Novos casos de infecção por VIH/sida diminuem, mas houve 261 mortes em 2018

Novos casos de infecção por VIH/sida diminuem, mas houve 261 mortes em 2018 - 

Percentagem de diagnósticos tardios continua a ser superior à média dos países da União Europeia. Relatório sobre situação da infecção por VIH/sida foi apresentado esta quarta-feira.

O número de novos casos de VIH/sida diagnosticados no ano passado voltou a diminuir, ficando abaixo dos mil (973), o que já não acontecia desde 1991. Mas os especialistas recomendam prudência na análise destes números. “Embora se observe uma redução consistente no número de novos casos diagnosticados em Portugal, há muito que a taxa anual de novos diagnósticos no país é uma das mais elevadas na União Europeia (UE) e, nos anos mais recentes, corresponde aproximadamente ao dobro da taxa calculada pelo ECDC [Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças] para o conjunto dos países que integram a UE”, pode ler-se no documento sobre infecção por VIH/sida que esta quarta-feira foi apresentado em Lisboa.

No ano passado registaram-se 261 óbitos em casos de infecção por VIH, 142 dos quais já no estádio clínico de sida.

Mas, quando se analisam os dados num período alargado, as notícias são boas: no relatório do programa da Direcção-Geral da Saúde para a infecção VIH/sida, elaborado em conjunto com o Instituto Ricardo Jorge (Insa), olhando para a década de 2008 a 2017, conclui-se que a diminuição do número de novos casos de infecção por VIH é expressiva (menos 46%) e de novos casos de sida ainda mais (menos 67%).

Desde o início da epidemia, em 1983, foram notificados 59.913 casos de infecção por VIH em Portugal, dos quais 22.551 evoluíram para sida. No ano passado, foram diagnosticados 227 novos casos de sida.

A maioria dos novos casos de infecção por VIH ocorreu em indivíduos naturais de Portugal (64,2%), mantendo-se o predomínio de casos de transmissão heterossexual. “No entanto, os casos em homens que têm relações sexuais com homens corresponderam a 49,2% dos novos diagnósticos em homens” e apresentaram a idade mediana mais baixa (31 anos), adianta a DGS em comunicado.

Quanto à percentagem de diagnósticos tardios, um problema que preocupa os especialistas, esta ainda é superior à da União Europeia. As estimativas realizadas para 2017 revelaram que viviam em Portugal 39.820 pessoas com infecção por VIH e que 7,8% não estavam diagnosticadas, sendo esta proporção mais elevada nos casos em homens heterossexuais (13,9%) e mais baixa em utilizadores de drogas injectáveis (1,5%). O tempo médio entre a infecção e o diagnóstico foi de 3-4 anos, no final de 2017.

Para os responsáveis pelo programa da DGS, é necessário “melhorar as estratégias de rastreio, entre elas a manutenção das respostas comunitárias”, alargar os testes rápidos nas farmácias e criar alertas para rastreio de pessoas com condições de infecção nos centros de saúde”.

Já se sabia que Portugal atingiu no final de 2017 os três objectivos da ONU SIDA, com 92,2% das pessoas que vivem com VIH diagnosticadas, sendo que, destas, 90,3% estão em tratamento e, neste grupo, 93% vivem com carga viral suprimida (ou seja, com menor risco de transmissão).

“Apesar desta conquista, a aposta na disponibilização de meios preventivos e de redução de riscos e minimização de danos, assim como a promoção do rastreio da infecção e da referenciação das pessoas com resultados reactivos para os cuidados hospitalares mantêm-se como eixos prioritários da resposta nacional à infecção”, insiste a DGS.

Os responsáveis pela estratégia de combate à infecção adiantam ainda que no ano passado foram distribuídos cerca de cinco milhões de preservativos masculinos, cento e setenta mil preservativos femininos e um milhão e trezentas mil seringas. Além disso, até agora, iniciaram PrEP (profilaxia pré-exposição) cerca de mil pessoas e foram realizados mais de cinquenta mil testes rápidos para VIH em diversas estruturas de saúde e organizações não-governamentais, um aumento de cerca de 28% no número de testes realizados face a 2017.

 

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 27 de Novembro de 2019.

Infarmed recebeu mais de 11.300 notificações de reacções adversas a medicamentos

Infarmed recebeu mais de 11.300 notificações de reacções adversas a medicamentos - 

Mais de metade (58%) foram consideradas graves.

O Infarmed recebeu este ano mais de 11.300 notificações de reacções adversas a medicamentos, mais de metade (58%) das quais consideradas graves, segundo os dados a que a Lusa teve acesso.

De acordo com os dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, actualizados ao dia de quarta-feira, foram recebidas desde o início do ano 11.359 notificações de reacções adversas, 6.613 consideradas graves e 4.746 não graves.

Os números do Infarmed indicam ainda que quem mais notifica são os titulares da autorização de introdução no mercado (indústria), seguidos do médico, farmacêutico, enfermeiro, outros profissionais de saúde e, finalmente, o utente.

O número de notificações por ano tem vindo a subir (em 2018 tinham sido recebidas 10.673) e, segundo o relatório do 3.º trimestre deste ano, entre Julho e Setembro foram recebidas 2.327 notificações, referentes a 2.130 casos (cada caso pode ter mais do que uma notificação, pois pode ser apresentado pelo profissional de saúde, pelo doente ou pela indústria).

Das 2.327 notificações, 862 foram feitas pelos profissionais de saúde e utentes e 1.465 pela indústria.

Depois de feita a triagem das notificações duplicadas ou triplicadas, os dados apontam para 2.130 casos de reacções adversas, 1.137 graves e 993 não graves.

O relatório do 3.º trimestre, divulgado na semana em que decorre a “Med Safety Week”, uma campanha de alerta para a necessidade e importância de notificar os efeitos indesejáveis aos medicamentos, indica que a maioria dos casos (58%) se referem a utentes do sexo feminino e 34% do sexo masculino. Há um total de 8% de casos em que o sexo do utente não é identificado.

Dos 2.130 casos, 18% referem-se a agentes imunossupressores (para o sistema imunitário), 12% a agentes antineoplásicos (para o cancro), 7% a terapêutica endócrina, 5% a antibacterianos para uso sistémico e 4% a vacinas.

Nos últimos 12 anos, foram registadas pelo Infarmed quase 50.500 notificações de reacções adversas a medicamentos, 34.254 graves (67%) e 16.243 não graves.

 

Fonte: Site da "TVI24.iol.pt" e autor em 27 de Novembro de 2019.

APOGEN critica contenção de custos do Governo

APOGEN critica contenção de custos do Governo - 

A APOGEN – Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares, informou através de comunicado, que tendo em conta as noticias recentes sobre a ruptura de medicamentos genéricos nos hospitais portugueses, que a contenção de custos levada a cabo pelo actual Governo “condiciona a sustentabilidade do sistema de saúde”.

De acordo com a associação, “os medicamentos não protegidos por patente já representam 75% dos medicamentos consumidos a nível hospitalar, permitindo o acesso de milhares de doentes a terapêuticas”.

No entanto, esta indústria continua “a ser atingida por medidas de contenção de custos, tais como o actual modelo de Contratos Públicos de Aprovisionamento e a Contribuição Extraordinária sobre a Indústria Farmacêutica (CEIF), que tendem a não valorizar devidamente o contributo destas tecnologias de saúde na promoção da acessibilidade e sustentabilidade do sistema de saúde, redução de despesa pública, preservação do SNS e aumento da produtividade e competitividade do país”.

A APOGEN refere ainda que a “despesa hospitalar com medicamentos não protegidos por patente representa apenas 26% do orçamento disponível”, e que “parte da poupança podia ser canalizada para a investigação e produção de medicamentos inovadores”.

“De acordo com os resultados do 2018 Medicines Shortage Surve realizado pela Associação Europeia de Farmacêuticos Hospitalares, 91,8% dos farmacêuticos hospitalares europeus (Portugal incluído) confrontam-se com rupturas de medicamentos, 35% numa base diária e 38% numa base semanal e 77% das respostas referem que as rupturas são mais frequentes com medicamentos genéricos”, indica o documento divulgado.

Como tal, a APOGEN indica encontra-se “comprometida com a melhoria sistemática do acesso às terapêuticas, está focada nas soluções”, tais como o aumento da eficiência dos processos concursais de aquisição de medicamentos, adjudicação para a mesma posição a mais do que um fornecedor, a obrigação de fornecimento pela indústria farmacêutica 120 dias após adjudicação do procedimento hospitalar, a inclusão do critério de adjudicação da proposta economicamente mais vantajosa, a garantir a transparência e previsibilidade nas quantidades a fornecer, incluindo limites máximos e mínimos dos volumes a serem fornecidos.

“Atentas as diferentes realidades entre medicamentos, a aplicação generalizada da CEIF revela uma forte desproporcionalidade quando aplicada aos medicamentos genéricos e biossimilares. Questiona-se assim a aplicação da taxa mais elevada de Contribuição Extraordinária a este subsector (fixada em 14,3%), no que respeita à venda hospitalar”, sublinham.

 

Fonte: Site do "Netfarma.pt" e autor em 27 de Novembro de 2019.

Cafés funcionais com assinatura portuguesa chegam às farmácias

Cafés funcionais com assinatura portuguesa chegam às farmácias - 

O grupo Nabeiro - Delta Cafés anunciou hoje a entrada no sector das farmácias, com uma gama de cafés funcionais, desenvolvidos em parceria com o laboratório português Edol, e a Diverge, centro de inovação da empresa.

"Os dois produtos direccionados para as farmácias serão lançados no decorrer do primeiro trimestre" do próximo ano, disse Rui Miguel Nabeiro, administrador do grupo Nabeiro - Delta Cafés, aos jornalistas, à margem do "Evento de Inovação Delta 2019 - Blending Tomorrow", que decorreu hoje em Lisboa.

O gestor adiantou que a primeira gama de cafés funcionais no mercado nacional, designados por aQtive Coffees, será comercializada pela Edol.

A Delta Q desenvolveu esta gama em parceria com o laboratório português Edol, produtos farmacêuticos, e a Diverge, que é o centro de inovação do grupo, onde trabalham a tempo inteiro 20 pessoas. "No primeiro ano [de actividade dos produtos dirigidos ao] canal farmácia esperamos vender 600 mil cápsulas", avançou o administrador.

O grupo investe "cerca de 1%" da facturação em inovação, referiu. Questionado sobre o acordo entre o grupo e a Biedronka, cadeia de retalho polaca da Jerónimo Martins, Rui Miguel Nabeiro fez um balanço positivo: "Está a correr muito bem".

A parceria começou em maio e agora o período da quadra natalícia é o "momento chave", já que "70% das vendas de máquinas de café fazem-se nestes dois meses", referiu.

A Delta vende máquinas de café e cápsulas na Polónia através da parceria com a Biedronka. Questionado sobre se esta nova gama de "cafés funcionais" poderá ser comercializada no mercado polaco, Rui Miguel Nabeiro afirmou: "A Polónia, para nós, é a relação com a Jerónimo Martins, estamos em exclusivo" com o grupo.

Se a dona da Biedronka "entender que alguns destes produtos, cápsulas vendidas em farmácias, têm importância" para aquele mercado, porque não", questionou.

O grupo Nabeiro - Delta Cafés aposta na saúde e bem estar e, nesse sentido, apresentou também um café que dispensa adição de açúcar, denominado Delta Q Sweet Qoffee, que inclui alfarroba.

Relativamente a este produto, que "é mais massificado, estamos a apontar para um milhão de cápsulas" comercializadas no primeiro ano do lançamento, acrescentou. "O nosso trabalho é criar uma cultura de inovação na Delta, é o que estamos a conseguir", rematou.

 

O que é um café funcional?

Além de oferecer todos os benefícios do café tradicional, o café funcional é mais rico em antioxidantes e propriedades benéficas para o organismo humano. Pode auxiliar o processo de metabolismo, bem como o processo digestivo.

 

Fonte: Site do "lifestyle.sapo.pt/saude" e autor em 26 de Novembro de 2019.

105 milhões de unidades de medicamentos falsificados retirados do mercado

105 milhões de unidades de medicamentos falsificados retirados do mercado - 

Mais de 105 milhões de comprimidos, ampolas e saquetas de produtos de saúde falsificados e ilícitos foram retirados no mercado em 10 anos da 'Operação Pangea', no âmbito da qual já foram detidas mais de 3 mil pessoas.

Em comunicado, a Interpol, que coordena esta operação, alerta para os perigos dos medicamentos não autorizados e falsificados e revela que alguns dos medicamentos apreendidos continham mercúrio, arsénico, veneno de rato ou cimento.

A autoridade frisa ainda que, além das quantidades de ingredientes ativos dos medicamentos comprados pela internet poderem ser incorrectas, as datas de validade podem estar alteradas, o que representa um perigo acrescido.

"Além de medicamentos, produtos médicos não licenciados - por exemplo, lentes de contacto ou preservativos -- adquiridos pela Internet podem ser de baixa qualidade, com defeito ou representar um risco para o utilizador", avisam as autoridades.

O comunicado explica que a Operação Pangea resulta de "um esforço internacional para interromper o acesso on-line da venda de produtos de saúde falsificados e ilícitos" e também ajuda a "aumentar a consciencialização relativamente aos riscos associados à compra de medicamentos em sites não regulados".

Na nota, a Interpol recorda que a Operação Pangea, criada em 2008 a na qual participaram até hoje 153 países, levou à apreensão de 105 milhões de unidades, à inspecção de 12,9 milhões de pacotes (encomendas), 1,1 milhões dos quais acabaram apreendidos, ao encerramento de 82.000 sites e 3.000 detenções.

"Os esforços de cooperação entre polícia, alfândega, órgãos reguladores e empresas do sector privado impediram que medicamentos potencialmente perigosos cheguem a consumidores inocentes e desmantelaram um número de redes ilegais que operavam por trás desses crimes", refere a organização.

A Interpol sublinha que a análise dos resultados da Operação Pangea, na última década, revela que pelo menos 11% dos produtos médicos vendidos on-line são falsificados e que todas as regiões do mundo são afectadas.

O maior número de apreensões realizadas sob a iniciativa da Operação Pangea foi de medicamentos falsificados para disfunção eréctil, refere a Interpol, que adianta que entre os produtos falsificados mais frequentemente estão antidepressivos, esteróides anabolizantes e medicamentos usados para tratar diabetes ou cancro.

"Desde 2015, tornaram-se mais diversificados os tipos de medicamentos ilícitos apreendidos, incluindo uma quantidade de hipnóticos, sedativos e medicamentos anti-inflamatórios", explica.

"Os resultados das várias fases da Operação Pangea mostram que os grupos de criminalidade organizada estão a tomar medidas cada vez mais complexas para evitar a detecção, como, por exemplo, o desenvolvimento de rotas de expedição complicadas e o envio medicamentos em pacotes menores", explica.

Na nota, a Interpol diz que estas mudanças ocorrem, parcialmente, "por reacção ao sucesso das operações da Pangea e às verificações mais rigorosas introduzidas em muitos países".

"Os criminosos tentam ocultar medicamentos ilícitos entre outros bens, o que significa que as autoridades precisam estar mais alerta ao verificar uma ampla variedade de remessas legítimas", avisa a Interpol.

O comunicado frisa ainda que os grupos de criminalidade organizada "vendem medicamentos ilícitos on-line com o único objectivo de ganhar dinheiro, sem levar em consideração a saúde ou a vida de clientes inocentes, obtendo, com esse comércio ilícito, enormes lucros".

"Seguindo o rasto do dinheiro e confiscando activos criminais, podemos desmantelar as redes criminosas envolvidas e salvaguardar a saúde pública. A INTERPOL está comprometida em fornecer o suporte analítico e de investigação necessário às crescentes necessidades da aplicação da lei", afirmou o diretor da área de crime organizado da Interpol, Paul Stanfield, citado no comunicado.

A Interpol aconselha os cidadãos a tomarem cuidado ao comprar medicamentos on-line, pedindo que verifiquem sempre se compram o medicamento através de uma origem regulamentada e, com receita médica, apenas em estabelecimentos autorizados.

Aconselha ainda a evitar produtos ou sites que possam parecer questionáveis, chamando a atenção sobretudo para erros de ortografia, promessas de produtos "sem risco" e "perfeitamente seguros", cujo preço é suspeito por ser excessivamente baixo ou para a possibilidade de o pagamento se feito em cripto moeda.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 26 de Novembro de 2019.

Taxa de adesão à terapêutica para a hipertensão arterial é de 54,6%

Taxa de adesão à terapêutica para a hipertensão arterial é de 54,6% - 

Os estados que investem mais em saúde e respectivos recursos humanos apresentam melhores taxas de adesão à terapêutica para a hipertensão arterial, que em Portugal é de 54,6%, revela um estudo que envolveu 31 países diferentes.

"O que concluímos é que a adesão à terapêutica custa dinheiro, os países que têm maior investimento em saúde têm também uma maior taxa de adesão à terapêutica na área da hipertensão arterial", disse hoje o coordenador da investigação, promovida pelo CINTESIS -- Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Em declarações à Lusa, Paulo Santos lembrou que a hipertensão arterial "continua a ser o maior determinante de morte do mundo inteiro, ou seja, o maior factor de risco de mortalidade", defendendo, por isso, a necessidade de actuar "em função dos determinantes que existem e dos problemas que são identificados".

"Podemos continuar a apostar na abertura de unidade coronárias e na abertura de unidade de acidente vascular cerebral (AVC), ou podemos apostar em prevenir, a montante, numa maior cobertura do que são os hipertensos e daquilo que é o seu tratamento, para não termos a necessidade de mandar estes doentes para os AVC ou para o enfarte agudo de miocárdio, que são as grandes doenças relacionadas com a hipertensão", sublinhou.

Comparando o sul com o norte da Europa, "temos uma esperança média de vida com saúde à volta dos 60 anos, a Dinamarca e a Noruega têm uma esperança média de vida com saúde à volta de 70 anos. Esta diferença de 10 anos tem também muito a ver com o investimento em saúde e nos recursos humanos em saúde", frisou.

Em seu entender, numa perspectiva de sustentabilidade, "Portugal deve decidir se quer continuar a investir na doença e a pagar o prejuízo da doença ou se quer, de facto, investir na saúde e na prevenção da doença".

"O facto de puxar a vida com saúde para a frente 10 anos significa um investimento em toda uma população produtiva. É preciso decidir se queremos continuar a ter um ministério da doença que gere, sobretudo, a sustentabilidade dos hospitais ou se queremos começar a ter um ministério, um ministro da Saúde, que olha para os determinantes de saúde e vai melhorar o estado da população", acrescentou.

O trabalho, intitulado "Medical Adherence in Patients with Arterial Hypertension: The Relationship with Healthcare Systems' Organizational Factors", avaliou a adesão ao tratamento dos doentes com hipertensão arterial em 31 países, incluindo Portugal, e concluiu que apenas 55% dos doentes toma os medicamentos conforme a prescrição do médico.

Verificou-se, contudo, que a adesão varia muito em todo o mundo, desde apenas 11% na Indonésia até 85% na Austrália.

Entre os motivos que poderiam interferir na adesão, foram estudados os determinantes relacionados com a organização dos sistemas de saúde, designadamente o número de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e farmacêuticos), o tempo de consulta e a despesa feita na saúde.

"Encontrámos como determinantes de uma maior adesão à terapêutica o número de profissionais de saúde existentes e o investimento público e total em saúde", revela o estudo, publicado no jornal científico Patient Preference and Adherence.

O número de médicos surge, neste contexto, como o factor organizacional mais "preponderante" na adesão à terapêutica. "Pensamos que o maior número de médicos facilita o acesso aos cuidados de saúde, bem como um seguimento mais apertado, contribuindo para um maior envolvimento dos doentes no seu próprio tratamento", explicam os investigadores.

Também o número de enfermeiros, que desempenham um papel importante no controlo da pressão arterial e na educação dos doentes, demonstrou ter uma relação positiva com o grau de adesão. Já o número de farmacêuticos não pareceu ter um papel significativo a este nível, deixando um espaço de melhoria para a sua intervenção neste problema.

Os investigadores salientam que não se comprovou a existência de relação entre a duração da consulta e o grau de adesão à terapêutica nos hipertensos. Por outro lado, a adesão aparece positivamente associada ao investimento em saúde.

"Não basta prescrever mais medicamentos: É importante perceber porque é que os doentes não aderem aos tratamentos e reduzir a não adesão, encontrando a melhor estratégia para cada indivíduo. Este estudo foca os factores relacionados com a organização e estrutura dos serviços de saúde, chamando a atenção para a responsabilidade de promover condições que permitam maximizar o potencial de saúde das pessoas", afirmam os autores do estudo.

A hipertensão arterial é o principal determinante de mortalidade no mundo inteiro, estimando-se que contribua para cerca de 7,5 milhões de mortes por ano. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a hipertensão com valores de pressão arterial iguais ou superiores a 140/90 milímetros de mercúrio (mmHg) e calcula que a doença atinja cerca de 22% da população adulta.

Em Portugal, um estudo recente mostra que está presente em 42% dos adultos.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 25 de Novembro de 2019.