Eis o catálogo mais detalhado da complexa genética do cancro

Eis o catálogo mais detalhado da complexa genética do cancro - 

Análise a mais de 2600 genomas de cancros aumentará a compreensão sobre o desenvolvimento de tumores e o que pode causá-los.

Mais de 1300 cientistas e clínicos analisaram 2658 genomas de amostras de 38 tipos de cancro. Daqui resultou o maior e mais detalhado catálogo de genomas de cancros até à data. Este trabalho é apresentado esta quarta-feira em mais de 20 artigos publicados em diferentes revistas científicas do grupo Nature. Como traz um maior conhecimento das mudanças biológicas que levam ao desenvolvimento do cancro, este catálogo é um contributo para futuros projectos que resultem em novos tratamentos clínicos.

O cancro é a segunda causa de morte mais frequente no mundo (a seguir às doenças cardiovasculares), matando mais de oito milhões de pessoas todos os anos, alertam os cientistas num dos artigos científicos. De forma simplificada, o cancro é causado por mutações genéticas no ADN de uma célula. Essas mudanças permitem que a célula se divida descontroladamente. O tabaco ou a luz ultravioleta estão entre as causas de cancro. Porquê? Porque deixam “impressões digitais” que danificam o ADN das células e que se designam “assinaturas mutacionais”.

Estas assinaturas são determinantes para perceber como o cancro se desenvolve e como pode ser evitado. Contudo, como explicam os cientistas num comunicado sobre o trabalho, estudos anteriores não tinham tido dimensão suficiente para identificar todas as potenciais assinaturas mutacionais do cancro.

Para as identificar, cientistas e clínicos de todo o mundo – incluindo o português Nuno A. Fonseca, agora no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto – juntaram-se no consórcio Análise Pan-cancro de Todos os Genomas (PCAWG). Este consórcio fez agora o maior e mais abrangente estudo de genomas de cancro, sequenciando e analisando ao todo o genoma completo de 2658 amostras de cancro.

“A maioria dos grandes estudos anteriores concentrava-se na codificação de proteínas de 2% do genoma”, indica Joachim Weischenfeldt, da Universidade da Copenhaga (na Dinamarca) e um dos autores do artigo. “Agora estudámos e analisámos todo o genoma. As nossas análises sobre as mutações que afectam os genes do cancro permitem-nos explicar geneticamente 95% das ocorrências de cancro que estudámos.”

Durante o trabalho, descobriram-se, em média, entre quatro e cinco mutações promotoras do cancro nos tumores analisados. Estas mutações dão às células cancerosas uma vantagem essencial para se conseguirem desenvolver. Em 91% das amostras encontrou-se, pelo menos, uma destas mutações. Já em 5% das amostras não se detectou nenhuma, o que significa que é necessária mais investigação para detectar novas mutações promotoras. As novas assinaturas mutacionais poderão dar-nos mais conhecimento sobre os processos que desencadeiam cancro.

Datar as mutações

Anuncia-se também que, através de um novo método de datação, é possível identificar mutações que ocorreram anos – ou até mesmo décadas – antes do surgimento de um tumor. “Teoricamente, isto é uma janela de oportunidade para a detecção precoce do cancro”, salienta-se no comunicado. Os resultados do estudo podem ainda permitir identificar com precisão os diferentes tipos de tumor, o que pode ajudar nos tratamentos.

Ao sequenciar as amostras dos tumores também se sequenciou o ADN de agentes patogénicos aí presentes, o que tornou possível detectar e quantificar vírus. Descobriram-se assim sinais de vírus em 13% das amostras, bem como alguns dos mecanismos que esses vírus usam para desencadear mutações carcinogénicas.

Ao todo, identificaram-se 11 agentes patogénicos causadores de cancro (como a Helicobacter pylori, que pode provocar úlceras no estômago associadas ao cancro gástrico) e 23 tipos diferentes de vírus (como o de Epstein-Barr, conhecido por causar diferentes tipos de cancro, entre eles o linfoma e o cancro do estômago).

“Isto dá-nos uma oportunidade fantástica para recolher dados e encontrar novas associações entre os vírus e os diferentes tipos de cancro”, afirma Daniel Brewer, do Instituto Earlham (no Reino Unido) e um dos autores deste trabalho, que já é considerado o estudo mais abrangente de vírus encontrados em diferentes tipos de cancro.

Por tudo isto, a equipa concluiu que o genoma do cancro é “finito e conhecível, mas muitíssimo complicado”. Como tal, espera que um dia se consigam caracterizar todas as mutações genéticas do cancro e todos os processos que geram essas alterações. Este estudo aproximou-nos desse objectivo: os autores indicam mesmo que se está mais perto de catalogar todas as vias biológicas envolvidas no cancro e de se ter uma perspectiva global dos seus efeitos no genoma.

Melhores tratamentos

“Usando o nosso detalhado catálogo de assinaturas mutacionais no ADN do cancro, investigadores de todo o mundo serão agora capazes de investigar que químicos ou processos estão ligados a essas assinaturas”, considera por sua vez Mike Stratton, director do Instituto Wellcome Sanger (em Inglaterra) e um dos cientistas que assinam a investigação. “Isto aumentará a nossa compreensão sobre como o cancro se desenvolve, permitirá descobrir novas causas de cancro e ajudará a informar o público sobre estratégias de saúde pública para evitar o cancro.”

Já Ludmil Alexandrov, da Universidade da Califórnia, em São Diego (nos EUA), e também autor do trabalho, acrescenta: “Os dados vindos desses milhares de cancros permitem-nos descrever assinaturas mutacionais com muito mais detalhe do que alguma vez tínhamos conseguido e estamos confiantes de que agora conhecemos a maioria das assinaturas que existem.” E Steven Rozen, da Escola Médica da Universidade de Duke e da Universidade Nacional de Singapura, explica que alguns tipos dessas assinaturas mutacionais reflectem a forma como o cancro poderá responder à medicação, o que pode ser usado em futuras investigações e melhorar tratamentos oncológicos.

A sequenciação dos mais de 2600 genomas está disponível online para investigadores de todo o mundo e seguir-se-á mais investigação sobre estes dados. Num comentário ao trabalho, Marcin Cieslik e Arul Chinnaiyanin (ambos da Universidade do Michigan, nos EUA, e que não participaram no consórcio) referem mesmo que esses dados deverão ser usados, bem como os dados clínicos dos doentes, para se identificarem mutações genéticas que permitirão antever resultados clínicos. “O impacto a longo prazo desta investigação não se ficará só pelos resultados publicados agora, também surgirá de colaborações e de trocas de conhecimentos que aconteceram entre membros deste consórcio de investigadores.” 

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 6 de Fevereiro de 2020.

Despesas com medicamentos para animais passam a ser dedutíveis no IRS

Despesas com medicamentos para animais passam a ser dedutíveis no IRS - 

Medida do PAN contou com a abstenção do PSD e o voto contra do PCP.

As despesas com medicamentos para animais de companhia passam a ser dedutíveis no IRS. A proposta do PAN - Pessoas, Animais e Natureza foi aprovada com os votos a favor do Bloco de Esquerda, Partido Socialista, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. O PSD optou pela  abstenção e o PCP pelo voto contra.

"Os medicamentos veterinários assumem importância na prevenção e tratamento das doenças que afectam os animais. Atendendo a que na União Europeia, a venda de produtos para saúde animal carece de aprovação oficial (“Registados” ou “Licenciados”) pelas autoridades nacionais e/ou europeias, assente numa avaliação científica por peritos independentes, a despesa com medicamentos veterinários deve também estar sujeita a dedução em matéria de IRS", lê-se na proposta. 

Em matéria de protecção animal, o partido defende também, nas 150 propostas de alteração ao Orçamento do Estado que é votado esta quinta-feira, a redução do IVA nos actos médico-veterinários de 23% para 6%, assim como um aumento da verba para os Centros de Recolha Oficial de Animais (CROA) de  2 milhões de euros para 5 milhões.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 6 de Fevereiro de 2020.

OE2020: Aprovada criação do Laboratório Nacional do Medicamento

OE2020: Aprovada criação do Laboratório Nacional do Medicamento - 

Durante as votações das propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), foi aprovada a criação do Laboratório Nacional do Medicamento (LNM).

Esta foi uma proposta do PCP, aprovada pelo PCP, PS e Bloco de Esquerda, com a abstenção do PAN, CDS-PP e Chega, enquanto o PSD e a Iniciativa Liberal votaram contra.

“A criação do Laboratório Nacional do Medicamento permite ao Estado deixar de estar refém da indústria farmacêutica. É uma medida que visa salvaguardar a independência e a soberania do Estado no sector do medicamento e a concretização de uma política do medicamento centrada nos interesses públicos e dos utentes”, indica o documento dos comunistas.

Pode ainda ler-se na proposta que “a posição predominante de que goza a indústria farmacêutica, sobretudo as empresas multinacionais, permite-lhe impor as suas condições e preços, para salvaguardar os seus lucros, ficando o país remetido para uma posição de subserviência e de dependência de estratégias comerciais”.

Segundo o documento, ao LNM será aplicado o mesmo regime jurídico dos laboratórios do Estado e terá a “missão de contribuir para o desenvolvimento da investigação e produção de medicamento, dispositivos médicos e outros produtos de saúde, diminuindo a dependência do país em face da indústria farmacêutica e afirmando a soberania nacional nessa área”.

“O LNM sucede ao Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos (LMPQF) em todos os seus direitos e obrigações”, indica a proposta, tendo a “missão específica” de presar apoio às Forças Armadas, assim como na área assistencial o apoio farmacêutico a militares e deficientes das Forças Armadas.

Os comunistas referem ainda que a ideia não é extinguir o actual Laboratório Militar, sublinhando o papel desta instituição na produção de medicamentos para o Serviço Nacional de Saúde, sobretudo aqueles que deixaram de ter interesse económico para as farmacêuticas, mas que continuam a ser necessários a tratamentos.

“Trata-se de manter e valorizar a rica experiência do Laboratório Militar, aumentando os recursos que lhe estão afectos, e criando condições materiais e institucionais para que possa alargar a sua actividade, correspondendo não apenas às necessidades das Forças Armadas, mas a outras necessidades, por via da sua conexão com as políticas da Saúde e do Medicamento”, explicam.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 6 de Fevereiro de 2020.

Smart4Health: o agregador de dados clínicos português chega à Europa

Smart4Health: o agregador de dados clínicos português chega à Europa - 

Os cidadãos europeus vão poder aceder a todos os seus dados clínicos através de um registo electrónico de saúde desenvolvido por investigadores portugueses.

O objectivo da plataforma Smart4Health é agregar num único sítio todos os dados de saúde e registos médicos, e disponibilizá-los aos próprios cidadãos, explica Ricardo Jardim Gonçalves, professor e investigador na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA).

“Com este projecto, as pessoas passam a ser donas dos seus dados de saúde”, disse o investigador que vai representar Portugal na 11.ª Comissão Europeia da Inovação na quarta-feira, acrescentando que até agora o acesso dos pacientes aos seus registos era limitado.

A Smart4Health é um dos três projectos do programa Horizon 2020 da Comissão Europeia (dedicado à investigação e à inovação) com a coordenação portuguesa do Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias (Uninova) da FCT NOVA.

Segundo Ricardo Jardim Gonçalves, este é o mais importante dos três projectos e aquele com maior impacto imediato na sociedade, uma vez que vai permitir que todas as unidades de saúde tenham acesso ao histórico clínico completo dos pacientes.

“Isto vai permitir que se um cidadão europeu precisar, por qualquer motivo, ir a uma consulta noutro país, tenha acesso imediato aos seus dados e os possa disponibilizar ao médico”, exemplificou, sublinhando que a plataforma também vai evitar a repetição de exames e permitir diagnósticos mais completos.

O investigador adiantou que um outro objectivo da Smart4Health é a monitorização permanente dos cidadãos que o queiram, através de dispositivos inteligentes e de sensores capazes de comunicar entre si, que permitam, por exemplo, registar a actividade física, a frequência cardíaca ou a tensão arterial em qualquer momento.

Segundo Ricardo Jardim Gonçalves, os investigadores estão a trabalhar em colaboração com quatro hospitais europeus: na Madeira, Alemanha, Holanda e Itália.

Além da Smart4Health, Portugal vai apresentar ao Parlamento outros dois projectos coordenados pela Uninova, na área da indústria, com uma plataforma digital que permite o fabrico de produtos sem defeito, e da inovação digital, através de uma rede de ‘Hubs’ nesta área.

Os três projectos totalizam um investimento de 38 milhões de euros e, para o investigador, representam a “consolidação da reputação” da FCT e do papel de Portugal na vanguarda da investigação e da inovação.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 5 de Fevereiro de 2020.

Crianças e jovens esperam meses por medicamento

Crianças e jovens esperam meses por medicamento - 

A encomenda do fármaco foi feita em Julho, mas os concursos só abriram em Dezembro e Janeiro.

Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CRPCCG) faz esperar, há meses, vários adolescentes e crianças por um medicamento para a dor, revela o “Jornal de Notícias” esta quarta-feira.

Segundo o “JN”, a encomenda do fármaco foi feita em Julho, mas os concursos só abriram em Dezembro e Janeiro.

O jornal relata o caso de Inês Lagartinho, uma jovem de 24 anos com paralisia cerebral que está a perder a funcionalidade das mãos e em risco de não concluir a licenciatura devido à falta do medicamento.

A mãe de Inês, Helena, inquiriu ontem a responsável clínica do CRPCCG devido à falta do medicamento. A especialista disse que não havia disponível o medicamento em causa, nem sabia quando o teria.

Todavia, ainda ontem, após questões colocadas pelo “JN”, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que gere aquela unidade da Segurança Social, informou que vai receber esta quarta-feira as primeiras unidades de toxinas botulínicas que “serão reencaminhadas para as situações prioritárias”.

O fármaco no privado custa cerca de 300 euros a dose. De acordo com a mãe de Inês, este valor é incomportável para várias famílias que são seguidas no Centro de Reabilitação.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 5 de Fevereiro de 2020.

OE2020: Contratos de trabalho na saúde deixam de precisar de autorização das Finanças

OE2020: Contratos de trabalho na saúde deixam de precisar de autorização das Finanças - 

Foi aprovada por unanimidade uma proposta da Iniciativa Liberal (IL) de alteração ao Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), retirando da alçada do Ministério das Finanças a autorização para celebrar contratos de trabalho na saúde.

Esta proposta indica que “os níveis retributivos, incluindo suplementos remuneratórios, dos trabalhadores com contrato de trabalho no âmbito dos estabelecimentos ou serviços do SNS [Sistema Nacional de Saúde] com natureza de entidade pública empresarial, celebrado após a entrada em vigor da presente lei, não podem ser superiores e são estabelecidos nos mesmos termos dos correspondentes aos trabalhadores com contrato de trabalho em funções públicas inseridos em carreiras gerais ou especiais”.

Antes os contratos que ultrapassassem este requisito careciam de autorização dos responsáveis das Finanças e da Saúde. Com esta alteração deixa de haver necessidade de autorização por parte das Finanças.

Numa primeira votação, todos os partidos votaram a favor, à excepção do Bloco de Esquerda, que se absteve. Contudo estes acabaram por mudar o seu sentido de voto, acabando a aprovação por ser por unanimidade.

Para além desta, foi ainda aprovada outra proposta da IL sobre a consolidação da mobilidade e cedência no SNS, que também deixou de passar pela autorização do ministro das Finanças, em que todos os deputados votaram a favor, à excepção do PS.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 4 de Fevereiro de 2020.