Receitas em papel acabam, de vez, em Março. Médicos contestam

Receitas em papel acabam, de vez, em Março. Médicos contestam - 

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) condena a decisão do Ministério da Saúde de acabar com as receitas médicas em papel.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, criticou a “insensibilidade” da tutela e o desconhecimento sobre as dificuldades existentes para a desmaterialização total das receitas médicas a partir de Março de 2020.

“Temos médicos em locais periféricos que receitavam por via manual, porque se deslocavam ao domicílio ou por falhas na cobertura de rede de telecomunicações, o que ainda se verifica em muitos locais”, disse.

zonas do país “sem cobertura adequada de rede de telecomunicações, aumentando ainda mais os obstáculos de quem, perante esta portaria, não terá uma alternativa a usar o computador ou a aplicação do telemóvel”. “É um erro grave imaginar que todos têm as condições adequadas para fazer uso das plataformas informáticas e que todos os doentes estão em condições imediatas de usar”, sublinhou.

Carlos Cortes salientou ainda que existem médicos “com dificuldades” na prescrição informática das receitas, pelo que é uma “grande insensibilidade” restringir a prescrição manual.

O presidente da SRCOM frisa que a “Ordem defende a desmaterialização, mas que tem de olhar para as excepções que sempre existiram e que foram atendidas até ao momento”. “É um erro grave ignorar a dificuldade de alguns médicos que fazem muito pelos seus doentes”, sublinhou o dirigente, salientando que a situação vai criar inacessibilidade de alguns doentes a cuidados médicos.

Para Carlos Cortes, a portaria que restringe “de forma drástica” a prescrição por via manual “cria grandes dificuldades à prática da medicina”, e, portanto, merece “total repúdio”. “Há uma série de excepções que é preciso atender”, reitera.

A SRCOM apela ao Ministério da Saúde e ao SPMS a “voltar atrás e a manter as excepções, que é preciso atender, pois não se pode permitir que se criem dificuldades no acesso dos doentes” aos cuidados médicos.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 7 de Novembro de 2019.

Relatório da OCDE: Portugal é um país deprimido, com muitos casos de demência e infecções hospitalares

Relatório da OCDE: Portugal é um país deprimido, com muitos casos de demência e infecções hospitalares - 

Portugal é um dos quatro países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com maior prevalência de casos de demência entre a população, um problema que vai duplicar em 2050, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira.

De acordo com o relatório “Health at a Glance 2019”, em Portugal a prevalência da demência está pouco fica acima dos 20 casos por 1.000 habitantes, mas em 2050 prevê-se que duplique, chegando aos 40,5 casos por 1.000 habitantes.

A idade continua a ser o maior factor de risco para a demência e, nos 36 países da OCDE, a prevalência média de demência sobe de 2,3% entre as pessoas de 65 a 69 anos para quase 42% entre as pessoas de 90 ou mais.

A proporção da população com 65 anos ou mais aumentou de menos de 9% em 1960 para mais de 17% em 2017 e as taxas decrescentes de fertilidade e a expectativa de vida mais longa fizeram com que os idosos representem uma proporção crescente da população nos países da OCDE

Os países com algumas das populações mais envelhecidas da OCDE – como o Japão, Itália, Alemanha e Portugal - têm também os maiores valores de prevalência de demência.

O quinto país que mais consome antidepressivos

Portugal é o quinto país da OCDE com maior consumo de antidepressivos, tendo mais do que triplicado o consumo no país entre 2000 e 2017.

O relatório mostra um aumento generalizado no consumo de antidepressivos nos cerca de 30 países analisados, que entre 2000 e 2017 registaram, no conjunto, uma duplicação. Portugal apresentava em 2017 um consumo de 104 doses diárias de antidepressivos por mil pessoas, quando em 2000 pouco ultrapassava as 30 doses diárias.

A análise usa como indicador a “dose diária”, que representa a média indicada por dia para um medicamento usado por adultos para sua principal indicação terapêutica.

Número elevado de cesarianas

Portugal mantém-se entre os 10 países da OCDE com uma taxa de cesarianas mais elevada, com 32,5% dos partos, acima dos 28% da média de mais de 30 países.

O documento recorda que as cesarianas podem ser um procedimento necessário e que salva vidas, mas avisa que podem aumentar as complicações e até a mortalidade materna e infantil.

A taxa de cesarianas permanece mais reduzida nos países nórdicos, com valores de 16% na Noruega, Islândia, Holanda ou Finlândia.

Portugueses a consumir menos álcool

Os portugueses reduziram em cerca de dois litros o consumo de álcool ‘per capita’ entre 2007 e 2017, bebendo em média 10,7 litros por ano, o que coloca Portugal no 11.º lugar dos países da OCDE com maior consumo.

Segundo os dados, baseado nas vendas, o consumo de álcool nos países da OCDE baixou, em média, de 10,2 litros por adulto em 2007 para 8,9 litros em 2017, o equivalente a quase 100 garrafas de vinho.

Em média, nos países da OCDE, 3,7% dos adultos eram dependentes de álcool, uma situação que se agrava na Letónia, na Hungria e na Federação Russa, atingido mais de 9% dos adultos. A Lituânia é o país com maior consumo (12,3 litros), seguido por Áustria, França, República Checa, Luxemburgo, Irlanda, Letónia e Hungria, todos com mais de 11 litros por pessoa.

Muitas infecções nos hospitais

Portugal é um dos países da OCDE com maior percentagem de doentes em cuidados continuados que contraíram pelo menos uma infecção associada aos cuidados de saúde.

Segundo o documento, no período 2016-2017 em Portugal 5,9% dos doentes em cuidados continuados registaram pelo menos uma infecção associada aos cuidados de saúde, um valor acima da média da organização (3,8).

Abaixo da média da OCDE aparecem países como a Lituânia, Hungria, Suécia, Alemanha e Luxemburgo (com menos de 2%), enquanto as percentagens mais elevadas se registam na Dinamarca, Portugal, Grécia e Espanha (acima de 5%).

O impacto das infecções associadas aos cuidados de saúde é agravado pelo aumento de bactérias resistentes a antibióticos, o que pode levar a infecções difíceis ou mesmo impossíveis de tratar, alerta a OCDE.

Poluição atmosférica matou 2.800 pessoas em Portugal

A poluição atmosférica terá causado cerca de 2.800 mortes em Portugal em 2016, um número abaixo da média da OCDE.

Nos 36 países da OCDE, a poluição atmosférica causou cerca de 40 mortes por 100.000 habitantes, segundo um quadro da OCDE sobre quatro factores de risco para a saúde: o impacto do tabaco, álcool, excesso de peso e poluição atmosférica.

A Letónia, Hungria e Lituânia são os países com mais casos de morte em 2016, com mais de 80 mortes por 100 mil habitantes, refere o relatório.

Médicos e enfermeiros com redução salarial

Os médicos portugueses foram dos poucos entre os países da OCDE que tiveram uma redução da sua remuneração entre 2010 e 2017, enquanto os enfermeiros em Portugal são dos que menos recebem.

O documento revela que a remuneração dos médicos entre os mais de 30 países analisados aumentou geralmente desde 2010, ao contrário do que aconteceu em Portugal.

Em Portugal os médicos registaram uma redução da sua remuneração entre 2010 e 2017, sendo menos 1,3% nos médicos generalistas e de menos 0,9% nos médicos especialistas, em termos médios anuais.

Despesa das famílias portuguesas subiu

Os gastos directos das famílias em saúde cresceram em Portugal entre 2009 e 2017 e já representavam 28% das despesas nacionais em saúde, além de ter aumentado o número de portugueses com seguros privados de saúde.

Segundo o relatório, em 2017 eram já 27% os portugueses que tinham um seguro privado de saúde, quando em 2000 não chegavam a 20%. Os pagamentos do “próprio bolso” (‘out of pocket’) feitos pelos portugueses representavam em 2017 um valor de 28% do total de gastos em saúde. Em contrapartida, o Estado assume 65% da despesa nacional com saúde.

Segundo a análise da OCDE, em 2003 os gastos directos das famílias com saúde (dos quais se exclui o pagamento de impostos) representavam pouco mais de 20%.

Fonte: Site do "lifestyle.sapo.pt/saude" e autor em 7 de Novembro de 2019.

Laboratório Militar vai produzir medicamentos com base de canabis

Laboratório Militar vai produzir medicamentos com base de canabis - 

O Laboratório Militar vai começar a produzir medicamentos manipulados à base de canabinoides até ao final do ano para poder dar resposta aos doentes que já tem prescrição médica, anunciou esta quinta-feira o Observatório Português de Canábis Medicinal (OPCM).

No âmbito de um protocolo assinado entre o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos (LMPQF) e o OPCM, o Laboratório Militar irá manipular Canabidiol (CBD) e Tetrahidrocanabinol (THC) isolados, à semelhança do que já faz com a metadona ou outros medicamentos abandonados ou para doenças raras, segundo a presidente do OPCM, Carla Dias.

De acordo com a lei, o Laboratório Militar está autorizado a produzir medicamentos que não se encontrem autorizados ou comercializados em Portugal e que sejam imprescindíveis na prática clínica e medicamentos manipulados, a distribuir pela rede hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, assim como medicamentos necessários para fazer face a situações de emergência ou de epidemia, e medicamentos, preparações e substâncias à base da planta canábis.

"Nós contactámos o Laboratório Militar e estabelecemos um protocolo", sendo que até ao final deste ano "o LMPQF vai começar a manipular canabinóides de modo a poder aviar as receitas dos pacientes que já conseguem ter uma prescrição médica", adiantou Carla Dias, que falava à agência Lusa a propósito da conferência "Portugal Medical Cannabis", que decorre na sexta-feira e no sábado em Lisboa.

"No protocolo que estabelecemos o laboratório adquire a matéria-prima, o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC) isolados, e faz um manipulado mediante a prescrição médica, seja para para uma criança ou para um adulto", explicou Carla Dias.

O Laboratório Militar e o Observatório Português de Canábis Medicinal (OPCM), em conjunto com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, estão a realizar uma pós-graduação em boas práticas para Canábis Medicinal para profissionais de saúde, que está na primeira edição e vão também analisar os óleos derivados de canábis que estão á venda no mercado.

Promovida pelo OPCM, a segunda Conferência Internacional de Canábis Medicinal (PMC19) conta com mais de 20 oradores de países como Estados Unidos da América, Israel, Canadá, Espanha, Holanda, Alemanha, Panamá e Eslovénia, e espera mais de 500 participantes de 20 nacionalidades diferentes.

Segundo o OPCM, a Portugal Medical Cannabis 2019 recebeu O deferimento da sua candidatura à formação creditada pela Ordem dos Farmacêuticos para as áreas de Farmácia Comunitária, Farmácia Hospitalar, Investigação e Estudos Científicos, Indústria Farmacêutica, Análises Clínicas, Bromatológicas, Hidrológicas e Toxicológicas e Distribuição Farmacêutica.

Assim, os farmacêuticos que assistirem à conferência e fizerem os 'workshops' podem receber até 1,08 créditos de formação.

 

Fonte: Site do Jornal "Diário de Notícias" e autor em 7 de Novembro de 2019.

Mariana sobreviveu a cancro raro. "Andei a lutar contra os médicos"

Mariana sobreviveu a cancro raro. "Andei a lutar contra os médicos" - 

Qualquer doente que não tenha acesso em Portugal aos cuidados médicos de que precisa para sobreviver pode ser tratado no estrangeiro, com cobertura parcial ou total dos custos por parte do SNS. Sabia? Mariana Coutinho, sobrevivente de cancro, com 26 anos, vai esta quarta-feira dar o seu testemunho no Parlamento Europeu para sensibilizar utentes e comunidade médica.

Mariana Coutinho tinha apenas 23 anos quando foi diagnosticada com um cancro muito raro – com prevalência de 1 para 1 milhão – e seguiu todas as indicações que lhe foram dadas pelos médicos em Portugal. Foi operada, mas três meses depois apareceram dois novos tumores.

Nessa altura começou a procurar um tratamento especializado para o seu tipo de cancro e encontrou-o, em Inglaterra. De acordo com a legislação, e como o tratamento ainda não era feito por nenhum médico em Portugal, tinha direito a fazê-lo fora do país, mas precisou de dez meses até descobrir um médico que lhe assinasse a autorização devida. Entretanto, os nódulos aumentaram de tamanho.

Mariana, agora com 26 anos, está recuperada quase na totalidade, restando apenas uma última fase do tratamento, mas a sua experiência pessoal servirá, esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, para chamar a atenção para as fragilidades no processo de obtenção de cuidados médicos transfronteiriços, um direito que assiste a todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Era o primeiro caso de que eles tinham conhecimento"

Foi em 2016 que uma análise ao fígado mostrou um nódulo. Mariana, natural de Coimbra, tinha de aguardar por uma biópsia para perceber o que era, mas como estava a demorar muito tempo decidiu dirigir-se a Lisboa e consultou outra equipa médica, que a aconselhou a remover aquela massa de imediato. Assim fez, ainda no mesmo ano.

“Removeram cerca de metade do fígado”, indicou Mariana, em entrevista ao Notícias ao Minuto. “Removeram o nódulo mas tiveram de o remover com margens, para ter a certeza que caso fosse maligno não ficavam lá células malignas”, esclareceu. A análise patológica ao nódulo revelou que se tratava de um sarcoma vascular raro – hemangioendotelioma epitelióide. “Era o primeiro caso de que eles tinham conhecimento”, indicou a jovem.

Três meses depois da cirurgia, porém, apareceram dois novos tumores no fígado. Os médicos que a tinham operado voltaram a sugerir a mesma intervenção cirúrgica. “Disseram que queriam fazer novamente a cirurgia e eu pensei que era melhor informar-me”, explicou.

Recorrendo à internet, encontrou uma fundação internacional de doentes com o mesmo diagnóstico e conseguiu perceber que o médico mais próximo, com especialização naquele tipo de sarcoma (já tinha tratado duas dezenas de casos), estava em Londres. Assumindo os custos, deslocou-se a Inglaterra para uma consulta.

“Ele disse que não concordava que voltasse a fazer a cirurgia que tinha feito, porque essa cirurgia é muito invasiva, causa muita inflamação e essa inflamação pode propiciar o aparecimento de novos tumores. O que ele me aconselhou foi um tratamento o menos invasivo possível”, afirmou Mariana. O tratamento em causa é a ‘nanoknife’ ou eletroporação irreversível, uma técnica não invasiva que utiliza impulsos eléctricos para matar células cancerígenas. Em Portugal, a técnica é já usada para tratamento do cancro da próstata, mas, como se veio a perceber, não havia ainda nenhum médico que o fizesse no fígado.

Médicos sugeriram nova cirurgia e até transplante, mas recusavam ida ao exterior

“Ninguém fazia este tratamento cá em Portugal. Comecei à procura de algum tipo de seguro internacional que cobrisse os custos deste procedimento lá. Durante a pesquisa, no site do SNS, fui dar uma página onde falava de cuidados de saúde no estrangeiro e qualquer utente tem direito a cuidados de saúde transfronteiriços”, explicou.

Mariana dirigiu-se, então, à equipa médica que a seguia em Lisboa, na esperança de poder realizar o tratamento em Londres. “A reacção deles foi exactamente o oposto daquilo que eu esperava. O que me disseram foi que se quisesse ir a Londres, tinha de ir por mim própria. ‘Nós somos cirurgiões, nós fazemos o tipo de cirurgia que já te fizemos, não fazemos a cirurgia que esse médico te recomenda’. Disseram que o procedimento que me recomendaram era um procedimento ainda considerado, de certa forma, experimental e que não existia muito conhecimento nem evidências científicas sobre a sua eficácia”, recordou.

A jovem desistiu dessa equipa médica mas não do seu objectivo. Tendo conhecimento de uma equipa médica do Porto que trabalhava com sarcomas, dirigiu-se lá e explicou o seu caso. Sugeriram-lhe um transplante de fígado. “O meu oncologista ficou ainda mais escandalizado. O transplante iria ter um impacto gigante para o resto da minha vida e devia ser a última opção. Eu tinha dois nódulos no fígado e, de acordo com o meu médico, ainda tinha muito fígado saudável”, lembrou, sublinhando que o cancro poderia reincidir no órgão saudável.

“Falei-lhes no direito de receber cuidados de saúde lá fora e o que me disseram foi que Portugal não tem por hábito enviar doentes para o estrangeiro. Era mentira”, disse Mariana.

Dez meses depois, encontrou um médico em Coimbra que, finalmente, a autorizou a ser tratada no exterior. “Nem precisei de falar. Ele próprio – e acho que essa era a abordagem que os outros médicos deviam ter tido - disse que eu tinha um cancro raro, que em Portugal ninguém conhece e que precisava de ser seguida por um especialista”, indicou.

O médico fez o pedido e cerca de duas ou três semanas depois foi aprovado pela Direcção-Geral de Saúde (DGS). Mariana fez o procedimento em Janeiro de 2018, destruindo totalmente um dos nódulos, que não reincidiu, e 60% do segundo. Deverá, entretanto, fazer um novo tratamento para remover o restante.

“Já se tinham passado, entretanto, dez meses desde que tinha descoberto os dois novos tumores. Dez meses em que eu andei a lutar contra os médicos. Foi o que eu senti. Estive a lutar contra a doença e a lutar contra os médicos. Os tumores já tinham o dobro do tamanho”, recordou.

Existem vários enquadramentos para pedir assistência médica no exterior

“Acho que deve haver um maior conhecimento do direito que os doentes têm para receber este tipo de tratamento, quais as diferentes modalidades que existem. Os próprios profissionais de saúde deviam ter um maior conhecimento acerca destes direitos que estão legislados”, sublinhou Mariana.

vários enquadramentos legais para conseguir acesso a cuidados de saúde no estrangeiro. O caso de Mariana entra no disposto pelo decreto-Lei 177/ 92 – a falta de recursos humanos ou técnicos em território nacional. Este decreto permite ao hospital público que segue o paciente autorizar o tratamento fora do país, sendo as despesas totalmente cobertas pelo SNS (viagem, alojamento, tratamentos, acompanhante e até tradutor, se necessário). Para isso, é necessário o relatório assinado pelo médico assistente, que depois é validado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e autorizado pelo director-geral.

Porém, há outras formas de conseguir tratamento no estrangeiro. A Lei 52/2014 permite a doentes do SNS pedir tratamento em qualquer país da União Europeia, caso o Estado não os providencie em tempo útil. Neste caso, o Estado cobre os custos do tratamento mas apenas tendo como referência o seu custo em Portugal, ou seja, o doente assume a diferença se o tratamento for mais caro no exterior. O Regulamento Comunitário 883/2004, por outro lado, permite ao doente pedir assistência médica lá fora – desde que não exista em Portugal - sem recorrer ao SNS. Se autorizado, o Estado paga apenas os tratamentos.

O testemunho de Mariana no Parlamento Europeu, através da Acreditar e da fundação Youth Cancer Europe (YCE), que luta pelos direitos de crianças e jovens com diagnóstico de cancro na Europa, servirá para chamar a atenção para estas possibilidades, algo que descreve muito positivo dentro do SNS mas que ainda está toldado pelo desconhecimento.

“Foi preciso muito tempo e muita persistência para conseguir obter alguma ajuda. Estavam sempre a fechar portas e a colocar entraves. Eu lembro-me que, na altura, quando o médico em Lisboa me disse que não me fazia o pedido porque não tinha conhecimento sobre este tipo de procedimento, eu saí do consultório a chorar e não era por mim. Era pela quantidade de pessoas que vêm parar às mãos destes médicos e que não têm nem informação nem dinheiro”, reflectiu a jovem.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 6 de Novembro de 2019.

Ordem dos Médicos cria figura do Provedor do Doente

Ordem dos Médicos cria figura do Provedor do Doente - 

A Ordem dos Médicos decidiu criar a figura do Provedor do Doente e incluir um magistrado no Conselho Superior, órgão que tem tutela parcial dos conselhos disciplinares, que avaliam processos e queixas sobre médicos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, que esteve reunido em plenário na terça-feira. O Conselho Nacional junta, nomeadamente, o bastonário e os presidentes dos conselhos regionais.

Segundo uma nota enviada à agência Lusa, nessa reunião foi ainda aprovado "o plano urgente de apoio à recuperação de processos pendentes" no Conselho Disciplinar Regional do Sul, organismo da Ordem que tem em análise os processos em relação ao obstetra Artur Carvalho, que realizou as ecografias à mãe do bebé que nasceu no mês passado com malformações graves em Setúbal.

"Por proposta do bastonário, o Conselho Nacional decidiu também dar luz verde à proposta de criação da figura do Provedor do Doente e à proposta de inclusão de um provedor (magistrado) na composição do Conselho Superior", refere a nota enviada à Lusa.

O Conselho Superior da Ordem é o organismo que tem tutela parcial em relação aos três conselhos disciplinares (Norte, Centro e Sul).

A criação do Provedor do Doente e a inclusão de um magistrado na composição do Conselho Superior são propostas que ainda têm de ser levadas à aprovação da Assembleia de Representantes da Ordem. Se vierem a ser aprovadas, terá de ser alterado ainda o Estatuto da Ordem dos Médicos, que é uma lei da Assembleia da República.

A figura do Provedor do Doente já tinha sido defendida pelo bastonário Miguel Guimarães, que advogava uma "figura independente" para ajudar a melhorar o acesso aos cuidados de saúde.

A criação do Provedor do Doente ganha agora um novo relevo, depois do caso do bebé que nasceu com malformações graves não identificadas ou sinalizadas pelo médico Artur Carvalho.

Há várias queixas contra este médico na Ordem, algumas há seis anos, mas os processos estiveram parados no Conselho Disciplinar da Região Sul.

Na reunião de terça-feira, o Conselho Nacional da Ordem aprovou ainda um "plano urgente" para recuperar os processos pendentes no Conselho Disciplinar do Sul.

Esse plano passa pelo reforço do apoio jurídico e de secretariado do conselho disciplinar e envolve ainda procedimentos que permitam melhorar a capacidade de resposta, priorizando os processos mais prementes.

A recuperação de processos pendentes deverá ser monitorizada, de forma regular, através do Conselho Superior da Ordem e através do próprio Conselho Nacional, mas "dentro dos limites e respeito pela separação de poderes existente". Isto porque os conselhos disciplinares da Ordem têm autonomia estatutária, nomeadamente em relação ao bastonário.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 6 de Novembro de 2019.

Bactéria E. coli detectada em suplemento alimentar à venda em farmácias

Bactéria E. coli detectada em suplemento alimentar à venda em farmácias - 

A bactéria 'E. coli' foi detectada num suplemento alimentar à venda nas farmácias como produto à base de canábis com propriedades terapêuticas, anunciou hoje o Observatório Português de Canábis Medicinal (OPCM).

No âmbito de um protocolo assinado com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o OPCM mandou analisar o óleo que está no interior das cápsulas do suplemento alimentar "Cannabis", disse à agência Lusa a presidente do observatório, Carla Dias.

Na análise de controlo microbiológico, a que a agência Lusa teve acesso, o Laboratório de Controlo Microbiológico da Faculdade de Farmácia afirma que foi detectada neste produto a presença da 'Escherichia coli' ('E. coli'), uma bactéria que pode causar infecções intestinais e infecções urinárias.

Além da 'E. coli' foi detectada uma bactéria cutânea, disse Carla Dias, defendendo que as autoridades têm de tomar medidas "porque se trata de uma questão de saúde pública".

Por outro lado, frisou, "este produto está à venda nas farmácias como um produto à base de canábis e com propriedades terapêuticas" e não tem, disse Carla Dias, afirmando não compreender como o produto foi autorizado como suplemento alimentar pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Para a responsável, "trata-se de publicidade enganosa: as pessoas estão a pagar 40 euros por cápsulas que dizem ter canabidiol, não tendo. Isso é muito grave. Nós já denunciámos ao Infarmed, à ASAE, à DGAV e ninguém nos ouve", lamentou a presidente do observatório.

Carla Dias adiantou que estes produtos estão a ser comercializados numa altura em que os consumidores deixaram de ter acesso aos produtos à base de óleos de canabidiol que foram retirados do mercado porque, com a nova lei da canábis medicinal, passaram a ser considerados medicamentos e a necessitarem de uma autorização de colocação no mercado pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

"Algumas empresas estão a aproveitar-se [desta situação] e estão a vender gato por lebre. Não é canábis, não tem propriedades terapêuticas e é vendido como tal nas farmácias e em ervanárias", vincou.

A presidente do OPMC avançou à Lusa que, no âmbito do protocolo com a Faculdade de Farmácia e com outras entidades, vai mandar analisar os óleos mais utilizados pelos utentes e pacientes portugueses em termos microbiológicos.

O OPMC vai também analisar o perfil dos canabinóides, para perceber se tem CBD e tetrahidrocanabinol, que a marca afirma que contém, e toxicidade do produto (contaminantes, pesticidas).

No final, o observatório vai publicar um relatório final com a avaliação de todos os produtos para as pessoas que compram os produtos pela internet tenham alguma segurança nos produtos que estão a adquirir.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 5 de Novembro de 2019.