Máscaras não chegam para as encomendas desde casos em Itália

Máscaras não chegam para as encomendas desde casos em Itália - 

Listas e listas de reservas; máscaras e desinfectantes que vão directamente para as encomendas; avisos que se repetem a anunciar que "não há máscaras". É este o cenário das farmácias portuguesas e que se agravou na última semana.

Direcção-Geral de Saúde não recomenda o uso generalizado das máscaras, algumas das quais nem são eficazes para travar o coronavírus. E são descartáveis, o que significa que devem ser mudadas sempre que são tiradas. Apesar disso, a corrida às farmácias em Portugal (onde os primeiros casos de infecção foram confirmados na segunda-feira) não dá sinais de parar, sobretudo à procura de máscaras mas também de desinfectante em gel ou toalhitas. As farmácias vão recebendo os produtos a conta-gotas, tentando satisfazer as encomendas, mas nem sempre chegam para os pedidos E há quem não aceite reservas.

É o caso da Farmácia Uruguai, um estabelecimento aberto 24 horas, todos os dias do ano, com uma média diária de 400 clientes. Tem um letreiro na máquina de distribuição de senhas: "Não temos máscaras". Uma informação que colocam sempre que esgotam o armazém. Desta vez, o papel está lá desde sábado, aguardando a reposição do stock.

Foi uma das várias farmácias que o DN visitou nesta segunda-feira, em Algés, Benfica e Venda Nova, no mesmo dia em que foram diagnosticados dois casos em Portugal. Não aumentou a procura por artigos relacionados com a protecção de vírus, porque já existia. Acentuou-se quando surgiu a confirmação de pessoas infectadas com o Covid-19 em Itália, há cerca de uma semana.

Venda de máscaras aumentou 258 %

A procura por máscaras passou de 25 835 embalagens (Janeiro de 2019) para 92.520 (Janeiro de 2020), um crescimento superior a 258%, revela a Associação Nacional de Farmácias (ANF). Também aumentou a venda de desinfectante, mas numa proporção muito inferior: passou de 66 337 unidades para 83 989, mais 22,9 % em igual período.

"As farmácias estão a desenvolver todas as diligências e a trabalhar com os seus fornecedores de forma a dar resposta ao crescimento da procura por este tipo de produto", explicam os dirigentes da ANF. Acrescentam que, em articulação com a DGS, estão a desenvolver "planos de acção no sentido ajudar na prevenção, detecção precoce e encaminhamento de qualquer possível caso de contágio que surja no território", o que passa pela existência de uma rede de farmacêuticos com formação específica sobre o Covid-19.

A farmacêutica Ana Dias, directora técnica da Farmácia Nova, na Venda Nova, acabou de receber 200 máscaras FFP1, também conhecidas por "bico de pato", que têm uma protecção baixa em relação à transmissão de vírus. Mas são as que tem e antes de as colocar à venda, vai percorrer as listas dos mais de 100 pedidos para satisfazer. Custam 2,90 euros a unidade. E desinfectante só tem spray, 5,95 euros cada embalagem. Não consegue abastecimento das máscaras mais eficazes ( FFP2 e FFP3) nem das cirúrgicas, das quais já venderam mais de mil caixas (50 unidades cada caixa),

"Temos tido muita procura nos últimos dias, desde que foram diagnosticados os primeiros casos em Itália. Inicialmente, vendemos para muitas pessoas que iam viajar, mas agora toda a gente quer comprar máscaras", explica a técnica. Aos clientes, vai repetindo as indicações da DGS: "As máscaras não são recomendadas para a maioria das pessoas, pois há evidência limitada de que impeçam a propagação da doença. A boa etiqueta respiratória e a higienização das mãos terão um impacto maior".

E enumera os cuidados a ter: lavar as mãos várias vezes ao dia e desinfectar com gel solução alcoólica, evitar locais com muita afluência, tossir e espirrar para o antebraço.

Na farmácia Miramar, em Algés, acabou de chegar uma encomenda, mas nada do material que recebeu para protecção das gripes irá para as prateleiras, é tudo para satisfazer as reservas.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 3 de Março de 2020.

Farmácias sem stocks para reporem máscaras e gel desinfectante

Farmácias sem stocks para reporem máscaras e gel desinfectante -

Só no mês de Janeiro, a venda de máscaras aumentou de 26 mil para 92 mil unidades.

Na última semana, aumentou a "corrida" para comprar máscaras e gel alcoólico. O secretário-geral da Associação de Distribuidores Farmacêuticos admitiu à TSF que há falhas no abastecimento às farmácias de máscaras e gel desinfectante, acrescentando que não há stocks dos produtos e, por isso, não avança data para a reposição.

Numa farmácia em Queluz de Baixo, onde ainda há máscaras e álcool em gel, já há muito tempo que não se conseguem encomendar das máscaras mais baratas. Restam apenas as que têm respiradouro, que custam quase 12 euros cada uma.

 

Fonte:  Site "tvi24.iol.pt" e autor em 3 de Março de 2020.

COVID-19. Sanofi colabora com o Departamento de Saúde dos EUA na criação de vacina

COVID-19. Sanofi colabora com o Departamento de Saúde dos EUA na criação de vacina - 

O trabalho com a Autoridade Biomédica de Investigação e Desenvolvimento Avançado (BARDA) utilizará a plataforma de tecnologia recombinante da Sanofi para acelerar o desenvolvimento de uma vacina.

A Sanofi Pasteur, unidade de vacinas da Sanofi, vai recorrer ao know-how já existente no desenvolvimento de uma  vacina contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra o COVID-19. A Sanofi colaborará com a BARDA, parte do Gabinete de Resposta do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, ampliando a parceria de longa data entre ambas.

O COVID-19 pertence a uma família de coronavírus que pode causar doenças respiratórias. No final de 2002, surgiu o coronavírus SARS e em 2004, praticamente desapareceu. A Sanofi pretende investigar uma vacina pré-clínica para a SARS que poderá proteger contra o COVID-19. “O mais recente coronavírus vai exigir um esforço colaborativo,  por isso estamos a trabalhar com a BARDA, para avançar rapidamente com um potencial candidato à vacina”, afirma David Loew, Global Head da divisão de vacinas da Sanofi. “Ao partilharmos o nosso conhecimento, acreditamos que a colaboração com a BARDA pode fornecer resultados mais significativos para proteger a população deste recente surto”.

Sanofi utiliza plataforma inovadora de tecnologia recombinante 

A Sanofi vai usar a sua plataforma de ADN recombinante para produzir uma nova vacina contra o coronavírus de 2019. A tecnologia recombinante produz uma correspondência genética exacta com as proteínas encontradas na superfície do vírus. A sequência de ADN que codifica esse antigénio será combinada com o ADN da plataforma de expressão do baculovírus, a base do produto recombinante para o vírus influenza licenciado pela Sanofi, e usada para produzir rapidamente grandes quantidades do antigénio do coronavírus, que serão formuladas para estimular o sistema imunológico e proteger contra o vírus.

“As ameaças à saúde que surgem a nível global, como o novo coronavírus de 2019, exigem uma resposta rápida”, referiu o director da BARDA, Rick A. Bright, Ph.D. “Ao expandir a nossa parceria com a Sanofi Pasteur e aproveitando a vantagem da utilização de uma plataforma de vacina recombinante licenciada, esperamos acelerar o desenvolvimento de uma vacina para protecção contra o novo vírus”.

Em estudos não clínicos, a vacina desenvolvida contra a SARS era imunogénica e oferecia protecção parcial, conforme avaliado em modelos animais. Este trabalho desenvolvido pela Protein Sciences (adquirida pela Sanofi em 2017) fornece um avanço na procura de uma vacina para o COVID-19. Uma vez que existe uma vacina licenciada com base nessa plataforma, tal irá permitir uma investigação e produção de materiais rápidas para uso em testes clínicos. Além disso, a plataforma da Sanofi também tem  potencial para produzir grandes quantidades da vacina desenvolvida.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 3 de Março de 2020.

 

Prémio Bial de Biomedicina para investigação sobre associação entre aspirina e imunoterapia

Prémio Bial de Biomedicina para investigação sobre associação entre aspirina e imunoterapia - 

Associação da aspirina à imunoterapia contra o cancro foi “trabalho de detective” que valeu prémio a investigador Caetano Reis e Sousa.

Um estudo científico sobre a associação da aspirina à imunoterapia no combate ao cancro foi “um trabalho de detective” que deu ao investigador português Caetano Reis e Sousa o Prémio Bial de Biomedicina, que vai ser entregue hoje.

“Surgiu só no fim. O processo que leva à identificação da prostaglandina não é linear“, afirmou em Londres, durante uma visita ao Instituto Francis Crick, onde actualmente está baseada a equipa de 17 investigadores, incluindo três portugueses, que Caetano Reis e Sousa lidera.

Em 2015, a equipa de Reis e Sousa publicou um artigo na revista Cell que defendia que dar aspirina a pacientes com cancro em simultâneo com imunoterapia poderia aumentar significativamente a eficácia da terapia.

O projecto começou pelo interesse no processo de iniciação de resposta antitumoral, nomeadamente pelas células dendríticas, um tipo de leucócito ou glóbulo branco, que são importantes para a apresentação antigénica que activa as células T, essenciais na destruição do tumor, disse Caetano Reis e Sousa.

A investigação tentou perceber os mecanismos pelos quais as células tumorais, nomeadamente de cancro da pele, mama e intestino, poderiam inibir a actividade das células dendríticas e verificou que uma das moléculas mais importantes era a prostaglandina E2 (PGE2).

Para chegar a este resultado, os cientistas tiveram de usar um raciocínio de polícia, eliminando potenciais suspeitos até encontrar um responsável.

“Demos conta de que havia uma substância qualquer que estava a inibir as células dendríticas quando nós fazíamos esse tipo de experiência. Aí houve um trabalho de detective, tivemos de descobrir o tipo”, explicou.

Ao longo de vários anos, foram feitas experiências para perceber qual a natureza química desta molécula até perceber que se trataria de um lípido, e depois foi usada a técnica de manipulação genética CRISPR, na altura inovadora, para testar a hipótese e eliminar a capacidade das células tumorais produzirem prostaglandina.

A aspirina foi o passo final, quando o grupo quis perceber se existiria alguma outra forma de impedir a produção da prostaglandina com um fármaco em vez da modificação genética, para testar a possibilidade de uma futura terapia clínica.

“Em termos de tratamento, seria a única forma de o fazer. Foi a última experiência antes de escrever o artigo”, admitiu Reis e Sousa.

O artigo teve impacto na investigação e na luta contra o cancro: Actualmente estão identificados pelo menos sete ensaios clínicos a tentar combinar a aspirina com a imunoterapia e muitos mais que usam combinações diferentes de outros inibidores como alternativa à aspirina.

O potencial da aspirina na oncologia não é novo nem exclusivo, vincou Caetano Reis e Sousa, que referiu a existência de perto de 140 ensaios clínicos que usam a aspirina no estudo de terapias para o cancro.

“Ninguém sabe o que vai acontecer. A maioria dos ensaios clínicos só terá resultados em 2022/23, apesar de o artigo ter sido publicado há cinco anos. Não há uma prova do ponto de vista clínico de que isto vai actuar da maneira que nós gostaríamos. Seria uma combinação muito fácil de implementar”, referiu.

Desde a publicação do artigo, Caetano Reis e Sousa foi co-vencedor em 2017 do prémio Louis-Jeantet de Medicina, no valor de 700 mil francos suíços (cerca de 654 mil euros), e no ano passado foi eleito membro da Royal Society, tornando-se no primeiro português em 200 anos a entrar como ‘fellow’ para a academia de ciências britânica, a mais antiga do mundo.

A publicação do trabalho também foi importante para o primeiro autor do artigo, Santiago Zelenay, distinguido em 2017 com o Prémio de Futuro Líder na Investigação sobre o Cancro atribuído pela fundação Cancer Research UK, que, entretanto, formou a sua própria equipa de investigação na Universidade de Manchester.

O imunologista argentino, que completou o doutoramento no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal, vai acompanhar Caetano Reis e Sousa na cerimónia de entrega do Prémio Bial de Biomedicina, instituído pela farmacêutica portuguesa no valor de 300 mil euros, hoje, 3 de Março, em Lisboa.

A vice-presidente do júri do ‘BIAL Award in Biomedicine’, Maria do Carmo Fonseca, disse à Lusa que o júri foi “completamente alheio” ao facto de o imunologista ser português, reconhecendo um trabalho de “mérito” que pode ter um “enorme potencial na vida das pessoas”.

“A razão principal que levou à atribuição do prémio assenta no facto de esta descoberta, feita em laboratório, poder salvar a vida de doentes com cancro”, sublinhou.

A vice-presidente do júri recordou que o prémio é mais um “reconhecimento do mérito” do que um financiamento da investigação.

O prémio, que visa galardoar uma obra publicada nos últimos dez anos de índole biomédica, será entregue pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 3 de Março de 2020.

Ordem dos Médicos e Farmacêutica aconselham adiamento de deslocações

Ordem dos Médicos e Farmacêutica aconselham adiamento de deslocações - 

A Ordem dos Médicos e a Associação da Indústria Farmacêutica aconselharam hoje aos seus associados a adiarem deslocações a eventos até se manterem os actuais níveis de risco para a saúde pública devido ao novo coronavírus.

Aposição conjunta da Ordem dos Médicos (OM) e da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) surge "atendendo ao impacto do Covid-19 a nível mundial, e às situações de doença ocorridas na Europa, e confirmadas hoje também em Portugal", afirmam em comunicado.

Devido a esta situação, recomendam aos seus associados que, sempre que possível, procedam ao adiamento dos eventos que tenham agendados, como conferências, congressos, seminários, simpósios.

"Esta medida preventiva deverá manter-se enquanto os riscos para a saúde pública se mantiverem nos actuais níveis", sublinham em comunicado.

Hoje foi divulgado o primeiro caso confirmado de Covi-19 em Portugal e o outro caso aguarda uma contra-análise.

Um português tripulante de um navio de cruzeiros encontra-se hospitalizado no Japão com confirmação de infecção.

O surto de Covid-19, detectado em Dezembro, na China, e que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.980 mortos e infectou mais de 87 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 60 países.

Das pessoas infectadas, mais de 41 mil recuperaram.

Além de 2.873 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

A DGS manteve no sábado o risco da epidemia para a saúde pública em "moderado a elevado".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 2 de Março de 2020.

Coronavírus: OMS passa nível de alerta para "muito elevado"

Coronavírus: OMS passa nível de alerta para "muito elevado" - 

O Covid-19, detectado em Dezembro na China e que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.858 mortos e infectou mais de 83 mil pessoas, de acordo com dados reportados por meia centena de países e territórios.

A Organização Mundial da Saúde passou para "muito elevado a nível global" o nível alerta devido ao surto de coronavírus. "Aumentámos agora a nossa avaliação do risco de propagação do Covid-19 e do risco de impacto para um nível global muito elevado", disse o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em conferência de imprensa em Genebra, na Suíça.

O Covid-19, detectado em Dezembro na China e que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.858 mortos e infectou mais de 83 mil pessoas, de acordo com dados reportados por meia centena de países e territórios. Das pessoas infectadas, mais de 36 mil recuperaram.

Além de 2.788 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Japão, Filipinas, Hong Kong e Taiwan. Na Europa, o Covid-19 já provocou mortes em Itália e em França.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

 

Fonte: Site do "Jornal Negócios" e autor em 28 de Fevereiro de 2020.