Campanha "Dê troco a quem precisa" angariou mais de 35 mil euros

Campanha "Dê troco a quem precisa" angariou mais de 35 mil euros - 

Campanha nacional decorreu até 25 de Dezembro em mais de 700 farmácias.

A campanha "Dê troco a quem precisa" recolheu mais de 35 mil euros na última edição, que decorreu em Dezembro em farmácias de todo o país e permitiu incluir mais 357 pessoas carenciadas no fundo solidário do 'Programa abem:'.

De acordo com a Associação Dignitude, responsável pelo 'Programa abem: Rede Solidária do Medicamento', esta 5.ª edição da campanha recebeu um total de 52.840 donativos, que vão permitir apoiar pessoas carenciadas na compra de medicamentos prescritos durante um ano.

A campanha, que decorreu entre 16 e 25 de Dezembro, convidou os portugueses a doar o troco resultante das compras efectuadas nas farmácias ao 'Fundo Solidário abem:', que é totalmente aplicado na compra de medicamentos dos beneficiários da rede.

No final de 2019, esta rede contava com 12.000 beneficiários, dos quais 13% crianças.

"Estamos gratos pela solidariedade que os portugueses demonstraram, mais uma vez, através de uma forte adesão à campanha. Contamos com a ajuda de todos para, até final deste ano, conseguirmos ajudar 20.000 pessoas em situação de carência de medicação", disse Maria de Belém Roseira, uma das embaixadoras da Associação Dignitude, entidade dinamizadora do 'Programa abem:'.

O 'Programa abem: Rede Solidária do Medicamento' é um projecto lançado pela Associação Dignitude para permitir o acesso aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os comprar, cobrindo, no receituário, o valor não comparticipado pelo Estado.

O 'abem:' está presente em todos os distritos do país e regiões autónomas e tem como base uma rede de parcerias que assegura o circuito solidário do medicamento.

Qualquer pessoa em situação de carência pode ser referenciada ao programa pelas entidades locais, que vão desde juntas de freguesia a câmaras municipais, passando pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social e outras instituições da área.

Depois de referenciado, o beneficiário tem acesso a um cartão, bastando apresentá-lo numa farmácia da rede para poder comprar os medicamentos comparticipados que lhe forem receitados.

A despesa realizada é coberta pelo Fundo Solidário, 100% dedicado à co-comparticipação de medicamentos dentro do programa, alimentado por uma campanha permanente de angariação de fundos.

A nível nacional, o programa já apoiou 12.190 beneficiários de 6.666 famílias. Os dados da Dignitude indicam que já foram compradas 418.930 embalagens de medicamentos desde o início do programa, em maio de 2016.

Segundo a associação, a avaliação de impacto social do projecto revela que "o programa gerou nos dois primeiros anos um retorno social de 6,9 milhões de euros, mostrando que cada euro investido teve um impacto social valorizado em 7,8 euros".

 

Fonte: Site do Jornal "Correio da Manhã" e autor em 22 de Janeiro de 2020.

São João implanta dispositivo inovador em doentes com Parkinson

São João implanta dispositivo inovador em doentes com Parkinson - 

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) implantou hoje um dispositivo médico "inovador" que, ao registar informação sobre dados cerebrais de doentes com Parkinson, "abre a possibilidade de o tratamento ser mais adaptado" ao estado clínico do doente.

"A ideia base é ver se somos capazes de evoluir do tratamento da doença para o tratamento do doente", afirmou Rui Vaz, director do serviço de Neurocirurgia do CHUSJ e responsável pela equipa que fez, esta manhã, o implante do dispositivo médico "inovador".

Em entrevista à Lusa, o neurocirurgião avançou que este dispositivo, intitulado 'BrainSense', além de ser capaz de "estimular o cérebro, permite também captar informação sobre as ondas cerebrais [ondas beta] que estão relacionadas com os sintomas de Parkinson".

"O tratamento actual é praticamente constante ao longo de todo o dia, quando a doença em si, oscila ao longo do dia. Portanto, este será o primeiro passo para, através dos registos obtidos, adaptarmos o tratamento ao estado clínico do doente durante o dia, com menos tratamento nas fases em que se encontra bem e mais tratamento nas fases em que se encontra mal", explicou.

Segundo Rui Vaz, o estimulador, que foi implantado esta manhã numa mulher com Parkinson, "não difere em nada para o doente", sendo que é até "mais pequeno" do que o dispositivo usualmente utilizado.

"O tamanho da bateria é ligeiramente menor, mas para o doente é tudo igual", garantiu, adiantando, contudo, que a tecnologia é "15% mais cara do que a bateria normal".

"O dispositivo custa 15% mais do que a bateria normal, mas esperamos nós que estes 15% sejam compensados, uma vez que, ao adaptar-se à doença, a bateria dura também mais tempo", sublinhou.

À Lusa, o neurocirurgião adiantou que, neste momento, o neuro estimulador é apenas aplicável a doentes parkinsonianos com síndrome acinética-rígido, isto é, com os movimentos limitados.

"Vamos, prudentemente, ver os resultados que conseguimos. Há uma base científica suficientemente forte, mas a experiência clínica séria está agora a iniciar-se e, enquanto não houver mais evidência sobre as formas tremóricas [síndrome do Parkinson], não o colocaremos", concluiu.

O Centro Hospitalar Universitário de São João foi o terceiro hospital, a nível mundial, a implantar este dispositivo médico, sendo que, até ao momento, apenas dois hospitais alemães também o fizeram.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 21 de Janeiro de 2020.

Portugal tem a maior taxa de mortalidade por AVC na Europa Ocidental

Portugal tem a maior taxa de mortalidade por AVC na Europa Ocidental - 

Portugal tem taxas de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) superiores às de todos os países da Europa ocidental, segundo o Atlas da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Segundo o estudo apresentado em Lisboa, pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), “Portugal ocupa apenas a 25.ª posição (em 51 países) entre as mulheres e a 28.ª posição entre os homens, com mortalidades superiores às de todos os países da Europa Ocidental”.

Em termos do impacto do AVC na mortalidade, anos de vida perdidos ajustados por incapacidade, anos de vida vividos com incapacidade e anos de vida perdidos os resultados são “claramente insatisfatórios”, refere o estudo, afirmando, a título de exemplo, que a mortalidade por esta doença em Portugal “é o dobro da observada na França”.

Contudo, tem “excelentes resultados” em termos do impacto da doença coronária na mortalidade e tem “bons resultados” no que respeita à doença cardíaca hipertensiva, refere a análise que inclui todos os países da Europa e ainda países da África do Norte, do Golfo Pérsico e da antiga União Soviética.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da SPC, Victor Gil, afirmou que os dados vão no sentido dos indicadores nacionais e que indicam que “Portugal está razoavelmente bem” relativamente às doenças isquémicas do coração, mas “menos bem” no acidente vascular cerebral, em que “há um grande caminho a percorrer e muito trabalho a fazer”.

“Existem aspectos muito bons, como é o caso da cardiopatia isquémica, doença relacionada com as coronárias, sendo que o grande desafio é manter e se possível melhorar o que já se conseguiu”, defendeu.

Para Victor Gil, os resultados obtidos têm sido “muito fruto da capacidade organizativa dos cardiologistas portugueses e da resposta que têm conseguido dar aos grandes desafios”, que se tem repercutido “numa melhoria da sobrevivência”.

“Houve de facto uma melhoria muito importante do tratamento do enfarte do miocárdio e o sistema está montado e funciona”, apesar de ainda haver zonas do país que é preciso “cobrir melhor” e aspectos melhorar, nomeadamente no transporte secundário de doentes críticos.

O estudo, que faz o retrato da saúde cardiovascular na Europa, indica que Portugal, em comparação com os países analisados, “parece ter um número suficiente/excessivo de médicos, mas um número claramente deficitário de enfermeiros”.

“Há menos enfermeiros em termos de medicina cardiovascular do que nos países comparadores, menos unidades de cuidados intensivos cardíacos, que têm vindo a desaparecer em Portugal a favor de unidades polivalentes, e nós defendemos que, sobretudo, nos centros de grande diferenciação devem continuar a existir”, salientou Victor Gil.

Segundo o Atlas, o número total de cirurgiões cardíacos e de cardiologistas “parece ser adequado, mas existe um grande desequilíbrio entre as sub-especialidades de cardiologia, com um número médio adequado de eletrofisiologistas, mas um número aparentemente deficitário de cardiologistas de intervenção”.

Para o presidente da SPC, estas assimetrias são reflexo de não haver “qualquer tipo de planificação em Portugal” na formação nas sub-especialidades.

Em comparação com os outros países, Portugal tem um número elevado de hospitais com aparelhos de TAC e Ressonância Magnética Nuclear, embora não seja clara a geração tecnológica destes aparelhos.

Tem também um “elevado número” de hospitais a implantar pacemakers permanentes, desfibrilhadores, sistemas de ressincronização cardíaca e procedimentos de eletrofisiologia, em linha com a maior parte dos países da Europa Ocidental.

Contudo, tem “um claro deficit” de hospitais com camas de cardiologia, de camas de cuidados intensivos cardíacos, de programas de reabilitação cardíaca intra e extra–hospitalar.

“Os orçamentos que têm sido atribuídos à saúde têm sido no patamar mais baixo e mesmo assim temos obtido resultados bons, o que significa que se forem atribuídos mais recursos provavelmente nós conseguiremos atingir o pelotão dos melhores em relação a todos os indicadores”, defendeu Victor Gil.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 21 de Janeiro de 2020.

Infarmed e Agência Europeia do Medicamento recomendam suspensão de medicamento por risco de cancro de pele

Infarmed e Agência Europeia do Medicamento recomendam suspensão de medicamento por risco de cancro de pele - 

A Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla inglesa) e a autoridade nacional portuguesa (Infarmed) recomendam a suspensão da utilização do medicamento Picato (mebutato de ingenol), como medida preventiva de protecção da saúde pública, enquanto decorre a revisão do risco de cancro de pele.

Este medicamento - um gel cujo princípio activo é o mebutato de ingenol - está indicado para o tratamento cutâneo de queratose actínica não-hiperqueratósica e não-hipertrófica em adultos.

"O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) da EMA está actualmente a rever os dados sobre cancro de pele em doentes que usam Picato, tendo verificado uma maior ocorrência de cancro de pele em doentes em tratamento com este medicamento comparativamente a outro medicamento para queratose actínica", informa a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) numa nota de informação.

Assim, e enquanto decorre a revisão de segurança deste medicamento, o PRAC recomendou a suspensão da autorização de introdução no mercado (AIM) como medida de precaução, tendo em conta que existem tratamentos alternativos.

Assim, a EMA e o Infarmed recomendam aos profissionais de saúde que devem "parar de prescrever Picato e considerar diferentes opções de tratamento". "Devem aconselhar os doentes a estarem atentos ao desenvolvimento de lesões na pele e procurar assistência médica imediatamente após a detecção", diz o Infarmed.

Já os doentes devem deixar de usar Picato para o tratamento da queratose actínica e falar com o médico assistente para identificação de um tratamento alternativo. "Caso verifiquem a existência de alterações ou crescimentos invulgares na pele, devem procurar assistência médica imediatamente", lê-se na nota.

A EMA e o Infarmed continuarão a acompanhar este assunto e divulgarão nova informação quando for concluída a revisão de segurança.

Em caso de dúvida ou pedido de informações deve contactar o Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde (CIMI); Tel. 21 798 7373; Fax: 21 111 7552; E-mail: cimi@infarmed.pt; Linha do Medicamento: 800 222 444.

 

Fonte:  Site "lifestyle.sapo.pt/saude" e autor em 20 de Janeiro de 2020.

Medicamento que previne o VIH pode vir a ser dispensado nas farmácias

Medicamento que previne o VIH pode vir a ser dispensado nas farmácias - 

Medicamento que previne o VIH e que é de uso exclusivo dos hospitais pode vir a estar disponível nas farmácias para poder chegar a mais pessoas, admitiu Isabel Aldir.

Cerca de 1.200 pessoas estão a fazer profilaxia pré-exposição da infecção por VIH (PrEP) em Portugal, mas para se atingir um valor desejável será preciso aumentar por dez o número destas pessoas, defendeu Isabel Aldir, num evento na Câmara de Lisboa, no qual o presidente da autarquia, Fernando Medina, anunciou que a capital portuguesa vai acolher em Setembro a conferência internacional Fast-Track Cities 2020.

A médica infeciologista explicou que a PrEP, que consiste na toma de medicação antirretroviral por pessoas que não vivem com o VIH, mas que se encontram em situação de elevada vulnerabilidade à infecção, “funciona de uma forma muito robusta”, mas para tirar “todos os dividendos em termos de saúde pública” seria necessário abranger entre 10 mil e 15 mil pessoas.

Para alcançar este objectivo, defendeu algumas estratégias como rever a forma como é disponibilizado este medicamento classificado pelo Infarmed como de uso exclusivo das farmácias hospitalares. “Isso pode passar por alterar essa classificação para que possa também existir na farmácia comunitária como tantos outros”, disse Isabel Aldir à agência Lusa no final do evento.

A directora do Programa Nacional para a Infecção VIH/Sida e Hepatites Virais explicou que a profilaxia de pré-exposição assenta actualmente apenas na rede e nos clínicos que recebem as pessoas com infecção por VIH.

“Só que estamos a falar de uma prevenção e a prevenção deve estar o mais próximo possível da população e temos ainda de ter consciência de que estamos a tratar, por vezes, de populações que, por múltiplas razões, têm um acesso mais dificultado às estruturas formais de saúde”, salientou

Para a infeciologista, uma das “formas mais rápidas” e eficazes de chegar a estas pessoas é “trabalhar com organizações de base comunitária que conhecem essas populações” e que têm “uma facilidade muito grande” no contacto com elas.

“Não se exclui aqui os cuidados de saúde primários, nem os cuidados hospitalares, que também têm um papel muito importante a fazer, mas este trabalho conjunto com a organizações de base comunitária será certamente” fundamental.

No seu entender, é também necessário aumentar a literacia dos profissionais de saúde para que poderem identificar e disseminar a informação junto das suas populações.

“E eventualmente se virmos que estão esgotadas todas as capacidades de resposta dentro do SNS equacionar a possibilidade de poder haver acesso à PrEP em termos de medicina privada”, uma realidade que existe em muitos países, admitiu.

Neste caso, sublinhou que a sua única reserva é garantir que a utilização e os dados referentes a essa utilização sejam obrigatoriamente monitorizados.

“O que me importa é qualquer pessoa que precise de PrEP tenha acesso a ela e isso é que deve ser de facto o nosso objectivo”, disse, rematando: “Temos ainda um longo caminho a percorrer, mas temos que o percorrer de uma forma rápida porque se não o fizermos todo o beneficio que poderíamos tirar da PrEP não vai ser conseguido da forma como poderia ser feito”.

Segundo o relatório “Infecção VIH e SIDA – situação em Portugal em 2019”, a maioria das pessoas que estão a fazer profilaxia PrEP são homens, muito escolarizados e que vivem nas grandes cidades.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 20 de Janeiro de 2020.

Falta de novos antibióticos ameaça esforços para combater infecções resistentes

Falta de novos antibióticos ameaça esforços para combater infecções resistentes - 

Relatórios revelam um fraco fluxo de novos agentes antibióticos.

O declínio do investimento privado e a falta de inovação no desenvolvimento de novos antibióticos estão a ameaçar os esforços para combater as infeções resistentes a medicamentos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dois novos relatórios revelam um fraco fluxo de novos agentes antibióticos.

Os 60 produtos em desenvolvimento (50 antibióticos e 10 biológicos) trazem pouco benefício sobre os tratamentos existentes e muito poucos têm como alvo as bactérias resistentes mais críticas (bactérias gram-negativas).

Embora os candidatos em fase inicial de testes sejam mais inovadores, ainda levará anos até chegarem aos doentes.

"Nunca a ameaça de resistência anti-microbiana foi mais imediata e a necessidade de soluções mais urgente", diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

"Várias iniciativas estão em andamento para reduzir a resistência, mas também precisamos que os países e a indústria farmacêutica contribuam com financiamento sustentável e novos medicamentos inovadores", acrescentou.

Dois novos relatórios ("Agentes anti-bacterianos no desenvolvimento clínico - uma análise do 'pipeline' de desenvolvimento clínico anti-bacteriano e publicação complementar" e "Agentes anti-bacterianos no desenvolvimento pré-clínico") também constataram que a pesquisa e o desenvolvimento de antibióticos são dirigidos principalmente por pequenas ou médias empresas, com as grandes empresas farmacêuticas a saírem de cena.

Em 2017, a OMS publicou a lista de agentes patogénicos prioritários, 12 classes de que apresentam riscos crescentes para a saúde humana porque são resistentes à maioria dos tratamentos existentes.

A lista foi desenvolvida por um grupo de especialistas independentes liderado pela OMS para incentivar a comunidade de investigação médica a desenvolver tratamentos inovadores para essas bactérias.

Dos 50 antibióticos em desenvolvimento, 32 têm como alvo os patogénicos prioritários da OMS, mas a maioria tem apenas benefícios limitados quando comparados com os antibióticos já existentes.

Dois deles são contra as multirresistentes bactérias gram-negativas que se estão a espalhar rapidamente e a precisar de soluções urgentes, considera a OMS.

As bactérias gram-negativas, como a 'Klebsiella pneumoniae' e a 'Escherichia coli', podem causar infecções graves e muitas vezes mortais que representam uma ameaça específica para pessoas com sistema imunológico fraco ou ainda não totalmente desenvolvido, incluindo recém-nascidos, população idosa e pessoas submetidas a cirurgias e tratamentos oncológicos.

O relatório destaca uma lacuna preocupante na actividade contra o NDM-1 altamente resistente (metalo-beta-lactamase de Nova Délhi 1), com apenas três antibióticos na calha.

O NDM-1 torna as bactérias resistentes a uma ampla gama de antibióticos, incluindo os da família carbapenem, que hoje são a última linha de defesa contra infecções bacterianas resistentes.

"É importante concentrar o investimento público e privado no desenvolvimento de tratamentos eficazes contra as bactérias altamente resistentes, porque estamos a ficar sem opções", alerta Hanan Balkhy, director geral assistente da OMS para a resistência anti-microbiana.

"E precisamos de garantir que, tendo esses novos tratamentos, eles fiquem disponíveis para todos que precisam deles", acrescentou.

Numa nota mais positiva, a linha de agentes anti-bacterianos para o tratamento da tuberculose e do 'Clostridium difficile' (que provoca diarreia) é mais promissora, com mais da metade dos tratamentos a cumprir todos os critérios de inovação definidos pela OMS.

O 'pipeline' pré-clínico mostra mais inovação e diversidade, com 252 agentes para tratar os patogénicos prioritários da OMS a serem desenvolvidos.

Dois a cinco produtos estarão disponíveis em cerca de 10 anos

No entanto, estes produtos estão em fases iniciais de desenvolvimento e ainda precisam de ser comprovadamente eficazes e seguros. O cenário optimista, indica o relatório, aponta para dois a cinco primeiros produtos disponíveis em cerca de 10 anos.

A OMS sublinha igualmente que novos tratamentos, por si só, não serão suficientes para combater a ameaça de resistência anti-microbiana, lembrando que trabalha com países e diversos parceiros para melhorar a prevenção e controlo de infecções e promover o uso apropriado de antibióticos.

Na área de investigação e desenvolvimento, a OMS e a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) estabeleceram a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP), uma organização sem fins lucrativos que acelera o desenvolvimento de novos antibióticos para combater infecções resistentes a medicamentos.

A estratégia da GARDP passa por cinco novos tratamentos até 2025.

A organização está a trabalhar com mais de 50 parceiros do sector público e privado em 20 países para desenvolver e garantir acesso sustentável a tratamentos, promovendo o uso responsável e a acessibilidade a todos.

 

Fonte: Site da "sicnoticias.pt" e autor em 17 de Janeiro de 2020.