Covid-19. Depois de aprovada, vacina chegará à Europa e a Portugal em dias

Covid-19. Depois de aprovada, vacina chegará à Europa e a Portugal em dias - 

Depois de aprovada pela Agência do Medicamento Europeia, a vacina pode chegar ao mercado em dias ou em um mês. Já está a ser produzida na Alemanha e na Bélgica e as doses que daqui saírem irão em simultâneo para os vários países da UE. A ciência ganhou tempo à pandemia, mas é preciso ganhar tempo na transmissão do vírus.

Num só dia o mundo ouviu duas palavras mágicas do léxico da pandemia: vacina e eficácia. Precisamente numa altura em que a marca do SARS CoV-2 já ultrapassou os 50 milhões de infectados e 1,9 milhões de mortes. Numa altura em que a Europa é atacada fortemente pela segunda vaga, com países como Itália, França, Alemanha e Reino Unido a atingirem mais de 20 mil e 30 mil novos casos por dia. Portugal não foge à regra - este sábado foram registados mais 6602 novos casos e 55 mortes.

Os países reforçam as medidas de isolamento, e depois de a Pfizer e o parceiro alemão, BioNTech, anunciarem que a vacina que estão a produzir tem eficácia acima dos 90%, no mundo da ciência já há quem faça um apelo: "É preciso mais um esforço por parte da população, é preciso travar a curva de transmissão da doença. Se o conseguirmos são vidas que estamos a poupar", afirmou ao DN Luís Graça, médico, investigador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, onde lidera o laboratório de Imunologia Celular, e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

A ciência ganhou tempo à pandemia. Agora, é preciso ganhar tempo na luta contra o vírus. O cientista sublinha que, em Março, "não acreditava ser possível alcançar-se uma vacina tão rapidamente". Aliás, todas as estimativas vindas do lado da ciência apontavam para que tal só fosse possível, na melhor das hipóteses, no espaço de 18 meses a dois anos, mas o que se comprova agora, praticamente oito meses depois, é que afinal "estamos mais próximos desse resultado", argumenta o investigador, lembrando: "É certo que não se sabe tudo sobre este estudo, mas o que se sabe é importante e dá-nos razões para estarmos optimistas".

E se há razões para o optimismo é porque também "o protocolo do estudo desta vacina, tal como o protocolo das outras que estão a ser desenvolvidas pela Universidade de Oxford e pela Astrazeneca e pela Moderna, estão publicados e podem ser consultados. Ou seja, sabe-se exactamente como é que as vacinas estão a ser administradas às pessoas, quais os resultados dos ensaios da Fase I e II e os resultados que, no caso da Pfizer, são esperados, depois desta primeira avaliação interina à eficácia, agora publicada".

Mais de 50,5 milhões de casos de infecção no mundo por covid-19, e mais de 1,9 milhões de óbitos.

Luís Graça explica ao DN, que "a avaliação feita agora revela que o que está esperado em termos de infecções - ou seja, o que chamam de taxa de ataque (attack rate) - nos países em que a vacina está a ser testada, é um pouco abaixo de 1%". Por outras palavras, "só menos de 1% das pessoas que estão no estudo é que vão ser infectadas e isto é muito animador", sublinha o médico.

O estudo da Pifzer e da BioNTech está a decorrer desde Junho e reúne mais de 40 mil pessoas espalhadas pelo mundo, desde a América do Norte à América Latina, da Europa a África, divididas em dois grupos, um que está a apanhar a vacina outro que está a apanhar um placebo, que serve de grupo de controlo, e ninguém sabe quem está a ser tratado com a vacina ou com o placebo, esse registo está apenas em códigos nos computadores.

O que se fez agora, para chegar a esta primeira avaliação interina, explica o médico, foi esperar que algumas das pessoas que estão no estudo ficassem infectadas, neste caso foram 94, ir aos computadores e descodificar os códigos para perceber qual era a taxa de infecção entre os que apanharam a vacina. "A taxa de infecção está a abaixo de 1%, o que dá a garantia que a vacina tem uma eficácia de 90%", sintetiza. "Neste grupo, e dos que receberam a vacina, houve quatro ou cinco infectados. É importante explicar isto, como explicar que estas pessoas não são todas da mesma cidade ou acompanhadas no mesmo hospital".

Por isso, volta a sublinhar, "é verdade que não se sabe tudo, que os resultados finais ainda não foram publicados, porque o estudo ainda não terminou, mas já se sabe muita coisa sobre o desenvolvimento do estudo, desde a forma como está desenhado, aos resultados da fase I e II e agora o que se passou nesta análise interina".

Portugal conta agora com 204 654 casos de infecção, destes 117 382 recuperaram, mas há 3250 mortes.

Eficácia na idade é uma incógnita

Para o líder do Laboratório de Imunologia do IMM em relação a este estudo há apenas uma incógnita. "Não sabemos a idade das pessoas que estão a ser estudadas, o que seria importante em termos de eficácia, porque na vacina da gripe, por exemplo, a eficácia diminui com a idade".

Neste momento, e em relação à vacina da Pfizer e BioNTech ainda não se sabe se "estes 90% de eficácia é num grupo mais jovem ou se num grupo de mais idosos. Ou se neste último grupo há uma taxa de eficácia mais baixa". Ressalvando também que "não se sabe se a vacina protegeu ou não assintomáticos, o que também é muito importante para se evitar a transmissão, mas estes resultados ainda não os temos. Ou seja, não se sabe tudo mas os resultados que temos já são muito animadores".

Enumerando: "A segunda razão pela qual o que já se sabe é animador, até em relação não só à vacina da Pfizer, mas também em relação a outras vacinas, como a da Universidade de Oxford e Astrazeneca e da Moderna, é que os ensaios da fase I e II revelaram induzir anticorpos neutralizantes e qual é o seu modo de acção. O que quer dizer que, provavelmente, iremos ter mais do que uma vacina. É claro que pode haver sempre imprevistos, é assim na ciência, mas é animador que daqui a dois, três ou quatro meses possamos ter já duas a três vacinas".

259 projectos em estudo

De acordo com o site da London School of Hygiene Tropical Medicine, que actualiza o progresso das experiências que estão a ser lavadas a cabo em termos de vacinas contra a covid-19, sabe-se que há 259 projectos em investigação no mundo inteiro, que 54 estão já na fase de ensaios clínicos e dez estão na fase III dos ensaios, a última fase, aquela em que "consiste na inoculação da vacina a milhares de voluntários a fim de se determinar se impede de facto a infecção", lê-se na página do site.

Os projectos mais promissores, além do da Pfizer e BioNTech, são os da Universidade de Oxford e Astrazeneca, da Moderna, que reúne a investigação dos laboratórios Sanofi e GSK, Johnson & Johnson, embora esta empresa tenha assumido uma paragem devido ao aparecimento de doença num dos voluntários em estudo, e ainda mais dois projectos que estão a ser levados a cabo pela Rússia, que esta semana anunciou estar a investigar uma segunda vacina - a primeira é a Sputnik - e pela China, CanSino Bio, que já está a ser administrada em militares chineses.

Luís Graça assinala que "há uma grande diversidade de vacinas que estão a ser testadas em termos de estratégia, mas a estratégia usada na vacina da Pfizer e da Moderna nunca foi testada anteriormente em pessoas. O que se está a utilizar é uma molécula de RNA, que codifica o gene do vírus SARS CoV-2, quando o habitual nas vacinas, por exemplo na da gripe, é o uso de proteína dentro do vírus, o que é uma coisa totalmente diferente".

Em relação à vacina da Universidade de Oxford está a ser usado "um adenovírus de chimpanzé". Há várias estratégias para se chegar às vacinas, o que na opinião de Luís Graça "é bom que assim seja, porque assim poderá ser possível que haja algumas vacinas mais eficazes para uns grupos populacionais e outras para outros. Refiro-me sobretudo a grupos de idade e de risco".

À UE chegarão só vacinas aprovadas pela EMA

À União Europeia e a Portugal chegarão apenas as vacinas que estão a desenvolver processos de autorização com a Agência do Medicamento Europeia (EMA), as que estão a ser desenvolvidas pela Rússia e pela China não estão aqui incluídas já que não seguem o processo de autorização da EMA.

Um processo que no caso da Pfizer e das outras tem sido feito através de uma avaliação contínua, a cada fase, assim que se forem conhecendo os resultados dos ensaios na fase I e II, tal como agora com esta primeira avaliação interina. Por isso, o cientista português acredita que "depois de ser aprovada pela Agência do Medicamento Europeia o processo de entrada da vacina no mercado será rápido, poderá levar alguns dias ou um mês, até porque ao contrário de outras esta vacina já está a ser produzida", assinala.

Pfizer conta ter vacina aprovada até final do ano

O director-geral da Pfizer, Paulo Teixeira, confirmou ao DN que desde Julho que "a vacina está a ser produzida, porque a empresa assumiu que iria começar por sua conta e risco". E, neste momento, "há três fábricas nos EUA só dedicadas à produção desta vacina para o mercado americano e há duas na Europa, na Alemanha e na Bélgica", acrescentando que "a empresa mantém a expectativa de ver o produto aprovado até ao final do ano" e de que este entre de forma rápida no circuito comercial.

Aliás, segundo referiu, " o ensaio da fase III ainda não está terminado, mas se tudo correr como o esperado, a vacina comprovar toda a sua segurança e eficácia, no final deste mês avançamos com o processo de autorização para os EUA. A FDA (Food Drugs and Administration), entidade reguladora, exige que se só avance para este processo dois meses após a tomada da segunda dose, essa meta vai ser cumprida agora na terceira semana de Novembro. Assim que tivermos resultados avançaremos com o pedido de autorização de emergência internacional".

Dos 50 milhões de doses algumas ficarão na Europa

A Pfizer e o seu parceiro alemão contam disponibilizar para todo o mundo 50 milhões de doses, até ao final deste ano - o que representa vacinas para 25 milhões de pessoas. E até ao final de 2021, 1,3 mil milhões de doses. Algumas das primeiras doses deverão chegar à Europa. Como explicou Paulo Teixeira, "a Pfizer irá honrar em primeiro lugar os compromissos assumidos e é sabido que em Julho o presidente Donald Trump adquiriu para os EUA 100 milhões de doses, com opção para mais 500 milhões depois. Mas também esta semana a UE firmou um acordo para a aquisição de 200 milhões de doses, com opção para mais 100 milhões se for necessário. A nossa expectativa é que algumas das primeiras doses venham a ser disponibilizadas para a Europa, mas ainda não sabemos exactamente em que quantidades".

Paulo Teixeira garante que "não vai ser dada prioridade específica a um mercado. O que sabemos é que as doses que serão disponibilizadas para a UE vão ser fabricadas na Alemanha por parte da BioNTech e na fábrica da Pfizer na Bélgica. Portanto, essas doses garantidamente serão distribuídas no mercado europeu. As fábricas nos EUA garantirão as vacinas para aquele mercado", reforçando "o cenário de que as vacinas só irão para os EUA e não para a Europa, não irá acontecer".

O director-geral da Pfizer em Portugal admite mesmo que "o desafio de lançar uma vacina contra a covid-19 foi um dos maiores da empresa, se não o maior. "Não só para nós como para qualquer outra empresa que está a desenvolver vacinas". E, tendo em conta o período que se vive, "esperamos que todas elas tenham resultados muito positivos e que venham a ser provadas, porque isso irá facilitar a vida de toda a gente".

DGS está a fazer tudo para distribuição ser atempada

No que toca à União Europeia a negociação para a aquisição de vacinas não está a decorrer só com a Pfizer, mas também outros potenciais fornecedores de vacinas. Esta semana voltou a reforçar aos Estados-membros que preparem a logística, que não será fácil quer em termos de distribuição quer de armazenamento, já que são vacinas que exigem estar a uma temperatura de 70 graus negativos, e definam critérios para grupos prioritários.

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde garante que em termos de logística " tudo está a ser feito para garantir a correcta e atempada distribuição das vacinas. Estamos a considerar também as questões da rede de frio. E todos os locais estão a ser considerados para a vacinação. À semelhança do que já se faz com a vacina contra a gripe, foi contemplada no plano de Outono-Inverno a possibilidade de serem utilizadas outras estruturas que podem ser seleccionadas para o efeito".

O DN falou com a bastonária dos farmacêuticos que recentemente tinha defendido em entrevista, que qualquer "vacinação em massa teria de integrar as farmácias", para saber se já tinham sido chamados a discutir a questão. Ana Paula Martins afirma não terem tido ainda qualquer informação sobre o assunto, mas que a própria Ordem "já fez uma proposta ao Ministério da Saúde para que as farmácias façam parte da rede vacinal da covid-19, tal como estão a fazer em relação à vacina da gripe". E sublinha: "É fundamental que isto aconteça, num país que vai ter de vacinar cinco, seis ou sete milhões de pessoas para conseguir atingir a imunidade de grupo".

As vacinas contra a covid-19 exigem ter temperaturas de 70 graus negativos, o que implica uma logística complicada em termos de distribuição e de armazenamento.

Dada a logística difícil para este tipo de vacinas, a bastonária dos farmacêuticos assegura que já "não é cedo para se começar a tratar de toda a logística". É preciso definir em primeiro lugar quais são os grupos que vamos começar a vacinar, depois quais são os pontos definidos para se administrar a vacina - "quais são os centros de saúde e quais são as outras unidades que o vão poder fazer, se as farmácias vão estar nesta rede têm de se preparar", argumenta.

Mas há mais um aspecto que considera "absolutamente determinante e que tem a ver com a logística, porque já se sabe que estas vacinas têm necessidade de uma temperatura de 70 graus negativos, o que implica uma rede de frio completamente diferente, não só para o seu transporte como para o seu armazenamento. Por isso, caso as farmácias venham a entrar neste esforço temos de nos começar a preparar com antecedência".

Não vai haver países mais favorecidos

As vacinas vão começar a chegar, e mais cedo do que os próprios cientistas consideravam ser possível. Luís Graça afirma que Portugal está numa posição confortável, porque a UE está a negociar tudo em bolo para que não haja países maia favorecidos do que outros. "As vacinas estão já a ser produzidas e a EMEA tem vindo a fazer a sua avaliação, acredito que, depois de aprovada, a vacina pode estar no mercado rapidamente em poucos dias ou em um mês", mas "os outros projectos em estudo fazem acreditar que mais vacinas chegarão ao mercado dentro de três a quatro meses, o que é muito animador".

Neste momento, falta definir quem vai receber em primeiro lugar. Em Portugal, a DGS e de acordo com o que têm sido as recomendações da Comissão Europeia e do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças), criou há meses um grupo de trabalho, que tem estado a analisar os dados científicos que vão ficando disponíveis e a definir os grupos prioritários".

Cada país irá receber vacinas proporcionalmente à sua população. Ou seja, Portugal deverá receber 6,9 milhões de doses, o que irá corresponder a cerca de três milhões de pessoas vacinadas.

Até agora, o que se sabe é que cada país irá receber vacinas proporcionalmente à sua população, evitando assim que "um país recebesse mais vacinas do que o outro", explica Luís Graça. "Não será possível, e é bom que isto também fique claro, que a Alemanha, por exemplo, ter mais influência na UE receberá mais vacinas do que Portugal. Isso não será possível. A Alemanha receberá cinco vezes mais vacinas do que Portugal, porque tem uma população superior cinco vezes mais à nossa", reforça.

A Portugal e como já foi referido deverão chegar, não de uma vez, 6,9 milhões de doses, o que representa doses para cerca de três milhões de pessoas, que basicamente representam as que integram os grupos de risco. Como explicou ao DN a DGS "os grupos prioritários que estão a ser definidos têm em vista a redução do risco de transmissão e a vulnerabilidade dessas pessoas, respeitando os resultados dos ensaios clínicos. Assim, pessoas com comorbilidades e profissionais que trabalham com pessoas mais vulneráveis, por exemplo, poderão constituir grupos prioritários na estratégia que está a ser definida".

No entanto, "a definição mais detalhada dos grupos prioritários está ainda a ser estudada, à semelhança do que está a acontecer com os outros países da União Europeia", argumentando que no caso das "vacinas contra a covid-19 teremos de conjugar as características de cada uma com os vários grupos prioritários. E é desta intersecção, que está agora a ser analisada, que vai resultar a estratégia e a definição dos grupos prioritários".

Após oito meses de pandemia Portugal já perdeu 3250 pessoas, a maioria acima dos 70 anos. Por isso, o médico e investigador Luís Graça salienta ser "fundamental fazermos um esforço na medida das nossas possibilidades para evitar a disseminação do vírus". Para as pessoas que já perdemos, "a vacina vai chegar tarde, se nos próximos dois meses conseguirmos evitar a transmissão da doença são vidas que estamos a salvar".

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 16 de Novembro de 2020.

Dez misericórdias nortenhas vão fazer milhares de consultas e cirurgias

Dez misericórdias nortenhas vão fazer milhares de consultas e cirurgias - 

O primeiro-ministro António Costa, e a ministra da Saúde, Marta Temido, assinam, esta tarde de segunda-feira, em Vila Verde, um protocolo com dez Misericórdias dos distritos de Braga, Porto e Vila Real, para a realização de dezenas de milhar de consultas médicas e de cirurgias, por conta do Serviço Nacional de Saúde.

A visita foi confirmada ao JN pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde, Bento Morais. "A nossa instituição acolherá a assinatura dos acordos com o Serviço Nacional de Saúde para realizar consultas e cirurgias, entre 12 de Novembro de 2020 e 31 de Dezembro de 2021", revelou.

Está igualmente prevista a presença na cerimónia protocolar desta segunda-feira do presidente da Administração Regional de Saúde do Norte, Carlos Nunes.

Além do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde, o Governo vai assinar, ainda, protocolos com a Santa Casa da Misericórdia de Fão, de Esposende, Póvoa de Lanhoso, de Riba de Ave (distrito de Braga), de Lousada, Marco de Canavezes, Felgueiras e Vila do Conde (distrito do Porto) e ainda de Valpaços (distrito de Vila Real).

A Santa Casa da Misericórdia da Vila Verde terá "o encargo de realizar 20 mil consultas médicas e 2500 cirurgias", disse Bento Morais, elogiando a capacidade instalada e a qualidade dos serviços daquela instituição.

"Este protocolo constitui mais um reconhecimento do papel ímpar de proximidade que as Misericórdias desempenham há séculos, também a nível hospitalar, sempre presentes nos momentos mais dramáticos do nosso país, como é o que se vive", salientou Bento Morais.

Ainda no que diz respeito ao exemplo de Vila Verde, em tudo idêntico às restantes misericórdias, serão os médicos de família a encaminhar os casos prioritários, a partir dos Agrupamentos dos Centros de Saúde de Gerês-Cabreira, de Braga, de Barcelos e de Vila Nova de Famalicão.

 

Fonte: Site do "Jornal de Notícias" e autor em 16 de Novembro de 2020.

OF pede avaliação independente ao relatório sobre dispensa de proximidade

OF pede avaliação independente ao relatório sobre dispensa de proximidade - 

Ordem expressa preocupação e diz não ter tido "previamente conhecimento do documento" e que o mesmo "tem sugestões sem suporte técnico que as justifique e que não fazem sentido".

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) vai pedir uma avaliação por peritos independentes do relatório do grupo de trabalho que analisou a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade, que diz conter recomendações sem fundamentação técnica e desajustadas da realidade.

“Estamos muito surpreendidos, primeiro porque nem tivemos previamente conhecimento do documento e, depois, porque tem sugestões sem suporte técnico que as justifique e que não fazem sentido, como a proposta de ter os centros de saúde a fazer dispensa de medicamentos”, afirmou a bastonária da OF.

Ana Paula Martins diz-se “absolutamente surpreendida” com as sugestões apresentadas hoje no Fórum do Medicamento por um elemento do grupo de trabalho criado pelo Governo, lembrando que nesta altura de pandemia os centros de saúde estão “assoberbados de trabalho e sem recursos suficientes”.

“Surpreende que tenha surgido como recomendação a adopção de um modelo que nem foi testado. Ainda não tenho o relatório, que não nos foi enviado, mas esperamos para ver a sustentação técnica que suporta estas opções”, afirmou.

A bastonária questiona ainda como é que, numa altura em que se vive “uma pandemia que não se sabe quando acabará”, este grupo de trabalho proponha “medidas não testadas, que sobrecarregam os centros de saúde, quando eles nem sequer têm farmacêuticos disponíveis para garantir este circuito do medicamento”.

Proposta apresentada desperdiça quase 10.000 farmacêuticos das 2.990 farmácias comunitárias

“Então avançam com uma proposta de um modelo que assentaria na criação de serviços farmacêuticos nos centros de saúde. É esta uma prioridade para o governo?”, questionou a responsável.

Ana Paula Martins considera ainda que o que foi apresentado desperdiça quase 10.000 farmacêuticos das 2.990 farmácias comunitárias, “num país com tanta falta de recursos humanos”.

“Damo-nos ao luxo de, num grupo de trabalho, fazer uma recomendação destas, desperdiçando a existência de uma rede que cobre o país inteiro”, pergunta.

Além de propor um modelo de dispensa de medicamentos em proximidade que inclua os centros de saúde, o grupo de trabalho sugere ainda que cerca de 10 medicamentos oncológicos passem a ser de exclusiva gestão das farmácias comunitárias, sendo que, para tal, será preciso proceder a uma alteração do estatuto de medicamento de cedência exclusiva hospitalar para cedência em ambulatório.

“Isto é surpreendente. Há 10 anos atrás, numa primeira avaliação com este objectivo, havia uma lista muito mais extensa do que esta. (…) Surpreende também que o grupo de trabalho ‘ad-hoc’ não se tenha fundamentado em tantas audições que teve, designadamente na audição da comissão de avaliação de medicamentos do Infarmed, que é a quem compete fazer avaliação e recomendação para alteração de estatutos de medicamentos”, acrescentou.

A Ordem dos Farmacêuticos reclama a divulgação imediata das conclusões do grupo de trabalho, receando “atropelos à lei e adulteração do verdadeiro objectivo de garantir as necessidades e segurança dos doentes no acesso à terapêutica”.

Diz que o grupo de trabalho ignorou nas suas conclusões “as estruturas profissionais, os representantes dos doentes e os parceiros do sector farmacêutico e da distribuição”.

“A Ordem dos Farmacêuticos não pode compactuar com propostas que não apresentem a devida fundamentação técnica e científica e colocam em causa a segurança dos doentes”, acrescenta.

 

Fonte: Site da "saudeonline.pt"  e autor em 16 de Novembro de 2020

Medicamento experimental à base de células estaminais está pronto a usar em Portugal

Medicamento experimental à base de células estaminais está pronto a usar em Portugal - 

"A utilização deste tipo de células está já a ser testada noutros países com resultados muito promissores. Não podíamos deixar de tentar desenvolver este tipo de terapia em Portugal", justificou o director geral da Crioestaminal, André Gomes.

A Crioestaminal anunciou esta sexta-feira ter concluído o desenvolvimento de um medicamento experimental à base de células estaminais do cordão umbilical expandidas para tratar doentes mais graves com covid-19, que se encontra disponível para utilização hospitalar.

Sediada no Biocant Park, em Cantanhede, a empresa tem já pronto o primeiro lote do medicamento experimental (SLCTmsc02), abrindo caminho à sua utilização como tratamento experimental em contexto hospitalar.

"O medicamento experimental surge como uma solução terapêutica para tratar doentes com covid-19 em situação grave. A utilização deste tipo de células está já a ser testada noutros países com resultados muito promissores. Não podíamos deixar de tentar desenvolver este tipo de terapia em Portugal", justificou o director geral da Crioestaminal, André Gomes.

Este medicamento experimental é constituído por doses de 100 milhões de células estaminais mesenquimais (MSCs, na sigla inglesa) do tecido do cordão umbilical, tendo as primeiras doses sido submetidas aos controlos de qualidade que permitiram a validação de todo o processo e a qualificação do mesmo como terapia experimental.

Segundo André Gomes, "este medicamento experimental foi desenvolvido, em tempo recorde, na nova unidade de produção de medicamentos de terapia celular da Crioestaminal" e resultou do esforço da equipa de técnicos e investigadores da empresa ao longo dos últimos meses.

"Estamos, neste momento, em condições de produzir cerca de duas dezenas de doses por semana, com a possibilidade de expandir a produção, se necessário", garantiu.

A empresa explica, em comunicado, que "a utilização deste tipo de células para tratar doentes com pneumonias graves associadas à covid-19 tem vindo a ser testada na China, EUA e alguns países europeus, estando em curso mais de 20 ensaios clínicos para estudar de forma alargada a segurança e eficácias desta terapia".

"Resultados de estudos clínicos recentes revelaram uma reversão notável dos sintomas, com melhoria significativa da função pulmonar e de outros sintomas dos doentes em estado mais grave, com redução do tempo de internamento em cuidados intensivos", acrescenta.

No seu entender, "apesar de estes estudos terem sido conduzidos num número ainda restrito de doentes, os resultados favoráveis obtidos sugerem que as MSCs do tecido do cordão umbilical podem constituir uma nova estratégia terapêutica para o tratamento desta doença".

O medicamento "tem ainda outras aplicações na área da regulação do sistema imunitário, nomeadamente no tratamento de doentes transplantados com medula óssea que desenvolvam uma forma grave da doença do enxerto contra o hospedeiro", acrescenta.

Neste âmbito, o uso do SLCTmsc02 foi já autorizado pelo Infarmed para aplicação clínica no Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

Segundo a Crioestaminal, a inauguração da sua nova unidade de produção, este ano, no Biocant Park, "veio permitir não só a produção deste medicamento experimental, como outros para ensaios clínicos e terapias experimentais em diversas áreas da medicina, com a possibilidade de integração em consórcios internacionais na área das terapias celulares".

"O projecto, que representa um investimento de um milhão de euros e pretende ser referência na Europa, tem como objectivo a produção deste tipo de medicamentos e a exploração do potencial terapêutico das células estaminais, quer das células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, em doenças autoimunes, quer das células do sangue do cordão umbilical na área da pediatria do desenvolvimento", acrescenta

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 13 de Novembro de 2020.

Aprovado diploma para criar Laboratório Nacional do Medicamento

Aprovado diploma para criar Laboratório Nacional do Medicamento - 

O Conselho de Ministros aprovou na generalidade, o decreto-lei que estabelece os “termos da criação do Laboratório Nacional do Medicamento”, que vai suceder ao Laboratório Militar e continuará na dependência do Exército.

Esta foi uma proposta do PCP no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2020, aprovada pelo PS e Bloco de Esquerda, com a abstenção do PAN, CDS-PP e Chega, e com votos contra do PSD e da Iniciativa Liberal.

“A criação do Laboratório Nacional do Medicamento permite ao Estado deixar de estar refém da indústria farmacêutica. É uma medida que visa salvaguardar a independência e a soberania do Estado no setor do medicamento e a concretização de uma política do medicamento centrada nos interesses públicos e dos utentes”, indica a proposta do PCP.

O Laboratório Nacional do Medicamento, segundo a proposta apresentada, terá como missão “contribuir para o desenvolvimento da investigação e produção de medicamento, dispositivos médicos e outros produtos de saúde, diminuindo a dependência do país em face da indústria farmacêutica e afirmando a soberania nacional nessa área” e prestar apoio às Forças Armadas, assim como na área assistencial o apoio farmacêutico a militares e deficientes das Forças Armadas.

O diploma ainda tem de voltar a ser apreciado em Conselho de Ministros, após audição do Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas e do Conselho de Chefes de Estado-Maior.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt"  e autor em 13 de Novembro de 2020

Acordo alargado pelo acesso aos cuidados de saúde

Acordo alargado pelo acesso aos cuidados de saúde - 

Instituições privadas da saúde e 70 associações de doentes assinaram protocolo.

Farmácias, hospitais, indústria, distribuidores, associações de doentes e outros uniram-se para criar condições que melhorem a relação entre as instituições de saúde e os doentes, e que garantam que estes têm acesso a cuidados de saúde de qualidade. O acordo nasce da necessidade de «retoma urgente dos cuidados de saúde», nomeadamente a doentes não COVID-19, num momento em que a pandemia compromete a resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Através deste acordo, as farmácias comprometem-se a dispensar medicamentos hospitalares num modelo de proximidade, garantindo a continuidade da terapêutica dos doentes. Juntamente com os distribuidores, comprometem-se ainda a estudar a melhor forma de entregar os medicamentos ao domicílio, evitando que os doentes tenham de sair de casa. O acordo prevê a integração da intervenção das farmácias na estratégia futura de vacinação do SNS, e a agilização dos canais de comunicação entre o médico e o farmacêutico para partilhar necessidades relativas à terapêutica do utente e dar resposta à renovação de receitas na farmácia.

São 13 as medidas de implementação imediata previstas no protocolo assinado no dia 11 de Novembro entre os membros do Conselho Estratégico Nacional da Saúde (CENS) da CIP (Confederação Empresarial de Portugal) e 70 associações de doentes. Entre elas estão a criação de um plano de recuperação específico para o acesso aos cuidados de saúde primários, o desenvolvimento de um serviço de apoio ao doente nas unidades de saúde de maior dimensão, e a garantia de acompanhamento efectivo dos doentes mais necessitados, como os idosos ou as pessoas com limitações físicas ou mentais. Os utentes devem ver facilitada a comunicação com os serviços de saúde, através de um contacto telefónico a que podem recorrer em caso de agravamento da doença. Os hospitais devem favorecer a comunicação por meios digitais, para evitar deslocações desnecessárias.

 

Fonte: Site da "Revistasaude.pt"  e autor em 13 de Novembro de 2020