Défice do SNS até Novembro é sete vezes superior à meta prevista para 2019

Défice do SNS até Novembro é sete vezes superior à meta prevista para 2019 - 

Marcelo e Costa fixaram a saúde como a prioridade para 2020. Contas do SNS revelam derrapagem face à meta cada vez maior. Ministério da Saúde explica agravamento com investimento no sector.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) acumulou até Novembro do ano passado um défice de 654 milhões de euros, um agravamento de quase 100 milhões de euros face ao saldo registado até Outubro. Em Abril, as contas da saúde começaram a afastar-se da meta traçada pelo Governo para o conjunto do ano. Neste momento, o défice do SNS é sete vezes superior ao previsto para 2019. Ao ECO, o Ministério da Saúde justifica o agravamento das contas com o investimento no sector.

Os novos dados sobre as contas da saúde constam do boletim de execução orçamental que a Direcção-Geral do Orçamento (DGO) publicou no final de Dezembro. O documento mostra que, depois de até Outubro o saldo negativo nas contas da saúde ter atingido os 559,6 milhões de euros, o défice continuou a agravar-se em Novembro.

Assim, em 11 meses, o défice do SNS já está em 654 milhões de euros, afastando-se ainda mais dos objectivos traçados para o conjunto do ano e quando já só falta conhecer as contas do mês de Dezembro para fechar as contas de 2019 — o Ministério da Saúde não revela qual a estimativa que tem para o total do ano. Quando fez o Orçamento do Estado para 2019, o Governo assumiu que as contas fechariam 2019 com um défice de 90 milhões de euros.

Ao ECO, o Ministério da Saúde explica as causas desta evolução. “O agravamento do saldo do SNS é explicado essencialmente pelo aumento das despesas com pessoal, decorrente da contratação de novos profissionais (no caso de Novembro é justificado também com o processamento do subsídio de Natal), e do aumento com gastos em medicamentos, seja ao nível hospitalar (devido à introdução de novos medicamentos inovadores), seja ao nível das farmácias de ambulatório, que registaram um acréscimo do consumo de medicamentos. Neste caso, convém referir que o aumento dos encargos do SNS não correspondeu a um aumento dos gastos dos utentes”, justifica o ministério liderado por Marta Temido.

"O agravamento do saldo do SNS é explicado essencialmente pelo aumento das despesas com pessoal, decorrente da contratação de novos profissionais (no caso de Novembro é justificado também com o processamento do subsídio de Natal).”

Ministério da Saúde

Em Dezembro, o Governo reconheceu a sub-orçamentação da saúde no ano passado, apesar do reforço de mais de 600 milhões de euros com que arrancou o orçamento do sector no início do ano. Cinco dias antes de entregar no Parlamento o Orçamento do Estado para 2020, o Governo anunciou um Plano de Melhoria da Resposta do SNS que para o ano passado prevê um reforço orçamental de 550 milhões de euros para pagamento de dívidas a fornecedores.

Em Novembro, as dívidas dos hospitais a fornecedores tinham chegado a 813,1 milhões de euros, revelando de novo um acréscimo de 77,9 milhões em relação aos pagamentos em atraso acumulados até Outubro. E um valor cerca de 300 milhões superior ao registado no início do ano passado.

Além do reforço de verbas para pagar a fornecedores, o Governo anunciou também a contratação de 8.400 profissionais de saúde em 2020 e 2021 e um reforço adicional de 800 milhões de euros para este ano.

A situação do SNS levou o primeiro-ministro a escolher a saúde como o tema exclusivo da habitual mensagem de Natal. “A proposta de Orçamento do Estado para 2020 (…) contempla o maior reforço de sempre no orçamento inicial da Saúde e confere maior autonomia aos hospitais para garantir uma maior eficiência e responsabilidade na gestão do seu dia-a-dia”, disse António Costa, reforçando que o SNS é um “poderoso instrumento de igualdade e progresso social ao serviço de todos”.

Também o Presidente da República deixou bem claro que a saúde está no topo das prioridades para 2020 que considera dão esperança a Portugal.

Apesar da mensagem do Executivo, 2019 foi um ano marcado por notícias que dão conta de falhas no SNS na prestação de serviços, ao mesmo tempo que os indicadores de actividade – como o número de consultas – mostram crescimentos e as contas do SNS registam um buraco cada vez maior.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco.sapo.pt" e autor em 7 de Janeiro de 2020.

Hospital de Santa Maria usa tratamento inovador para problema grave de visão

Hospital de Santa Maria usa tratamento inovador para problema grave de visão - 

Recurso a transplante de membrana amniótica tem permitido encerrar buraco macular na retina, um problema de visão grave. Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte anuncia que já fez quatro cirurgias com esta técnica.

O serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), a que pertence o Hospital de Santa Maria, anunciou que está a realizar um tratamento inovador para fazer o encerramento de buraco macular na retina, um problema de visão grave, com recurso a transplante de membrana amniótica.

Em comunicado, o CHULN revela que realizou quatro destas cirurgias nos últimos meses e “prevê realizar mais três transplantes até ao final de Janeiro com recurso a esta técnica inovadora, usada em poucos centros a nível mundial, que se mostra 100% eficaz em casos que até há pouco tempo não tinham solução”. Na mesma nota, explica-se que o buraco macular atinge a parte central da retina, que é responsável pela visão fina, central e das cores.

Desde 1990 que existem técnicas cirúrgicas para tratar este problema em algumas situações, com uma taxa de sucesso a rondar os 90%. Contudo, nos casos em que os buracos maculares tinham grandes dimensões, “não havia mais tratamento possível”, refere o centro hospitalar. A partir de 2017 surgiram técnicas para estes casos particulares, como o transplante de retina autólogo, mas em meados de 2019 o CHLN passou para o encerramento do buraco macular com transplante de membrana amniótica.

O comunicado adianta que das quatro cirurgias realizadas com recurso a esta técnica, todas tiveram “100% de sucesso”. “Muito recentemente passámos a realizar uma intervenção ainda mais eficaz, com membrana amniótica, da placenta”, explica na nota Mun Faria, coordenadora do departamento de Retina Cirúrgica.

A médica acrescenta que colocam uma porção de membrana no buraco macular e que têm conseguido uma taxa de encerramento de 100%, “com os doentes a recuperarem a visão”. “Sabemos que quando há lesão num tecido nervoso não há recuperação. O globo ocular tem na sua zona central uma extensão do sistema nervoso, com camadas de células nervosas. Conseguindo estes resultados, não só tratamos os doentes como podemos abrir perspectivas para novos tratamentos neurológicos”, perspectiva Mun Faria.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 6 de Janeiro de 2020.

Projecto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos

Projecto evita viagem dos doentes ao hospital para receber medicamentos - 

Programa do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra está em funcionamento há três anos e abrange 208 doentes.

Os doentes crónicos acompanhados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) podem receber os medicamentos de prescrição exclusivamente hospitalar na sua farmácia de proximidade, evitando assim deslocações, despesas e faltas ao trabalho. O Programa de Entrega de Medicamentos em Proximidade entrou em funcionamento há três anos e já abrange 280 doentes de todo o País.

"O programa foi desenhado para aproximar o medicamento do seu destinatário", resume Fernando Regateiro, presidente do conselho de administração do CHUC. Destina-se, sobretudo, a doentes crónicos, que necessitam da medicação para toda a vida. "Em vez de o doente vir buscar o medicamento todos os meses ao hospital, é a medicação que vai ter com ele, o que evita deslocações, faltas ao trabalho e despesas em viagens que são significativas", sublinha.

O programa é "centrado no doente e nas limitações e dificuldades que possa ter", acrescenta, por seu lado, Clara Sequeira, farmacêutica clínica da Unidade de Transplantes Hepáticos. A adesão ao programa obedece, segundo a especialista, a factores específicos: "Atendemos a critérios como a distância, limitações físicas e cognitivas que o doente possa ter e fazendo uma validação prévia da receita em contexto de consulta farmacêutica, o que é imperativo no sentido de testarmos toda a fiabilidade do processo".

 

DISCURSO DIRECTO

Fernando Regateiro, Presidente do Conselho Administrativo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

"Facilitar o acesso"

CM - O programa abrange doentes de que zonas?

- De Trás-os-Montes até Faro, passando pelas ilhas. Um doente deslocar-se mensalmente ao hospital tem custos. É esta a razão pela qual se desenvolveu o programa: criar condições para facilitar o acesso ao medicamento.

- O investimento é alto?

- Para os doentes não tem custos e para o hospital são pouco significativos. Mensalmente não chegará aos mil euros. Vale a pena pelos ganhos para os doentes.

- Está previsto o aumento do número de doentes?

- Actualmente são 280, a nossa ideia é que até ao final do ano possamos atingir os 450 e criar uma estrutura própria de apoio.

 

"Deixámos de estar preocupados"

Leonor, de 6 anos, foi submetida a um transplante hepático em 2014 no Hospital Pediátrico de Coimbra. A família reside em Viana do Castelo e os pais tinham de se deslocar a Coimbra todos os meses para levantar os medicamentos, numa viagem de 400 quilómetros, de ida e volta. Agora, tudo mudou. "É um alívio. Deixámos de estar preocupados. Só tem vantagens financeiramente e psicologicamente", refere Carlos Antunes, 41 anos, operário fabril. A mulher, Graciela Torres, de 37, lembra que gastavam entre 50 a 60 euros em cada viagem e um deles tinha de faltar ao trabalho.

 

Fonte: Site do Jornal "Correio da Manhã" e autor em 6 de Janeiro de 2020.

Bial investe 48 milhões na investigação de novos medicamentos

Bial investe 48 milhões na investigação de novos medicamentos - 

Os sistemas nervoso e cardiovascular são o foco da farmacêutica da Trofa no projecto “Cardiomet & SNC”, para o qual vai contratar 12 pessoas e afectar 57 funcionários. O Estado garante incentivos financeiros através da AICEP.

Chama-se "Cardiomet & SNC", representa um investimento de cerca de 48 milhões de euros e envolve a realização de estudos clínicos e não clínicos para identificação do potencial terapêutico de novos compostos nas áreas dos sistemas nervoso central e cardiovascular.

Esta é a mais recente área de investigação da farmacêutica portuguesa, que pretende assim obter informações sobre a actividade farmacológica e a confirmação da tolerabilidade, segurança e eficácia destes compostos. O objectivo final é a introdução de "medicamentos inovadores no mercado mundial".

A empresa liderada por António Portela prevê a criação de emprego altamente qualificado e o aumento do quadro de técnicos da empresa afectos à investigação e desenvolvimento (I&D) de novos medicamentos nos próximos anos. Para já, em termos concretos, vai contratar 12 novos colaboradores e afectar 57 postos de trabalho à investigação no âmbito do "Cardiomet & SNC".

Estas novas informações constam de um despacho assinado pelo ministro da Economia, Siza Vieira, e pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, publicado em Diário da República esta segunda-feira, 6 de Janeiro. Sem detalhar os incentivos financeiros envolvidos, aprova o contrato de investimento com a AICEP por ser "de especial interesse para a economia nacional pelo seu efeito estruturante para o desenvolvimento, diversificação e internacionalização da economia portuguesa".

"O projecto concorre para o aumento do volume de despesas em I&D do sector empresas, quer pelo volume de investimento envolvido, quer pelos investimentos que podem resultar do sucesso da Investigação e Desenvolvimento em causa, podendo ainda contribuir para a melhoria da balança comercial e tecnológica de Portugal, não só através da venda directa dos novos medicamentos no mercado externo, como pela possibilidade de licenciamento a empresas estrangeiras do ‘know-how’ da Bial", lê-se neste documento.

Inovação própria pesa metade das vendas

Fundada em 1924, a farmacêutica da Trofa (distrito do Porto) tem actualmente presença comercial em 58 países, destacando-se Espanha e os Estados Unidos da América na lista de melhores destinos. Em 2018, os mercados internacionais valeram cerca de 70% da facturação, que rondou os 270 milhões de euros, sendo que metade do valor total teve origem na venda de dois medicamentos de inovação própria, criados de raiz pela empresa.

Com mais de 12 mil novas moléculas sintetizadas e sete medicamentos patenteados a nível mundial nas últimas quase três décadas, dos investimentos nesta área resultaram e destacam-se os primeiros fármacos de patente e investigação portuguesa, que estão à venda em dezenas de países: o Zebinix, lançado em 2009 para a epilepsia; e o Ongentys, disponível no mercado português desde Setembro de 2018, nome comercial do medicamento destinado a pessoas com a doença de Parkinson.

 

Fonte: Site do Jornal "Negócios" e autor em 6 de Janeiro de 2020.

Estudo: Mais agentes de segurança e menos tempos de espera reduzem violência na Saúde

Estudo: Mais agentes de segurança e menos tempos de espera reduzem violência na Saúde - 

Mais agentes de segurança e mais profissionais para diminuir os tempos de espera são apontados como fundamentais para reduzir a violência contra profissionais de saúde, segundo um estudo a que a ‘Lusa’ teve acesso.

O estudo, efectuado num hospital público de Lisboa entre Abril e Maio de 2018, identificou 41 episódios de violência reportados pelos profissionais de saúde e sugere que se definam sanções para utentes ou familiares violentos.

A maioria das situações (24) eram casos de violência verbal por parte de utentes ou familiares próximos. Entre as 41 situações, os profissionais reportaram 14 casos de violência física por parte de doentes ou seus acompanhantes. Foram ainda registados três casos de violência verbal entre profissionais.

Entre as razões que motivaram as agressões (verbais ou físicas), os “longos tempos de espera” surgem maioritariamente, sendo referidos em 20 dos 41 incidentes. Como causas, segue-se o “desrespeito” ou a insolência de doentes e acompanhantes para com os profissionais.

A análise, liderada pela investigadora Helena Sofia Antão, da Escola Nacional de Saúde Pública, sublinha a baixa notificação dos incidentes de violência registados.

Apenas 23% dos profissionais que foram vítimas de agressões decidiram notificar o incidente. “A baixa notificação contribui para a ausência de medidas organizacionais” que evitem ou combatam o problema, referem os autores do estudo.

Entre as sugestões para evitar ou minimizar os incidentes, a análise aponta para mais agentes de segurança ou polícias, o aumento do número de profissionais para reduzir os tempos de espera e ainda dar mais informação a utentes e familiares sobre os tempos de espera.

A violência contra profissionais de saúde é favorecida pelo acesso livre às zonas de trabalho, pela falta de agentes de segurança ou polícia nas unidades de saúde, sublinha o estudo, recordando que a violência no local de trabalho é um fator de risco que tem impacto negativo na saúde dos trabalhadores.

Os autores referem que uma das conclusões “mais preocupantes” do estudo é a falta de conhecimento ou familiaridade com os procedimentos internos sobre violência no local de trabalho.

“Esse desconhecimento (…) acrescenta e piora os sentimentos de insegurança e de perda de controlo”, refere o estudo que será hoje publicado na ‘Acta Médica Portuguesa’.

Os autores recomendam que as unidades de saúde criem programas de saúde ocupacional em que integrem medidas e estratégias para melhorar a segurança no trabalho, incentivando à notificação dos incidentes.

Entre essas estratégias e procedimentos a definir devem estar a definição de sanções para utentes ou familiares violentos.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 6 de Janeiro de 2020.

 

Prejuízos dos IPO aumentaram quase 40% em 2018

Prejuízos dos IPO aumentaram quase 40% em 2018 - 

O IPO de Lisboa representa praticamente dois terços de todos os prejuízos acumulados: em 2018 o instituto da capital acumulou perdas de 17,4 milhões de euros.

Os institutos de oncologia (IPO) do Porto, Coimbra e Lisboa agravaram os seus resultados líquidos negativos em quase 40% entre 2017 e 2018, revela o “Público” esta sexta-feira. Segundo os relatórios e contas de 2018, os três IPO passaram de prejuízos de 17 para 28 milhões de euros.

Na factura total, o IPO de Lisboa representa praticamente dois terços de todos os prejuízos acumulados: em 2018 o instituto da capital acumulou perdas de 17,4 milhões de euros, mais de o dobro dos prejuízos do Porto (7,4 milhões) e mais de cinco vezes mais do que as perdas de Coimbra (3,2 milhões).

De acordo com o matutino, o Porto foi a única unidade de saúde que melhorou resultados, tendo passado de 8,9 milhões de euros negativos para menos 7,4 milhões.

Já em Lisboa as contas agravaram-se, passando os resultados de 5,4 milhões negativos para 17,4 milhões negativos.

Segundo Sandra Gaspar, vogal do Conselho de Administração do IPO de Lisboa, o aumento dos resultados negativos está relacionado com vários factores.

Um deles é o o facto de o IPO ter recebido menos 4,6 milhões de euros do contrato-programa com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Outro é o aumento da despesa com medicamentos, nomeadamente com novas terapias. “Foram quase mais quatro milhões de euros”, sustentou Sandra Gaspar.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 3 de Janeiro de 2020.