Portugueses procuram ajuda profissional de farmacêuticos para lidar com o impactos da pandemia

Portugueses procuram ajuda profissional de farmacêuticos para lidar com o impactos da pandemia - 

Os portugueses estão mais motivados do que os seus homólogos europeus a procurar a ajuda de profissionais de saúde como farmacêuticos e médicos para lidar com complicações mentais e físicas dos últimos dois anos.

A informação reflecte os resultados do STADA Health Report 2022, um questionário com 30 mil inquiridos em 15 países europeus, incluindo 1 997 em Portugal, que revela tendências relativas à saúde mental, sono e confiança nos serviços de saúde. “Embora seja preocupante confirmar a deterioração do estado de saúde física e mental da população portuguesa nos últimos dois anos, é encorajador confirmar a elevada confiança nos profissionais de saúde”, comenta Ana Ferreira, directora-geral da STADA Portugal, em comunicado.

No relatório, verifica-se que “quase metade dos adultos portugueses (47%) relatam que os seus níveis de stress se agravaram desde o início da pandemia. Esta é a segunda maior proporção nacional no inquérito, acima da média do estudo de 37%, tendo o stress aumentado mais apenas em Itália (53%). Mais de um terço (35%) dos adultos em Portugal queixaram-se de uma saúde mental mais debilitada durante a pandemia – apenas superado pela Áustria (37%). Ao mesmo tempo, 35% dos adultos portugueses sentiram que o seu bem-estar físico se tinha agravado durante a pandemia, a proporção nacional conjunta mais elevada, juntamente com checos e polacos”.

“Uma proporção semelhante (32%) dos portugueses sustentava que a sua qualidade de sono tinha diminuído desde o início da pandemia”. Apesar destes desafios, mostra também o documento, “a população portuguesa não está claramente preparada para aceitar simplesmente um declínio no seu bem-estar. Pelo contrário, as pessoas procuram o apoio especializado de profissionais de saúde“, pode ainda ler-se.

Procura de aconselhamento médico e farmacêutico

Dois em cada cinco adultos portugueses (40%) disseram ter pedido mais aconselhamento ao seu médico de clínica geral ou a outro profissional de saúde nos últimos 12 meses – o total nacional mais elevado do Relatório de Saúde STADA 2022. A média europeia era mais baixa, com 25%. Além disso, 15% dos portugueses procuraram mais aconselhamento nas farmácias, atrás apenas da Sérvia, Espanha e França a este respeito.

Na saúde mental, os 1.997 adultos portugueses estavam dispostos a procurar ajuda. Os portugueses estão entre os que mais se esforçam por falar da sua saúde mental com um clínico geral: quase metade (48%) fá-lo-ia.

A população adulta portuguesa está também na vanguarda da adopção de soluções tecnológicas de saúde. Quase uma em cada cinco (19%) pessoas em Portugal utiliza tais aplicações para partilhar informação com o seu médico, a proporção mais elevada no Relatório de Saúde STADA 2022, para o qual a média neste ponto era de 11%. Além disso, os adultos portugueses são os mais abertos na Europa à ideia de consultar um médico à distância por webcam – 86% estariam geralmente abertos à ideia, em comparação com uma média de 64%.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 12 de Julho de 2022

Portugal passa a 9.º país da UE com mais novos casos e terceiro em mortes por Covid-19

Portugal passa a 9.º país da UE com mais novos casos e terceiro em mortes por Covid-19 - 

Portugal é actualmente o 9.º país da União Europeia (UE) com mais novos casos de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes nos últimos sete dias, mas é o terceiro em termos de mortes.

Segundo informação do ‘site’ estatístico Our World in Data, citada pela Lusa, a situação epidemiológica do país, comparativamente a outros, melhorou desde há três semanas, quando Portugal era o país com maior número de novos casos na UE e segundo no mundo.

Nesse período, a média diária de novos casos em Portugal desceu de 1.560 por milhão de habitantes para 996 à data de hoje. Dos parceiros da União Europeia, o Chipre tem a maior média de novos casos diários (2.380), seguido de França (1.920), Grécia (1.700), Itália (1.590) e Áustria (1.120).

A nível mundial, considerando os países e territórios com mais de um milhão de habitantes, é também o Chipre quem regista a pior situação epidemiológica à data, seguido da Nova Zelândia (2.060), França, Grécia e Singapura (1.650).

Por outro lado, no que toca às novas mortes diárias atribuídas à covid-19, Portugal tem agora a terceira maior média da UE, passando de 3,68 há três semanas para duas, e é antecedido por Malta, com 3,04, e Grécia, com 2,4.

Em termos mundiais, olhando para territórios e países com mais de um milhão de habitantes, Taiwan tem a maior média diária de novas mortes atribuídas à covid-19 (quatro), seguida da Nova Zelândia (3,23), Grécia, Bielorrússia (2,12) e Noruega (2,04).

A média de novos casos diários por milhão de habitantes na União Europeia mais que duplicou desde há três semanas e está em 910 e a de novas mortes diárias em 0,94.

A média mundial de novos casos passou de 67 para 114 e a de novas mortes atribuídas à covid-19 está em 0,22.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 11 de Julho de 2022

 

Próximos anos são de “imenso potencial para o lançamento de novos medicamentos genéricos”

Próximos anos são de “imenso potencial para o lançamento de novos medicamentos genéricos” - 

No ano em que se assinalam as três décadas que marcam o início da comercialização, em território nacional, de medicamentos genéricos, as dúvidas e receios por parte dos cidadãos parecem ter-se dissipado e o futuro apresenta-se com “imenso potencial” para estes medicamentos.

O dia 8 de Julho de 1992 marca o início deste longo percurso, quando o então ministro da saúde Arlindo Carvalho assinalava, numa cerimónia simbólica, a introdução dos primeiros genéricos no mercado português. No entanto, num percurso com dificuldades de disseminação, passados cerca de 10 anos, ainda não representavam 1% das vendas, que apenas acabariam por ser impulsionadas, quase duas décadas depois, pela ‘troika’.

Em declarações ao Netfarma, Maria do Carmo Neves, presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN), faz o balanço de 30 anos de genéricos no mercado, ao mesmo tempo que analisa o particular ano de 2011, o contributo essencial destes medicamentos para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e perspectiva consideráveis aprovações de novos fármacos para os próximos anos.

Da pouca relevância ao estabelecimento coeso 

O que começou por ser um processo reprodutivo de medicamentos originais, que não tinham a bioequivalência que, hoje, as autoridades do medicamento europeias exigem, os genéricos passaram a garantir cientificamente as mesmas características que os de marca, fixando-se com uma quota próxima dos 50% em meio ambulatório.

Num balanço que é “claramente positivo, apesar de ter sido um caminho feito de altos e baixos”, Maria do Carmo Neves reitera que “foi realizado um enorme trabalho de valorização destas tecnologias de saúde mais custo-efectivas graças à divulgação e promoção pelo Ministério da Saúde, com particular destaque para o Infarmed”. Também “o forte contributo” dos prescritores, das farmácias e da indústria farmacêutica, explica também, “foi decisivo na construção da confiança da pessoa com doença”, que necessita destes recursos mais económicos.

“Medicamentos Genéricos, porque as pessoas merecem”. A campanha, promovida pelo Infarmed em 2002, foi o ponto de viragem na história destes medicamentes e seguiu-se ao recrutamento e à formação de Técnicos de Divulgação de Genéricos (TDG), que realizaram mais de 500 sessões a nível nacional para promover genéricos como medicamentos de qualidade, envolvendo mais de 6 mil médicos e cerca de 900 farmacêuticos.

No entanto, e apenas por força da ‘troika’, houve uma mudança drástica na representatividades dos genéricos em Portugal. “Considerando que os medicamentos genéricos, assim como os biossimilares, têm um papel crucial na alocação de recursos para o financiamento de mais cuidados e novas tecnologias de saúde, não há dúvidas de que contribuíram para o maior acesso à saúde, especialmente num contexto tão crítico como a crise económica e social de 2011″, diz a responsável, ao relembrar a sua “inquestionável segurança, qualidade e eficácia”.

Este ano foi marcado por razões legislativas. “Em 2008 debatíamo-nos com o bloqueio na aprovação de preços dos medicamentos genéricos pela DGAE devido à proliferação de providências cautelares junto do tribunal administrativo, situação que se protelou até 2011 e que foi desbloqueada através da publicação da Lei 62/2011″, relembra Maria do Carmo Neves. Lei essa que, continua, “define o regime de composição dos litígios emergentes de direitos de propriedade industrial quando estejam em causa medicamentos de referência e genéricos”.

Poupança para o SNS e credibilidade junto dos portugueses

Nos primeiros seis meses do ano, os medicamentos genéricos dispensados nas farmácias geraram a poupança de mais de 225 milhões de euros para o Estado e famílias, permitindo alocar recursos ao SNS. Ainda assim, e do crescimento de 36 milhões em poupança relativamente ao igual período de 2021, a quota de genéricos mantém-se estagnada nos 48,8% desde 2018. “Ainda existem reservas junto de alguns profissionais de saúde”, assume.

Para a APOGEN, “é necessário que nos próximos 5 anos, 6 em cada 10 utentes possam beneficiar das vantagens dos medicamentos genéricos, de modo a que os níveis de adopção sejam iguais aos encontrados nos países europeus mais desenvolvidos economicamente”. Maria do Carmo Neves considera que “a evolução da quota dos medicamentos genéricos representa uma alternativa eficiente, uma vez que a sua penetração reflecte um importante indicador de desenvolvimento social e, em simultâneo, democratiza o acesso à saúde”.

A confiança da população, assegura, tem crescido, “até porque um estudo de 2021 encomendado pela APOGEN à Gfk mostrou que os utentes têm uma percepção favorável sobre genéricos, com 85% dos inquiridos a considerar a sua existência como “positiva” ou “muito positiva”, o que significa que evoluímos muito, em parte, graças aos prescritores e às farmácia”. Maria do Carmo Neves diz ainda que “é igualmente necessário adequar os sistemas de incentivos para uma maior adopção de medicamentos genéricos”.

Perspectivas de crescimento

O Infarmed financiou 95 processos de novos genéricos até Maio, uma subida de 64% em relação ao ano anterior. “A aprovação e a comparticipação de novos medicamentos genéricos estão dependentes das datas em que terminam as patentes dos respectivos medicamentos de referência, sendo por isso caracterizado por ciclos. 2022 e 2023 são anos com imenso potencial para o lançamento de novos medicamentos genéricos porque expiram as patentes de muitos medicamentos inovadores”, conclui a presidente da APOGEN.

Com os antidiabéticos a representar 23% do total da despesa do SNS no mercado ambulatório, “2022 pode ser um ano de inflexão desta tendência, uma vez que serão lançados vários medicamentos genéricos antidiabéticos”. Para Maria do Carmo Neves, “tal representa uma oportunidade para uma gestão mais eficiente dos orçamentos familiares, reduzindo os custos com medicamentos, e para a libertação de recursos no SNS que poderão ser alocados para mais cuidados de saúde e novas tecnologias de saúde”.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 11 de Julho de 2022

Covid-19: agências da UE já aconselham quarta dose da vacina a partir dos 60 anos

Covid-19: agências da UE já aconselham quarta dose da vacina a partir dos 60 anos - 

Nova vaga de covid-19 na Europa, “com taxas crescentes de admissão em hospitais e unidades de cuidados intensivos”, levam autoridades a aconselhar países a dar vacinas a maior fatia da população

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e a Agência Europeia do Medicamento recomendaram esta segunda-feira a administração de uma quarta dose das vacinas contra a covid-19 aos cidadãos entre os 60 e 79 anos e pessoas vulneráveis.

Depois de, em Abril, estas duas autoridades terem recomendado a administração de uma segunda dose de reforço das vacinas apenas a pessoas com 80 ou mais anos, hoje, num comunicado conjunto, defendem que “é fundamental que as autoridades de saúde pública considerem agora pessoas entre os 60 e 79 anos, bem como pessoas vulneráveis de qualquer idade, para um segundo reforço”, dado estar actualmente em curso “uma nova vaga” de covid-19 na Europa, “com taxas crescentes de admissão em hospitais e unidades de cuidados intensivos”.

Tanto o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) como a Agência Europeia do Medicamento (EMA) consideram que não se justifica a administração generalizada de uma quarta dose das vacinas contra a covid-19, apontando que, “de momento, não há provas claras que apoiem a administração de uma segunda dose de reforço a pessoas com menos de 60 anos de idade que não se encontrem em situação de risco mais elevado de doença grave”.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 11 de Julho de 2022.

Covid-19: resposta do SNS com “impactos profundos” nos cuidados de saúde

Covid-19: resposta do SNS com “impactos profundos” nos cuidados de saúde - 

Relatório do Conselho Nacional de Saúde alerta que os direitos e liberdades foram desafiados por uma “omnipresente saúde pública” durante a pandemia de covid-19 em Portugal. Mortalidade dos idosos leva a rejuvenescimento da estrutura etária do país.

A resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à pandemia teve “impactos profundos” nos restantes cuidados prestados, alerta o Conselho Nacional da Saúde, que aponta uma redução de 700 mil cirurgias programadas e de 50 mil urgentes em 2020.

“A organização da resposta em cuidados de saúde à covid-19 teve impactos profundos na prestação de cuidados de saúde não-covid substanciados na alteração da actividade assistencial, na redução das actividades relacionadas com a prevenção da doença ou promoção da saúde”, sublinha o relatório “Pandemia de covid-19: Desafios para a saúde dos portugueses”, divulgado esta segunda-feira.

Segundo o documento do Conselho Nacional da Saúde (CNS), comparando com a média de 2015 a 2019, em Portugal continental registou-se uma redução de 19% no número de intervenções cirúrgicas programadas em 2020, ou seja, menos cerca de 700 mil cirurgias, com redução superior (23,1%) nas cirurgias convencionais.

Mesmo as cirurgias urgentes tiveram uma diminuição de 8,3%, com menos cerca de 50 mil realizadas no primeiro ano da pandemia, refere o órgão independente de consulta do Governo, que concluiu ainda que pouco menos de 3/4 das consultas foram realizadas dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido em 2020, valor que voltou a subir para os valores pré-pandemia em 2021.

De acordo com o documento, durante 2020 e 2021 registou-se também uma quebra do número de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, comparativamente ao período de 2016 a 2019, assim como uma diminuição de 1,1 pontos percentuais da cobertura da população inscrita com médico de família, contrariando uma tendência crescente verificada em anos anteriores.

“Nos cuidados de saúde hospitalares a redução da proporção de utentes com acesso a cuidados foi um pouco mais marcada”, refere o documento, ao avançar que, em 2020, houve uma redução de 12,2 a 21,6% das primeiras consultas hospitalares, sendo esta diminuição menos acentuada nas consultas subsequentes (entre 0,04% e 16,6%).

Também os cuidados de saúde preventivos sofreram uma “forte disrupção com a pandemia”, particularmente evidente em 2020, indica o documento, alertando que, se a diminuição da actividade assistencial tem implicações profundas no imediato, os impactos na área dos cuidados preventivos e de promoção da saúde “certamente se encontrarão com maior evidência no avanço da linha do tempo”.

De acordo com o relatório, a vigilância das pessoas com diabetes sofreu um “impacto significativo”, com redução da proporção de vigilância do pé diabético ou controlo de hemoglobina glicada.

“Existiu igualmente uma redução de 102.812 pessoas rastreadas para a retinopatia diabética no ano de 2020”, indica o CNS, que avança que menos 174.218 mulheres foram rastreadas para o cancro da mama, menos 124.835 mulheres para o cancro do colo do útero e menos 34.920 pessoas rastreadas para o cancro do cólon e reto.

“Quanto aos rastreios de âmbito populacional, em 2020, em Portugal continental, a proporção de população elegível rastreada para o cancro da mama decresceu quanto à média dos anos 2016-2019, com uma redução de cerca de dez pontos percentuais relativamente a 2019”, sublinha o documento.

O número de utentes com problemas relacionados com álcool em tratamento diminuiu de 2019 para 2020 em cerca de 8%, com uma redução de quase 50% do número de novos utentes em tratamento e 30% dos utentes readmitidos.

Apesar das reduções, o CNS assinala que “não houve paragem dos cuidados, embora estes tenham ficado fortemente comprometidos” durante a pandemia de covid-19.

No que diz respeito aos recursos humanos, entre 2018 e 2021, verificou-se um aumento de 16,3% no número de trabalhadores no SNS, sendo que o grupo com maior aumento foi o dos assistentes operacionais (24,2%), seguido do dos técnicos de saúde (22,1%) e do dos técnicos de diagnóstico e terapêutica (20,9%).

O número de médicos - sem considerar internos de especialidade - cresceu 11,9% e o de enfermeiros 16,8% entre 2018 e Agosto de 2021.

Relativamente à saúde mental, o relatório do CNS recorda que, em Portugal, existiram dois períodos de confinamento geral - de Março a Abril 2020 e de Janeiro a Março 2021 - que colocaram a questão do seu “impacto nos níveis de solidão, depressão, uso nocivo de álcool e outras drogas e comportamentos de auto lesão”.

“A generalização, quase instantânea, do teletrabalho provocou sentimentos de isolamento social e solidão que, por sua vez, reduziram a capacidade de lidar com as mudanças na carga de trabalho e no tempo de trabalho, afectando adversamente os níveis de stresse e o bem-estar mental e físico dos trabalhadores”, refere o documento.

No geral, o CNS alerta que a pandemia poderá ter, directa e indirectamente, afectado a saúde mental da população e levado ao aumento de procura dos serviços relevantes.

“Medo, luto, isolamento, perda de rendimento poderão ter desencadeado novos problemas de saúde mental ou agravado os preexistentes, assim como a própria covid-19 poderá aumentar o risco de morbilidade psicológica e neurológica, a curto e médio prazo”, adianta.

O documento, que é apresentado esta segunda-feira numa sessão na Assembleia da República, analisa o impacto da pandemia nos principais indicadores sociodemográficos, na saúde mental da população e na prestação de cuidados de saúde.

Criado em 2016, o CNS é um órgão independente de consulta do Governo, que visa garantir a participação dos cidadãos na definição das políticas de saúde e promover uma cultura de transparência e de prestação de contas perante a sociedade.

Direitos e liberdades desafiados por uma “omnipresente saúde pública”

Os direitos e liberdades individuais foram “desafiados por uma omnipresente saúde pública” na pandemia, uma crise sanitária que obrigou os cidadãos a “lidar com a visibilidade pública da morte e da doença”, considera ainda o Conselho Nacional da Saúde.

“Os direitos e liberdades individuais foram desafiadas por uma omnipresente saúde pública a quem se pediu o compromisso prescritivo de atitudes que evitassem, afinal, a morte”, refere o relatório.

Segundo o documento do CNS, um “desafio inequívoco da pandemia” foi obrigar os cidadãos a “lidar com a visibilidade pública da morte e da doença”, mas também com o sofrimento, o medo, a impossibilidade de se movimentarem livremente e a necessidade de trabalhar por obrigação atrás de ecrãs.

“A crise sanitária transformou-se num facto social global e transferiu para a saúde pública – nas suas múltiplas declinações – uma liderança política até então inesperada e para a qual estava pouco preparada”, salienta ainda o órgão independente de consulta do Governo.

O relatório, que pretende ser uma reflexão sobre a forma como a pandemia e as medidas tomadas de resposta afectaram a população a vários níveis, salienta que a recuperação económica em 2021 foi prejudicada pelo crescimento epidémico no primeiro trimestre do ano, mas depois acelerou, sendo que Portugal será um dos países que não conseguiu recuperar nesse ano o nível de actividade pré-covid.

“Em 2020 Portugal interrompeu a trajectória de convergência que a economia nacional prosseguia há quatro anos consecutivos. A perda do PIB português face ao previsto foi de 36 mil milhões de euros em dois anos”, adianta o documento.

O órgão presidido por Henrique Barros considera também que a pandemia representou a “disrupção violenta e repentina” da organização do quotidiano, na forma de conviver e de comunicar, “duas actividades essenciais ao ser-se pessoa”.

“A rápida designação de confinamento, numa acepção nova, invadiu a vida lexical e social, e, associada à imposição da distância física e do uso de máscara facial, perturbou e muito o que como equilíbrio emocional as sociedades humanas tinham construído”, reconheceu o CNS.

De acordo com o documento, a covid-19 foi ainda responsável por novas formas de “conciliar a tomada de decisão política com a inspiração útil do melhor conhecimento científico”, fazendo sobressair um “lugar inesperado para a saúde pública”.

A pandemia exigiu uma “enorme capacidade de adaptação, dedicação e esforço” dos profissionais de saúde, obrigou ao estreitar da articulação dos serviços de saúde com as instituições do sector social e as autarquias e acelerou a informatização e desburocratização de vários processos, como a emissão de declarações de isolamento profiláctico, sublinha o relatório.

Robustecer o SNS, reformar a saúde pública e proteger os vulneráveis

O CNS defende também que o Serviço Nacional de Saúde tem de ser repensado, que a saúde pública seja reformada e a protecção das pessoas vulneráveis reforçada.

“Repensar e robustecer o Serviço Nacional de Saúde (SNS) em recursos humanos (sobretudo médicos e enfermeiros), organizacionais e financeiros, com vista a assegurar a recuperação dos cuidados e a garantir a resposta a emergências de saúde pública, minimizando o seu impacto na prestação de cuidados assistenciais e actividades preventivas” é uma das recomendações que consta do relatório.

Este órgão independente e de consulta do Governo aconselha ainda que seja iniciada uma “profunda reforma” dos serviços de saúde pública, revendo matérias como a autonomia, os encargos e os recursos, nos seus vários níveis - central, regional e local.

De acordo com o conselho presidido por Henrique Barros, esta reforma deve assegurar a interdisciplinaridade das equipas, garantindo os recursos especializados essenciais para as funções da saúde pública, e dedicando uma “atenção especial” às crises sanitárias e, em particular, às emergências infecciosas.

Nas suas recomendações, que resultam dos “desafios vividos” durante a pandemia e que pretendem contribuir para uma recuperação e reforço da resposta para uma melhor da saúde da população, o CNS preconiza ainda uma análise “transparente, exaustiva e sistemática” ao efeito da covid-19 no sistema de saúde, considerando o desempenho institucional e os resultados das políticas e acções implementadas.

“Desta análise, espera-se um contributo determinante para um plano que garanta a normalidade dos cuidados e a sustentabilidade do SNS e do restante sistema de saúde perante futuras emergências de saúde pública”, advoga o organismo.

A avaliação do CNS constatou ainda a necessidade de reforçar as políticas sociais com impacto directo e indirecto na saúde e no bem-estar das famílias mais desfavorecidas, preconizando a urgente implementação de medidas específicas de recuperação da aprendizagem e promoção do bem-estar das crianças, com especial atenção aos alunos mais afectados pela pandemia e com maiores dificuldades escolares.

Mortalidade dos idosos leva a rejuvenescimento da estrutura etária do país

A mortalidade por covid-19 nos idosos levou a um rejuvenescimento da estrutura etária em Portugal, onde se registou um excesso de 12 mil mortes em 2020, avança o relatório do CNS.

“O facto de os indivíduos mais velhos terem sido os mais atingidos pela mortalidade por covid-19 tem um impacto nas tendências de envelhecimento da população. No curto prazo, regista-se um certo rejuvenescimento da estrutura etária - não por aumento da natalidade, mas por decréscimo da sua população mais velha - e uma diminuição do índice de longevidade”, lê-se ainda no documento.

Segundo o documento deste órgão independente, em 2020, primeiro ano da pandemia, registou-se um excesso de cerca de 12 mil óbitos, comparando com o número médio de mortes observadas entre 2016 e 2019.

“Este excesso de mortalidade iniciou-se logo no mês de Março de 2020, continuando ao longo dos restantes nove meses desse ano, e nos meses de Janeiro, Fevereiro e de Julho a Dezembro de 2021, ainda que com menor expressão”, adianta o documento do CNS.

Em 2020, as regiões com maior excesso de mortalidade, comparando com a média de 2016-2019, foram o Norte, com 154 óbitos por 100 mil habitantes, o Alentejo (144 mortes) e a Área Metropolitana de Lisboa (106 mortes).

“Se o excesso de mortalidade observado em Março e Abril e de Outubro em diante coincidiram com os picos de incidência da infecção (primeira, segunda e início da terceira vaga), o excesso de mortalidade sentido no final de Maio e entre Julho e Agosto de 2020 não coincidiu com incidências elevadas no país”, revela o documento.

A taxa de mortalidade em Portugal subiu de 10,9 por mil em 2019 para 12 em 2020 e cerca de 19 mil pessoas perderam a vida com covid-19 até ao final de 2021.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 11 de Julho de 2022.

Covid-19: Período mínimo de isolamento passa de sete para cinco dias

Covid-19: Período mínimo de isolamento passa de sete para cinco dias - 

O isolamento das pessoas sem sintomas ou com infecção ligeira pelo coronavírus SARS-CoV-2 foi reduzido de sete para cinco dias, anunciou esta sexta-feira a Direcção-Geral da Saúde, que reforçou a necessidade do uso de máscara após esse período.

 A redução do período de isolamento consta da actualização da norma da DGS sobre a abordagem das pessoas com suspeita ou confirmação de covid-19 e tinha sido anunciada pela ministra da Presidência em 30 de Junho.

“A DGS comunicou à ministra da Saúde a intenção de passar o período de isolamento de sete para cinco dias”, disse na ocasião Mariana Vieira da Silva.

De acordo com a autoridade de saúde, esta actualização da norma representa uma evolução no “sentido de um modelo de resposta mais focado na prevenção e tratamento da doença grave e na responsabilização do cidadão para o cumprimento das medidas de prevenção da covid-19, tendo em conta a elevada cobertura vacinal da população e a estabilização da situação epidemiológica” no país.

Com base nesta estratégia, o tempo mínimo de isolamento é reduzido de sete para cinco dias no caso de pessoas com infecção assintomática ou doença ligeira, desde que a pessoa, quando doente, já não tenha febre e esteja melhor dos seus sintomas.

“Ainda que a infecciosidade diminua após o quinto dia, o vírus ainda pode ser transmitido, pelo que é fortemente recomendado o uso de máscara em todas as ocasiões durante mais cinco dias após o isolamento”, alerta ainda a DGS.

Já para as pessoas internadas ou residentes em lares de idosos assintomáticas ou com doença ligeira, o tempo mínimo de isolamento é de sete dias, atendendo à “maior vulnerabilidade nestes contextos”, refere o comunicado, que avança que, nas situações de imunossupressão grave, o fim do isolamento deve agora ser decidido caso a caso pelo médico assistente.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 8 de Julho de 2022