Défice do SNS agrava-se para 1,1 mil milhões de euros em 2021

Défice do SNS agrava-se para 1,1 mil milhões de euros em 2021 - 

A componente das dívidas aos fornecedores foi a que mais contribuiu para o agravamento do défice do SNS, tendo registado um aumento da despesa de 421 milhões, seguindo-se as despesas com pessoal.

No ano passado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) registou um défice de 1,1 mil milhões de euros, mantendo a trajectória de prejuízos registada desde 2014, adianta o Conselho das Finanças Públicas (CFP), num relatório divulgado esta quarta-feira. A entidade liderada por Nazaré Costa Cabral alerta que o SNS não tem mecanismos de gestão que controlem as contas (tanto do lado da receita como da despesa) e que o processo de orçamentação está desajustado da execução.

“Em 2021, o SNS apresentou um défice de 1,1 mil milhões de euros, muito acima do défice de 89 milhões de euros previsto no orçamento inicial“, sinaliza o CFP, acrescentando que entre 2014 e 2021 “o saldo orçamental do SNS foi sempre negativo, registando um valor acumulado de -4 mil milhões de euros”, isto é, “o mais significativo” do período analisado.

A entidade liderada por Nazaré Costa Cabral alerta que “tanto a receita como a despesa apresentam desvios desfavoráveis” face ao que foi orçamentado no último ano, “sendo o desvio do saldo explicado essencialmente pelo desvio na despesa, que foi superior em 783,1 milhões de euros face à orçamentada” (um aumento de 6,7%), sinaliza o documento.

A componente das dívidas aos fornecedores externos foi a que mais contribuiu para o agravamento do défice do SNS, tendo registado um aumento da despesa de 421 milhões de euros em 2021, seguindo-se as despesas com pessoal (+246,6 milhões de euros) e as compras de inventário (+127 milhões de euros). Por outro lado, o CFP destaca ainda que “a receita também revelou uma execução desfavorável”, tendo sido “inferior em 227,7 milhões de euros face ao orçamentado para 2021”.

No que toca especificamente à dívida dos fornecedores externos, o organismo adianta ainda que esta se mantinha “acima dos 1,5 mil milhões de euros” no final do ano passado. Para colmatar esta dívida têm sido realizadas injecções de capital do SNS, sendo que nos últimos cinco anos estas totalizaram os 3,3 mil milhões de euros. Contudo, “estas injecções têm sido incapazes de contribuir para a redução estrutural da dívida do SNS, que apenas recuou 321,5 milhões de euros, entre 2017 e 2021“, adverte a entidade liderada por Nazaré Costa Cabral.

Segundo o CFP, no final do ano passado, o prazo médio de pagamento a fornecedores do SNS ascendia a 102 dias e “apenas 20% das entidades do SNS apresentavam um prazo médio de pagamento inferior a 60 dias”.

Nesse contexto, a CFP reitera que “a persistência destes desvios reflecte um processo de orçamentação desajustado da execução, bem como a ausência de mecanismos de gestão que permitam um controlo efectivo sobre as rubricas da receita e da despesa“.

Em termos globais, as receitas do SNS ascenderam aos 11,3 mil milhões de euros em 2021, o que representa um aumento de 77,3 milhões de euros face ao ano anterior (+0,7%) e um aumento de 1,2 mil milhões de euros face a 2019 (+11,8%). Já a despesa “atingiu cerca de 12,4 mil milhões de euros em 2021, o valor mais elevado desde o início da série, em 2014, representando 5,9% do PIB e 12,2% da despesa pública total”.

Segundo este documento, no final do ano passado havia mais de 10,4 milhões de portugueses inscritos no SNS, dos quais cerca de 65,8% estavam inscritos em unidades de saúde familiar e 10,9% não tinham médico de família atribuído (cerca de 1,1 milhões de portugueses), isto é, um aumento de 303 mil face ao número de utentes sem médico de família em 2020. É na região de Lisboa e Vale do Tejo que a situação é mais premente, representando 68,8% da fatia total.

O CFP adianta ainda que a actividade assistencial continua a recuperar do impacto da pandemia, tendo sido realizadas 12,4 milhões de consultas em 2021 (um valor em linha com o registado em 2019 e um aumento de 11,4% face ao valor registado em 2020). Ao mesmo tempo, foram realizadas 708,8 mil cirurgias no ano passado, “ultrapassando as 704,2 mil de 2019 e acima das 579 mil registadas em 2020”.

 

Fonte:  Site do Jornal "eco.sapo.pt" e autor em 9 de Junho de 2022

Covid-19: Vacinação no Outono em simultâneo com a gripe e para pessoas a partir dos 65 anos

Covid-19: Vacinação no Outono em simultâneo com a gripe e para pessoas a partir dos 65 anos - 

A campanha de vacinação do Outono e Inverno prevê a co-administração das vacinas contra a gripe e covid-19 em idosos, pessoas com mais de 18 anos com doenças graves, profissionais de saúde e utentes de lares e cuidados continuados.

O plano, hoje apresentado pela ministra da Saúde, Marta Temido, e pela directora-geral da Saúde, Graça Freitas, prevê um investimento de 15 milhões de euros em vacinas contra a gripe e 6,9 milhões de vacinas disponíveis para a vacinação contra a covid-19.

Esta estratégia baseia-se nos pressupostos de que as variantes vão manter um perfil semelhante às que estão em circulação, que a efectividade vacinal contra a doença grave e morte se mantém semelhante à actual e que o plano será desenvolvido “com as vacinas disponíveis” na altura, adiantou Graça Freitas.

De acordo com a directora-geral da Saúde, este plano, que pode ser adaptado a novos pressupostos, prevê duas campanhas de “reforços sazonais” no Outono/Inverno, através da co-administração das vacinas contra a covid-19 e a gripe, utilizando sempre que possível os mesmos grupos elegíveis e com um intervalo mínimo para a vacina da covid-19 de três meses.

Em relação às pessoas mais vulneráveis, a vacina da gripe será tetravalente reforçada, uma vacina “especial que será usada pela primeira vez em Portugal” apenas para os residentes em lares, adiantou.

Segundo Graça Freitas, os principais grupos elegíveis são os residentes em lares e na rede de cuidados continuados integrados, as pessoas com mais de 65 anos, os maiores de 18 anos que tenham doenças crónicas como insuficiência cardíaca, doença pulmonar grave, doença neuromuscular grave e insuficiência renal e os profissionais de saúde e dos lares de idosos.

“Para a gripe, as grávidas já estão contempladas e as crianças com patologia crónica. Neste momento, a ciência está a dar-nos pistas e a comissão técnica de vacinação está a estudar a possibilidade de também para a covid-19 poderem ser vacinadas as crianças e as grávidas, mas é apenas uma possibilidade”, referiu Graça Freitas.

De acordo com o plano hoje apresentado, estas campanhas iniciam-se em 05 de Setembro em simultâneo e, na lógica da protecção dos mais vulneráveis, arrancarão com a vacinação pelos lares, rede de cuidados continuados e pessoas com 80 ou mais anos.

Nas segunda e terceira semanas de Setembro, começarão a ser vacinadas as pessoas com 70 ou mais anos e, cerca de um mês depois, as pessoas com mais de 65 anos, avançou Graça Freitas, que espera ter todas as pessoas elegíveis vacinadas em Dezembro.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 9 de Junho de 2022

Covid-19: vacina combinada da Moderna aumenta em até 8 vezes os anticorpos capazes de atingir a Ómicron

Covid-19: vacina combinada da Moderna aumenta em até 8 vezes os anticorpos capazes de atingir a Ómicron - 

A vacina experimental da Covid-19 da Moderna, que combina a sua dose original com protecção contra a variante Ómicron, parece funcionar, segundo anunciou a empresa farmacêutica esta quarta-feira. O fabricante está a estudar reforços actualizados para serem distribuídos no Outono para proteger melhor as pessoas contra futuros surtos de coronavírus.

Os resultados preliminares do estudo da Moderna mostram que as pessoas que receberam a injecção combinada experimentaram um aumento de oito vezes nos anticorpos de combate ao vírus capazes de atingir a Ómicron, anunciou a empresa.

As vacinas contra a Covid-19, actualmente, são todas baseadas na versão original do coronavírus, que fornecem forte protecção contra doenças graves, hospitalização e morte, mesmo depois do aparecimento da variante Ómicron, especialmente se as pessoas tomarem uma dose de reforço.

Mas o vírus continua a sofrer mutações rapidamente de forma a escapar de algumas das protecções das vacinas e causar infecções mais leves. Assim, os reguladores dos EUA e a Organização Mundial da Saúde estão a considerar se devem ordenar uma mudança na receita da vacina para uma nova ronda de doses de reforço no Outono – quando o clima frio e as crianças de regresso à escola devem gerar mais um aumento do número de casos positivos.

A Moderna garantiu, no seu novo estudo, que um mês após a injecção combinada, os receptores abrigavam níveis mais altos de anticorpos de combate à Ómicron do que a vacina original. O estudo foi realizado em 437 pessoas, concluiu a Moderna.

 

Fonte:  Site "multinews.sapo.pt" e autor em 8 de Junho de 2022

Identificado novo biomarcador para prognóstico de cancro da mama

Identificado novo biomarcador para prognóstico de cancro da mama - 

O grupo de investigações é liderado pela portuguesa Ana Teresa Maia.

Um grupo de investigadores liderado pela investigadora e docente universitária Ana Teresa Maia identificou um novo biomarcador para prognóstico em pacientes com cancro da mama, revelou hoje a Universidade do Algarve.

Segundo um comunicado da Universidade do Algarve, "este biomarcador está associado às mutações mais comuns do cancro da mama e poderá ajudar a identificar o tratamento mais adequado para cada paciente".

Ana Teresa Maia, docente da Universidade do Algarve (UAlg) e investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), liderou um grupo de investigadores que acaba de publicar um artigo na revista 'npj Breast Cancer' sobre a identificação do novo biomarcador para prognóstico em pacientes com cancro da mama.

"Neste trabalho olhámos para o gene PIK3CA, que é o mais frequentemente mutado em tumores da mama, e tentámos perceber a sua importância clínica, que até agora era bastante elusiva", afirma Ana Teresa Maia, citada no comunicado.

Os investigadores descobriram que quando avaliam estas mutações de modo diferente do que é feito actualmente elas têm "um carácter clínico importante", sendo indicadoras do prognóstico de cada paciente.

"É como se olhássemos a mesma coisa, mas com óculos diferentes", explica a investigadora, acrescentando que, "das várias moléculas que existem numa célula, o ADN contém a informação básica acerca do funcionamento celular, incluindo as mutações responsáveis pelos tumores",

Mas, acrescenta, "o ARN revela a expressão dessa informação, ou seja, representa a forma como a informação é lida".

Ainda de acordo com Ana Teresa Maia, quando analisaram o ARN de tumores de diversos centros clínicos identificaram "uma relação entre a expressão das mutações e a probabilidade de sobrevivência destas pacientes, as características clínicas e moleculares dos tumores, assim como os mecanismos que pensamos estar subjacentes a estas associações".

"Desde o ano passado que foi aprovado o uso de um fármaco específico para tratamento de tumores com estas mutações. Nós acreditamos que estudos como o nosso vêm ajudar a identificar com alta precisão as pacientes que podem beneficiar deste tratamento inovador", afirma a investigadora.

Segundo Ana Teresa Maia, os resultados alcançados "são cruciais para pacientes e médicos.

"As pacientes porque vêem melhorias na compreensão da doença e na sua gestão clínica, o que leva a um aumento da qualidade de vida e das chances de sobrevivência. Os médicos, porque vão ter mais uma peça do puzzle nas mãos, que lhes vai aumentar a confiança nas suas decisões clínicas", refere.

O trabalho de pesquisa contou com a colaboração de parceiros da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e do Netherlands Cancer Institute (Holanda), entre outros.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 8 de Junho de 2022

Abastecimento de medicamentos pode ficar em causa. Distribuidores pedem medidas

Abastecimento de medicamentos pode ficar em causa. Distribuidores pedem medidas - 

Os distribuidores farmacêuticos pedem ao Governo que tome “medidas urgentes” para minimizar o aumento dos custos dos combustíveis.

Os distribuidores farmacêuticos pediram ao Governo que tome “medidas urgentes” para minimizar o aumento dos custos dos combustíveis, alertando que se esta situação se mantiver há uma “ameaça real” ao normal funcionamento do circuito de abastecimento de medicamentos.

O apelo, em comunicado, da Associação dos Distribuidores Farmacêuticos (Adifa) para que o Governo apoie o sector da distribuição de medicamentos surge no seguimento do “aumento sucessivo dos preços de energia, gás natural, electricidade e principalmente dos combustíveis, com uma nova subida muito significativa esta semana”.

Entre as medidas propostas, incluem-se o acesso a gasóleo profissional, a majoração na dedução dos gastos com combustíveis, o reembolso parcial do Imposto sobre Produtos Petrolífero (ISP), a dedutibilidade do IVA no gasóleo, bem como a isenção do pagamento do imposto único de circulação das viaturas afectas à actividade da distribuição farmacêutica.

A associação recorda que, desde o início do ano, as empresas de distribuição farmacêutica de serviço completo registaram um aumento de 20% em custos energéticos.

“Acresce que a distribuição de medicamentos consiste num sector extremamente regulado pelo Estado, que fixa administrativamente o preço e a margem destes bens essenciais, limitando a remuneração das empresas de distribuição que se vêem forçadas a acomodar os custos crescentes de energia e combustíveis”, salienta a Adifa.

Os distribuidores farmacêuticos afirmam que têm realizado “um inequívoco esforço” para continuar a assegurar diariamente o fornecimento atempado e adequado de medicamentos e outras tecnologias de saúde em qualquer região do território nacional.

“Contudo, os impactos económico-financeiros que resultam destes aumentos estão a agravar-se em função da evolução do actual contexto de crise energética”, advertem.

Avisam ainda que se esta situação se mantiver, “traduz-se numa ameaça real ao normal funcionamento do circuito de abastecimento de medicamentos em Portugal e, consequentemente, da acessibilidade das populações a produtos de saúde essenciais ao seu bem-estar e recuperação de doença”.

Como tal, frisa a associação, estas medidas devem ser aplicadas de forma imediata para que os distribuidores consigam manter o nível de serviço das suas operações de armazenamento e distribuição de medicamentos.

 

Fonte: Site de "saudeonline.pt" e autor em de Junho de 2022

 

 

Como melhorar o diagnóstico e tratamento de tumores cerebrais malignos?

Como melhorar o diagnóstico e tratamento de tumores cerebrais malignos? - 

Eis as conclusões de um estudo da Universidade de Valladolid.

A criação de 'imagens sintéticas' permitirá melhorar o diagnóstico e o tratamento de tumores cerebrais malignos, num novo contributo da inteligência artificial para combater esta doença, revela um estudo divulgado esta quarta-feira pela Universidade de Valladolid.

O resultado alcançado pelos investigadores Elisa Moya e Rafael Navarro é semelhante às imagens obtidas através de máquinas de ressonância magnética, divulgou a Universidade de Valladolid. O estudo, financiado pela Associação Espanhola Contra o Cancro (AECC) e pelo Ministério da Ciência e Inovação, foi publicado na revista científica NMR in Biomedicine e as suas conclusões serão divulgadas hoje, no Dia Internacional do Tumor Cerebral.

As imagens sintéticas geradas pelos dois investigadores poderão ser utilizadas, juntamente com as criadas numa ressonância magnética, no diagnóstico e na previsão do tratamento do glioblastoma, o tipo mais comum de tumor cerebral maligno.

O glioblastoma é um dos tumores cerebrais mais agressivos, com uma taxa de sobrevivência de aproximadamente 40% no primeiro ano após o diagnóstico e de 17% no segundo. "As imagens sintéticas são geradas através de um sistema de inteligência artificial que foi treinado a partir de um grande número de imagens reais obtidas em máquinas de ressonância magnética", explicou Elisa Moya, citada no comunicado de imprensa da Universidade de Valladolid.

O próximo passo é o uso de medidas matemáticas para comparar as imagens sintéticas com as reais e que também podem ser utilizadas na técnica Radiomics, que é responsável por extrair características quantitativas das imagens com as quais se consegue uma ferramenta preditiva para este tipo de cancro no cérebro, acrescentou. "Este método pode facilitar um melhor planeamento do tratamento ou cirurgia", salientou a investigadora.

A geração destas imagens vai permitir reduzir a duração das imagens de ressonância magnética, substituir as de qualidade degradada "e também gerar bases de dados que ajudem a diagnosticar a doença", prosseguiu. "Durante a realização desse tipo de exame, o paciente deve permanecer totalmente imóvel, o que para algumas pessoas com claustrofobia ou crianças, é bastante desconfortável", apontou.

Esta nova técnica proporciona um maior conforto e também reduz custos, pois seriam necessárias apenas duas imagens de ressonância magnética, "já que o restante pode ser gerado sinteticamente, o que reduziria o tempo naquela máquina", adiantou ainda.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 8 de Junho de 2022