3,8 milhões de portugueses tomaram medicamentos para a constipação/gripe em 2020

3,8 milhões de portugueses tomaram medicamentos para a constipação/gripe em 2020 - 

Cerca de 3,8 milhões de portugueses tomaram medicamentos para a constipação ou gripe em 2020.

Os dados são de um estudo TGI, da Marktest, que alerta que este é um número inferior ao registado em anos anteriores.

A razão deve-se a 2020 ter sido um ano marcado pela pandemia de covid-19, em que grande parte da população se manteve confinada e com contactos pessoais reduzidos (em regime de teletrabalho e ensino à distância).

Em 2020, cerca de 3,8 milhões dos inquiridos com 15 e/ou mais anos, residentes em Portugal Continental, tomou medicamentos para a constipação e/ou gripe, o que corresponde a 44,7%.

Este valor é 21,6% inferior ao registado em 2019.

Quem consumiu mais medicamentos para a constipação e/ou gripe foram as mulheres, assim como os homens entre os 25 e os 34 anos, e entre os 45 e 64 anos.

Por região, o Grande Porto, destaca-se, apresentando uma percentagem acima da média, com 56,2%.

Os dados e análises apresentadas fazem parte do estudo TGI, propriedade intelectual da Kantar Media, e do qual a Marktest detém a licença de exploração em Portugal.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 12 de Janeiro de 2022

Vacinas aprovadas na UE dão "elevado nível de protecção" contra Ómicron

Vacinas aprovadas na UE dão "elevado nível de protecção" contra Ómicron - 

As vacinas contra a covid-19 aprovadas na União Europeia (UE) fornecem "elevado nível de protecção" - 70% após duas doses e 90% após reforço - contra a variante Ómicron, divulgou hoje a Agência Europeia de Medicamentos, falando numa variante menos grave.

Em comunicado, o regulador da UE assinala que estudos recentes "mostram que a vacinação continua a proporcionar um elevado nível de protecção contra doença grave e hospitalização ligadas à variante [de preocupação] Ómicron" do coronavírus SARS-CoV-2.

"As últimas evidências (provas), que incluem dados de eficácia no mundo real, sugerem também que as pessoas que tiveram uma dose de reforço estão mais bem protegidas do que aquelas que apenas receberam o seu curso primário" de vacinação, especifica a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

De acordo com o organismo, estudos clínicos realizados na África do Sul indicam que as pessoas que receberam duas doses de vacina contra a covid-19 (como as quatro aprovadas na UE: Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca e J&J) têm "até 70% de protecção para a hospitalização" em casos de infecção relacionados com a variante Ómicron.

Resultados semelhantes vêm de estudos clínicos realizados no Reino Unido, que dão conta de uma perda da protecção "alguns meses após a vacinação", que pode ser colmatada com a dose de reforço, que faz subir esta percentagem para os 90%, acrescenta a EMA.

No que toca à gravidade da variante, "embora a Ómicron pareça ser mais infecciosa do que outras variantes, estudos da África do Sul, Reino Unido e alguns países da UE mostram um risco menor de ser hospitalizado após a infecção", pelo que "o risco é actualmente estimado entre um terço e metade do risco associado à variante Delta", caracteriza a EMA.

Ainda assim, "resultados de estudos recentemente publicados mostram que a eficácia das vacinas contra a doença sintomática é menor para a Ómicron do que para outras variantes e tende a diminuir com o tempo", segundo a agência europeia.

Por essa razão, a EMA insiste que "a vacinação continua a ser uma parte essencial da abordagem para combater a pandemia em curso", exortando à administração de doses de reforço para quem já tem o ciclo primário completo e ao início do esquema vacinal para os que ainda não foram inoculados.

"A EMA continuará a rever os dados sobre a eficácia das vacinas e a gravidade da doença, bem como o panorama em evolução em termos de variantes em circulação e exposição natural à Ómicron, à medida que estas se tornarem disponíveis", conclui o regulador europeu.

A posição da EMA surge numa altura de elevado ressurgimento de casos de infecção com o SARS-CoV-2, que ainda assim não se traduz em mais internamentos ou mortes.

A contribuir para o elevado número de casos, que batem máximos, está a elevada transmissibilidade da variante Ómicron.

A covid-19 provocou 5.494.101 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 19.161 pessoas e foram contabilizados 1.693.398 casos de infecção, segundo a última actualização da Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detestado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A Ómicron, considerada preocupante e muito contagiosa pela Organização Mundial da Saúde, foi detectada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, em Novembro, foram notificadas infecções em pelo menos 110 países, sendo dominante em Portugal.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 12 de Janeiro de 2022.

Identificada variante genética associada a Covid-19 grave

Identificada variante genética associada a Covid-19 grave - 

De acordo com investigadores polacos, o perfil genético de cada indivíduo tem uma influência significativa na forma como a Covid-19 afecta cada um, independentemente de outros factores de risco já identificados, como a obesidade, idade ou comorbilidades.

Investigadores da Universidade Médica de Bialystok, na Polónia, identificaram uma variante genética que pode estar na base de uma maior predisposição a desenvolver Covid-19 de forma mais severa, avança a agência Efe.

Segundo a agência noticiosa, a descoberta, considerada "inovadora" pela direcção da Universidade de Bialystock, foi realizada pela dupla de professores Marcin Moniuszko e Miroslaw Kwasniewski. De acordo com os resultados do estudo, o perfil genético de cada indivíduo tem uma influência significativa na forma como a Covid-19 afecta cada um, independentemente de outros factores de risco já identificados, como a obesidade, idade ou comorbilidades.

Dados da investigação, realizada em colaboração com o Instituto de Doenças Pulmonares e Tuberculose em Varsóvia e a empresa privada ImageneMe, mostram que a presença da variante genética em questão, que pertence ao cromossoma número 3, pode afectar as hipóteses de um doente infectado morrer de Covid-19, risco que duplica em comparação com os não portadores. 

A partir da análise a uma amostra de 1500 pessoas, os investigadores descobriram que 14% das pessoas na Polónia têm o gene, enquanto no resto da Europa a percentagem é de 9%.

A dupla acredita que identificar variante pode não só evitar mortes, como ajudar a eleger o melhor tratamento e servir para levar a cabo terapêuticas prematuras.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 12 de Janeiro de 2022.

Covid-19: Certificados de vacinação já integram doses de reforço e validade passa a 9 meses

Covid-19: Certificados de vacinação já integram doses de reforço e validade passa a 9 meses - 

A dose de reforço já foi integrada nos certificados de vacinação, que passam a ter nove meses de validade, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com a informação actualizada pela DGS, a partir de 01 de Fevereiro, passará a haver, na União Europeia, um prazo de validade com indicação do esquema vacinal primário: 1/1 (para vacinas de dose única ou para quem recuperou da infecção) e 2/2 (para vacinas de duas doses).

“Os certificados de vacinação que atestem a conclusão do esquema vacinal primário serão aceites até 270 dias (nove meses) após a data de administração da dose que completou o esquema vacinal primário”, indica a informação actualizada pela autoridade de saúde, acrescentando que “os certificados de vacinação que atestem a administração de doses de reforço não estarão sujeitos a um período de aceitação”.

Uma vez que as regras relativas à utilização do certificado de vacinação variam entre países, a DGS recomenda ao viajante, antes de viajar, a verificação das regras de entrada em vigor no país de destino através do portal Re-open EU e dos sítios web das respectivas autoridades do país.

Em Portugal, só são admitidos os certificados de vacinação que atestem o esquema vacinal completo do respectivo titular, há pelo menos 14 dias, com as vacinas da Janssen, Pfizer-BioNTech (Comirnaty), Moderna (Spikevax) ou AstraZeneca (Vaxzevria).

A informação da DGS explica ainda que a dose de reforço administrada após esquema vacinal primário de duas doses é apresentada no certificado como esquema 3/3, após esquema vacinal primário de uma dose é apresentada como esquema 2/1 e nos recuperados da infecção aparece como esquema 3/1.

Acrescenta que é possível aceder ao certificado de vacinação com indicação da dose de reforço 14 dias após a data da administração e que durante este período pode ser usado o certificado de vacinação anterior.

 

Fonte: Site da "Netfarma.pt" e autor em 12 de Janeiro de 2022

Mais de metade dos autotestes comunicados ao SNS em Dezembro eram positivos

Mais de metade dos autotestes comunicados ao SNS em Dezembro eram positivos - 

Desde que a plataforma foi lançada, já foram comunicados mais de 45 mil resultados, dos quais 15.300 positivos, revelaram os SPMS, ao ECO. Só em Dezembro, foram comunicados mais de 12.600 resultados.

Só em Dezembro, foram reportados mais de 12.600 resultados de autotestes de despiste à Covid-19 na plataforma online criada para o efeito. Deste total, cerca de 7.400 foram positivos, segundo os dados divulgados pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), ao ECO. Isto significa que mais de metade (58,7%) dos portugueses que comunicaram os resultados no último mês de 2021 testaram positivo à Covid.

Esta plataforma, criada pelos SPMS, entrou em funcionamento a 20 de Maio de 2021 e permite aos cidadãos reportarem os resultados dos autotestes de despiste à Covid-19 que estão a ser vendidos nas farmácias, parafarmácias e supermercados portugueses para utilização da população em geral.

Desde então e até à passada quinta-feira, 6 de Janeiro, “foram reportados na plataforma mais de 45 mil autotestes, dos quais cerca de 15.300 são positivos”, revelou fonte oficial dos SPMS e INSA, em resposta ao ECO. Nesse contexto, é possível constatar que cerca de três em cada dez autotestes (34%) comunicados nesta plataforma foram positivos.

Face à situação pandémica, Governo e especialistas têm vindo a incentivar o uso de autotestes para despistar eventuais casos de infecção por Covid-19, sendo que esta foi inclusivamente uma das opções recomendadas como medida de prevenção para os habituais encontros na época festiva. Só em Dezembro, foram reportados “mais de 12.600 autotestes, dos quais cerca de 7.400 foram positivos”, sinalizam os organismos. Contas feitas, isto significa que 28% do total de autotestes comunicados desde que a plataforma entrou em funcionamento foram em Dezembro. Além disso, isto significa também que do total de autotestes comunicados nesse período, mais de metade (58,7%) foram positivos.

Segundo as recomendações das autoridades de saúde, os utentes que tenham um autoteste positivo ou inconclusivo devem, depois de registarem na plataforma o resultado do teste, contactar a linha SNS24 ( (808 24 24 24), sendo que posteriormente é-lhes emitida uma prescrição para teste confirmatório PCR, dado que os autotestes não são considerados como método de referência para diagnóstico para o SARS-CoV-2, e se não tiverem tido um teste positivo nos últimos 180 dias. Além disso, para os indivíduos indivíduos sintomáticos ou que contactaram com um caso confirmado, independentemente do resultado do autoteste, é também recomendado que contactem a linha SNS24.

SNS 24 recebeu mais de 160 mil chamadas por autotestes positivos de assintomáticos

Entre Abril de 2021 e domingo, 9 de Janeiro, a linha SNS 24 recebeu “mais de 160 mil chamadas por resultados de autotestes positivos de utentes assintomáticos”, de acordo com os dados disponibilizados pelos SPMS e pelo INSA, ao ECO. Deste total, só no mês de Dezembro, foram registadas mais de 56.400 chamadas, na sequência de autotestes positivos de utentes assintomáticos.

Apesar de fiabilidade dos autotestes (tal como dos testes rápidos de antigénio) não ser tão elevada quanto a dos PCR, estes têm-se revelado suficientemente sensíveis quando uma pessoa tem uma carga viral mais elevada e, portanto, é mais contagiosa. Além disso, são mais baratos e especialmente dirigidos a doentes com suspeita de infecção e em caso de contacto com doentes positivos, bem como, para fins de rastreio.

Nesse contexto, a equipa de peritos liderada por Raquel Duarte que aconselha o Governo nas questões relacionadas com a pandemia, recomendou, na última reunião do Infarmed, que o Governo tornasse os autotestes gratuitos. Até ao momento, o Executivo apenas comparticipa a 100% a realização de quatro testes de antigénio por utente por mês. Desde segunda-feira, que a DGS permite que os autotestes possam ser permitidos no acesso a eventos de grande dimensão (desportivos, culturais ou corporativos), desde que feitos à entrada sob supervisão dos responsáveis.

 

Fonte: Site do Jornal "Eco.sapo.pt" e autor em 12 de Janeiro de 2022.

Descoberta de investigadora portuguesa traz esperança contra um dos cancros mais letais

Descoberta de investigadora portuguesa traz esperança contra um dos cancros mais letais - 

Equipa de Sónia Melo identificou forma de bloquear circuito de comunicação entre células cancerígenas e descobriu uma proteína essencial à evolução do tumor pancreático, abrindo portas a novas vias terapêuticas.

Conhecido como uma doença silenciosa, geralmente detectada em fases avançadas, o cancro do pâncreas é um dos cancros mais letais, com uma taxa de sobrevida aos cinco anos inferior a 10%. Ou seja, em cem pessoas diagnosticadas, menos de dez estarão vivas passados cinco anos. Os avanços da ciência sobre este tipo de tumor são, por isso, urgentes. E a descoberta recente feita por uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), liderada por Sónia Melo, desvenda novas possibilidades terapêuticas que podem trazer maior esperança para futuros tratamentos.

Sónia Melo e a sua equipa descobriram que, em tumores pancreáticos, são as células estaminais cancerígenas que comandam e transmitem as directrizes para o tumor poder crescer e sobreviver. Essas células estaminais são capazes de comunicar com as outras células do tumor através de vesículas extracelulares, dando-lhes ordens para que o tumor cresça e resista à quimioterapia. Mais do que isso, o estudo, que é publicado nesta terça-feira (11) na revista Gut, demonstra também que impedindo esta comunicação entre as células, o tumor não cresce.

"Já se sabia que as células tumorais comunicam entre si. O que nós descobrimos é que isso não é um evento ao acaso. Há uma hierarquia bem estabelecida", refere a investigadora, em conversa com o DN. Os tumores pancreáticos são compostos por diferentes populações de células cancerígenas (estaminais e não estaminais) que comunicam entre si através da secreção de vesículas extracelulares (EV) e os investigadores do i3S descobriram que, "apesar de serem em muito menor número, são as células estaminais as que mais comunicam com as outras células", numa rede de comunicação organizada e com uma hierarquia definida chamada EVNet.

"Imaginemos que há cem pessoas numa sala e que é apenas um subgrupo de seis dessas pessoas que fornece toda a informação vital para esse conjunto de cem pessoas. É o que acontece com as células estaminais que dão as instruções às outras células cancerígenas sobre as condições necessárias para o tumor crescer e responder melhor aos ataques, como a quimioterapia", explica Sónia Melo.

Ora, o trabalho da investigadora do i3S descobriu que quando foi cortada "a comunicação entre as células estaminais cancerígenas e as outras células cancerígenas", quer através da acção de pequenas moléculas quer através de anticorpos ou de terapia génica, a intervenção "impediu o crescimento do tumor".

O estudo utilizou "amostras de tumores pancreáticos de pacientes do Centro Hospitalar Universitário de São João que foram introduzidos em ratinhos e, com recurso a moléculas que inibem a comunicação entre células, conseguimos travar a progressão do tumor", explica Sónia Melo.

Além de estudar o circuito de comunicação entre as células cancerígenas nos tumores no pâncreas, a equipa de Sónia Melo foi depois investigar "o conteúdo dessa comunicação", diz ao DN. E descobriu que no interior das vesículas extracelulares secretadas pelas células estaminais cancerígenas existe uma proteína chamada Agrin. "E é esta proteína que, quando enviada às outras células, impulsiona o tumor a crescer e a resistir aos tratamentos de quimioterapia", conta. Adicionalmente, diz, "utilizámos anticorpos para bloquear a proteína Agrin e verificámos igualmente uma desaceleração no crescimento do tumor."

Para a investigadora, as duas opções - sejam a utilização de moléculas para impedir a comunicação entre as células cancerígenas ou de anticorpos para bloquear a proteína Agrin - "apresentam potencial como soluções terapêuticas a aplicar pelos clínicos aos doentes com cancro do pâncreas com o objectivo de travar a progressão do tumor e minimizar a resistência terapêutica".

Em colaboração também com os hospitais da Luz e Beatriz Ângelo, a equipa do i3S analisou o sangue de pacientes com cancro pancreático e verificou que "os que apresentam maior número de vesículas extracelulares positivas para a proteína Agrin em circulação no sangue têm um risco três vezes maior de progressão da doença". O que, sublinha a investigadora, revela que "essas vesículas agrin-positivas são potenciais biomarcadores para determinar a resposta à terapia e o risco de progressão do tumor pancreático", permitindo "identificar doentes com perfil de maior risco e com maior dificuldade para resistir à quimioterapia".

Em Portugal, surgem anualmente cerca de 1800 casos e as estimativas sugerem que, em 2030, o cancro do pâncreas seja a segunda causa de morte por cancro. "Estes tumores são geralmente resistentes à quimioterapia e ainda não existem outras opções terapêuticas eficazes para estes pacientes. Conhecer a biologia destes tumores é, por isso, fundamental para encontrar novos alvos terapêuticos que permitam melhorar a qualidade de vida destes pacientes", frisa Sónia Melo, cujo trabalho foi desenvolvido em parte no âmbito do Porto Comprehensive Cancer Center, um consórcio pioneiro em Portugal que pretende encurtar o ciclo de descoberta científica em cancro, aproximando a investigação básica e a prática clínica.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 11 de Janeiro de 2022.