Mais de 10.600 notificações de reacções adversas a medicamentos comunicadas este ano

Mais de 10.600 notificações de reacções adversas a medicamentos comunicadas este ano - 

A maioria das reacções adversas a medicamentos (62,7%) foram consideradas graves, segundo os dados a que a agência Lusa teve acesso.

De acordo com os dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, actualizados no arranque da iniciativa #MedSafetyWeek, que pretende alertar para a importância da notificação de suspeitas de reacções adversas a medicamentos, foram registadas este ano 10.694 notificações, das quais 6.712 consideradas graves e 3.982 não graves.

Os números do Infarmed indicam ainda que quem mais notifica são os titulares da autorização de introdução no mercado (indústria), seguidos do médico, farmacêutico, enfermeiro, outros profissionais de saúde e, finalmente, o utente.

Os dados foram actualizados no arranque da iniciativa #MedSafetyWeek, que decorre entre hoje e dia 08 de Novembro e a que o Infarmed se associa pelo quinto ano consecutivo. Este ano, #MedSafetyWeek é subordinada ao tema ‘Cada notificação conta!’.

Durante esta semana, os utilizadores de medicamentos, os cuidadores, e também os profissionais de saúde, serão solicitados a notificar suspeitas de reacções adversas a medicamentos sempre que ocorrer algum efeito indesejável.

Medicamentos “são seguros e eficazes mas podem ocorrer efeitos indesejáveis”

Em comunicado, o Infarmed lembra que os medicamentos são seguros e eficazes, mas podem ocorrer efeitos indesejáveis, também conhecidos como reacções adversas.

“É difícil prever quem poderá sentir uma reacção não esperada após a administração de medicamentos, mas é essencial que quaisquer potenciais riscos sejam compreendidos e comunicados”, sublinha a Autoridade Nacional do Medicamento.

O Infarmed lembra ainda que notificar ajuda a tornar os medicamentos mais seguros e a proteger a saúde pública.

“A nossa prioridade é a segurança dos utilizadores de medicamentos. Quanto maior for o número de notificações, maior é a probabilidade de identificarmos novos problemas de segurança, que porventura seriam desconhecidos antes de serem notificados ao Infarmed”, afirma.

Nos últimos 12 anos, foram registadas pelo Infarmed mais de 59.500 notificações de reacções adversas a medicamentos, 39.597 graves (66,5%) e 19.934 (33,4%) não graves.

Participam na #MedSafetyWeek 2020, uma iniciativa internacional liderada pelo Uppsala Monitoring Centre (Collaborating Centre for International Drug Monitoring, da Organização Mundial de Saúde), autoridades reguladoras nacionais de medicamentos de 75 países de todo o mundo.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 2 de Novembro de 2020

Estudo: Compostos de alga vermelha de Peniche eficazes no tratamento do cancro

Estudo: Compostos de alga vermelha de Peniche eficazes no tratamento do cancro - 

De acordo com uma investigação do MARE- Politécnico de Leiria, uma alga vermelha, de seu nome Sphaerococcus coronopifolius, existente na costa de Peniche possui compostos com actividade anti tumoral que podem contribuir para o desenvolvimento de novos fármacos ou potenciar o efeito de fármacos de combate ao cancro já existentes.

O estudo é da autoria de Eurico Serrano, Carlos Rodrigues, Maria Alpoim (Universidade de Coimbra), Luís Botana (Universidade de Santiago de Compostela), Susete Pinteus, Helena Gaspar, Joana Silva e Rui Pedrosa (Politécnico de Leiria), e foi publicado em Abril na revista científica “Biomedicine & Pharmacotherapy”.

A equipa de investigadores, composta por biólogos, bioquímicos, químicos e farmacêuticos, estudou 27 macroalgas da costa de Peniche, durante quatro anos, até conseguir “isolar os compostos responsáveis pelo potencial anti tumoral e perceber que tipo de acção induzem”.

Os cientistas conseguiram descobrir compostos que conseguem inibir o crescimento de células tumorais, tendo isolado sete moléculas, das quais duas novas de origem marinha eram desconhecidas dos cientistas.

“Conseguimos perceber que duas das sete moléculas estudadas conseguem inibir o crescimento de esferas tumorais, pelo que prosseguimos com o estudo para uma avaliação mais aprofundada até à possível descoberta de um potencial fármaco”, explicou à agência Lusa Celso Alves, que liderou a investigação.

De todas as algas estudadas, a Sphaerococcus coronopifolius revelou ser a alga com maior potencial anti tumoral quando testada em linhas celulares humanas derivadas do cancro hepático e cancro colorretal.

Os compostos desta alga também “poderão ter potencial para serem utilizados em conjunto com as terapias actuais, potenciando o efeito dos fármacos” já existentes, acrescentou.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 30 de Outubro de 2020

Dia Nacional da Luta Contra o Cancro da mama

Dia Nacional da Luta Contra o Cancro da mama - 

Cinco grandes inovações em cancro da mama

Vivemos numa “era mais rosa”, uma vez que temos ao nosso dispor, incluindo em Portugal, inúmeras ferramentas úteis e inovadoras que aumentam a qualidade da prestação dos cuidados de saúde ao doente com cancro da mama.

Ao longo dos últimos anos, temos assistido em Portugal, à semelhança do que acontece à escala global, a um aumento regular da incidência e da prevalência do cancro da mama. No entanto, esta realidade poderá reflectir, paradoxalmente, uma perspectiva mais favorável, uma vez que os programas de rastreio identificam cada vez mais casos e a sobrevivência destes doentes tem vindo também a aumentar graças aos avanços da ciência e ao empenho dos profissionais da área.

Apesar do clima pandémico que assola teimosamente a nossa realidade, são também muitas as inovações, incluindo no cancro da mama, que nos permitem encarar o presente e o futuro com mais esperança. A melhor compreensão dos mecanismos envolvidos no aparecimento e desenvolvimento deste tipo de cancro tem possibilitado a definição de novas estratégias que interferem de forma mais decisiva na história natural da doença.

Vivemos numa “era mais rosa”, uma vez que temos ao nosso dispor, incluindo em Portugal, inúmeras ferramentas úteis e inovadoras que aumentam a qualidade da prestação dos cuidados de saúde ao doente com cancro da mama.

Karl Adam (1876-1966), teólogo católico alemão, afirmava o seguinte: “Cada ser humano é único; é uma palavra de Deus que não mais se repete.” Agora, independentemente das crenças ou dos credos, podemos afirmar também: “Cada cancro é único; é uma palavra do acaso que não mais se repete.” Nesse sentido, podemos antecipar, com mais segurança, o comportamento biológico de cada cancro da mama e a sua evolução dinâmica ao longo do tempo.

Realizar ou não quimioterapia

Os avanços tecnológicos incluem plataformas ou assinaturas de 1.ª e 2.ª geração que apoiam a decisão em realizar ou omitir a quimioterapia adjuvante (após a cirurgia), em determinados tipos de cancro da mama precoce e hormonossensível. Desta forma, poder-se-á evitar a realização de um tipo de tratamento com efeitos secundários e custos associados que não são menosprezáveis.

Tratamento cada vez mais personalizado e preciso

Existe também a capacidade de perscrutar as alterações genéticas de cada cancro da mama, com uma tecnologia sofisticada chamada Next Generation Sequencing (NGS). Este exame laboratorial consegue descodificar o ADN do cancro, ou seja, permitir a leitura do “código de barras” de cada tumor. Através da sequenciação de um painel alargado de genes, o clínico poderá antecipar possíveis mecanismos e/ou mutações de resistência ou de sensibilidade aos fármacos, possibilitando o desenho de um tratamento personalizado para cada cancro nas suas diferentes fases.

Microbiota e cancro da mama

E ainda... Apesar de carecer de mais validação científica, o estudo da relação da microbiota com o cancro da mama. A microbiota ou microbioma (mais conhecida por flora) compreende um conjunto heterogéneo de microrganismos (tais como bactérias, vírus e fungos) que colonizam o nosso trato gastrointestinal e outras regiões do nosso organismo. Esta “fauna polimicrobiana” que con(vive) em nós corresponde a cerca de dois quilos do nosso peso corporal, a mais de 50% do total das nossas células e a 99% do nosso código genético. Então, como podemos negligenciar que a maioria do nosso património genético e celular não seja puramente humano? Evidência recente aponta para que mulheres pós-menopáusicas com cancro da mama hormonossensível tenham uma flora intestinal diferente da de mulheres saudáveis, mais rica em bactérias produtoras da enzima β-glucuronidase.

Paralelamente, a metabolização dos ácidos gordos e dos fitoestrogénios pelas bactérias intestinais parece influenciar no risco e no prognóstico do cancro da mama. Noutro âmbito, a própria microbiota intestinal parece interferir com a eficácia e com os efeitos secundários dos fármacos utilizados no tratamento deste cancro.

Ao nível do tratamento, já temos em Portugal o acesso a medicamentos oncológicos inovadores que alteraram de forma indelével o paradigma na abordagem terapêutica do cancro.

Soluções no cancro da mama hereditário

O cancro da mama hereditário (5-10% dos casos) envolve mutações de genes que foram herdadas de gerações anteriores e que conferem um aumento de risco para cancro. Em 2007 foi identificada em Portugal a mutação fundadora BRCA2 c.156_157insAlu, que representa cerca de 40% de todas as mutações nos genes BRCA2 e mais de um terço da totalidade de BRCA1 e BRCA2. Recentemente, emergiu uma classe de medicamentos capaz de impedir a reparação das lesões no ADN, levando à morte das células tumorais. Estes fármacos demonstraram eficácia clínica no tratamento de doentes com cancro da mama e portadoras das mutações germinativas BRCA 1 e BRCA2. Noutra perspectiva, nos familiares também portadores dessas mutações, poderá ser oferecido um tipo de seguimento clínico/radiológico personalizado ou mesmo outras linhas de acção que incluam, por exemplo, a mastectomia bilateral profiláctica (cirurgia preventiva de remoção das duas mamas).

A imunoterapia no cancro mais agressivo

A imunoterapia constitui uma forma inovadora de tratamento para o cancro da mama, principalmente para o subtipo molecular “triplo negativo” (ausência de expressão de receptores de estrogénio, progesterona e de sobre-expressão da proteína transmembranária HER2). Através desta terapêutica induz-se uma activação do sistema imunitário, ou seja, das nossas “próprias defesas” que naturalmente nos protegem das infecções. Nesta “guerra imunitária”, as nossas tropas (glóbulos brancos) passam, novamente, ao contra-ataque, na tentativa de reconhecer o inimigo (células tumorais) e as suas capacidades, de forma a potenciar a sua aniquilação eficaz.

Num ano atípico, em que travamos uma autêntica guerra biológica com um adversário difícil e ainda por cima invisível, temos também a obrigação de nos focarmos noutras realidades paralelas, igualmente importantes e com consequências bem visíveis. O antropólogo médico norte-americano Merril Singer definiu, na década de 1990, um termo “sindemia” com o intuito de elucidar a realidade resultante da interacção de duas ou mais doenças e de que o seu impacto seria maior do que a mera soma de cada uma dessas enfermidades. Não podemos deixar que a pandemia covid-19 se transforme numa sindemia, até porque temos mais argumentos para encarar de frente os vários adversários. Hoje temos razões para nos sentirmos mais privilegiados e optimistas pela inovação crescente em torno do cancro da mama, em comparação com um passado recente em que estávamos mais descrentes.

“Na tempestade ou na bonança, haja sempre perseverança.” Este é um lema que me acompanha e que nunca fez tanto sentido como agora.

 

Fonte: Site do Jornal "Público.pt" e autor em 30 de Outubro de 2020.

Covid-19: Acordo entre Novartis e Molecular Partners para potenciais tratamentos

Covid-19: Acordo entre Novartis e Molecular Partners para potenciais tratamentos - 

A Novartis anunciou um acordo com a empresa de biotecnologia Molecular Partners para desenvolver dois potenciais tratamentos para a covid-19.

Este acordo visa a pesquisa e comercialização de dois tratamentos antivirais em fase de desenvolvimento inicial, denominados por MP0420 e MP0423, que podem ser usados na prevenção e tratamento para a covid-19.

A Novartis, em comunicado, indicou ainda que estes tratamentos antivirais têm a vantagem de serem fáceis de administrar, de poderem ser produzidos em série e não necessitarem de armazenamento refrigerado.

O acordo prevê que a Molecular Partners comece a conduzir os testes clínicos de Fase 1 para o MP0420 em Novembro e assuma o trabalho pré-clínico restante para o MP0423. A Novartis, fica responsável por realizar os ensaios clínicos de fase 2 e 3, que correspondem às fases intermédia e avançada de desenvolvimento.

A Novartis tem opção de ficar responsável pelos restantes desenvolvimentos e da comercialização, podendo assim beneficiar da sua experiência na gestão de pedidos de autorização e distribuição de medicamentos, bem como dos recursos necessários para a fabricação.

A Molecular Partners receberá um pagamento inicial de 60 milhões de francos suíços (56 milhões de euros), sob a forma de investimento de capital, com a Novartis a planear adquirir uma participação de 6% da empresa.

Haverá ainda lugar ao pagamento de 150 milhões de francos suíços, bem como royalties “significativos” sobre as vendas, indicou a Novartis.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 29 de Outubro de 2020

Dia Mundial do AVC: INEM encaminha 13 casos por dia através da Via Verde do AVC

Dia Mundial do AVC: INEM encaminha 13 casos por dia através da Via Verde do AVC - 

Em 2020, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) encaminhou por dia, em média, 13 casos de Acidente Vascular Cerebral através da Via Verde do AVC. Uma análise dos dados disponíveis entre 1 de Janeiro e 28 de Outubro mostra que, no total, foram identificados pelo INEM e devidamente encaminhados para as unidades hospitalares 3.982 casos de AVC.

As estatísticas demonstram que mais de 42% dos casos de AVC identificados pelo INEM ocorreram nos distritos do Porto e Lisboa. O Hospital de Braga (300), o Hospital de São João – Porto (275), o Hospital de Santa Maria – Lisboa (274), o Hospital de São José – Lisboa (245) e o Hospital Padre Américo/Vale do Sousa – Penafiel (229) foram as unidades hospitalares que receberam o maior número de casos de AVC encaminhados pelo INEM.

Falta de força num braço, boca ao lado ou dificuldade em falar são os principais sinais e sintomas que podem indicar a ocorrência de um AVC. Se estes sinais forem reconhecidos, ligar imediatamente o Número Europeu de Emergência – 112 é a actuação mais adequada, pois a rápida intervenção médica especializada é vital para o sucesso do tratamento e posterior recuperação do doente.

Considerando o contexto actual de pandemia pelo novo coronavírus, importa reforçar a necessidade de os cidadãos continuarem a ligar 112 sempre que se verifique uma situação de doença súbita ou acidente. A colaboração com os profissionais do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM é fundamental para o despiste de situações de emergência médica, como é o caso do AVC.

O AVC continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal, sendo também a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos no conjunto das doenças cardiovasculares. As primeiras horas após o início dos sintomas de AVC são essenciais para o socorro da vítima, pois é esta a janela temporal que garante a eficácia dos principais tratamentos. O AVC é um défice neurológico súbito, motivado por isquemia (deficiência de irrigação sanguínea) ou hemorragia no cérebro. Para prevenir a doença, devem ser adoptados hábitos de vida saudáveis, evitar-se o tabaco e a vida sedentária e ter especial atenção a doenças como a hipertensão, diabetes ou arritmias cardíacas.

 

Fonte: Site do "inem.pt" e autor em 29 de Outubro de 2020.

Ordem é preparar vacinação em massa, mas Portugal vai aguardar avaliação da Agência Europeia de Medicamentos

Ordem é preparar vacinação em massa, mas Portugal vai aguardar avaliação da Agência Europeia de Medicamentos - 

Os hospitais britânicos estarão a preparar-se para receber a potencial vacina da Oxford já na próxima semana. Contudo, o Infarmed prefere aguardar pela avaliação da Agência Europeia de Medicamentos.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) alertou os países para começarem a preparar uma campanha de “vacinação em massa”, assim que comecem a ser disponibilizadas as primeiras vacinas contra a Covid-19. Esta semana foi também noticiado pelo The Sun que os hospitais do Reino Unido deverão começar a receber as primeiras vacinas desenvolvidas pela Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, no início da próxima semana. Ainda assim, apesar de o Governo ter já encomendado 6,9 milhões de doses desta potencial vacina, o Infarmed prefere aguardar pela avaliação da Agência Europeia de Medicamentos para avançar com uma data sobre a distribuição das primeiras doses deste fármaco.

Num relatório publicado esta segunda-feira, o Centro Europeu de Controlo de Doenças adverte que “é preciso preparar e treinar recursos humanos dedicados a uma campanha de vacinação em massa”, acrescentado que apesar de ainda não existir nenhuma aprovação de uma potencial vacina na Europa contra o novo coronavírus, quando esse momento chegar deve existir uma “monitorização activa e passiva de eventos adversos após a imunização”, “dados robustos e oportunos de cobertura de vacinação”, tanto a curto como a longo prazo e uma “monitorização da aceitabilidade da vacina e pesquisa comportamental”.

Nesse contexto, a agência europeia para a saúde pública alerta que são precisos profissionais de saúde, assim como logística, comunicação e gestão para que a campanha de vacinação funcione bem. Dado que numa fase inicial as doses disponíveis serão “limitadas”, o ECDC sinaliza a importância de garantir um “acesso ético e equitativo à vacinação”, sugerindo que sejam definidos grupos prioritários para a vacinação. Assim, deve ser ministrada primeiro aos grupos de risco, trabalhadores de sectores essenciais e grupos mais vulneráveis, tendo em conta a idade e as doenças preexistentes.

Milhares de cientistas por todo o mundo procuram uma solução para a pandemia, sendo que esta “corrida” em contra-relógio conta já com quase 200 potenciais vacinas em desenvolvimento. Destas, 154 estão em avaliação pré-clínica (sem testes em humanos) e 44 em avaliação clínica (com testes em humanos, em diferentes etapas – fases 1, 2 e/ou 3), últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicados a 19 de Outubro.

Um destes últimos casos é o da vacina que está a ser desenvolvida pela Universidade Oxford em colaboração com o laboratório AstraZeneca. Esta vacina encontra-se na fase 3 de ensaios clínicos, o que permite uma testagem alargada da potencial vacina e é crucial para aferir efeitos secundários, de modo a concluir se é eficaz e segura para a comercialização massificada. Certo é que tem demonstrado resultados promissores. De acordo com os últimos resultados preliminares divulgados, a vacina está a produzir “uma resposta imunitária robusta” em pessoas acima dos 55 anos, segundo revelou o Financial Times (acesso livre, conteúdo em inglês). Trata-se de uma descoberta particularmente relevante pelo grupo etário considerado, dado ser a idade mais avançada um factor de risco para o desenvolvimento de complicações associadas à Covid-19 e para a mortalidade.

Esta notícia surgiu, após os ensaios terem sido suspensos no início de Setembro, depois de ter sido identificada uma suspeita de reacção adversa séria num participante do estudo. Contudo, dias depois o estudo foi retomado. Ainda em Julho, a vacina já demonstrava sinais promissores, com os primeiros dados a apontarem para o facto de se estar perante uma vacina segura, que produzia uma resposta imunitária e que não provocava “efeitos secundários graves”.

Na sequência destes resultados, o The Sun revelou também esta segunda-feira que alguns responsáveis dos maiores hospitais de Londres receberam indicações de que as primeiras doses da vacina chegarão na primeira semana de Novembro. Contudo, o secretário de Estado da Saúde, Matt Hancock, veio posteriormente resfriar as expectativas, dizendo que “não descarta essa possibilidade”, mas que a expectativa central é a de que “a maior parte dos lançamentos ocorra no primeiro semestre do próximo ano”, disse em declarações ao The Sun (acesso livre, conteúdo em inglês).

Certo é que a Comissão Europeia já reservou antecipadamente 300 milhões de doses desta futura vacina, estando neste lote incluídas 6,9 milhões de doses para Portugal. Tal como explicou o Infarmed aquando do anúncio, as vacinas serão distribuídas proporcionalmente, conforme o número de habitantes por país. E se numa fase inicial a expectativa era a que de as primeiras doses chegassem em Dezembro, agora preferem não antecipar datas. “A utilização da referida vacina na União Europeia está dependente do cumprimento do processo de avaliação da segurança, eficácia e qualidade pela Agência Europeia de Medicamentos“, afirma ao ECO, fonte oficial do Infarmed, acrescentando que “nestas circunstâncias qualquer vacina para a Covid-19 depende desta apreciação, pelo que só após o seu cumprimento se poderá considerar a sua utilização na União Europeia”.

Esta parece ser a mesma estratégia utilizada pelas autoridades de saúde nacionais nos testes rápidos à Covid-19, já que só depois de ter sido demonstrada a sua forte eficácia é que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) decidiu utilizá-los, isto apesar de já serem utilizados em vários países a nível mundial. Segundo a nova norma da DGS, os testes devem ser utilizados apenas nos casos suspeitos sintomáticos, surtos de Covid e para testar profissionais de saúde. Graça Freitas explicou que a DGS só agora tomou a decisão de usar estes testes porque “são o resultado da evolução do conhecimento”. “Já andamos há muito tempo a ouvir falar de testes rápidos”, mas “só agora temos disponíveis no mercado testes rápidos com boa sensibilidade e boa especificidade”, justificou. Os testes mostram o resultado em 15 a 30 minutos e começaram a ser utilizados dentro de duas semanas.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco.sapo.pt" e autor em 29 de Outubro de 2020.