graça explica ao DN, que "a avaliação feita agora revela que o que está esperado em termos de infecções - ou seja, o que chamam de taxa de ataque (attack rate) - nos países em que a vacina está a ser testada, é um pouco abaixo de 1%". Por outras palavras, "só menos de 1% das pessoas que estão no estudo é que vão ser infectadas e isto é muito animador", sublinha o médico.

O estudo da Pifzer e da BioNTech está a decorrer desde Junho e reúne mais de 40 mil pessoas espalhadas pelo mundo, desde a América do Norte à América Latina, da Europa a África, divididas em dois grupos, um que está a apanhar a vacina outro que está a apanhar um placebo, que serve de grupo de controlo, e ninguém sabe quem está a ser tratado com a vacina ou com o placebo, esse registo está apenas em códigos nos computadores.

O que se fez agora, para chegar a esta primeira avaliação interina, explica o médico, foi esperar que algumas das pessoas que estão no estudo ficassem infectadas, neste caso foram 94, ir aos computadores e descodificar os códigos para perceber qual era a taxa de infecção entre os que apanharam a vacina. "A taxa de infecção está a abaixo de 1%, o que dá a garantia que a vacina tem uma eficácia de 90%", sintetiza. "Neste grupo, e dos que receberam a vacina, houve quatro ou cinco infectados. É importante explicar isto, como explicar que estas pessoas não são todas da mesma cidade ou acompanhadas no mesmo hospital".

Por isso, volta a sublinhar, "é verdade que não se sabe tudo, que os resultados finais ainda não foram publicados, porque o estudo ainda não terminou, mas já se sabe muita coisa sobre o desenvolvimento do estudo, desde a forma como está desenhado, aos resultados da fase I e II e agora o que se passou nesta análise interina".

Portugal conta agora com 204 654 casos de infecção, destes 117 382 recuperaram, mas há 3250 mortes.

Eficácia na idade é uma incógnita

Para o líder do Laboratório de Imunologia do IMM em relação a este estudo há apenas uma incógnita. "Não sabemos a idade das pessoas que estão a ser estudadas, o que seria importante em termos de eficácia, porque na vacina da gripe, por exemplo, a eficácia diminui com a idade".

Neste momento, e em relação à vacina da Pfizer e BioNTech ainda não se sabe se "estes 90% de eficácia é num grupo mais jovem ou se num grupo de mais idosos. Ou se neste último grupo há uma taxa de eficácia mais baixa". Ressalvando também que "não se sabe se a vacina protegeu ou não assintomáticos, o que também é muito importante para se evitar a transmissão, mas estes resultados ainda não os temos. Ou seja, não se sabe tudo mas os resultados que temos já são muito animadores".

Enumerando: "A segunda razão pela qual o que já se sabe é animador, até em relação não só à vacina da Pfizer, mas também em relação a outras vacinas, como a da Universidade de Oxford e Astrazeneca e da Moderna, é que os ensaios da fase I e II revelaram induzir anticorpos neutralizantes e qual é o seu modo de acção. O que quer dizer que, provavelmente, iremos ter mais do que uma vacina. É claro que pode haver sempre imprevistos, é assim na ciência, mas é animador que daqui a dois, três ou quatro meses possamos ter já duas a três vacinas".

259 projectos em estudo

De acordo com o site da London School of Hygiene Tropical Medicine, que actualiza o progresso das experiências que estão a ser lavadas a cabo em termos de vacinas contra a covid-19, sabe-se que há 259 projectos em investigação no mundo inteiro, que 54 estão já na fase de ensaios clínicos e dez estão na fase III dos ensaios, a última fase, aquela em que "consiste na inoculação da vacina a milhares de voluntários a fim de se determinar se impede de facto a infecção", lê-se na página do site.

Os projectos mais promissores, além do da Pfizer e BioNTech, são os da Universidade de Oxford e Astrazeneca, da Moderna, que reúne a investigação dos laboratórios Sanofi e GSK, Johnson & Johnson, embora esta empresa tenha assumido uma paragem devido ao aparecimento de doença num dos voluntários em estudo, e ainda mais dois projectos que estão a ser levados a cabo pela Rússia, que esta semana anunciou estar a investigar uma segunda vacina - a primeira é a Sputnik - e pela China, CanSino Bio, que já está a ser administrada em militares chineses.

Luís Graça assinala que "há uma grande diversidade de vacinas que estão a ser testadas em termos de estratégia, mas a estratégia usada na vacina da Pfizer e da Moderna nunca foi testada anteriormente em pessoas. O que se está a utilizar é uma molécula de RNA, que codifica o gene do vírus SARS CoV-2, quando o habitual nas vacinas, por exemplo na da gripe, é o uso de proteína dentro do vírus, o que é uma coisa totalmente diferente".

Em relação à vacina da Universidade de Oxford está a ser usado "um adenovírus de chimpanzé". Há várias estratégias para se chegar às vacinas, o que na opinião de Luís Graça "é bom que assim seja, porque assim poderá ser possível que haja algumas vacinas mais eficazes para uns grupos populacionais e outras para outros. Refiro-me sobretudo a grupos de idade e de risco".

À UE chegarão só vacinas aprovadas pela EMA

À União Europeia e a Portugal chegarão apenas as vacinas que estão a desenvolver processos de autorização com a Agência do Medicamento Europeia (EMA), as que estão a ser desenvolvidas pela Rússia e pela China não estão aqui incluídas já que não seguem o processo de autorização da EMA.

Um processo que no caso da Pfizer e das outras tem sido feito através de uma avaliação contínua, a cada fase, assim que se forem conhecendo os resultados dos ensaios na fase I e II, tal como agora com esta primeira avaliação interina. Por isso, o cientista português acredita que "depois de ser aprovada pela Agência do Medicamento Europeia o processo de entrada da vacina no mercado será rápido, poderá levar alguns dias ou um mês, até porque ao contrário de outras esta vacina já está a ser produzida", assinala.

Pfizer conta ter vacina aprovada até final do ano

O director-geral da Pfizer, Paulo Teixeira, confirmou ao DN que desde Julho que "a vacina está a ser produzida, porque a empresa assumiu que iria começar por sua conta e risco". E, neste momento, "há três fábricas nos EUA só dedicadas à produção desta vacina para o mercado americano e há duas na Europa, na Alemanha e na Bélgica", acrescentando que "a empresa mantém a expectativa de ver o produto aprovado até ao final do ano" e de que este entre de forma rápida no circuito comercial.

Aliás, segundo referiu, " o ensaio da fase III ainda não está terminado, mas se tudo correr como o esperado, a vacina comprovar toda a sua segurança e eficácia, no final deste mês avançamos com o processo de autorização para os EUA. A FDA (Food Drugs and Administration), entidade reguladora, exige que se só avance para este processo dois meses após a tomada da segunda dose, essa meta vai ser cumprida agora na terceira semana de Novembro. Assim que tivermos resultados avançaremos com o pedido de autorização de emergência internacional".

Dos 50 milhões de doses algumas ficarão na Europa

A Pfizer e o seu parceiro alemão contam disponibilizar para todo o mundo 50 milhões de doses, até ao final deste ano - o que representa vacinas para 25 milhões de pessoas. E até ao final de 2021, 1,3 mil milhões de doses. Algumas das primeiras doses deverão chegar à Europa. Como explicou Paulo Teixeira, "a Pfizer irá honrar em primeiro lugar os compromissos assumidos e é sabido que em Julho o presidente Donald Trump adquiriu para os EUA 100 milhões de doses, com opção para mais 500 milhões depois. Mas também esta semana a UE firmou um acordo para a aquisição de 200 milhões de doses, com opção para mais 100 milhões se for necessário. A nossa expectativa é que algumas das primeiras doses venham a ser disponibilizadas para a Europa, mas ainda não sabemos exactamente em que quantidades".

Paulo Teixeira garante que "não vai ser dada prioridade específica a um mercado. O que sabemos é que as doses que serão disponibilizadas para a UE vão ser fabricadas na Alemanha por parte da BioNTech e na fábrica da Pfizer na Bélgica. Portanto, essas doses garantidamente serão distribuídas no mercado europeu. As fábricas nos EUA garantirão as vacinas para aquele mercado", reforçando "o cenário de que as vacinas só irão para os EUA e não para a Europa, não irá acontecer".

O director-geral da Pfizer em Portugal admite mesmo que "o desafio de lançar uma vacina contra a covid-19 foi um dos maiores da empresa, se não o maior. "Não só para nós como para qualquer outra empresa que está a desenvolver vacinas". E, tendo em conta o período que se vive, "esperamos que todas elas tenham resultados muito positivos e que venham a ser provadas, porque isso irá facilitar a vida de toda a gente".

DGS está a fazer tudo para distribuição ser atempada

No que toca à União Europeia a negociação para a aquisição de vacinas não está a decorrer só com a Pfizer, mas também outros potenciais fornecedores de vacinas. Esta semana voltou a reforçar aos Estados-membros que preparem a logística, que não será fácil quer em termos de distribuição quer de armazenamento, já que são vacinas que exigem estar a uma temperatura de 70 graus negativos, e definam critérios para grupos prioritários.

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde garante que em termos de logística " tudo está a ser feito para garantir a correcta e atempada distribuição das vacinas. Estamos a considerar também as questões da rede de frio. E todos os locais estão a ser considerados para a vacinação. À semelhança do que já se faz com a vacina contra a gripe, foi contemplada no plano de Outono-Inverno a possibilidade de serem utilizadas outras estruturas que podem ser seleccionadas para o efeito".

O DN falou com a bastonária dos farmacêuticos que recentemente tinha defendido em entrevista, que qualquer "vacinação em massa teria de integrar as farmácias", para saber se já tinham sido chamados a discutir a questão. Ana Paula Martins afirma não terem tido ainda qualquer informação sobre o assunto, mas que a própria Ordem "já fez uma proposta ao Ministério da Saúde para que as farmácias façam parte da rede vacinal da covid-19, tal como estão a fazer em relação à vacina da gripe". E sublinha: "É fundamental que isto aconteça, num país que vai ter de vacinar cinco, seis ou sete milhões de pessoas para conseguir atingir a imunidade de grupo".

As vacinas contra a covid-19 exigem ter temperaturas de 70 graus negativos, o que implica uma logística complicada em termos de distribuição e de armazenamento.

Dada a logística difícil para este tipo de vacinas, a bastonária dos farmacêuticos assegura que já "não é cedo para se começar a tratar de toda a logística". É preciso definir em primeiro lugar quais são os grupos que vamos começar a vacinar, depois quais são os pontos definidos para se administrar a vacina - "quais são os centros de saúde e quais são as outras unidades que o vão poder fazer, se as farmácias vão estar nesta rede têm de se preparar", argumenta.

Mas há mais um aspecto que considera "absolutamente determinante e que tem a ver com a logística, porque já se sabe que estas vacinas têm necessidade de uma temperatura de 70 graus negativos, o que implica uma rede de frio completamente diferente, não só para o seu transporte como para o seu armazenamento. Por isso, caso as farmácias venham a entrar neste esforço temos de nos começar a preparar com antecedência".

Não vai haver países mais favorecidos

As vacinas vão começar a chegar, e mais cedo do que os próprios cientistas consideravam ser possível. Luís Graça afirma que Portugal está numa posição confortável, porque a UE está a negociar tudo em bolo para que não haja países maia favorecidos do que outros. "As vacinas estão já a ser produzidas e a EMEA tem vindo a fazer a sua avaliação, acredito que, depois de aprovada, a vacina pode estar no mercado rapidamente em poucos dias ou em um mês", mas "os outros projectos em estudo fazem acreditar que mais vacinas chegarão ao mercado dentro de três a quatro meses, o que é muito animador".

Neste momento, falta definir quem vai receber em primeiro lugar. Em Portugal, a DGS e de acordo com o que têm sido as recomendações da Comissão Europeia e do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças), criou há meses um grupo de trabalho, que tem estado a analisar os dados científicos que vão ficando disponíveis e a definir os grupos prioritários".

Cada país irá receber vacinas proporcionalmente à sua população. Ou seja, Portugal deverá receber 6,9 milhões de doses, o que irá corresponder a cerca de três milhões de pessoas vacinadas.

Até agora, o que se sabe é que cada país irá receber vacinas proporcionalmente à sua população, evitando assim que "um país recebesse mais vacinas do que o outro", explica Luís Graça. "Não será possível, e é bom que isto também fique claro, que a Alemanha, por exemplo, ter mais influência na UE receberá mais vacinas do que Portugal. Isso não será possível. A Alemanha receberá cinco vezes mais vacinas do que Portugal, porque tem uma população superior cinco vezes mais à nossa", reforça.

A Portugal e como já foi referido deverão chegar, não de uma vez, 6,9 milhões de doses, o que representa doses para cerca de três milhões de pessoas, que basicamente representam as que integram os grupos de risco. Como explicou ao DN a DGS "os grupos prioritários que estão a ser definidos têm em vista a redução do risco de transmissão e a vulnerabilidade dessas pessoas, respeitando os resultados dos ensaios clínicos. Assim, pessoas com comorbilidades e profissionais que trabalham com pessoas mais vulneráveis, por exemplo, poderão constituir grupos prioritários na estratégia que está a ser definida".

No entanto, "a definição mais detalhada dos grupos prioritários está ainda a ser estudada, à semelhança do que está a acontecer com os outros países da União Europeia", argumentando que no caso das "vacinas contra a covid-19 teremos de conjugar as características de cada uma com os vários grupos prioritários. E é desta intersecção, que está agora a ser analisada, que vai resultar a estratégia e a definição dos grupos prioritários".

Após oito meses de pandemia Portugal já perdeu 3250 pessoas, a maioria acima dos 70 anos. Por isso, o médico e investigador Luís Graça salienta ser "fundamental fazermos um esforço na medida das nossas possibilidades para evitar a disseminação do vírus". Para as pessoas que já perdemos, "a vacina vai chegar tarde, se nos próximos dois meses conseguirmos evitar a transmissão da doença são vidas que estamos a salvar".

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 16 de Novembro de 2020.