Novo método de desinfecção pode reduzir infecções hospitalares

Novo método de desinfecção pode reduzir infecções hospitalares - 

Saiba o que revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) mostra que a nebulização de espaços hospitalares com peróxido de hidrogénio contribui na prevenção de infecções por bactérias, vírus e fungos, disse hoje o investigador Acácio Rodrigues.

Em declarações à agência Lusa, o professor da FMUP e investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) descreveu uma "estratégia alternativa" para desinfecção nas unidades de saúde de forma a aumentar o controlo das infecções e a segurança dos doentes, bem como reduzir custos.

Em causa está o recurso a uma nebulização com peróxido de hidrogénio (H2O2), mais conhecido como água oxigenada, durante 15 minutos, em comparação com um ciclo 'standard' de uma hora na desinfecção de superfícies hospitalares infectadas.

"A vulgar água oxigenada - não a que temos em casa, mas uma específica e produzida por um fabricante - associada a um equipamento que a faz vaporizar, cria uma névoa seca de peróxido de hidrogénio que se difunde por todo o espaço. A eficácia da nebulização sobre biofilmes produzidos pelos microrganismos infecciosos mais frequentes no contexto dos cuidados de saúde está provada", descreveu Acácio Rodrigues.

Biofilmes são uma espécie de "película" através da qual os agentes infecciosos aderem, crescem e podem persistir nas superfícies mesmo após estas serem limpas, tornando-se resistentes aos antibióticos, mas também aos próprios detergentes, sobrevivendo aos protocolos de limpeza habituais.

Recordando um estudo que indica que há 60% de probabilidade de um microrganismo reinfectar um doente que é admitido num quarto onde esteve um doente infectado, mesmo depois do espaço ter sido higienizado e considerado pronto para receber o novo utente, o professor da FMUP frisou que a estratégia agora estudada "tem um grau de eficácia muito elevado".

"De zero a 100 pode atingir 95. O doente tem alta e se for aplicada esta desinfecção num ciclo curto, a tal probabilidade dos 60% do doente ser infectado baixa muito. O quarto não fica esterilizado, mas fica desinfectado num grau muito elevado", sublinhou.

Salvaguardando que as estratégias de prevenção face às chamadas infecções hospitalares têm "eficácia relativa" e "não existe uma estratégia única", o investigador referiu que o estudo demonstra que "um ciclo de 15 minutos [de nebulização] tem a eficácia de uma hora, mas até ciclos mais curtos são eficazes".

Blocos operatórios, salas de tratamentos, espaços onde são admitidos doentes críticos, como quartos de isolamento em unidades de queimados e unidades de cuidados intensivos, são alguns dos locais sugeridos pela equipa de investigadores da FMUP para implementar a técnica. Esta estratégia não é compatível com a presença de doentes ou de prestadores de cuidados de saúde no espaço a desinfectar.

À Lusa, Acácio Rodrigues defendeu que "a introdução de ciclos curtos não impacta no número de cirurgias ou tratamentos que são efectuados, porque, por outro lado, até pode significar redução de gastos de tempo e recursos na limpeza manual".

Num período em que se multiplicam as dificuldades na área da saúde, o investigador recordou que "as pessoas estão esgotadas, as unidades estão cheias" e "não há só falta de médicos e enfermeiros, também há falta de assistentes".

"Não é novidade nenhuma que um dos problemas mais graves que aflige a prestação de cuidados de saúde são as chamadas infecções associadas a cuidados de saúde. Pior em alguns países, melhor em outros (...). Somos um país que está geralmente no extremo pior daquilo que é a incidência de infecções associadas a cuidados de saúde e investimos muito na prevenção, e este pode ser um contributo importante", concluiu.

Publicado no Journal of Hospital Infection, um jornal médico da Healthcare Infection Society, uma rede de especialistas que trabalham na prevenção e controle de infecções, o estudo da FMUP incidiu sobre diferentes tipos de superfícies existentes nos hospitais, designadamente fórmica, aço inoxidável, linóleo, couro/napa e PVC, infectadas com microrganismos como 'staphylococcus aureus', 'candida albicans', 'klebsiella pneumoniae' ou 'acinetobacter baumannii'.

O estudo foi financiado pelo FEDER e cofinanciado pelo COMPETE 2020, Portugal 2020 e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), tendo como autores Luís Cobrado, Patrícia Ramalho, Elisabete Ricardo, Ângela Rita Fernandes, Maria Manuel Azevedo e Acácio Gonçalves Rodrigues.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 15 de Junho de 2022

Covid-19. Mais de 300 mil idosos receberam segunda dose de reforço em Portugal

Covid-19. Mais de 300 mil idosos receberam segunda dose de reforço em Portugal - 

Mais de 300 mil pessoas acima dos 80 anos e os residentes dos lares de idosos elegíveis já receberam a segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19, anunciou hoje a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

“Até ao final de segunda-feira, 13 de Junho, já tinham sido vacinadas cerca de 303 mil pessoas, tendo sido já visitadas todas as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) elegíveis”, adiantou em comunicado a DGS, citada pela Lusa. Esta fase da imunização contra o SARS-CoV-2, que se integra na estratégia de reforço da protecção da população mais vulnerável, está a decorrer nos centros de vacinação ou nos centros de saúde.

De acordo com a DGS, a população elegível para esta segunda dose deve ser vacinada com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção. A próxima campanha de vacinação do Outono e Inverno prevê a co-administração das vacinas contra a gripe e covid-19 em idosos, pessoas com mais de 18 anos com doenças graves, profissionais de saúde e utentes de lares e cuidados continuados.

Entre Setembro e Dezembro, serão vacinados os residentes em lares e na rede de cuidados continuados integrados, as pessoas com mais de 65 anos, os maiores de 18 anos que tenham doenças crónicas como insuficiência cardíaca, doença pulmonar grave, doença neuromuscular grave e insuficiência renal e os profissionais de saúde e dos lares de idosos.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 15 de Junho de 2022

Nova versão da vacina protege contra variantes, garante Sanofi

Nova versão da vacina protege contra variantes, garante Sanofi - 

Os ensaios clínicos mostraram um aumento significativo de anticorpos contra o coronavírus entre voluntários anteriormente vacinados com os imunizantes da Pfizer ou da Moderna.

A Sanofi revelou esta segunda-feira, 13 de Junho, que a versão actualizada da vacina da Covid-19 que tem como alvo tanto o SARS-CoV-2 'original' como as variantes produz uma resposta imunitária mais eficaz contra as principais estirpes da Covid-19, incluindo as sublinhagens da Ómicron BA.1 e BA.2, quando aplicada como dose de reforço.

A empresa francesa e a parceira GlaxoSmithKline trabalham numa imunizante moldada a partir da variante Beta. "A variante Beta expressa mutações semelhantes a outras variantes de preocupação, incluindo a Ómicron, tornando-a uma forte candidata à vacina para conferir ampla protecção contra várias estirpes de Covid-19", disse  Thomas Triomphe, chefe da unidade de vacinas da Sanofi, em comunicado.

A Sanofi garante que o imunizante aumentou significativamente os níveis de anticorpos contra as variantes de preocupação quando usado como reforço em voluntários anteriormente inoculados com as vacinas da Pfizer e Moderna.

Os resultados de estudos da Sanofi e GSK sobre a eficácia da primeira versão da vacina das empresas está, actualmente, em processo de revisão pela Agência Europeia de Medicamentos.

O que fazer se apresentar sintomas de Covid-19:

Mantenha a calma e evite deslocar-se aos hospitais. Fique em casa e ligue para o SNS 24 (808 24 24 24). Escolha a opção 1 (para outros sintomas deve escolher a opção 2) ou 112 se for emergência médica. Siga todas as orientações dadas e evite estar próximo de pessoas, mantendo uma distância de, pelo menos, dois metros.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 14 de Junho de 2022

Farmácias portuguesas apoiam refugiados ucranianos no acesso a medicamentos similares

Farmácias portuguesas apoiam refugiados ucranianos no acesso a medicamentos similares - 

As farmácias e farmacêuticos nacionais vão facilitar a jornada de cidadãos ucranianos refugiados em Portugal nos cuidados de saúde através da identificação e acesso facilitado a medicamentos disponíveis no mercado nacional que são similares aos acessíveis na Ucrânia.

Num comunicado conjunto enviado às redacções, a Ordem dos Farmacêuticos e a Associação Nacional de Farmácias explicam que o Centro de Informação do Medicamento e Intervenções em Saúde ANF preparou um documento que suporta a intervenção farmacêutica junto destes cidadãos, disponibilizando procedimentos de apoio e ferramentas específicas de identificação de medicamentos similares nos dois países.

Tratando-se de medicamentos sujeitos a receita médica, o farmacêutico identifica a substância activa e a sua correspondência em Portugal, encaminhando o paciente ao serviço de saúde mais próximo, para poder aceder à avaliação médica e posterior prescrição. Estas informações serão encaminhadas, em ucraniano, particularmente para pessoas que vivem com doença crónica, caso assim o desejem.

Ema Paulino, presidente da ANF, garante que “é fundamental que os refugiados com doenças crónicas não suspendam a sua medicação e saibam que podem contar com este apoio dos farmacêuticos”. Para Hélder Mota Filipe, bastonário da OF, “o sector farmacêutico nacional tem acompanhado atentamente a evolução da crise humanitária na Ucrânia. Tem enviado várias toneladas de medicamentos e produtos de saúde para a Ucrânia e procurado soluções para apoiar a integração dos cidadãos refugiados em território nacional”.

A OF constituiu também uma bolsa de farmacêuticos ucranianos a residir em Portugal, disponíveis para apoiar os colegas e restantes cidadãos refugiados no acesso à sua medicação.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 9 de Junho de 2022

Hospital Santa Maria abrirá centro de ensaios clínicos em oncologia

Hospital Santa Maria abrirá centro de ensaios clínicos em oncologia - 

Um centro de ensaios clínicos de fase 1 em oncologia, que permitirá incluir 150 doentes por ano, entrará em funcionamento este ano no Hospital Santa Maria, anunciou hoje à Lusa o director da Oncologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

Luís Costa contou que o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) foi identificado como parceiro do START, "um grande consórcio internacional de estudos clínicos fase 1", para abrir uma unidade em Portugal, nomeadamente em Lisboa.

O oncologista destacou a importância destes centros de investigação porque permitem "dar uma oportunidade" aos doentes que já não têm alternativas terapêuticas de poderem beneficiar de um tratamento na fase inicial.

"São doentes com cancro que, em princípio, já terão ultrapassado as linhas terapêuticas adequadas ('standard'), mas estão ainda em boas condições para poderem receber um tratamento que pode vir a significar uma nova opção terapêutica para os doentes com cancro", explicou.

Os ensaios clínicos de fase 1 são responsáveis por identificar a segurança, a posologia e os sinais de eficácia numa fase muito precoce da experimentação humana. Se não forem bem conduzidos podem excluir para o futuro alternativas terapêuticas que seriam muito válidas para o progresso na cura do cancro, sendo por isso a selecção de centros para investigação "extremamente criteriosa por parte dos detentores dos potenciais novos medicamentos".

Nesses estudos fase 1, disse Luís Costa, "é preciso muito cuidado", uma vez que os doentes estão expostos pela primeira vez ao medicamento.

"Temos que monitorizar muito bem tudo quanto é a parte clínica e a segurança dos doentes, mas também é muito importante para nós entendermos qual é o potencial terapêutico desses medicamentos", afirmou, salientando que uma "lista de 20 ou 30 medicamentos" aprovados para o tratamento do cancro foram testados pela primeira vez em humanos nos centros de investigação START.

Para Luís Costa, estes ensaios significam também "um ganho muito grande do ponto de vista de aproximação da ciência para o doente".

"Esta é a fase em que nós avaliamos com todo o detalhe como é que um princípio científico de luta contra o cancro é ou não é realizável em termos de ganhos clínicos para o doente", declarou.

Nesse sentido, salientou, vai haver "um ganho muito grande do ponto de vista científico" para o Centro Académico de Medicina de Lisboa, porque tem um hospital, o Instituto de Medicina Molecular e uma faculdade.

"Como nós queremos trabalhar também em parceria com outras instituições, que farão parte do Centro Académico de Medicina de Lisboa, outros hospitais, obviamente que estamos disponíveis para receber doentes de outros hospitais que tenham condições para participar nestes estudos de fase 1", avançou o especialista.

O centro de ensaios estará operacional até final do ano e prevê-se que, em fase de pleno funcionamento, possa incluir entre 150 a 200 doentes com diferentes tipos de cancro, disse, salientando que os gastos com exames, medicamentos, análises são assegurado pelo projecto, significando um ganho para o hospital.

Numa primeira fase, estará localizado em espaço próprio no piso 9 do Hospital de Santa Maria, estando acordado a construção de um novo espaço, próximo dos serviços de Oncologia e do Serviço de Radioterapia, que acolherá as instalações definitivas do START-Lisboa.

O START é um consórcio internacional que tem centros em Santo António do Texas, em Michigan, em Madrid, em Xangai e em Taipé, sendo o maior centro associado para ensaios de fase 1 a nível mundial.

Desde 2020, que o conselho de administração do do CHLN e a Direcção do START desenvolveram esforços para a concretização do projecto, que culmina hoje com a assinatura de um contracto de colaboração entre as duas instituições.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 9 de Junho de 2022

Tribunal de Contas assinala degradação do acesso a cirurgia oncológica entre 2017 e 2020

Tribunal de Contas assinala degradação do acesso a cirurgia oncológica entre 2017 e 2020 - 

No acesso a rastreios oncológicos para os cancros da mama, do colo do útero e do cólon e reto, “não foram atingidos os objectivos de cobertura geográfica e populacional” previstos para 2020

O acesso à cirurgia oncológica degradou-se entre 2017 e 2020, com cada vez mais intervenções a ultrapassarem os tempos máximos de resposta garantidos, concluiu o Tribunal de Contas (TdC) numa auditoria hoje divulgada.

Os auditores constataram que, naquele período, o crescimento da actividade cirúrgica no Serviço Nacional de Saúde (4,8%) “não foi suficiente” para fazer face ao acréscimo da procura (6%), assinalando também “assimetrias geográficas significativas”.

No acesso a rastreios oncológicos para os cancros da mama, do colo do útero e do cólon e reto, “não foram atingidos os objectivos de cobertura geográfica e populacional” previstos para 2020.

Na área da cirurgia oncológica, a pandemia de covid-19 teve como principal impacto a diminuição de necessidades cirúrgicas.

Segundo o TdC, as novas inscrições de utentes para a realização de cirurgia diminuíram 4,3% em 2020, face ao ano anterior, o que se sentiu particularmente em Abril (41,2%) e em Maio (35%).

“Também os rastreios oncológicos foram fortemente afectados pela pandemia em 2020”, lê-se no documento, em que se recorda a suspensão dos rastreios especialmente em Março, Abril e Maio.

“As taxas de adesão dos utentes mantiveram-se estabilizadas, face a anos anteriores, pelo que a diminuição da actividade resultou da menor oferta do SNS”, de acordo com o TdC: “O número de utentes convidados a realizar rastreio em 2020, face a 2019, foi inferior em 46% no cancro da mama, em 54% no cancro do colo do útero e em 38% no cancro do cólon e reto”.

O Tribunal recomendou, entre outros procedimentos, a adopção de um plano para quantificar e calendarizar a recuperação da actividade não realizada.

Durante a Auditoria de Acesso a Cuidados de Saúde Oncológicos no SNS 2017 - 2020 foram identificadas falhas relacionadas com “o não desenvolvimento ou a não substituição atempada” dos sistemas de informação de suporte.

“Assim, permanecem por apurar e monitorizar vários indicadores relativos ao acesso a cuidados oncológicos, nomeadamente os tempos e listas de espera nas primeiras consultas hospitalares na doença oncológica, bem como noutros cuidados de saúde essenciais neste contexto, como exames de diagnóstico e terapêutica específicos. No acesso à cirurgia oncológica, verificou-se uma tendência de degradação dos resultados entre 2017 e 2020, com uma cada vez maior proporção das cirurgias a ultrapassar os Tempos Máximos de Resposta Garantidos”, refere-se no relatório.

A auditoria teve por objectivo examinar se o SNS garantiu, entre 2017 e 2020, o acesso atempado a cuidados de saúde na área oncológica, incluindo durante a disrupção no funcionamento em 2020, o primeiro ano da resposta à pandemia da doença covid-19.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 9 de Junho de 2022.