Pedidos de junta médica dispararam 210% em seis anos

Pedidos de junta médica dispararam 210% em seis anos - 

O aumento de pedidos de juntas médicas mais do que quadruplicou em seis anos. Em média, Sistema Nacional de Saúde dá resposta em meio ano. Há casos de doentes terminais que morrem antes da resposta.

O aumento de pedidos de juntas médicas mais do que quadruplicou (210%) em seis anos, segundo o DN, e o Sistema Nacional de Saúde não tem capacidade de resposta. Apesar de em 2017 terem sido realizadas 66.429 avaliações de incapacidade por parte de médicos, o valor mais elevado dos últimos seis anos, o tempo de espera pode rondar oito meses a um ano. Os tempos médios rondam os seis meses.

De Janeiro de 2011 até Junho de 2018 foram realizadas mais de 435 mil juntas médicas em Portugal continental. Em 2017 houve um aumento de 210% em comparação com 2011 e de 9% em relação a 2016, segundo o DN.

Há casos em que foi tarde demais. Citado pelo DN, Mário Durval, director do departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, revela que, quando fazia visitas a domicílios (possível em situações específicas), acontecia “chegar lá e a pessoa já ter morrido”.

O delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo lamenta que haja menos médicos do que há uma década e que haja cada vez mais exigências da Segurança Social, mas considera que “os atrasos são inevitáveis”. Se os prazos das juntas, de 60 dias, fossem cumpridos, “deixaríamos para trás as actividades de saúde pública, nomeadamente a vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis ou o planeamento em saúde”, diz o delegado.

Há cerca de 300 médicos de Saúde Pública disponíveis para juntas médicas, que permitem a isenção de taxas moderadoras e outros benefícios. Mário Duval revela que há centros de saúde em que os médicos de saúde pública gastam entre 50% e 75% do tempo com estas avaliações.

 

Fonte: Site do Jornal "Observador" e autor em 14 de Novembro de 2019.

Pfizer 2019 distingue investigação sobre autismo e cancro da mama

Pfizer 2019 distingue investigação sobre autismo e cancro da mama - 

Os Prémios Pfizer, os mais antigos em Portugal para a investigação biomédica, distinguem este ano a bióloga Guadalupe Cabral, por um trabalho sobre o cancro da mama, e João Peça, pelo estudo sobre o autismo, anunciou hoje a organização.

Guadalupe Cabral, da Universidade Nova de Lisboa, foi premiada na categoria de investigação clínica, enquanto João Peça, da Universidade de Coimbra, na de investigação básica. Cada um vai receber 25 mil euros.

Os Prémios Pfizer de Investigação são atribuídos anualmente, desde 1956, pela farmacêutica Pfizer, que os financia, e pela Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, responsável pela avaliação das candidaturas.

A investigadora Guadalupe Cabral, do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa, descobriu um potencial marcador biológico capaz de predizer a resposta de doentes com cancro da mama à quimioterapia administrada antes da remoção do tumor numa cirurgia.

O marcador é a molécula HLA-DR, expressa nas células imunitárias linfócitos T citotóxicos.

A bióloga, especialista em imunologia, explicou à Lusa que nas doentes que não respondem à quimioterapia neoadjuvante, a que é dada para reduzir o tumor antes da cirurgia, os linfócitos T citotóxicos não estão activados porque não têm uma elevada expressão da HLA-DR.

"A elevada quantidade desta molécula significa que a célula está activa", frisou, assinalando que a HLA-DR pode ser um "marcador preditivo" da resposta do doente à quimioterapia.

Ou seja, o médico pode "usar a informação" obtida numa biópsia para decidir se uma doente deve receber a quimioterapia antes da cirurgia, porque o tratamento a vai beneficiar efectivamente, ou se, em contrapartida, deve ser direccionada para uma terapêutica alternativa mais adequada.

O trabalho realizado por Guadalupe Cabral consistiu na análise de amostras de tumores da mama de 30 doentes antes e depois da cirurgia, comparando os efeitos da quimioterapia administrada antes da remoção do tumor.

Em testes laboratoriais paralelos, a equipa verificou que os linfócitos T citotóxicos desempenham um papel importante na eliminação das células tumorais.

A investigadora irá validar os resultados com uma amostra maior de tumores de doentes.

João Peça, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, focou-se no estudo do gene 'Gprasp2', que "regula uma via de sinalização neuronal que está alterada em vários casos" de autismo.

Apesar de o gene ser responsável por "uma pequena percentagem das mutações conhecidas", pode, de acordo com a equipa, ser um potencial alvo terapêutico, uma vez que regula "uma via de sinalização neuronal comum que aparece desregulada" em vários tipos de autismo.

Esta "via de sinalização neuronal", que está desregulada nos autistas, é mediada por uns receptores específicos dos neurónios, os chamados receptores metabotrópicos de glutamato, proteínas envolvidas na comunicação entre neurónios (células cerebrais).

Numa próxima etapa, a equipa de João Peça pretende aprofundar o estudo do gene 'Gprasp2', bloqueando ou activando a expressão do regulador neuronal em ratinhos que mimetizam comportamentos autistas.

A dificuldade no tratamento do autismo, uma perturbação no comportamento, reside no facto de estar associado a mutações em mais de 300 genes, que têm funções neuronais muitos diversas que resultam em formas distintas de autismo.

Manifestando-se em crianças, o autismo caracteriza-se por comportamentos repetitivos e défices de comunicação e interacção social.

O júri que avaliou as candidaturas foi liderado por Luís Graça, que preside à Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa.

A entrega dos prémios será feita hoje no Teatro Thalia, em Lisboa.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 14 de Novembro de 2019.

Ferramenta ajuda oncologistas e governos a escolher medicamentos com maior benefício clínico

Ferramenta ajuda oncologistas e governos a escolher medicamentos com maior benefício clínico - 

Membro da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, a médica Fátima Cardoso sugere que Infarmed possa usar a ferramenta, que pode trazer mais transparência às escolhas dos medicamentos a aprovar e comparticipar.

É o medicamento mais recente para tratar um cancro realmente inovador? Que benefícios traz em relação a outros? São perguntas que ganham maior importância à medida que a investigação coloca no mercado mais tratamentos e com preços muito elevados. A Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO, em inglês) criou uma ferramenta — a Escala de Benefício Clínico dos Medicamentos — para ajudar oncologistas e governos a avaliar os medicamentos que têm maior beneficio clínico para os doentes.

O significado de benefício clínico e a escala são tema de uma das sessões da 5.ª Conferência Internacional de Consenso sobre o Cancro da Mama Avançado (ABC5), que se inicia esta quinta-feira em Lisboa. Fátima Cardoso, coordenadora do evento e membro da direcção da ESMO, deixa a sugestão ao Infarmed, entidade que em Portugal avalia a introdução e comparticipação dos medicamentos: “Que utilize uma ferramenta que está a ser usada noutros países e que aumentaria a transparência de como as decisões são tomadas.”

“O que a escala faz é dar um valor objectivo ao benefício clínico que um determinado tratamento traz” de acordo com os resultados que mostrou em determinado ensaio clínico. A escala cruza vários tipos de dados, como por exemplo a sobrevida, a sobrevida sem progressão da doença, efeitos secundários e qualidade de vida e dá classificações. Se o tratamento for de âmbito curativo, a escala divide-se em A, B e C. Se for não curativo, a classificação é de 1 a 5.

“Os [medicamentos] que têm uma classificação de 4 ou 5 são claramente aqueles a que se devem dar prioridade em termos de reembolso e de disponibilidade. São aqueles cujo benefício clínico é importante. Na escala do sistema curativo, não se devem utilizar recursos no C”, explica a também directora da Unidade de Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud.

O objectivo, “é ajudar os pagadores a colocarem prioridades”. “Se os recursos são limitados, deve-se optar pelo medicamento que dá maior benefício”, refere a médica. A escala traz mais duas vantagens: “Permite que todos falemos a mesma linguagem e quando dizemos que um medicamento é inovador e que traz um beneficio extraordinário, temos de o ver na escala. Por outro lado, a partir da aplicação da escala houve uma melhoria franca na forma como os ensaios clínicos são feitos.”

“Acho que ajudaria o Infarmed ter uma ferramenta objectiva que todos os oncologistas devem conhecer, que já é utilizada noutros países e que obriga a uma avaliação mais homogénea a nível europeu e mundial”, refere a especialista, salientando que não seria ferramenta única para se tomar a decisão. Para Fátima Cardoso seria também benéfico que a Agência Europeia do Medicamento (EMA, em inglês) e a norte-americana Food and Drug Administration (FDA) a pudessem usar.

“Os reguladores têm neste momento uma posição que é se o estudo for positivo, aprovam. E não colocam nas discussões qual o verdadeiramente o benefício adicional que esse medicamento traz”, refere. “Existem vários estudos publicados que olharam para cinco e dez anos de aprovações de medicamentos por parte da FDA e da EMA. Quando aplicada a escala — isto para todos os cancros —, só 20% dos medicamentos aprovados é que realmente têm classificações muito altas.” O estudo que analisou as aprovações da FDA usou uma escala que tem também em conta o preço dos medicamentos: “Concluiu que o preço não tem relação com o benefício que o medicamento traz, o que é inaceitável.”

Terapias complementares

Outra das sessões da conferência é dedicada às terapias complementares que podem atrasar ou limitar os efeitos dos tratamentos oncológicos. Chá Verde, matricária, alho, gengibre, ginko, ginseng, espinheiro-alvar castanha-da-índia e curcuma longa são apenas alguns exemplos da variedade de produtos naturais que muitos doentes usam.

“A maior parte dos consumidores das medicinas complementares são os doentes com cancro. Desses, a grande maioria são mulheres e a grande maioria com cancro da mama. Se não perguntarmos e ignorarmos que isto acontece, não só não estamos a ajudar como podemos estar a prejudicar os tratamentos que recomendamos”, refere Maria João Cardoso, professora da Faculdade de Medicina Nova de Lisboa.

A médica da Unidade da Mama do Centro Clínico Champalimaud vai apresentar um quadro com várias interacções que podem acontecer entre produtos naturais e tratamentos oncológicos convencionais. “A nossa preocupação são os produtos naturais que incluem a fitoterapia, portanto os derivados das plantas, e os suplementos alimentares, que para já não são incluídos na regulamentação habitual de medicação porque não são considerados como tal”, salienta, referindo que outras terapias complementares como acupunctura, reiki ou ioga “não têm nenhuma implicação negativa na medicina convencional”.

A médica reforça a necessidade de se falar com os doentes e alertar para os riscos associados. “É preciso chamar atenção que não é só saber se um produto é eficaz contra a doença ou seus efeitos laterais, mas se interfere activamente no tratamento que estamos a fazer”, refere, dando o exemplo do alho que consumido “em doses muito altas tem interferências sérias na coagulação”.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 14 de Novembro de 2019.

OCDE recomenda mudanças nos medicamentos para evitar contaminação

OCDE recomenda mudanças nos medicamentos para evitar contaminação - 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recomendou hoje mudanças no fabrico e prescrição de medicamentos para tentar controlar a disseminação de fármacos nas águas residuais, com efeitos negativos para o ambiente e para a saúde.

"Cerca de dois mil ingredientes farmacêuticos activos são administrados em todo o mundo em medicamentos de receita médica, de venda livre ou em medicamentos veterinários", refere a OCDE num relatório publicado hoje, apontando que os resíduos de fármacos são "uma preocupação ambiental crescente".

Os resíduos dos medicamentos vão parar às águas superficiais e subterrâneas e acabam no solo, na água potável e na cadeia alimentar, por causa de "águas residuais domésticas não tratadas e efluentes de estações de tratamento de águas residuais municipais".

"A utilização excessiva e libertação de antibióticos na água agrava o problema da resistência microbiana, declarada pela Organização Mundial de Saúde como uma crise de saúde global e urgente, que se prevê vir a causar mais mortes do que o cancro em 2050", refere a OCDE.

Mesmo em concentrações baixas, os fármacos interagem com os ecossistemas e têm consequências: os contraceptivos orais provocam a feminização dos peixes e anfíbios, drogas psiquiátricas como a fluoxetina - antidepressivo - tornam os peixes mais imprudentes e vulneráveis aos predadores.

A OCDE recomenda critérios ambientais mais apertados nas autorizações dadas a medicamentos de alto risco ambiental, planos de segurança da água para consumo humano que incluam o controlo da presença de fármacos e mecanismos de detecção na água para prevenir contaminações.

Recomenda ainda que se reduza "o uso e libertação de fármacos", melhorando o diagnóstico e adiando a prescrição quando não sejam necessários, ou mesmo proibindo ou restringindo o uso preventivo de antibióticos.

No relatório recomenda-se ainda a restrição do uso de hormonas de crescimento na criação de gado e aquacultura e combate à venda ilegal de medicamentos e à auto-medicação com farmacêuticos de elevado risco ambiental, como antibióticos e outros que agem no sistema endócrino.

A OCDE defende que deve ser garantida "a recolha apropriada de resíduos de medicamentos", abordando profissionais de saúde, veterinários, consumidores e agricultores.

"Não há um responsável único pelos poluentes farmacêuticos que chegam às águas", salienta a OCDE, que recomenda o envolvimento da administração local e central dos sectores do ambiente, agricultura, saúde e segurança.

Em França, na Alemanha, na Holanda, na Suécia e no Reino Unido, já há mecanismos para pôr todos estes sectores em contacto para enfrentar o "desafio farmacêutico".

Medidas de prevenção adoptadas no princípio do ciclo de vida do medicamento "poderão ter os benefícios mais alargados, eficazes e prolongados", defende a OCDE no relatório.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 13 de Novembro de 2019.

Número de anos de vida perdidos por diabetes caiu 15% em três anos

Número de anos de vida perdidos por diabetes caiu 15% em três anos - 

O número de anos potenciais de vida perdidos por diabetes baixou 15% nos últimos três anos em Portugal, segundo dados hoje divulgados, que apontam uma tendência para a estabilização da incidência da doença no país desde 2008.

Apesar desta "diminuição significativa", a doença causou, em 2017, a perda mais de oito anos de vida por cada óbito provocado por esta doença na população com idade inferior a 70 anos, adianta o relatório 'Diabetes: Números 2015-2018', do Observatório Nacional da Diabetes (OND) da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

"A diabetes assume também um papel significativo nas causas de morte, tendo estado na origem de 3,8% das mortes ocorridas em 2017", refere o relatório divulgado na véspera do Dia Mundial da Diabetes.

De acordo com os dados preliminares do OND, constatou-se, nos últimos três anos, "um número muito elevado" de novos casos de diabetes diagnosticados anualmente em Portugal.

"Estima-se a existência de entre 605 a 618 novos casos de diabetes por cada 100 mil habitantes em 2018", refere o documento, adiantando que em 2016 se situava nos 524,5 novos casos por 100.000 habitantes e em 556,4 em 2017.

Comparando com os anos anteriores, o observatório verificou ainda "uma tendência para a estabilização da incidência da diabetes em Portugal desde 2008".

Em 2018, a prevalência estimada da diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos (7,7 milhões de pessoas) foi de 13,6%, o que representa mais de um milhão de portugueses com esta patologia.

Já a prevalência da diabetes não diagnosticada era de 5,9% em 2018, indicam os dados do observatório, que tem como função "recolher, validar, gerar e disseminar informação fiável e cientificamente credível sobre a diabetes em Portugal".

O OND analisou também o impacto da diabetes na rede de cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no continente, sendo que em 2018 se encontravam registados 862.197 utentes com diabetes, num universo de 11.649.429 utentes registados.

No mesmo ano, o número de utentes com diabetes que utilizou os cuidados de saúde primários em Portugal continental (com pelo menos uma consulta registada em sistema) foi de 715.712.

O número total de consultas da diabetes realizadas pelo SNS em 2018 foi de 2.126.287. Em 2017, registaram-se 2.079.814 e no ano anterior 2.138.478.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), Rui Duarte, destaca, em comunicado, a importância destes indicadores, porque não havia "novos dados sobre o impacto da diabetes em Portugal desde 2015".

"O OND é um instrumento fundamental para conhecermos os números da diabetes ao longo da última década. Importa agora perceber se estamos a diagnosticar atempadamente e a tratar mais e melhor ou se muitos destes casos ainda não são devidamente acompanhados", sublinha Rui Duarte.

Já o director do Observatório Nacional da Diabetes, João Filipe Raposo, salienta a importância de olhar para o número de anos perdidos por cada morte provocada por diabetes: "Os oito anos de vida que a diabetes rouba, os casos de cegueira, amputações e doença renal crónica que continuam a ser elevados deixam-nos um alerta".

"Há muito a fazer no que toca ao tratamento e, sobretudo, à prevenção da diabetes em Portugal. Precisamos de mudar estilos de vida para que o número de casos de diabetes pare de aumentar e de acompanhar melhor os nossos doentes para diminuir o impacto das complicações desta doença", defende João Filipe Raposo.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 13 de Novembro de 2019.

Quase 10% dos portugueses não tem qualquer dente

Quase 10% dos portugueses não tem qualquer dente - 

Mais de 30% dos portugueses não vão ao dentista ou só o fazem em caso de urgência, segundo o Barómetro da Saúde Oral de 2019.

De acordo com os dados a que a Lusa teve acesso, há 6,8% de portugueses que nunca vão a consultas de medicina dentária e 24,8% que só vão em caso de urgência, dados que se têm mantido inalterados desde que o barómetro começou a ser feito, em 2014.

Segundo o barómetro, que vai ser apresentado na sexta-feira no Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, dos que nunca vão ao dentista ou só vão em caso de necessidade, mais de um em cada cinco (22,8%) alega não ter capacidade financeira, um valor que, contudo, baixou relativamente ao ano passado.

Dos inquiridos, 87,4% disseram ter mantido o número de idas ao dentista em 8,4% dos casos aumentaram. Apenas 4,1% revelaram ter diminuído a frequência destas consultas, um valor que baixou relativamente ao ano passado (7,2%).

 

35% não vai ao dentista há mais de um ano

 

Mais de um em cada três portugueses (35,7%) não vai ao dentista há mais de um ano e mais de metade nunca mudou de médico dentista.

“Ainda que os resultados mostrem que os portugueses estão a ir ao médico dentista com maior regularidade, não são novos doentes, são doentes habituais que aumentaram a regularidade das visitas aos consultórios de medicina dentária”, refere o barómetro.

O documento diz ainda que este aumento “pode ser explicado pela subida de pacientes com seguros ou planos de saúde”, que em 2014 eram apenas 4% e agora já chegam aos 15%.

Se quando o barómetro começou a ser elaborado quase três em cada quatro (72%) dos inquiridos consideravam a medicina dentária uma área mais cara do que as outras áreas da saúde, nesta edição o número caiu para pouco mais de metade (54%).

O número de portugueses com a dentição completa mantém-se à volta dos 31%, assim como o de portugueses com falta de todos os dentes (10%).

 

Doentes com dentes de substituição aumentaram

 

Contudo, apesar de o número de portugueses sem dentes naturais se manter em linha com as edições anteriores do barómetro, hoje “já existe maior probabilidade de terem dentes substitutos”, sublinha o documento.

Quase metade (48,6%) dos portugueses com falta de dentes naturais não têm dentes de substituição, quando em 2014 este valor era de 56,1%.

O Barómetro da Saúde Oral 2019 mostra ainda que 27,8% dos portugueses com mais de seis dentes em falta não têm nada a substituí-los.

Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, “existe hoje uma maior preocupação dos portugueses com a saúde oral, mas há uma percentagem elevada de pessoas que continuam longe dos consultórios de medicina dentária e a probabilidade de serem estas a quem mais faltam dentes naturais sem nada terem a substituir é muito grande”.

“São estas pessoas, por regra com menos recursos e informação, as mais vulneráveis e as que mais precisam de resposta urgente por parte do Ministério da Saúde”, sublinha.

O bastonário lembra que “há 59% de portugueses que não sabem que o Serviço Nacional de Saúde disponibiliza a área de medicina dentária”, um valor que tem vindo a cair face a edições anteriores do barómetro.

Apesar disso, o responsável considera “essencial que haja uma maior divulgação das consultas de medicina dentária nos centros de saúde e que os médicos de família indiquem os doentes em condições de aceder a essas consultas”.

O barómetro deste ano permitiu ainda perceber que nem todos os portugueses escovam os dentes duas vezes por dia, como recomendam as boas práticas da saúde oral, pois apenas 77,6% afirmam cumprir esta indicação.

“Continua a ser notória a maior implementação destes hábitos nas mulheres”, indica o documento.

Embora a maioria dos portugueses escove os dentes pelo menos duas vezes por dia, o uso do fio dentário e de elixir ainda não estão tão enraizados nos seus hábitos.

São apenas 3,7% os que usam o fio dentário duas vezes por dia e 19,7% usa menos de uma vez por semana. Já o elixir é usado duas vezes por dia por 6,5% dos que escovam os dentes segundo as boas práticas da saúde oral, enquanto 26,7% o usa menos de uma vez por semana.

Para os inquiridos pelo barómetro, grávidas, diabéticos e portadores de doenças cardíacas ou respiratórias deveriam ter acesso mais facilitado a cuidados de medicina dentária, por necessitarem de acompanhamento redobrado.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 13 de Novembro de 2019.