Infarmed preocupado com uso generalizado de testes serológicos

Infarmed preocupado com uso generalizado de testes serológicos - 

A autoridade do medicamento diz que os testes serológicos rápidos agora disponíveis são os que levantam "maiores preocupações".

Têm-se multiplicado em Portugal a oferta dos testes serológicos, que servem para perceber se a pessoa já teve contacto com o SARS-CoV-2 e se desenvolveu anticorpos produzidos pelo sistema imunitário. Através de uma picada no dedo, é recolhida uma amostra de sangue e os resultados são obtidos em poucos minutos.

Estes testes rápidos começam a ser disponibilizados em farmácias e clínicas em Portugal, com preços que oscilam entre os 25 e os 50 euros. Já há mais de 50 marcas de testes serológicos rápidos diferentes com certificação CE registadas no Infarmed. “Contudo, este registo não constitui qualquer autorização ou validação por parte do Infarmed”, esclareceu o regulador ao jornal Público.

Está ainda registada no Infarmed uma dezena de testes ditos automatizados, que são apenas realizados nos laboratórios de análises clínicas, e que custam entre 78 e 86 euros.

Em Maio, a Ordem dos Farmacêuticos pediu um esclarecimento ao Infarmed porque queria saber se as farmácias estão ou não habilitadas a realizar estes testes rápidos para pesquisar a presença de anticorpos. O Infarmed respondeu que os farmacêuticos estão habilitados do ponto de vista técnico para os fazer, e que as farmácias “poderiam” realizá-los “caso se revelassem úteis para a população em geral”, mas, “no contexto actual, não estão reunidas as condições para que os testes serológicos rápidos possam ser realizados nas farmácias comunitárias ou em qualquer outro local de forma generalizada como método de diagnóstico”.

O seu “resultado isolado não pode excluir a possibilidade de infecção” pelo novo coronavírus, refere o Infarmed.

Desempenho dos diferentes testes no mercado ainda está a ser “alvo de discussão”

Foi ainda frisado que estes são dispositivos destinados “apenas para uso profissional“, até à data, e que estes testes rápidos levantam preocupações “dada a disseminação da sua comercialização”. O facto de a sua utilização ser “simples” pode muitas vezes induzir o público a erro. O regulador frisa ainda que “é proibida a sua publicidade junto do público em geral”.

“O que está aqui em causa não é a capacidade de os profissionais fazerem este teste, mas sim a capacidade da sua interpretação”, revelou Franklim Marques, presidente da Direcção Regional do Norte da OF, ao jornal Público.

Em Abril, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) recomendou às suas associadas que, por enquanto, estes testes sejam realizados apenas internamente aos disponibilizados em farmácias e clínicas, que custam entre 25 a 50 euros.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 8 de Junho de 2020

Dívida em atraso do SNS aos fornecedores está em níveis historicamente baixos (mas a covid-19 pode baralhar as contas)

Dívida em atraso do SNS aos fornecedores está em níveis historicamente baixos (mas a covid-19 pode baralhar as contas) - 

Em Março, os hospitais públicos reduziram de forma significativa os pagamentos das facturas em atraso e, em maio, foi aprovada uma nova injecção financeira de 166 milhões de euros. Empresas de medicamentos e de dispositivos médicos confirmam o esforço do Estado, mas sinalizam que a grande incógnita está no segundo semestre do ano, altura em que os efeitos da pandemia começarão a ser sentidos.

Este ano tinha tudo para ser um marco histórico no que respeita à contracção da dívida do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos fornecedores. Mas, entretanto, chegou a pandemia que veio baralhar as contas do Estado e que pode comprometer os planos para resolver uma situação de incumprimento crónico que se arrasta há largos anos, por culpa da sub-orçamentação dos hospitais do SNS. De uma situação confortável com excedente orçamental, as contas públicas estão agora a braços com uma ‘sangria’ de milhares de milhões de euros para conter os efeitos da covid-19.

No final de 2019, o valor das facturas a fornecedores externos por liquidar pelo Estado contraiu de forma muito significativa – graças a uma típica injecção financeira feita no final do ano – e, em Março de 2020, houve um novo esforço para reduzir os pagamentos em atraso (são os arrears e dizem respeito a facturas que ultrapassaram os 90 dias do prazo). De 380,6 milhões de euros em Fevereiro, os arrears passaram para 169,3 milhões de euros em Março.

Os valores por saldar junto da indústria farmacêutica e das empresas de dispositivos médicos estão historicamente baixos, faz notar o Ministério da Saúde, mas em Abril, a dívida vencida – que inclui os pagamentos em atraso –, subiu 22,1 milhões de euros face a Março. Já em relação ao ano passado o valor das facturas que já passaram o prazo de pagamento é bastante menor.

“No final de Abril, a dívida vencida totalizava os 729,1 milhões de euros, o que traduz um decréscimo de 31,5% em relação ao período homólogo do ano passado. O valor dos pagamentos em atraso situava-se nos 218,3 milhões de euros, o que traduz uma diminuição de 63% relativamente ao mesmo mês de 2019”, salienta fonte oficial do Ministério da Saúde. Isto significa, sustenta o Governo, que “quer o valor da dívida vencida quer o dos pagamentos em atraso representam os valores mais baixos desde que existem dados consolidados sobre estes indicadores”.

A intenção, reafirma o Executivo, é colocar as facturas em dívida há mais tempo em níveis muito baixos. E a prova disso, aponta o Ministério da Saúde, é o recente despacho do Secretário de Estado do Orçamento, João Leão, datado de maio, que determinou que “as entidades do SNS procederiam ao pagamento adicional de 166,4 milhões de euros, que acresceu aos pagamentos regulares mensais, para desta forma, procurar atingir um valor muito reduzido de pagamentos em atraso”.

DADOS DAS EMPRESAS E DO GOVERNO DIFEREM

De acordo com os dados da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (Apormed) a dívida vencida junto dos seus associados ascendia a 530,2 milhões de euros em Abril, mais 40,8 milhões de euros face ao mês anterior. Deste total, a maior fatia cabe aos laboratórios, que aguardam o pagamento de facturas em atraso no valor de 430,3 milhões, mais 40,6 milhões de euros do que em Março. Do lado dos dispositivos médicos, estão 99,9 milhões por saldar, mais 200 mil euros em termos mensais. Um ano antes, a dívida vencida estava em valores significativamente mais elevados.

Note-se que os números contabilizados pelos fabricantes de medicamentos e de dispositivos médicos raramente coincidem com os dados do Ministério da Saúde que têm origem na informação reportada pelas entidades do SNS à ACSS – Administração Central do Sistema de Saúde. Os valores apurados pelo Estado são, em regra, mais elevados, mas há que notar que nem a Apifarma, nem a Apormed representam a totalidade das empresas dos respectivos sectores.

Já sobre o prazo médio de pagamento, o Ministério da Saúde refere ao Expresso que, no primeiro trimestre de 2020, foi de 108 dias, “observando-se uma diminuição de 13 dias face ao período homólogo, justificado pela diminuição do prazo médio de pagamento das EPE, que contraiu 41 dias, fixando-se em 187 dias”.

O melhor desempenho a este nível pertence ao Hospital de Magalhães Lemos, no Porto, com um prazo médio de 20 dias, contra o Centro Hospitalar de Lisboa Central, onde este indicador está nos 286 dias. Porém, faz notar a mesma fonte oficial, “a disparidade de valores poderá ser influenciada pelo reconhecimento de facturas com datas de vencimento já ultrapassadas”.

Até à publicação deste artigo, o Ministério da Saúde não indicou qual foi o valor total em dívida aos fornecedores externos em Abril (inclui as facturas dentro do prazo) – em Março eram 1425 milhões de euros. Presume-se que, nomeadamente, com o reforço das aquisições de fármacos para combater a covid-19 e com os gastos adicionais em equipamentos de protecção individual a despesa venha a disparar. Há, porém, que ter em conta que como a actividade normal do SNS ficou suspensa durante o pico da pandemia, determinados custos deixaram de se verificar, como aconteceu com próteses ou lentes intra-oculares.

EVOLUÇÃO DOS PAGAMENTOS EM ATRASO DEPOIS DE JUNHO É A INCÓGNITA

Os efeitos da covid-19 só deverão ser verdadeiramente notados a partir de Junho, consideram os fornecedores do Estado. “Os meses de Março, Abril e maio foram muito positivos em temos de pagamentos, sendo expectável que esta boa performance se mantenha durante o primeiro semestre. A incógnita é saber se no segundo semestre os hospitais conseguirão manter esta tendência positiva”, diz ao Expresso João Gonçalves, secretário-geral da Apormed.

O responsável lembra que “no mês de Março os hospitais já puderem pagar ao abrigo do Orçamento do Estado (OE) para 2020, situação que não sucedeu nos meses de Janeiro e de Fevereiro uma vez que o OE não tinha sido ainda promulgado pelo Presidente da República”. Além disso, João Gonçalves avança que “a Apormed reuniu recentemente com a ACSS, tendo sido informada que a performance verificada no mês de Março [pagamento de dívidas em atraso] iria ter continuidade, pelo menos até ao mês de Junho”. O dilema é o que acontecerá a seguir.

Fonte oficial da Apifarma também sinaliza a incerteza trazida pela pandemia. “Até ao surgimento deste contexto extraordinário a economia portuguesa caminhava para a normalização há muito aguardada, apresentando um superavit orçamental nas contas públicas”, refere a organização que representa os fabricantes de medicamentos. A Apifarma frisa que “uma orçamentação e uma dotação orçamental adequadas são basilares para o equilíbrio das contas da saúde, condição fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde e do SNS, para o acesso aos melhores cuidados de saúde pelos cidadãos, mas também para promover uma gestão mais eficiente e um melhor planeamento e previsibilidade nas instituições do SNS”.

E sublinha que o acesso à saúde pressupõe que se dê prioridade à recuperação económica e do quotidiano dos cidadãos e que a retoma “é uma oportunidade para redireccionar o nosso futuro colectivo e reequacionar que investimentos queremos para o país”. Objectivo no qual o sector da saúde tem um papel fundamental no contexto de pós-pandemia, considera a organização, na medida em que é uma das actividades que proporciona “empregos de qualidade e altamente qualificados, contribui para a economia do país e permite manter e equilibrar o bem-estar social de Portugal”.

VENDAS EM QUEDA NOS DISPOSITIVOS MÉDICOS

Entretanto, a pandemia fez ‘estragos’ nas vendas do sector dos dispositivos médicos. Nos primeiros meses do ano, “para a generalidade dos nossos associados, a evolução das vendas reflectiu uma quebra abrupta em virtude da paragem da actividade hospitalar para situações não covid-19”, refere João Gonçalves. A maioria da empresas associadas da Apormed são os principais fornecedores de dispositivos médicos em geral, “mas também de dispositivos implantáveis, tais como, próteses ortopédicas, lentes intra-oculares, stents coronários, pacemakers. Ora, sem actividade cirúrgica regular estes dispositivos não foram utilizados”, explica.

Com a retoma da actividade hospitalar, “nota-se já algum incremento, porém, ainda muito incipiente”. Já as empresas cuja oferta se centra nos produtos mais requisitados para a covid-19, como os equipamentos de protecção individual, “a evolução das vendas foi acima da média, contudo, estamos a falar de uma franja no universo dos nossos associados”.

O secretário-geral da Apormed antecipa que 2020 “será certamente um ano negativo pois as vendas ficarão muito aquém do que tinha sido perspectivado”. Isto porque “a retoma hospitalar tem sido gradual”, já que “os utentes continuam com receio de voltar às consultas, exames e cirurgias, os actos médicos são mais demorados tendo em conta as restrições da Direcção-Geral da Saúde e o acesso condicionado aos hospitais por parte dos profissionais do sector dos dispositivos médicos”.

Por sua vez, a Apifarma esclarece que depois de um pico de vendas no primeiro trimestre (em particular em Março), fruto da pandemia – houve uma corrida aos medicamentos por parte dos doentes que recearam ficar sem acesso a tratamentos e, por outro lado, os hospitais reforçaram o aprovisionamento de determinados fármacos para o tratamento da infecção por SARS-CoV-2 –, agora, “os dados preliminares disponíveis apontam para uma normalização da evolução do mercado pré-covid-19.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 5 de Junho de 2020.

Portugal vai contribuir para aliança internacional das vacinas

Portugal vai contribuir para aliança internacional das vacinas - 

Portugal vai contribuir pela primeira vez para a Gavi, a Aliança das Vacinas, com 100 mil euros, anunciou hoje a ministra da Saúde, Marta Temido, durante uma intervenção numa cimeira global de angariação de fundos organizada pelo Reino Unido.

"A actual pandemia recorda-nos de como as vacinas são cruciais. Contamos com a Gavi para a distribuição de uma futura vacina para a covid-19, para que seja acessível a todos e possa constituir um bem público internacional para a saúde. Portugal tem vindo a fortalecer relações com a Gavi e pela primeira vez vamos contribuir financeiramente para a Aliança", disse.

Marta Temido falou em inglês numa comunicação vídeo gravada previamente e transmitida durante um bloco em que intervieram líderes de outros países europeus, como França, Alemanha, Suíça, Turquia, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Suécia, Dinamarca ou Finlândia. 

Em nome da União Europeia (UE), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comprometeu-se com a contribuição de 300 milhões de euros para o período entre 2021 e 2025, a somar às contribuições individuais dos Estados membros.

Segundo a responsável, no último mês a UE ajudou a angariar quase 10 mil milhões de euros para combater o coronavírus, dos quais 1,5 mil milhões de euros para a Gavi, para "acelerar a entrega de uma vacina acessível para a covid-19 para todos os que precisem". 

"Estamos preparados para discutir os méritos de uma encomenda global da vacina para a covid-19", acrescentou Von der Leyen. 

A Cimeira Global da Aliança das Vacinas (Gavi) que pretende angariar 7,4 mil milhões de dólares (6,74 milhões de euros) para imunizar 300 milhões de crianças em cinco anos e salvar entre sete a oito milhões de vidas.

Embora a pandemia de covid-19 esteja a dominar a cimeira, as vacinas são importantes para combater e evitar doenças como o sarampo, poliomielite, difteria, rubéola ou tétano. 

A presidente da Gavi, Ngozi Okonjo-Iweala, disse durante a abertura do evento, realizado virtualmente, que a pandemia covid-19 "focou a atenção do mundo como nunca tinha feito antes no papel crítico que as vacinas desempenham, não só em proteger vidas mas também os sustentos e a economia". 

A Gavi estima que, desde 2002, as campanhas de vacinação da Gavi ajudaram a gerar 150 mil milhões de dólares (133 mil milhões de euros) em benefícios económico nos respectivos países, protegendo 1,1 mil milhões de pessoas e evitando 21 milhões de mortes. 

Nos próximos cinco anos, adiantou Okonjo-Iweala, a Gavi estima que possa produzir mais 80 a 100 mil milhões de dólares (71-89 mil milhões de euros) em benefícios económicos. 

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infectou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.455 pessoas das 33.592 confirmadas como infectadas, e há 20.323 casos recuperados, de acordo com a Direcção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em Fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de três milhões, contra mais de 2,2 milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 172, contra mais de 181 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando sectores inteiros da economia mundial, num "grande confinamento" que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 4 de Junho de 2020.

União Europeia pondera uso de fundo de 2,4 mil milhões para compra de vacina

União Europeia pondera uso de fundo de 2,4 mil milhões para compra de vacina - 

A União Europeia estará a preparar-se para recorrer a um fundo de emergência para negociar com farmacêuticas a compra da futura vacina para a covid-19.

A União Europeia prepara-se para recorrer a um fundo de emergência no valor de 2,4 mil milhões de euros para conseguir avançar nas negociações para a compra da vacina contra a covid-19.

Conforme avançaram fontes oficiais da União Europeia à agência Reuters, esta possibilidade terá sido discutida esta quarta-feira, depois de países como a França, Alemanha, Itália ou Holanda terem afirmado que estão a "acelerar as negociações com companhias farmacêuticas". Embora ainda não exista uma vacina contra o novo coronavírus estão a decorrer várias experiências por parte de empresas farmacêuticas, em diferentes estados de desenvolvimento. Assim, vários Estados estarão já a colocar-se em campo para negociar com as diferentes empresas da indústria.

Estes 2,4 mil milhões em causa integram o Instrumento de Apoio de Emergência (ESI, em inglês). O montante poderá também ser usado para aumentar a capacidade de produção da vacina na Europa.

A decisão de Bruxelas surge na sequência das movimentações dos Estados Unidos no sentido de assegurar o acesso a vacinas ainda em desenvolvimento. Os Estados Unidos já indicaram um investimento de mil milhões de dólares junto da empresa AstraZeneca para aquisição de 300 milhões de doses da futura vacina.

De acordo com a imprensa alemã, França, Itália, Alemanha e Holanda estarão juntas para tentar avançar nas negociações com as farmacêuticas. O jornal Handelsblatt avançou que estes países terão enviado uma comunicação à Comissão Europeia indicando que a junção permite "atingir o resultado mais rápido e o melhor possível nas negociações com os principais players da indústria farmacêutica".

O recurso a este fundo de emergência da União Europeia tentará colmatar uma das preocupações do organismo - a disponibilidade de doses suficientes para uma população que ronda os 450 milhões de habitantes.

Resta saber como é que este esforço da União Europeia poderá ser conjugado com as iniciativas de negociações com farmacêuticas dos diferentes Estados-Membros, quer individuais quer em grupo.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 4 de Junho de 2020.

De 42 cêntimos a 20 euros (ou mais), máscaras já não faltam

De 42 cêntimos a 20 euros (ou mais), máscaras já não faltam - 

No início da pandemia de covid-19, escasseavam, atingiram preços nunca antes praticados e foram motivo de polémica, devido à hesitação da DGS em recomendar o seu uso. Três meses depois, tornaram-se um bem de primeira necessidade, dado o uso obrigatório em todos os espaços fechados. Quanto custa protegermo-nos a nós e aos outros do novo coronavírus?

Noutras latitudes, há muito que fazem parte da ética e da estética quotidianas, mas em Portugal ver toda a gente de máscara na rua era até há três meses cenário só imaginável em filme de ficção científica, género nunca abraçado pelo cinema nacional.

E, no entanto, a pandemia de covid-19 veio entranhar aquilo que nos era estranho e já serão poucos os que saem de casa sem máscara de protecção, seja descartável ou reutilizável, seja feita em polipropileno, em algodão ou até em cortiça. Se a usam correctamente ou pendurada na orelha ou puxada para debaixo do queixo, já são outros quinhentos.

Seja como for, ao contrário do que aconteceu no início da crise pandémica, máscaras não faltam neste momento. Centenas de empresas têxteis e outras dedicaram-se ao fabrico de máscaras reutilizáveis. Com a perspectiva de uma procura crescente, o mercado funcionou e o abastecimento das descartáveis (vulgarmente chamadas de cirúrgicas apesar de não serem indicadas para uso médico) regularizou-se e a especulação diminuiu. Mas serão acessíveis para todos?

É discutível. 42 cêntimos foi o preço mais baixo por unidade que conseguimos encontrar numa volta por diversos estabelecimentos em Almada, por uma máscara cirúrgica, que permite uma única utilização e é a que oferece o nível mais baixo de eficiência. Mas este valor, pela amostra que nos foi dada a conhecer, é mais provável se forem compradas em pack.

Nas farmácias, onde mais facilmente se encontram comercializadas à unidade, o valor unitário sobe. Ainda assim, se multiplicarmos pelos 30 dias do mês, assumindo que uma máscara dá para um dia, o que é pouco se a utilização for contínua e prolongada, a despesa nesta protecção específica contra a covid-19 rondará os 12 euros e sessenta cêntimos por mês.

Não são já as farmácias as únicas lojas onde pode encontrar máscaras. Supermercados ou lojas de roupa e de acessórios são apenas alguns dos estabelecimentos que têm agora este produto, em diversas variedades, à venda.

Por exemplo, um Auchan de bairro, vende packs de 50 máscaras cirúrgicas por 29,99 (o que dá cerca de 60 cêntimos a unidade) enquanto o Pingo Doce as têm em promoção e por 8,49 compra um pack de 20 (cerca de 42 cêntimos a unidade), o mesmo preço unitário que encontra na Well's, do grupo Sonae, onde um pack de 50 custa 20,99.

Numa farmácia, pelo menos as que visitámos, o preço da unidade das máscaras mais básicas pode variar entre os 54 e os 65 cêntimos. Segundo a funcionária de uma delas, que preferiu não ser identificada, antes da pandemia o preço deste tipo de máscara era de cerca de 20 cêntimos enquanto nos primeiros tempos da mesma chegou a atingir um valor unitário de 1,60.

Na Clarel, do grupo Dia, 54 cêntimos é também o preço unitário praticado, seja em packs de cinco ou de dez, para as máscaras cirúrgicas. Já as KN 95 | FFP2, também descartáveis, mas com maior resistência e eficácia de protecção (um uso correto e não prolongado e a desinfecção após cada utilização permite o uso por um máximo de cinco dias, explicou-nos a farmacêutica), têm um preço mais variável: 1,89 na Clarel, 2,30, na Well's (vendidas em packs de cinco, por 11,49), 2,95 numa farmácia e 3,15 noutra.

Máscaras comunitárias, sociais, reutilizáveis, de tecido ou outros materiais, há para todos os gostos e carteiras e estão transformadas em autênticos acessórios de moda, cujo preço, como é costume, varia de acordo com a notoriedade da marca. A Tiffosi, por exemplo, criou uma linha casual, de padrões e cores variados, que custa 19,99, enquanto a MO comercializa as suas MoxAd-Tech, com certificação de nível 2, na Well's e no Continente, por 10 euros. Também as há de cortiça - encontrámo-las na loja Império das Malas, em Almada - com certificação covid 19 para uso geral de nível 3 da CITEVE por 8,95 (se forem em tecido o preço baixa para 6,95).

Importante, quando se compra uma máscara reutilizável, além do preço, é verificar que esta é certificada e depois de quantas lavagens se mantém eficaz, porque muitas lojas estão a vender máscaras de tecido, como aquelas que quem tem jeito para costura pode fazer em casa, sem qualquer tipo de certificação.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 4 de Junho de 2020.

Vacinas administradas em maio caíram mais de 40%

Vacinas administradas em maio caíram mais de 40% - 

O número de vacinas administradas em maio caiu mais de 40% em comparação com o mesmo mês de 2019.

Os dados do Portal do SNS, actualizados até ao passado dia 27, indicam que em maio de 2019 tinham sido administradas 519.234 vacinas. Este ano, o valor fixou-se em 300.693.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) foi a que registou maior número de vacinas administradas (111.262), seguida pela ARS Norte (111.013), ARS Centro (49.285), ARS Algarve (15.054) e ARS Alentejo (14.079).

Comparando com o mês de Abril (395.416), em maio o número de vacinas administradas caiu quase 24%.

As autoridades de saúde já tinham alertado para a importância de não descurar o Programa Nacional de Vacinação (PNV), sobretudo nesta altura de pandemia da covid-19, lembrando que as vacinas previstas para o primeiro ano de vida conferem protecção contra 11 doenças potencialmente graves.

Por ocasião do Dia Mundial da Criança, na passada segunda-feira, a directora-geral da Saúde voltou a apelar aos pais para que vacinem os filhos, utilizem as consultas de vigilância e realizem o teste do pezinho aos recém-nascidos.

"Não há nenhum motivo neste momento para que as crianças não tenham as suas vacinas actualizadas", disse Graça Freitas, sublinhando que "a vacina evita muitas doenças, algumas delas graves" e que a última coisa que as autoridades querem é ter surtos de outras doenças.

Para cumprir a vacinação dos filhos, os pais devem marcar as visitas, para evitar filas e aglomerados, por causa da pandemia.

Numa nota publicada em Abril, e perante a necessidade de adoptar medidas de carácter excepcional e temporário para prevenção da transmissão da infecção por covid-19, a Direcção Geral da Saúde (DGS) definiu como prioritária a vacinação recomendada no primeiro ano de vida, sublinhando que "aos 12 meses, as vacinas contra o meningococo C e contra o sarampo, papeira e rubéola são muito importantes".

Dados divulgados no final de Abril indicavam que uma em cada 10 crianças com 13 meses de idade em Portugal não tinham no final do ano passado qualquer vacina contra o sarampo.

O relatório do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que avalia o cumprimento do PNV em 2019, diz que aos 13 meses de idade, 14% das crianças ainda não tinham iniciado a vacinação contra o sarampo nem contra a doença invasiva meningocócica do grupo C, que devem ser administradas aos 12 meses.

"Este facto coloca as crianças desta idade em risco de surtos de sarampo, se contactarem com casos, uma vez que estão, na sua maioria, juntas em creches, sem beneficiarem da imunidade de grupo, conferida a partir de uma cobertura de 95%", alerta o documento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha avisado que as campanhas de vacinação não podiam ser postas em risco pela pandemia de covid-19, sublinhando que doenças como a poliomielite ou o sarampo podem ressurgir.

A UNICEF e a OMS voltaram a alertar na semana passada para o impacto da interrupção na administração de vacinas, devido à covid-19, colocando em risco milhões de crianças em todo o mundo.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 3 de Junho de 2020.