Dia Mundial da Alergia: cerca de um terço da população portuguesa sofre de doenças alérgicas

Dia Mundial da Alergia: cerca de um terço da população portuguesa sofre de doenças alérgicas - 

Nas últimas décadas, tem-se registado um aumento da incidência e prevalência deste tipo de patologias. Saiba quais são e se há forma de se proteger.

Alertar sobre a importância do tratamento e prevenção das alergias é o objectivo do Dia Mundial da Alergia, assinalado a 8 de Julho, por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Mundial da Alergia (WAO). De acordo com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, estima-se que as alergias afectem cerca de um terço da população em Portugal.

O que é e quando surge a alergia

A alergia é uma resposta do sistema imunitário a um estímulo exterior. Uma reacção de hipersensibilidade a algo que normalmente é tolerado pela generalidade da população. Em todas as faixas etárias podem surgir doenças alérgicas, sendo em muitos casos crónicas e com impacto em vários órgãos.

As patologias alérgicas têm, nas últimas décadas, registado um aumento da incidência e prevalência, o que poderá ser resultado de mudanças ambientais e de estilo de vida.

Principais tipos de patologias alérgicas

  • A anafilaxia é a forma mais grave de doença alérgica, trata-se de uma reacção de hipersensibilidade sistémica grave e potencialmente fatal.
  • A alergia medicamentosa é uma reacção adversa a fármacos, sendo os anti‑inflamatórios não esteróides e os antibióticos aqueles que registam mais casos de alergias. Estima-se que cerca de 7% da população em geral já tenha tido uma reacção de hipersensibilidade a pelo menos um fármaco. Nos tratamentos oncológicos, verifica-se um aumento da incidência de reacções à quimioterapia e às terapêuticas biológicas.
  • A alergia alimentar é uma reacção a determinado alimento. Os mais frequentes são: leite, ovos, marisco, peixe, amendoim e outros frutos secos, cereais e soja. Os sintomas alérgicos podem ser cutâneos, respiratórios, gastrointestinais ou cardiovasculares, podem ser de gravidade ligeira, mas é possível que evoluam para situações graves de anafilaxia. Os casos de alergia alimentar também têm vindo a aumentar em todos os grupos etários.
  • Entre as vários tipos de patologias alérgicas, a rinite é a mais frequente e afecta cerca de 30% portugueses, sendo que destes 40% sofrem também de asma. A rinite alérgica surge em resposta a alergénios ambientais que podem ser ácaros, pólenes, etc.
  • A alergia aos ácaros manifesta-se geralmente em sintomas respiratórios e está relacionada com uma predisposição genética e com o tempo de exposição a ambientes com elevada percentagem de ácaros, que são animais que não são visíveis a olho nu - os ácaros domésticos medem entre 0.2 a 0.5 milímetros. Encontram-se de uma forma quase constante nas nossas casas, mas é nos locais onde existe maior concentração de pó e detritos humanos que os ácaros podem estar em maior número, como por exemplo: colchões, almofadas, cobertores, alcatifas, sofás e tapetes.
  • A alergia a insectos é uma reacção imunológica, ou seja, uma reacção exagerada do sistema imunitário à picada de um insecto. Os himenópteros - abelha, vespa e formiga - são os insectos que originam mais casos de alergia. O veneno de himenópteros pode causar reacções muito graves. As picadas de outros insectos como mosquitos, melgas, moscas, pulgas ou percevejos, também podem provocar uma reacções de hipersensibilidade não imunológica e, por isso, mais ligeira.
  • A alergia ao pólen pode causar rinite, conjuntivite e em cerca de 40% dos afectados asma. Os pólenes de ervas, árvores e arbustos são muitas vezes indutores de sintomas alérgicos. A concentração de pólen na atmosfera depende do ciclo de polinização específico para cada espécie e das condições geográficas e atmosféricas em cada ano. Em Portugal, verificam-se maiores concentrações nos meses de Fevereiro a Outubro, registando-se os valores mais elevados de Abril a Julho.

Saiba como pode proteger-se das alergias associadas ao pólen

Tendo em conta o elevado número de situações alérgicas originadas pelo pólen, mais predominante na Primavera, mas que também verifica em outras épocas do ano, as autoridades de saúde recomendam os seguintes cuidados:

  1. Evite sair  em dias ventosos durante os períodos do ano com pólen mais elevado;
  2. Mantenha-se afastado de grandes espaços relvados;
  3. Evite arejar a casa durante o dia;
  4. Utilize óculos escuros na rua;
  5. Use máscara;
  6. Opte por ter os vidros do carro fechados;
  7. Não guarde a roupa usada do dia no seu quarto;
  8. Utilize capacete integral quando circula de mota ou de bicicleta;
  9. Evite trabalhos de jardinagem;
  10. Limite os contacto com os animais de estimação que passam muito tempo ao ar livre;

Também no caso dos ácaros, dos insectos, dos alimentos ou de outros agentes que sabemos serem causa de alergias, a recomendação é para evitar o contacto se for conhecida uma reacção de hipersensibilidade. Deste modo, impedimos a resposta do sistema imunitário a um estímulo exterior que é adverso ao organismo.

A dificuldade está naturalmente no facto de muitas vezes não se conhecer a origem dessa hipersensibilidade, nem se conseguir evitar o contacto. Assim, o diagnóstico e tratamento são fundamentais para aumentar a qualidade de vida do doente, seja qual for o tipo de patologia alérgica.

A evolução das técnicas terapêuticas tem também permitido um tratamento mais eficaz.

 

Fonte: Site da "sicnotícias.pt" e autor em 8 de Julho de 2022.

Medicamentos genéricos pouparam mais de 225 M€ este ano ao Estado e famílias

Medicamentos genéricos pouparam mais de 225 M€ este ano ao Estado e famílias - 

No dia em que se assinalam os 30 anos do início da comercialização dos genéricos, Maria do Carmo Neves, a presidente da APOGEN, disse assume que estes medicamentos foram "uma ferramenta importantíssima, porque permitiu que mais utentes fossem tratados a custos comportáveis".

Os medicamentos genéricos dispensados nas farmácias geraram uma poupança de mais de 225 milhões de euros para o Estado e para as famílias nos primeiros seis meses do ano, mais 36 milhões comparando com igual período de 2021.

Os dados foram divulgados à agência Lusa pela Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN) no dia em que se assinalam os 30 anos do início da comercialização destes medicamentos em Portugal.

Fazendo um balanço dos genéricos em Portugal, a presidente da APOGEN, Maria do Carmo Neves, disse que foram "uma ferramenta importantíssima, porque permitiu que mais utentes fossem tratados a custos comportáveis" e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) poupasse.

A título de exemplo, disse que, desde 2011 até hoje, os genéricos permitiram poupar mais de 5 mil milhões de euros, o que equivale a dois anos de custos da despesa total do SNS com medicamentos em ambulatório e em meio hospitalar.

O investimento nestas soluções permite alocar mais recursos ao SNS, investir na inovação, criar mais postos de trabalho e contribuir para a economia portuguesa através das exportações e de um maior equilíbrio da balança comercial do medicamento.

"Não tenho qualquer dúvida que a inovação nos tem prolongado a vida, e uma vida com mais qualidade, mas o que tem mantido a sustentabilidade são os medicamentos genéricos e os medicamentos biossimilares", salientou.

Mas, apesar dos avanços, o país ainda está longe da média europeia em termos da quota dos genéricos (quase 70%). Desde há alguns anos que Portugal estagnou nos 48,8%.

Maria do Carmo Neves defendeu que é preciso que nos próximos anos, seis em cada 10 utentes beneficiem destes medicamentos.

"Qualquer mudança é difícil de implementar e demora muito tempo a atingir-se os objectivos, muito mais quando estamos aqui a tratar pessoas com médicos que têm experiência com um determinado produto e que a mudança lhe dá a percepção que pode não ter os mesmos resultados. Mas não passa de percepção", afirmou, aludindo à estagnação do mercado de genéricos.

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF) apontou, por sua vez, como razões para esta estagnação o sistema de preços estar "tão achatado" que o mercado português deixa de ser apelativo para mais genéricos, e por não se manter a pressão sobre a informação.

"É preciso continuar a explicar aos profissionais de saúde e aos doentes a importância dos medicamentos genéricos, a qualidade e a eficácia que têm, que são iguais à do original, que aumentam a sustentabilidade e paga menos o doente e paga menos o sistema", salientou Hélder Mota Filipe.

O bastonário lamentou que passados 30 anos ainda se alimente dúvidas sobre os genéricos, sublinhando que, quando um profissional (médico, farmacêutico, enfermeiro) diz que só confia no medicamento original, o que está a dizer é que não confia nas autoridades do medicamento.

"Há muitos profissionais que são irresponsáveis quando dizem isto, porque se têm dúvidas genuínas, a primeira coisa que têm que fazer é reportar ao sistema de farmacovigilância que tem uma dúvida, porque o medicamento não está a atingir o objectivo que era proposto ou porque o doente não respondeu da forma adequada", defendeu.

"Portanto, dizer estas coisas sem ser consequente é uma irresponsabilidade e é uma má prática do ponto de vista dos profissionais", rematou Hélder Mota Filipe.

Para o ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar Rui Nogueira, o acolhimento por parte dos médicos dos genéricos foi boa, porque "contribuiria para o uso mais racional dos recursos com medicação que são grandes".

"Depois houve aquela fase de necessidade esclarecimento dos doentes e também nosso de dúvida que tínhamos, mas que rapidamente ficou tudo resolvido para nós e penso que para os doentes também", afirmou Rui Nogueira.

Apesar de já não ser frequentes, alguns doentes ainda hoje preferem ter medicamentos de marca do que genéricos, contou.

Mas, realçou, se não fosse o uso destes medicamentos, o país estaria hoje "numa situação bem difícil, bem pior" em termos de gastos com medicamentos que "é enormíssimo".

Infarmed financiou 95 processos de novos genéricos até Maio, mais 64% face a 2021

Nos cinco primeiros meses deste ano foram financiados 95 processos de novos medicamentos genéricos, mais 64% face ao período homólogo do ano passado, segundo dados do Infarmed avançados hoje à agência Lusa.

Este financiamento significa a comparticipação do Estado a novos medicamentos genéricos, que apresentam melhores condições financeiras para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para os utentes.

Passadas três décadas, o Infarmed faz um balanço "bastante positivo" da sua utilização e diz que "há potencial para continuar a desenvolver este mercado".

"O segmento de mercado de medicamentos genéricos continua a ser fundamental para garantir o acesso ao medicamento e a sustentabilidade do SNS, pelo que o Infarmed continuará a apostar na implementação de medidas que promovam a sua utilização", refere num balanço feito à Lusa.

Relativamente à adopção de genéricos por parte da população, refere que, embora a quota de utilização tenha aumentado de forma constante até 2014, verifica-se uma estabilização nos últimos anos, com uma quota de 48,8%, no mercado total, em 2021 (calculada com base no número de unidades dispensadas nas farmácias).

Apesar desta estabilização, o número de unidades dispensadas apresenta um aumento ao longo dos anos, com uma média de 260 milhões de unidades dispensadas por mês nos últimos 12 meses, o equivalente a cerca de 6,2 milhões de embalagens.

Os genéricos pertencentes ao grupo terapêutico do aparelho digestivo, os medicamentos usados em afecções cutâneas e no aparelho cardiovascular foram os que apresentaram uma maior representatividade de utilização em 2021, com quotas de utilização de 74,3%, 72,9% e 61%, respectivamente.

A quota de utilização de genéricos no mercado concorrencial atingiu em 2021 o valor de 63,4%, que corresponde à percentagem de unidades dispensadas de genéricos no conjunto de unidades dispensadas de medicamentos em que as substâncias activas possuem genéricos comercializados.

O Infarmed observa também que a adopção de medicamentos biossimilares, com um contexto equivalente aos genéricos, "têm já uma grande expansão, sendo que estes medicamentos foram inicialmente nomeados biogenéricos por se tratarem exactamente de genéricos de medicamentos biológicos".

A acessibilidade ao medicamento e a sustentabilidade do SNS são prioridades definidas pelo Estado Português, razão pela qual o Infarmed, enquanto entidade responsável, tem desenvolvido várias medidas ao longo dos anos para aumentar a sua utilização.

"A introdução de medicamentos genéricos em Portugal foi muito importante, pois constituem uma alternativa mais barata ao medicamento de referência, contribuindo simultaneamente para o controlo da despesa e maior acessibilidade ao medicamento, assegurando assim melhores cuidados de saúde à população", salienta.

Analisando a evolução do mercado, a presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN), Maria do Carmo Neves, afirmou que, apesar da evolução, não tem sido "um mar de rosas".

"Já antes da pandemia, deparávamo-nos com imensos problemas e começou a haver bastantes rupturas" e, apesar de não se falar neste momento disso, "elas existem e vão continuar a aumentar" devido ao aumento dos custos.

"A inflação está-nos a trazer custos industriais que não são absorvidos, nem nunca foram absorvidos, no preço do medicamento, o que quer dizer que quem fabrica, quem desenvolve, e comercializa que já tinha margens pequenas, as margens desapareceram. Isto quer dizer que vamos ter rupturas se nada for feito em termos da tutela", alertou Maria do Carmo Neves.

Mas os problemas já existiam, porque entre 2006 e 2022 o preço de venda ao público, médio, dos medicamentos genéricos caiu 77%.

"Portanto, precisamos que no preço do medicamento sejam absorvidos os custos que nós não controlamos como é feito na alimentação", defendeu a responsável, lembrando que cerca de 70% da doenças já tem tratamento com genéricos.

Genéricos começaram a ser vendidos em Portugal há 30 anos

Quase metade dos medicamentos vendidos em Portugal são genéricos, uma opção que chegou ao país há 30 anos, mas que demorou anos a conquistar a confiança de profissionais e utentes e a ultrapassar a resistência dos laboratórios.

A 8 de Julho de 1992, o então ministro da Saúde Arlindo Carvalho assinalava, numa cerimónia simbólica, a introdução no mercado português dos primeiros genéricos, mas não foi um caminho fácil. Passados quase 10 anos, ainda não representavam 1% das vendas, que acabaram por ser impulsionadas pela 'troika'.

"A entrada não foi com muito entusiasmo, nem muito auspiciosa", disse à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), recordando que o objectivo de replicar o que já existia em outros países europeus, o uso medicamentos com a mesma composição qualitativa e quantitativa mas mais baratos, "foi muito pouco adoptado" nos primeiros anos.

"Criou-se por parte dos interesses instalados - e é normal - das companhias que estavam no mercado e dos próprios profissionais uma barreira com desconfianças, algumas delas eram sérias e verdadeiras", afirmou Hélder Mota Filipe, lembrando também um "conjunto de outros mitos que se criaram para criar barreira à utilização de medicamentos genéricos".

Os portugueses também manifestavam dúvidas quanto à sua eficácia, que se foram dissipando ao longo do tempo com várias medidas e campanhas do Infarmed sobre as vantagens da utilização dos genéricos para o utente e para o Estado.

Esta realidade é confirmada pela presidente da Associação Nacional de Farmácias, Ema Paulino, que na prática diária vai observando que "a grande maioria da população já está familiarizada com os medicamentos genéricos", manifestando confiança em relação à sua qualidade.

"Aquelas perguntas que surgiam mais inicialmente e geravam maior desconfiança, que tinham a ver com a questão da qualidade dos medicamentos genéricos, porque o preço era mais baixo já se começaram a dissipar", disse Ema Paulino, lembrando um estudo recente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN) que indica que apenas 15% da população não tem informação ou não se sente totalmente esclarecida sobre esta matéria.

O bastonário dos farmacêuticos recordou que inicialmente, Portugal não tinha genéricos, mas cópias de medicamentos originais que não tinham que ter o que hoje é obrigatório: a bioequivalência.

Hoje, os genéricos aprovados pelas autoridades do medicamento europeias têm que demonstrar um conjunto de características que garantem cientificamente que são iguais aos de marca, vincou.

Para a presidente da APOGEN não há dúvidas sobre a confiança da população nos genéricos, mas defende que é preciso que mais utentes beneficiem das suas vantagens.

À Lusa, Maria do Carmo Neves recordou as dificuldades da sua implementação em Portugal. Na primeira década, não tiveram "qualquer expressão" em termos de vendas.

"Só uma discriminação positiva em 2002, por parte do Ministério da Saúde, permitiu que as quotas que em 1999 eram de 0% e em 2000 de 0,2% passassem para 2% em 2002", sublinhou.

Desde essa data houve "um trabalho muito grande" da associação na afirmação da qualidade, segurança e eficácia dos genéricos, e do Infarmed com a realização de campanhas informativas.

"O medicamento genérico foi uma ferramenta importantíssima porque permitiu mais utentes serem tratados a custos comportáveis", além de gerarem poupanças para o Estado, salientou Maria do Carmo Neves.

Hélder Mota Filipe recordou algumas das medidas que contribuíram inicialmente para o alargamento deste mercado, como o aumento de 10% na comparticipação do Estado no preço dos genéricos e a criação do sistema de preços de referência.

Havia, contudo, um "pacote de barreiras que já era um clássico" para evitar a entrada dos genéricos como as providências cautelares.

"Cada vez que entrava ou se preparava para entrar um genérico, o titular do [medicamento] original entrava com uma providência cautelar que demorava muitos anos a ser resolvida", uma situação que só foi mitigada em 2011 com a criação dos tribunais arbitrais "muito mais céleres na decisão", recordou.

A quota de genéricos foi aumentando, mas de uma maneira "menos acelerada" do que nos países, por exemplo, do norte da Europa, que já tinham taxas muito mais altas de utilização.

Uma situação que veio a alterar-se com a entrada da 'troika' em Portugal em 2011, que modificou as condições legais da prescrição e a dispensa dos genéricos, tendo em conta que o país precisava de dinheiro e os genéricos servem para poupar dinheiro".

A partir dessa altura, os médicos passaram a prescrever obrigatoriamente pela substância activa do medicamento, o que levou "a uma aceleração" na dispensa de genéricos que atingiu uma quota de cerca de 45% em ambulatório em 2013 e que ultrapassasse os 48% em 2018, valor que se mantém até hoje.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 8 de Julho de 2022.

Politécnico da Guarda utiliza plantas da Serra da Estrela para prevenir e tratar diabetes

Politécnico da Guarda utiliza plantas da Serra da Estrela para prevenir e tratar diabetes - 

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai utilizar produtos naturais derivados de plantas do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) para desenvolver suplementos alimentares para a prevenção e tratamento da diabetes.

O estudo será desenvolvido no âmbito do projecto Pharmastar, em colaboração com o Instituto Superior Técnico (IST) e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL). Já a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) irá colaborar nos ensaios a realizar para aferir a viabilidade das novas formulações.

“A diversidade botânica do PNSE ainda está pouco estudada, mas trata-se de um ecossistema natural rico em compostos bioactivos com elevado potencial antidiabético”, afirmou Luís da Silva, investigador responsável pelo projecto no IPG, citado pela Lusa. Segundo o responsável, serão desenvolvidas “formulações de base natural para serem colocadas no mercado, utilizando princípios bioactivos de plantas endógenas da Serra da Estrela”.

“Serão utilizados como excipientes, agentes de libertação modificada obtidos de extractos e fitoquímicos da bolota do carvalho, sobreiro, azinheira e da própolis, uma substância resinosa recolhida das abelhas com propriedades antibacterianas”, adiantou. Para além do Centro de Potencial e Inovação de Recursos Naturais (CPIRN) do IPG, fazem parte do projecto Pharmastar os centros de investigação CERENA do IST e iMed da FFUL.

“O CPIRN, através da experiência adquirida pelos seus investigadores e projectos, irá aplicar a tecnologia desenvolvida na produção de biomateriais e nano-sistemas neste projecto. Os compostos bioactivos serão encapsulados nestes sistemas para uma entrega mais controlada e direccionada potenciando os seus efeitos terapêuticos”, afirmou, por sua vez, Paula Coutinho, coordenadora do CPIRN.

O IPG adiantou que o IST irá efectuar o mapeamento das plantas do PNSE, com recurso a drones e outras ferramentas. O projecto Pharmastar terá um orçamento de mais de 300 mil euros, em parte financiado pelo programa Promove da Fundação “la Caixa”, uma parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia destinada à dinamização das regiões do interior de Portugal.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 7 de Julho de 2022

Covid-19: Mais de 400 mil idosos receberam segunda dose de reforço

Covid-19: Mais de 400 mil idosos receberam segunda dose de reforço - 

Mais de 400 mil pessoas com mais de 80 anos e os residentes nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas já receberam a segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19, anunciou esta quarta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Em comunicado, divulgado pela Lusa, a DGS adiantou que, até ao final do dia 5, a administração da segunda dose de reforço, que se iniciou a 16 de Maio, já tinha chegado “a cerca de 407 mil pessoas”. Os cidadãos têm sido convocados através de mensagem SMS ou por chamada telefónica e ainda por agendamento central, estando também disponível a modalidade de ‘casa aberta’. Também estão a ser simultaneamente convocadas pessoas que ainda não fizeram a primeira dose de reforço e que se encontram elegíveis para a receber, adianta a DGS.

A população elegível para esta segunda dose deve ser vacinada com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou o diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, incluindo recuperados da infecção. Recentemente, a DGS e o Ministério da Saúde anunciaram que a próxima campanha de vacinação do Outono e Inverno prevê a co-administração das vacinas contra a gripe e covid-19 em idosos, pessoas com mais de 18 anos com doenças graves, profissionais de saúde e utentes de lares e cuidados continuados.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 7 de Julho de 2022

SNS gastou mais 260 milhões de euros em medicamentos no ano passado face a 2019

SNS gastou mais 260 milhões de euros em medicamentos no ano passado face a 2019 - 

Medicamentos para tratamento do cancro custaram quase 500 milhões de euros em 2021

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentaram as despesas em medicamentos, no ano passado, em 260 milhões de euros face a 2019. De acordo com os dados do relatório de monitorização da despesa com medicamentos em meio hospitalar de Dezembro do ano passado, publicado pelo Infarmed, que o “Jornal de Notícias” analisou, a factura final em 2021 foi de 1558,7 milhões de euros.

Os principais responsáveis pelo aumento superior a 20% desde 2019 foram os fármacos inovadores, sobretudo na área da Oncologia. Os medicamentos para tratamento do cancro custaram quase 500 milhões de euros, mais 12% do que em 2020.

Além do cancro, a atrofia muscular espinal e o grupo composto pela artrite reumatóide, psoríase e doença inflamatória do intestino foram as outras doenças cujos medicamentos representaram um grande encargo para o SNS.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 6 de Julho de 2022.

Estudo revela pela primeira vez como as bactérias evoluem no intestino numa questão de dias

Estudo revela pela primeira vez como as bactérias evoluem no intestino numa questão de dias - 

“Em última análise, os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas no microbioma relevantes para doenças relacionadas com o envelhecimento”, adiantou Instituto Gulbenkian de Ciência

Um estudo do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) determinou como as bactérias evoluem no intestino em poucos dias, uma descoberta que os investigadores acreditam que pode contribuir para tratamento de doenças relacionadas com o envelhecimento.

“Em última análise, os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas no microbioma relevantes para doenças relacionadas com o envelhecimento”, adiantou hoje o IGC.

As conclusões da investigação, que foi publicada na revista científica Current Biology, revelam a “forma subtil” como as interacções entre o sistema imunitário, a microbiota e os antibióticos podem influenciar a evolução de processos bacterianos, tanto em contextos de saúde como de doença.

Os milhões de bactérias que vivem no intestino integram a microbiota, uma relação entre o hospedeiro e esses microrganismos considerada essencial para a saúde, mas que está sujeita a vários factores como a dieta, a toma de antibióticos e até o próprio processo de envelhecimento, que a podem pôr em causa.

Perceber de que forma as bactérias se adaptam a este ambiente dinâmico no intestino, onde as condições podem mudar rapidamente, foi o objectivo do estudo dos investigadores do IGC liderados por Isabel Gordo.

Nos últimos anos, o grupo tem estudado como as bactérias evoluem em ratinhos mais velhos, que apresentam mais inflamação, um sistema imunitário menos eficiente e uma microbiota desregulada, o que constitui um factor de `stress´ para as bactérias.

Num estudo anterior revelaram que a Escherichia coli, uma bactéria habitual da microbiota dos mamíferos, adquire mutações específicas para se adaptar ao intestino inflamado destes ratinhos.

Uma destas mutações afecta um regulador importante do ferro e, dada a relevância deste metal nas interacções entre o hospedeiro e os microrganismos, os investigadores decidiram estudar como as condições a que as bactérias estão sujeitas no intestino actuam sobre esta mutação.

De acordo com o IGC, um dos resultados mais surpreendentes mostra como o número de bactérias com esta mutação varia de forma abrupta no intestino num curto espaço de tempo.

“Ficamos surpreendidos quando vimos como o efeito da selecção natural sobre a regulação do ferro nas bactérias podia mudar drasticamente numa questão de dias”, explicou Hugo Barreto, primeiro autor do novo estudo.

O passo seguinte foi perceber quais os factores que estavam a causar estas oscilações, o que levou a equipa de investigação a testar como bactérias com diferentes capacidades de regulação do ferro competiam em ratinhos com competências imunitárias e microbiotas distintas.

Os hospedeiros podem gerar uma "proteína imune que impede as bactérias de captar ferro, o que é particularmente importante para prevenir a proliferação de agentes patogénicos”, concluíram os investigadores.

Um estudo do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) determinou como as bactérias evoluem no intestino em poucos dias, uma descoberta que os investigadores acreditam que pode contribuir para tratamento de doenças relacionadas com o envelhecimento.

“Em última análise, os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas no microbioma relevantes para doenças relacionadas com o envelhecimento”, adiantou hoje o IGC.

As conclusões da investigação, que foi publicada na revista científica Current Biology, revelam a “forma subtil” como as interacções entre o sistema imunitário, a microbiota e os antibióticos podem influenciar a evolução de processos bacterianos, tanto em contextos de saúde como de doença.

Os milhões de bactérias que vivem no intestino integram a microbiota, uma relação entre o hospedeiro e esses microrganismos considerada essencial para a saúde, mas que está sujeita a vários factores como a dieta, a toma de antibióticos e até o próprio processo de envelhecimento, que a podem pôr em causa.

Perceber de que forma as bactérias se adaptam a este ambiente dinâmico no intestino, onde as condições podem mudar rapidamente, foi o objectivo do estudo dos investigadores do IGC liderados por Isabel Gordo.

Nos últimos anos, o grupo tem estudado como as bactérias evoluem em ratinhos mais velhos, que apresentam mais inflamação, um sistema imunitário menos eficiente e uma microbiota desregulada, o que constitui um fator de `stress´ para as bactérias.

Num estudo anterior revelaram que a Escherichia coli, uma bactéria habitual da microbiota dos mamíferos, adquire mutações específicas para se adaptar ao intestino inflamado destes ratinhos.

Uma destas mutações afecta um regulador importante do ferro e, dada a relevância deste metal nas interacções entre o hospedeiro e os microrganismos, os investigadores decidiram estudar como as condições a que as bactérias estão sujeitas no intestino actuam sobre esta mutação.

De acordo com o IGC, um dos resultados mais surpreendentes mostra como o número de bactérias com esta mutação varia de forma abrupta no intestino num curto espaço de tempo.

“Ficamos surpreendidos quando vimos como o efeito da selecção natural sobre a regulação do ferro nas bactérias podia mudar drasticamente numa questão de dias”, explicou Hugo Barreto, primeiro autor do novo estudo.

O passo seguinte foi perceber quais os factores que estavam a causar estas oscilações, o que levou a equipa de investigação a testar como bactérias com diferentes capacidades de regulação do ferro competiam em ratinhos com competências imunitárias e microbiotas distintas.

Os hospedeiros podem gerar uma "proteína imune que impede as bactérias de captar ferro, o que é particularmente importante para prevenir a proliferação de agentes patogénicos”, concluíram os investigadores.

Além disso, mostrou-se que a inflamação associada ao envelhecimento e os antibióticos podem influenciar os níveis desta proteína.

Na prática, os investigadores descobriram que a evolução destas bactérias no intestino é influenciada pelo sistema imunitário e pela microbiota do hospedeiro, assim como pelo tratamento com antibióticos.

“Juntar as peças do puzzle foi um desafio complicado, mas extremamente gratificante”, afirmou Hugo Barreto.

Isabel Gordo, investigadora principal do grupo que conduziu o estudo, salientou que os resultados permitem compreender como a evolução das bactérias pode afectar o metabolismo do ferro em ecossistemas complexos, como o intestino humano, o que é de “extrema relevância dada a importância do ferro nas interacções hospedeiro-microrganismo, particularmente quando a sua disponibilidade é limitada, como é o caso das doenças inflamatórias e da anemia”.

De acordo com o IGC, compreender os factores que moldam a evolução da regulação do ferro nas bactérias poderá contribuir para o desenvolvimento de terapias baseadas no microbioma, incluindo o uso de probióticos, por exemplo, para controlar as bactérias que proliferam nestas condições.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 6 de Julho de 2022.