Governo justifica escassez de medicamentos com a globalização

Governo justifica escassez de medicamentos com a globalização - 

Ministra Marta Temido garante que o executivo está activamente a procurar formas de combater a falta de medicamentos que se sente em Portugal, tal como o DN noticiou esta segunda-feira.

A ministra da Saúde garante que o governo já está a procurar formas para conter a escassez de medicamentos para doenças crónicas, situação que o DN noticiou esta segunda-feira.

Marta Temido afirma que a escassez de medicamentos afecta toda a Europa e é justificada pela "globalização" e pela "deslocalização" dos centros de produção para outras regiões do globo.

À margem de um conselho de ministros da Saúde, em Bruxelas, a governante garante que o governo já está a trabalhar para combater o problema da falta de medicamentos para doenças crónicas, que de acordo com Marta Temido não tem exclusividade portuguesa.

"Aquilo que constatámos foi que as dificuldades que o nosso país sente se sentem também noutros países e são sobretudo resultantes da globalização do mercado e da deslocalização de algumas áreas de produção para países como a Índia ou a China", justificou a ministra, apontando ainda "uma maior dificuldade no acesso a substâncias que entram na fabricação de determinados fármacos, ou alguns fármacos em concreto".

Temido garante ainda que já estão a ser procuradas soluções no contexto europeu, com "os países todos alinhados na sua definição de estratégias, além das estratégias nacionais, para que de uma forma mais europeia incentivem que determinadas empresas se fixem em Portugal ou regressem aos países europeus e se fixem".

Infarmed está "a trabalhar" para repor vacina da Meningite W

A ministra diz não haver dados que apontem para "qualquer paralelismo" entre a escassez de medicamentos para as doenças crónicas com as dificuldades para a aquisição da vacina para a estirpe W da Meningite. Esta vacina não está incluída no plano nacional de vacinação, mas os pediatras têm vindo aconselhar a administração da vacina para este tipo fulminante da doença.

Sem querer alongar-se, Marta Temido garantiu apenas que "o Infarmed e as entidades envolvidas continuam a trabalhar nessa matéria".

Sem esclarecer gratuitidade da Meningite B

Sobre as discussões com o Ministério das Finanças para a mobilização de verbas, no Orçamento do Estado de 2020, para a a vacinação gratuita contra a meningite B, Marta Temido não esclarece.

"Não gostaria de me pronunciar aqui, nesta sede, [em Bruxelas], sobre assuntos nacionais, estamos realmente a trabalhar com o ministério das Finanças, sobre vários assuntos", respondeu, dando a entender que a promessa, incluída no Orçamento do Estado deste ano, está em discussão, embora não se saiba se a medida que ficou por concretizar em 2019, virá a ser executada no próximo ano.

Recorde-se que a vacina contra a meningite B, rotavírus e vírus do papiloma humano foi aprovada no Orçamento do Estado de 2019, mas poderá só avançar para o próximo, se for incluída na proposta de Orçamento do Estado.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 10 de Dezembro de 2019.

Universidade de Coimbra e Tilray desenvolvem produtos médicos derivados de canábis

Universidade de Coimbra e Tilray desenvolvem produtos médicos derivados de canábis - 

A empresa Tilray e a Universidade de Coimbra estabeleceram "uma parceria estratégica inédita para investigação e novos conhecimentos para o desenvolvimento de produtos médicos derivados de canábis", que deverá estender-se até 2024, foi hoje anunciado.

"Combinando a vasta experiência da Tilray no cultivo, produção e desenvolvimento de produtos de canábis, esta parceria estratégica será estendida a vários departamentos da Universidade de Coimbra, incluindo oportunidades a pós-graduados em ciências químicas, genética e ciências farmacêuticas", divulgou hoje, em comunicado, a subsidiária portuguesa da empresa canadiana, instalada desde Abril em Cantanhede.

A parceria promoverá a colaboração entre a Tilray "e líderes académicos da Universidade" em projectos de pesquisa, aproveitando o campus de última geração da Tilray e as instalações de pesquisa no parque tecnológico Biocant, situado também em Cantanhede.

"Temos orgulho no estabelecimento desta parceria com a Universidade de Coimbra e em colaborar com a sua vasta equipa de especialistas e investigadores para estudar canábis medicinal", afirma Joshua Eades, responsável cientifico da Tilray.

Durante a sessão de assinatura da parceria, em Coimbra, Eades acrescentou que a parceria com a UC "permitirá que as equipas colaborem em investigações inovadoras que contribuam para o crescimento da ciência em canabinóides, enquanto permitem a evolução do programa de investigação e desenvolvimento da Tilray".

A sessão serviu ainda para o lançamento do projeto UC Business, criado pela Universidade para apoiar a inovação e a prestação de serviços especializados a entidades públicas e privadas.

A Tilray foi o primeiro produtor de canábis medicinal a importar com sucesso produtos médicos de canábis para a União Europeia e o primeiro produtor licenciado de canábis medicinal na América do Norte a obter a certificação GMP de acordo com as normas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A fábrica de Cantanhede é a primeira em território nacional de produção de canábis medicinal, assegurando 200 postos de trabalho. Representou um investimento total de 20 milhões de euros.

A Tilray de Cantanhede também serve como centro de apoio aos esforços de pesquisa clínica e desenvolvimento de produtos da Tilray em toda a Europa, beneficiando da proximidade do Biocant, o primeiro parque de biotecnologia em Portugal cujo objectivo principal é patrocinar, desenvolver e aplicar o conhecimento avançado na área das ciências da vida, apoiando igualmente iniciativas empresariais de elevado potencial.

A empresa é pioneira mundial na investigação, cultivo, produção e distribuição de canábis medicinal e responde actualmente a dezenas de milhares de doentes e consumidores em 12 países, abrangendo cinco continentes.

 

Fonte: Site do "Jornal Negócios" e autor em 9 de Dezembro de 2019.

Distribuidores de medicamentos propõem medidas para colmatar rupturas no abastecimento

Distribuidores de medicamentos propõem medidas para colmatar rupturas no abastecimento - 

Para dar respostas ao agudizar da escassez de remédios no mercado nacional, a Associação de Distribuidores Farmacêuticos propões dez soluções, entre as quais mudanças legislativas que reconheçam a especialização da actividade, mais margens comerciais, acesso a medicamentos antirretrovirais e oncológicos, bem como benefícios fiscais e a hipótese de prestar serviços de logística para os organismos de saúde do Estado.

Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA) alerta que é preciso discutir as prioridades e dar resposta aos problemas desta actividade, colocando a tónica nas falhas recorrentes de abastecimento do mercado com os medicamentos necessários para dar resposta adequada e atempada aos doentes.

A agenda do organismo presidido por Diogo Gouveia é feita de dez medidas e já foi apresentada, no início de Novembro, “às entidades políticas e governamentais”. “Durante as próximas semanas prevê-se o agendamento de audiências e reuniões com cada uma das instituições”, menciona a ADIFA em comunicado de imprensa, no qual sugere também “um acordo com o Governo, tendo em vista promover uma discussão activa sobre as prioridades para o sector”.

Em primeiro lugar, os retalhistas de medicamentos pedem que seja reconhecido, no âmbito do Estatuto do Medicamento, a especificidade e especialização do tipo de serviços que prestam. Em Março, em declarações à News Farma, Diogo Gouveia esclarecia que estas empresas fazem a distribuição de fármacos em regime de ‘serviço completo’, o que se traduz em abastecimento, posse, armazenamento, preparação de encomendas e fornecimento de todo o tipo de produtos farmacêuticos em território nacional. “Estes distribuidores percorrem diariamente o país para realizar duas a três entregas diárias às farmácias, efectuando mais de duzentos mil quilómetros por dia para realizar cerca de 11 mil entregas diárias de medicamentos e produtos de saúde”, revelou, então, Diogo Gouveia.

Por isso, a ADIFA “propõe que a legislação portuguesa, à semelhança de outros Estados-membros, evolua para a implementação da actividade de ‘distribuição farmacêutica de serviço completo’, através da alteração do Estatuto do Medicamento, com deveres e direitos que assegurem um abastecimento adequado do mercado nacional”.

Antirretrovirais, oncologia oral e remédios para transplantados nas farmácias

Outra (antiga) reivindicação é que alguns medicamentos que são dispensados, em exclusivo, pelos hospitais passem para as farmácias comunitárias, “quando não existam justificações técnicas para manter a exclusividade hospitalar, à semelhança dos nossos congéneres europeus”, como os antirretrovirais, a oncologia oral e os remédios para doentes transplantados.

Fazendo notar a “inegável eficiência e valor acrescentado do sector e a capacidade instalada das diversas empresas”, a ADIFA propõe ainda “estudar-se a prestação de serviços logísticos ao Serviço Nacional de Saúde”, tendo em vista identificar os consequentes ganhos de eficiência e as poupanças para o Estado, assim como os modelos de remuneração. E dá o exemplo do projecto-piloto de vacinação contra a Gripe nas farmácias comunitárias da região de Loures.

A degradação dos preços e das margens dos medicamentos não podia deixar de ser outro ponto relevante na agenda dos retalhistas. Uma das razões para a falta de medicamentos aos balcões tem que ver com a incapacidade financeiras não só de armazenistas, mas também das farmácias, para fazerem stocks que acautelem rupturas no fornecimentos aos doentes. “Importa assegurar políticas de preços dos medicamentos promotoras da sustentabilidade económico-financeira e desenvolvimento do circuito farmacêutico, impulsionadoras da atractividade económica do mercado português”, sustenta a associação.

A revisão das margens em determinados tipos de remédios – tais como os genéricos, os medicamentos de frio (ou com outras condições especiais) e as substâncias controladas (como os estupefacientes e substâncias psicotrópicas) – também se impõe, diz a ADIFA.

Assim como a necessidade de estender ao sector da distribuição de medicamentos benefícios fiscais que ‘ajudam’ já outras actividades económicas. Entre os quais a majoração da dedutibilidade como custo dos gastos em combustíveis, o reembolso parcial do imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (gasóleo profissional), a dedutibilidade total do IVA nas despesas de aquisição de gasóleo e a isenção do imposto único de circulação das viaturas de transporte.

Transporte de medicamentos deve ser prioritário

Além disso, “à semelhança do ocorrido em 2019, deverá reconhecer-se a actividade de transporte de medicamentos, nomeadamente os distribuidores farmacêuticos de serviço completo, como entidades prioritárias no acesso a combustíveis e outros recursos em crises nacionais, assim como nos planos de emergência nacional, que visam manter serviços essenciais para as populações”. E as viaturas de transporte de fármacos deviam ter acesso às vias de trânsito reservadas, como as faixas BUS, defende a organização.

Outro problema para o qual a ADIFA chama a atenção é a quantidade e redundância das “recorrentes inspecções no âmbito das mais variadas regulamentações (nomeadamente as Boas Práticas de Distribuição)”, que são “um factor de sobrecarga operacional e financeira”. Por esta razão, sugere “a revisão global do sistema de licenciamento, adoptando uma licença única para esta actividade”.

O organismo pede ainda que os vários agentes do sector trabalhem em conjunto para encontrar soluções “pragmáticas” e serem definidas “obrigações equilibradas, equitativas e proporcionais” para todos os intervenientes, visto que a “escassez de medicamentos é um problema de grande complexidade, multifatorial e transversal a todos os países europeus”.

A ADIFA integra seis empresas de distribuição por grosso de serviço completo: Alliance Healthcare; Botelho & Rodrigues; Cooprofar - Cooperativa dos Proprietários de Farmácia; OCP Portugal - Produtos Farmacêuticos; Plural - Cooperativa Farmacêutica; e UDIFAR II - Distribuição Farmacêutica. Representa 86,2% da quota de mercado de distribuição de medicamentos em Portugal, segundo dados da IQVIA Portugal (Painel Armazenista, 2018). Ao todo, estes associados possuem 29 plataformas logísticas distribuídas por Portugal.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 9 de Dezembro de 2019.

DGS e SICAD alertam para doença pulmonar grave associada à utilização de cigarros electrónicos

DGS e SICAD alertam para doença pulmonar grave associada à utilização de cigarros electrónicos - 

Os Estados Unidos da América (EUA) estão a registar, desde Agosto de 2019, casos de doença pulmonar grave, incluindo mortes que, segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), estão associadas à utilização de cigarros electrónicos.  De acordo com a última informação desta entidade, datada de 21 de Novembro, foram identificados 2290 casos de doença pulmonar grave, incluindo 47 óbitos, associados ao uso de cigarros electrónicos ou vaping.

Casos semelhantes estão actualmente em investigação no Canadá, nas Filipinas, na Bélgica e na Suécia. Esta situação tem vindo a ser discutida a nível da Comissão Europeia, em termos de avaliação e gestão de risco e eventuais medidas a adoptar.

Sublinhe-se que existe uma grande diversidade de líquidos utilizados em cigarros electrónicos, com e sem nicotina, e com diferentes tipos de aromas, no mercado. Embora a investigação destes casos não esteja ainda concluída, o acetato de vitamina E, o canabidiol e outros derivados de canábis e o diacetil parecem ser substâncias associadas a estas lesões pulmonares.

Neste contexto:

  1. Não existem cigarros electrónicos nem produtos de tabaco seguros, nomeadamente tabaco aquecido. Apresentam riscos para a saúde e não devem ser consumidos.
  2. Os cigarros electrónicos, com ou sem nicotina, nunca devem ser usados, particularmente por jovens, jovens adultos ou mulheres grávidas.
  3. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) e o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) desaconselham o uso de cigarros electrónicos, particularmente os que têm líquidos contendo canabidiol e outros derivados de canábis, acetato de vitamina E e diacetil. 
  4. A DGS e o SICAD alertam os consumidores de cigarros electrónicos para que não modifiquem ou adicionem quaisquer substâncias aos líquidos para cigarro electrónico legalmente comercializados e devidamente rotulados pelo fabricante, ou usem líquidos ou produtos comprados fora dos circuitos legais de comercialização, incluindo através da Internet. 
  5. As instruções de uso e contra-indicações que, obrigatoriamente, devem acompanhar os cigarros electrónicos devem ser observadas. Os cigarros electrónicos devem ser mantidos fora do alcance das crianças.
  6. Os consumidores de cigarros electrónicos devem estar atentos e procurar um médico imediatamente se desenvolverem os seguintes sintomas: tosse, falta de ar, dor no peito, febre, calafrios, náuseas, vómitos, dor abdominal ou diarreia. Os sintomas podem desenvolver-se ao longo de alguns dias, ou ao longo de várias semanas.
  7. Os adultos que usam cigarros electrónicos para deixar de fumar não devem voltar a fumar. Devem avaliar todos os riscos e benefícios e considerar a utilização de terapêuticas de substituição de nicotina aprovadas pelo INFARMED, ou procurar apoio junto do seu médico ou de uma consulta de apoio à cessação tabágica.

 

Fonte: Site da "DGS.pt" e autor em 6 de Dezembro de 2019.

Medicamento da Bial já tem luz verde para entrar na Coreia do Sul. Vendas vão começar em 2020

Medicamento da Bial já tem luz verde para entrar na Coreia do Sul. Vendas vão começar em 2020 - 

O medicamento para tratamento da doença de Parkinson da portuguesa Bial recebeu autorização das autoridades reguladoras sul-coreanas para entrar no mercado.

O medicamento para o tratamento da doença de Parkinson da farmacêutica portuguesa Bial recebeu luz verde e deverá começar a ser comercializado na Coreia do Sul no segundo semestre do próximo ano. O fármaco já é vendido em vários países europeus, como Alemanha e Itália.

A empresa responsável pela distribuição do medicamento no mercado sul-coreano, a SK Chemicals, “submeteu junto das autoridades reguladoras locais um pedido de Autorização de Introdução no Mercado que foi recentemente aprovado“, adianta fonte da Bial ao ECO.

Desta forma, o parceiro da farmacêutica portuguesa “prevê que seja possível concretizar a comercialização deste fármaco na Coreia do Sul no segundo semestre de 2020″. O medicamento para doentes com Parkinson, chamado de Ongentys, atrasa os sintomas da progressão da doença e é o segundo medicamento de investigação da Bial.

Foi em Fevereiro do ano passado que o contrato com a SK Chemicals foi fechado. Deste acordo, relativo ao licenciamento para a Coreia do Sul do Ongentys, foi recebido um pagamento “milestone” [marco] de um milhão de euros, pode ler-se no relatório e contas de 2018 da farmacêutica liderada por António Portela.

A aposta no país inclui outro medicamento. No ano passado, pela mesma altura, foi também firmado um acordo de licenciamento para comercialização do Zebinix, um medicamento para a epilepsia que foi o primeiro fármaco de raiz e patente portuguesa, na Coreia do Sul, com a Whanln Pharm.

O Ongentys já está disponível desde 2016 na Alemanha, Reino Unido e Espanha, e chegou no ano passado aos mercados português e italiano. Nos planos está ainda a entrada noutros países, como os Estados Unidos e o Japão, onde “estão em curso os processos de aprovação junto das autoridades locais”, explicou a Bial.

“Só posteriormente será possível avançar com datas de lançamento naqueles mercados“, completou. A Bial assinou contratos com a empresa Neurocrine Biosciences, relativos ao licenciamento para os EUA e Canadá do Ongentys, “da qual foi recebido um milestone de dez milhões de dólares”, lê-se no relatório e contas de 2018.

A Neurocrine refere no seu relatório e contas do ano passado que, para além deste pagamento “baseado num evento”, ou seja, quando foi atingido um certo patamar, poderá ainda ter de pagar até 105 milhões de dólares adicionais associados com a aprovação regulatória e com as vendas dos produtos que contêm opicapona.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco" e autor em 4 de Dezembro de 2019.

Mais de 200 mil portugueses sem acesso a saúde por não terem dinheiro

Mais de 200 mil portugueses sem acesso a saúde por não terem dinheiro - 

É o dobro da média europeia. Relatório sobre a saúde na UE aponta também que as barreiras no acesso a cuidados médicos está a diminuir em Portugal, mas continuam a existir disparidades entre meios urbanos e rurais.

As barreiras no acesso à saúde estão a diminuir em Portugal, mas ainda existem alguns entraves, sobretudo para a população das áreas rurais, e mantêm-se grandes disparidades entre os escalões de rendimento, segundo um relatório europeu.

O documento, que traça o perfil da saúde em Portugal e integra o relatório de 2019 sobre a Situação da Saúde na União Europeia (UE), indica que 2,3% da população portuguesa comunicou em 2017 necessidades de cuidados médicos não satisfeitas devido ao custo, à distância ou aos tempos de espera.

"As necessidades não satisfeitas diminuíram desde 2014, mas mantiveram-se acima da média europeia (1,8 %). Além disso, as diferenças comunicadas no que se refere a necessidades não satisfeitas entre os escalões de rendimentos baixos e elevados foram significativas", destaca o documento.

A maioria destas necessidades não satisfeitas "foram precipitadas por dificuldades financeiras e, apesar de a taxa de necessidades não satisfeitas devido a dificuldades financeiras ter diminuído para as pessoas do quintil de rendimentos mais baixo entre 2014 e 2017, a percentagem foi o dobro da média da UE em 2017 (4,6% em comparação com 2,3%)".

O relatório sublinha que os portugueses pagam mais do seu bolso por cuidados ambulatórios e produtos farmacêuticos do que a média da UE e diz que uma "dependência excessiva" dos pagamentos directos para o financiamento do sistema de saúde "pode minar a acessibilidade e contribuir para empobrecer os agregados familiares".

"Os pagamentos directos desempenham um papel substancial em Portugal, representando 27,5 % das despesas totais de saúde, o que ultrapassa substancialmente a média da UE (15,8 %). Cerca de 13 % do total dos pagamentos directos referem-se a cuidados ambulatórios e 6,4 % a produtos farmacêuticos (em comparação com as médias europeias de 3 % e 5,5 % respectivamente), devido sobretudo à comparticipação", refere o documento.

O relatório sublinha ainda: "Em Portugal, estima-se que cerca de 8,1% dos agregados familiares tiveram despesas de saúde catastróficas em 2016. As despesas de saúde catastróficas são muito mais elevadas para os agregados familiares do quintil de rendimentos mais baixos, alcançando cerca de 30 % (Gabinete Regional da OMS para a Europa, 2019)".

Diz igualmente que o número de camas de hospital tem vindo a diminuir, sobretudo no âmbito da saúde mental.

"O número de camas por 1.000 habitantes é relativamente baixo (3,4) comparado com a média da UE (5,1)", refere o documento, explicando que o total de camas para internamento diminui na última década, em parte, "devido ao aumento da cirurgia ambulatória e ao reforço da rede de cuidados continuados".

600 mil portugueses sem médico de família

"A promoção da integração em comunidades dos doentes de saúde mental tem também ajudado a reduzir o número de camas das alas psiquiátricas", refere, apontando a modernização progressiva das infraestruturas mais antigas, a renovação das unidades de cuidados primários e a previsão de construção de quatro novos hospitais.

Contudo, adianta, "persistem algumas lacunas geográficas na prestação de cuidados de saúde, com os especialistas e os cuidados ambulatórios especializados concentrados nas principais cidades".

O relatório destaca a criação de centros hospitalares e das unidades de saúde familiar, além de sublinhar as iniciativas de hospitalização domiciliária.

Quanto aos profissionais de saúde, frisa o aumento do número de médicos e enfermeiros de forma constante desde 2000 - com cinco médicos habilitados por cada 1.000 habitantes em 2017 -, mas alerta: "Este número parece alto comparado com a média da UE, de 3,6, mas inclui todos os médicos habilitados, mesmo aqueles que já não exercem a profissão".

Quanto à população sem médico de família, o documento lembra que esse número era de 600.000 utentes no início deste ano (5,8% da população).

O relatório indica ainda que Portugal gasta quase metade do seu orçamento para a saúde em cuidados

O perfil de Portugal do relatório de 2019 sobre a Situação da Saúde na União Europeia sublinha o "elevado nível de despesas não reembolsadas em Portugal", que aumentaram desde 2010 e actualmente "constituem 27,5% do total das despesas de saúde, bastante acima da média da UE (15,8%)", embora lembrando que mais de metade da população está isenta.

O seguro de saúde privado em Portugal "tem um papel complementar" e representa 5,2 % do financiamento da saúde, facilitando o acesso a tratamentos hospitalares e consultas ambulatórias nas unidades privadas, acrescenta.

Em 2017, segundo o relatório, "a comparticipação pública nas despesas com a saúde era de 66,3 % do financiamento total da saúde, consideravelmente abaixo da média da UE de 79,3 %".

"Este valor reflecte parcialmente a redução no financiamento da saúde por parte do sector público durante o PAE [Programa de Ajustamento Económico (2011/2014)]", sublinha.

Medicina dentária e hemodiálise assegurados pelo privado

O PAE exigia medidas de consolidação fiscal, "que levaram a uma redução na despesa total com a saúde" e, entre 2010 e 2017, as despesas de saúde diminuíram, como percentagem do PIB, praticamente um ponto percentual, ao passo que a despesa pública com a saúde diminuiu cerca de três pontos percentuais (de 69,8 % para 66,4%)".

O documento refere que Portugal gastou 2.029 euros per capita nos cuidados de saúde (9 % do PIB) em 2017, o que equivale a cerca de menos um terço do que a média da UE (2.884 euros)".

"A maior fatia das despesas com cuidados de saúde em Portugal refere-se aos cuidados ambulatórios e, com 994 euros per capita em 2017, situava-se bastante acima da média da UE (858 euros)", acrescenta o relatório relativo a Portugal.

Por outro lado, as despesas com internamentos hospitalares (520 euros) e cuidados farmacêuticos (382 euros) situavam-se consideravelmente abaixo das médias da UE (835 euros e 522 euros, respectivamente).

"Estes números reflectem os esforços concertados realizados nos últimos anos para aumentar a eficácia do sistema de saúde e conter os custos. Portugal também gasta menos do que muitos outros países europeus com os cuidados preventivos, tendo despendido cerca de 36 euros por pessoa (1,8 % do total das despesas de saúde, em comparação com 3,2 % na UE) em 2017", refere o relatório.

Em relação aos cuidados primários de saúde, são prestados tanto pelo sector público como pelo privado, refere o documento, que inclui no grupo de prestadores as unidades de cuidados primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS), as clínicas do sector privado (tanto com fins lucrativos como sem fins lucrativos) e os consultórios de grupos médicos em escritórios privados.

Contudo, o relatório frisa que "as consultas de medicina dentária, os serviços de diagnóstico, a hemodiálise e a reabilitação são maioritariamente assegurados pelo sector privado".

 

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 4 de Dezembro de 2019.