Cancro do Cólon: apenas um terço dos convocados faz rastreio. Adesão está a cair

Cancro do Cólon: apenas um terço dos convocados faz rastreio. Adesão está a cair - 

Adesão tem vindo a cair nos últimos anos. Especialistas avisam que paragem dos rastreios por causa da pandemia vai ter reflexos na mortalidade dentro de três anos.

Apenas um terço das 400 mil pessoas convocadas, em 2019, para realizarem o rastreio do cancro do cólon e reto o fizeram, avança o jornal Público. Isto apesar de este tipo de cancro ser, actualmente, o segundo mais mortal em Portugal, só atrás do cancro do pulmão. A adesão ao rastreio tem diminuído nos últimos anos, segundo o último relatório sobre o Acesso a cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS e entidades convencionadas.

Numa primeira fase, o rastreio de base populacional envolve uma pesquisa de sangue oculto nas fezes a todos os utentes registados nos centros de saúde com mais de 50 anos. Depois, e só quando o resultado é positivo, o doente faz uma colonoscopia, um exame que permite retirar pólipos e que é muito mais confiável do que a pesquisa de sangue nas fezes (que gera uma percentagem elevada de falsos negativos e positivos).

Para o presidente da associação de doentes Europacolon, o problema está na falta de acompanhamento no processo. Os doentes recebem um “kit” por correio, tendo de recolher as fezes e enviar para análise. Com uma taxa de rastreio tão baixa mesmo antes da pandemia, Vítor Neves diz-se preocupado com a paragem dos rastreios que ocorreu a partir de Março e garante que os “reflexos na mortalidade vão sentir-se dentro de três anos”.

“Isto significa que a actual estratégia de enviar para casa pelo correio testes para as pessoas fazerem sem terem acesso ao médico, à informação, ao poder de convencimento do médico não será uma estratégia 100% eficaz”, sublinha Rui Tato Marinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, em declarações à TSF. Contudo, como refere o especialista do Hospital de Santa Maria, muitos médicos já prescrevem colonoscopias aos utentes mal estes completam 50 anos.

Com uma tendência contrária, o rastreio do cancro da mama tem vindo a aumentar. Ainda assim, 33% das mulheres convocadas não fez mamografia. A taxa de não-adesão aos cheques-dentista é muito idêntica.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 27 de Agosto de 2020

Estado gasta 41% do dinheiro destinado à saúde com privados

Estado gasta 41% do dinheiro destinado à saúde com privados - 

No total são cerca de cinco milhões de euros, segundo dados do INE citados pelo "Jornal de Negócios". Por outro lado, 59% das verbas ficam nos hospitais públicos e centros de saúde.

Os hospitais privados recebem 22,5% de todo o dinheiro do Estado destinado à saúde. Esta é uma das conclusões da análise da Conta Satélite da Saúde, do Instituto Nacional de Estatística, feita pelo “Jornal de Negócios” numa altura em que o Governo está prestes a começar as negociações sobre o Orçamento.

No total, as administrações públicas gastaram em 2018 (últimos dados disponíveis) 12.444,44 milhões de euros em prestação de cuidados de saúde, e desses, 5.055,7 milhões vão para entidades privadas, sobretudo para a comparticipação de medicamentos e bens médicos nas farmácias e outros retalhistas. Além da fatia de 22,5% nos hospitais privados, há 20% dos fundos que vão para os consultórios e gabinetes médicos. Os privados dependem em larga medida do dinheiro público, seja directamente do SNS, ADSE, Segurança Social ou por deduções fiscais.

Isto significa que 59% do orçamento fica no Estado: 7.308 milhões de euros. Deste montante, a maior parte é para hospitais públicos (78%), e 18% vai para centros de saúde, conclui o “Negócios”.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 27 de Agosto de 2020.

Mais rendimentos tiram isenção das taxas moderadoras a 90 mil

Mais rendimentos tiram isenção das taxas moderadoras a 90 mil - 

Mais de 90 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixaram de a ter em resultado do aumento dos seus rendimentos.

O número de portugueses isentos de taxas moderadoras continua praticamente igual, mas mais de 90 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixaram de a ter em resultado do aumento dos seus rendimentos.

De acordo com o relatório anual de acesso aos cuidados de saúde, referente a 2019, o número total de utentes do SNS que não pagam taxas moderadoras cresceu em 4.276, num universo de mais de 6 milhões de isenções. Contudo, verifica-se, diz o Público (acesso pago), uma redução do número de pessoas isentas do pagamento devido a insuficiência económica.

No final de 2019, havia 2 milhões e 578 mil utentes que cumpriam os critérios de rendimento que os isentava do pagamento das taxas moderadoras, um número que representa uma diminuição de 93 mil face ao ano anterior, sendo reflexo do contexto positivo vivido à data, com o aumento do emprego e dos salários.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco" e autor em 27 de Agosto de 2020.

Transplantes com redução de 28% no primeiro semestre

Transplantes com redução de 28% no primeiro semestre - 

A partir de Março, a pandemia obrigou a operar apenas os doentes urgentes. CHUC tem novo equipamento que melhora a qualidade dos órgãos para transplante.

Os transplantes registaram uma diminuição de 28% em Portugal no primeiro semestre do ano devido à pandemia da covid-19, disse a coordenadora nacional da transplantação, Margarida Ivo da Silva.

Falando no pólo principal do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), na apresentação de um equipamento para perfusão hipotérmica oxigenada de fígado e rim, a responsável referiu que, no período de mitigação, “apenas se deu respostas aos transplantes em doentes urgentes ou muito urgentes”.

Transplantes estavam a aumentar até Fevereiro

“A transplantação estava a subir em Portugal nos primeiros meses do ano, mas, a partir de Março, com a pandemia, houve menos dadores e menos segurança na doação”, salientou Margarida Ivo da Silva, explicando que foi necessário aumentar “a contingência relativamente à doação, porque o risco de infecção era iminente”.

A coordenadora nacional da transplantação frisou ainda que as instituições de saúde “tornaram-se unidades covid-19 e as unidades de cuidados intensivos, que eram as grandes fontes de dadores, tornaram-se unidades vocacionadas para a covid-19 por necessidade”.

“Os hospitais começaram a ter de se organizar em função desta pandemia e, portanto, a doação em termos de segurança – e a transplantação por consequência – baixou devido ao aumento das restrições, embora a taxa de aproveitamento dos órgãos tenha aumentado muito“, sublinhou.

Segundo Margarida Ivo da Silva, estão a ser criadas as condições para se retomar as doações sem restrições, “mantendo a qualidade”, de forma que os centros de transplantação retomem a actividade.

Apesar da diminuição verificada, a coordenadora nacional afirma que o objectivo estratégico passa pelo aumento da transplantação, pelo que está a ser procurada “a melhor forma de continuar a transplantar todos os doentes que necessitam e de reduzir o número de doentes para transplante”.

“Estamos a redefinir novas regras, numa altura em que a pandemia está estabilizada, para mantermos a sustentabilidade da actividade. Não quer dizer que vamos subir e ter os números do ano passado, porque a recuperação pode não ser assim tão fácil”, sublinhou.

O CHUC é o primeiro centro de transplantação português a utilizar um equipamento para perfusão hipotérmica oxigenada de fígado e rim, que permite melhorar a qualidade dos órgãos para transplante.

O equipamento permite melhorar a qualidade dos enxertos, a função hepática pós-transplante, a sobrevivência de enxertos e receptores e a segurança da transplantação, segundo a coordenadora da Unidade de Transplantação Hepática do CHUC.

“Este dispositivo permite maximizar a utilização de órgãos para transplante, utilizar órgãos que habitualmente até podem ser recusados por serem de dadores marginais ou critérios expandidos, como é o caso de dadores idosos, de coração parado ou com muitas comorbilidades ou até com algumas alterações analíticas”, disse Dulce Diogo.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 26 de Agosto de 2020

Centros de saúde. Retoma a várias velocidades preocupa médicos de família

Centros de saúde. Retoma a várias velocidades preocupa médicos de família - 

O regresso da actividade programada nos centros de saúde está a acontecer a ritmos diferentes de norte a sul do país, dependendo das condições do espaço, dos equipamentos e da quantidade de profissionais. Se em alguns casos há já consultas presenciais a decorrer, outros estão a receber apenas urgências e doentes crónicos, apontam o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

O acesso aos cuidados primários faz-se a ritmos diferentes dependendo da unidade de saúde. Se há centros de saúde que estabeleceram novos circuitos e já abriram as portas aos utentes nas consultas programadas, noutros têm existido dificuldades até no agendamento destas por telefone ou online. Falta-lhes espaço e equipamentos para se adaptarem à situação pandémica e garantirem a actividade plena, asseguram os médicos de família.

"Infelizmente, a retoma progressiva das consultas presenciais está a andar a várias velocidades ao longo do país devido às assimetrias das lideranças, dos recursos humanos e materiais. Há locais onde essa retoma está já a acontecer há algum tempo; noutros não é bem assim", diz, ao DN, o enfermeiro de família da Unidade de Saúde Familiar (USF) D. Dinis, em Leiria, Diogo Urjais, também presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

Refere-se a falhas tão essenciais como computadores, telefones ou gente para atender estes últimos, o que faz que muitos utentes não consigam entrar em contacto com o seu centro de saúde, numa altura em que toda a actividade deve ser marcada à distância. Diogo Urjais fala também em espaços pequenos para receber os utentes e sem condições de distanciamento, que não garantem a segurança necessária e, por isso, não reabrem.

"Há também limitações em sítios onde ainda há bastantes casos [de covid] ou já houve e onde não existem percursos bem delineados [de separação entre estes doentes e os outros]", continua Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

As diferenças entre os centros de saúde preparados e os outros não são fáceis de apontar no mapa, referem os dois especialistas. Uma vez que até "no mesmo centro de saúde há realidades diferentes", dependendo do tipo de consultas, de acordo com Rui Nogueira.

Estas limitações não são novas, mas acentuam-se quando são mais necessários os recursos, indica Diogo Urjais, lembrando que, se queremos que os cuidados de saúde primários sejam os pilares do Serviço Nacional de Saúde, é preciso dotá-los com pessoas e meios.

O próprio governo admite os constrangimentos, utilizando-os como justificação para a ausência de uma data oficial para os centros de saúde voltarem todos a funcionar em pleno. Em conferência de imprensa, em Julho, a secretária de Estado adjunta da Saúde, Jamila Madeira, falava em "pontos onde existem algumas dificuldades" que tinham de ser resolvidas para garantir as condições de segurança para utentes e profissionais.

"Muitas das instalações têm fortes constrangimentos" na criação de circuitos separados para doentes covid e para os outros, confirmou Jamila Madeira, na altura. A governante acrescentou também que o executivo estava a procurar "soluções concretas" em conjunto com as administrações regionais de saúde para acelerar o processo de retoma da actividade interrompida ou alterada "tão rapidamente quanto possível".

"Todo o esforço está a ser feito pelas entidades que organizam e pelos profissionais de saúde no sentido de acelerar a retoma", concluiu.

Ainda não existe uma data concreta para que todos os centros de saúde retomem a actividade em pleno.

A excepção, desde o início da pandemia, em Março, é a actividade urgente e a vigilância de doentes crónicos, que nunca foram canceladas. Porém, no segundo caso, a maioria das consultas passou a ser feita pelo telefone.

"Há pessoas que entendem bem isso, outras que sentem a necessidade do contacto do olhar, de estar próximo, de vir à consulta, porque sentem que por telefone não é a mesma coisa e que os seus problemas não ficam resolvidos", conta o enfermeiro de família de Leiria.

Para Rui Nogueira, é tempo de mudar os processos e deixar de actuar segundo o plano traçado "em Março e Abril, quando a situação era outra". Um dos exemplos que dá é a forma como é feita a vigilância dos doentes covid e dos contactos destes actualmente, através da plataforma Trace Covid, que considera ser "muito difícil de manter". "Tem um interesse muito precário e a orientação de ligar diariamente para os doentes que estão assintomáticos ou com sintomas muito ligeiros é inoperacional. Cada médico tem de se adequar a cada doente. Eu até posso ter um doente a quem tenho de telefonar duas vezes por dia e outro que só precisa de mim uma vez por semana."

Sem plano de Outono-Inverno à vista

Mas a maior preocupação deste médico e enfermeiro é a falta de informação que têm sobre como se vão organizar os centros de saúde para o outono e para o inverno, as primeiras estações em que a gripe sazonal coexistirá com o novo coronavírus e outras doenças, provocando um previsível aumento da procura dos cuidados de saúde.

Os três maiores centros hospitalares do país (Centro Hospitalar Lisboa Norte, Centro Hospitalar Lisboa Central e Centro Hospitalar Universitário de São João) disseram, ao DN, nesta segunda-feira, que uma parte significativa dos seus projectos para os próximos tempos será uma colaboração mais estreita com os cuidados de saúde primários. Isto para evitar o excesso de afluência às urgências hospitalares.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Rui Nogueira, também acredita que o plano de inverno dos hospitais tem obrigatoriamente de passar por uma maior articulação com os centros de saúde, mas diz-se preocupado com a falta de indicações por esta altura. "Ainda não está nada definido e estamos muito preocupados com esta ausência de planificação", diz. "Há duas certezas: uma é que vamos ter um inverno daqui a nada e a outra é que este inverno vai ser diferente de todos os outros."

O médico de família critica a actuação da Direcção-Geral da Saúde, que ainda não manifestou intenção de ouvir a associação e de perceber o que se está a passar no terreno. Diogo Urjais vai pelo mesmo caminho, pedindo urgência na "preparação das opções de que dispomos", referindo que também não tem conhecimento sobre nenhum plano.

"Eu sei que há muitas unidades que já estão a organizar-se localmente para ver como é que vão fazer, mas sem haver uma orientação genérica, de base, julgo que é muito precário", sugere Rui Nogueira, lembrando ainda que é preciso tempo para informar os cidadãos sobre o plano a seguir. "Em Março e Abril, nós conseguimos conter a onda por causa das pessoas, que nos facilitaram muito o trabalho. Nós temos de ser muito disciplinados de novo no uso dos serviços, quer seja no hospital quer seja nos centros de saúde."

"Eu julgo que temos condições para fazer melhor do que fizemos nos anos passados com a gripe ou com as infecções respiratórias agudas sazonais", acredita o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, mas isso exige preparação.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 26 de Agosto de 2020.

Número de pessoas ajudadas na compra de medicamentos subiu 50% em Julho

Número de pessoas ajudadas na compra de medicamentos subiu 50% em Julho - 

Programa solidário presta apoio a 16 mil doentes. Há quatro anos eram apenas mil. Pedidos de auxílio aumentaram com a pandemia, explica o “Jornal de Notícias”.

Criado em 2016, o programa solidário Abem, uma parceria da associação Dignitude em parceria com autarquias e instituições sociais, permite actualmente que 16 mil pessoas tomem a medicação que precisam mesmo sem terem forma de pagar. Há quatro anos eram apenas mil, e em relação a 2019 o aumento foi de 50%. Além disso, os pedidos de ajuda têm aumentado devido à covid-19, o que motivou a associação a criar um fundo de emergência destinado a pessoas que tenham perdido rendimentos por causa da pandemia, conta o "Jornal de Notícias" esta terça-feira.

Em Julho, este novo programa tinha 460 beneficiários, e os números aumentam todos os dias. “Não temos o músculo do Estado nem conseguimos chegar a todo o lado, mas procuramos responder às situações mais graves”, diz ao JN Maria de Belém, embaixadora da Dignitude, que vive exclusivamente de donativos e da ajuda dos parceiros locais. “Tudo isto é feito à custa da generosidade da sociedade portuguesa”, diz a embaixadora.

O programa está presente em 20 distritos, 155 concelhos e trabalha com mais de 900 farmácias. Em quatro anos, providenciou quase 640 mil medicamentos a 8900 famílias. A pessoa necessitada não precisa de expor detalhes da sua vida privada para receber os medicamentos: é-lhe fornecido um cartão idêntico a um cartão multibanco para apresentar nas farmácias.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 25 de Agosto de 2020.