Avança inquérito inédito para identificar lacunas nos cuidados a doentes de cancro hereditário

Avança inquérito inédito para identificar lacunas nos cuidados a doentes de cancro hereditário - 

Até Novembro será possível ter uma ideia mais próxima dos principais obstáculos encontrados pelos doentes com cancro hereditário e pelos familiares de quem já passou pela dura experiência de descobrir que carrega nos genes a possibilidade de desenvolver uma doença oncológica.

Um inquérito disponível para todas as pessoas que já tiveram contacto com a realidade do cancro hereditário, sejam doentes ou familiares já foi lançado. A associação Evita - Cancro Hereditário, em colaboração coma consultora IQVIA, está a desenvolver um inquérito inédito em Portugal dirigido a doentes oncológicos e a portadores da mutação, mesmo que saudáveis, com o objectivo de apurar quais as principais dificuldades sentidas antes e mesmo após a realização do teste genético ou mesmo do diagnóstico.

"Não sabemos nada sobre a realidade do cancro hereditário em Portugal e actualmente o teste para verificar se uma pessoa é portadora da mutação genética que predispõe ao desenvolvimento do cancro pode ser feito de variadíssimas formas, inclusive comprando o teste pela internet, com os resultados a serem lidos sem qualquer acompanhamento especializado, o que é altamente desaconselhável", explica Tamara Hussong Milagre, presidente da associação Evita. Ela própria portadora de uma mutação, diz que é grande a falta de preparação, "com pessoas que chegam a interpretar o resultado 'positivo' como algo favorável".

Para aumentar o conhecimento da situação e ter acesso às dificuldades sentidas por quem já se confrontou com o problema do cancro hereditário, o inquérito visa combater a desinformação. Os resultados serão apresentados no fim de Novembro, durante o 16º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Oncologia. "Queremos atingir uma elevada participação, pois é fundamental ter um número representativo de respostas para garantir consequências em prol do portador", afirma a presidente da Evita.

A falta de dados é assim um dos principais problemas para combater em Portugal a única forma de cancro que pode ser evitada preventivamente e que afecta entre 5 a 10% do total de doentes oncológicos. "Não temos informação nacional sobre o cancro hereditário em Portugal, não temos linhas orientadoras e desta forma não podemos elaborar uma estratégia para todo o país", alerta Tamara Hussong Milagre.

No desenvolvimento do inquérito estão envolvidos profissionais de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora, além da consultora, que trabalha em regime de voluntariado, e a associação Evita. "Todos os dias recebemos contactos de pessoas preocupadas com o risco de desenvolver cancro devido à hereditariedade e é importante aumentar o nível de conhecimento", conclui a responsável.

 

Fonte:  Site do Jornal "Expresso" e autor em 5 de Setembro de 2019

Facebook vai dar acesso a informação "credível" sobre vacinas

Facebook vai dar acesso a informação "credível" sobre vacinas - 

O Facebook vai passar a direccionar os utilizadores para informações credíveis sobre vacinação, segundo a Organização Mundial da Saúde, que se congratula com este compromisso para melhorar a informação nas redes sociais.

"O Facebook vai direccionar milhões de utilizadores para informações precisas e de confiança sobre vacinas em diversas línguas, para assegurar que mensagens vitais de saúde chegam às pessoas de que precisam", refere a Organização Mundial da Saúde (OMS) num comunicado hoje divulgado.

A OMS e o Facebook têm estado durante "vários meses" em conversações para garantir o acesso a informação credível sobre vacinas nas redes sociais Facebook e Instagram.

Os dirigentes e peritos da OMS acreditam que o acesso a informação credível sobre vacinação pode reduzir a disseminação de informações erradas e distorcidas.

"A desinformação sobre vacinas é uma grande ameaça à saúde global e pode reverter décadas de progresso feito em doenças evitáveis", recorda a organização das Nações Unidas, exemplificando com casos como o sarampo, a cólera ou mesmo a gripe.

A OMS quer os "actores digitais" a realizar maiores esforços em prol da vacinação, lembrando que a inovação pode dar apoio e impulso a comportamentos mais saudáveis.

A par disto, a OMS exorta os governos dos vários países e o sector da saúde a promoverem a confiança na vacinação.

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 5 de Setembro de 2019

15% das mulheres têm perturbações obsessivo-compulsivas após o parto

15% das mulheres têm perturbações obsessivo-compulsivas após o parto - 

Estas perturbações são “as menos bem diagnosticadas e as que levam mais tempo entre o primeiro sintoma e o pedido de ajuda”, afirma António Ferreira de Macedo.

Um estudo do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra concluiu que 15% das mulheres portuguesas apresentam “pensamentos e comportamentos obsessivo-compulsivos de forma recorrente” após o parto.

O estudo, “Postpartum obsessive-compulsive phenomena: a psychometric and epidemiologic study in a Portuguese sample”, envolveu 212 mulheres, que foram alvo de um questionário seis meses após o nascimento do bebé, apesar de a maioria começar a ter um quadro sintomatológico “logo após o nascimento do bebé ou a partir do terceiro mês de gravidez”.

74,1% das inquiridas registaram pelo menos um pensamento obsessivo-compulsivo, como ter medo de deixar cair o seu bebé. Já 41,5% destas mulheres assumiram verificar repetidamente o bebé enquanto ele está a dormir, ultrapassando assim a barreira dos pensamentos e passando para a obsessão comportamental. Da totalidade da amostra, apenas 24,1% não reportaram qualquer obsessão ou compulsão.

“Estas obsessões ou compulsões não significam, por si só, que as inquiridas sofram de perturbação obsessiva-compulsiva – só 2,4% foram diagnosticadas como tal, o que distingue quem sofre de quem não sofre da doença não é o conteúdo dos pensamentos e comportamentos, mas sim o seu carácter repetitivo, intrusivo e perturbador da vida quotidiana“, esclarecem os investigadores.

As Perturbações Obsessivo-compulsivas (POC) derivam não apenas das alterações hormonais a que as mulheres estão sujeitas durante o período de gestação e no pós-parto, mas também das alterações psicossociais “vindas do grande acréscimo de responsabilidade, muito exacerbado quando a mulher engravida e principalmente quando nasce o bebé”, conforme declara Ana Telma Parreira ao Observador.

Por isso mesmo, Ana Telma Pereira, investigadora do Instituto de Psicologia Médica e principal autora do estudo, sublinha a importância de “avaliar e detectar o mais atempadamente possível a presença de sintomas e os factores de risco em várias esferas da perturbação psicológica perinatal (como Perturbação Obsessivo-Compulsiva, depressão e ansiedade), até porque as consequências negativas não são apenas para a mulher, mas também para a descendência, podendo afectar o desenvolvimento dos filhos”.

Segundo a agência Lusa, o trabalho conduzido pela equipa do Instituto de Psicologia Médica foi pioneiro na aplicação de uma versão portuguesa da Perinatal Obsessive-Compulsive Scale, o único instrumento utilizado a nível internacional para avaliar os sintomas da POC.

O director do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da UC e coautor da investigação, António Ferreira de Macedo, afirma que o novo instrumento de avaliação “assume particular importância tendo em conta que, entre as doenças mentais comuns (como ansiedade, depressão e fobias), “a POC é a menos bem diagnosticada e a que leva mais tempo entre o primeiro sintoma e o pedido de ajuda“.

Os investigadores estão a desenvolver um novo ensaio clínico que, coordenado pela supervisora clínica do projecto Mariana Marques, testa a eficácia de um programa de intervenção em grupo, baseado em terapias cognitivo-comportamentais, que envolvem exercícios de mindfullness e auto-compaixão.

No futuro, os cientistas têm como meta incluir também os pais, porque, como refere Ana Telma Pereira: “É errado ficar com a ideia de que isto são coisas só das mulheres”.

O estudo decorreu no âmbito do projecto “Screening, prevention and early intervention in perinatal psychological distress – effectiveness of a new program in primary healthcare“, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

 

Fonte:  Site "saudeonline.pt" e autor em 5 de Setembro de 2019.

Infarmed. Consumo de analgésicos opioides aumentou 141% em oito anos

Infarmed. Consumo de analgésicos opioides aumentou 141% em oito anos - 

No ano passado, os portugueses consumiram 3,685 milhões de embalagens de analgésicos à base de ópio, enquanto em 2010 foram apenas consumidas 1,532 milhões

Nos últimos oito anos, o consumo de analgésicos à base de ópio em Portugal teve um aumento de 141%. No ano passado, os portugueses consumiram 3,685 milhões de embalagens, enquanto em 2010 foram apenas consumidas 1,532 milhões, de acordo com dados cedidos pelo Infarmed, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, à “TSF”, esta quarta-feira.

Em 2018, deu-se um aumento de 7,4%, foram consumidas mais 255 mil embalagens do que em 2017. O aumento no consumo de analgésicos opioides em Portugal tem sido progressivo e gerado preocupação dentro do Infarmed.

Fonte da entidade disse à rádio que o Infarmed está a trabalhar em conjunto com a Direcção-Geral de Saúde (DGS) para avaliar esta mudança.

Conforme lembra a “TSF”, no início de 2017, o Infarmed já havia alertado para um enorme aumento do consumo de opiáceos, com o presidente à época, Henrique Luz Rodrigues, a dizer que se tratava de algo “preocupante”.

Henrique Luz Rodrigues afirmou então que Portugal devia “aprender com os erros dos outros”, lembrando a epidemia de overdoses, associada a estes medicamentos, nos Estados Unidos da América.

 

Fonte:  Site do Jornal "Expresso" e autor em 4 de Setembro de 2019

Projetos sobre notícias falsas e sobre cancro recebem bolsas europeias

Projectos sobre notícias falsas e sobre cancro recebem bolsas europeias - 

Dois cientistas portugueses receberam quase três milhões de euros em financiamento europeu para projectos que usam a nanotecnologia para mapear tumores e tratam as notícias falsas como um vírus para entender melhor o comportamento humano.

O Conselho Europeu de Investigação atribuiu 1,4 milhões de euros a João Conde, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, e 1,5 milhões de euros a Joana Gonçalves de Sá, da Nova School of Business and Economics.

Em declarações à Lusa, João Conde afirmou que o seu projecto se concentra no cancro da mama e usa nanomateriais para chegar ao interior das células dos tumores cancerígenos, que são diferentes entre si, para os identificar através de um "código de barras" que permita um tratamento mais eficaz.

Todos os cancros começam com uma célula "que enlouquece" e começa a multiplicar-se, agregando em torno de si células de tipos diferentes: umas tumorais, outras normais e células do sistema imunitário, que compõem a massa dos tumores e influenciam a maneira como reage a terapias.

Há 10 anos que João Conde usa nanotecnologia aplicada ao cancro, com "partículas de materiais vectores" usados para alterar geneticamente as células tumorais ou aplicar drogas.

Mas o novo uso que pretende dar a essa tecnologia é chegar dentro de cada célula de um tumor para as identificar através de cores, criando um "código de barras" que permita identificá-lo e determinar que tratamento será mais eficaz.

A nanotecnologia permite também, através do uso de dois compostos líquidos que, juntos, se transformam num gel, criar "circuitos genéticos" que alteram a expressão dos genes das células do tumor, aumentando, por exemplo, a expressão dos que estão diminuídos e "ver onde é precisa correcção maior".

Num projecto de cinco anos vai começar-se por usar ratinhos e depois amostras de tecidos de pacientes humanos.

"É um projecto muito complexo, de alto risco, mas de alto ganho", indicou.

Para Joana Gonçalves de Sá, trata-se de aplicar princípios da epidemiologia às notícias falsas, tratando-as como um vírus que se espalha na era das redes sociais.

Assim, há três factores essenciais para perceber a sua disseminação: a sua "infecciosidade, o ambiente e a susceptibilidade dos indivíduos".

Até agora, a perspectiva no combate ao fenómeno das notícias falsas nas redes sociais tem sido "pragmática", atribuindo às plataformas como o Facebook e o Twitter a responsabilidade de resolver o problema.

Mas a investigadora salienta que "são as pessoas as principais responsáveis por espalhar notícias falsas" e que "quanto mais chocante e surpreendente o título", maior probabilidade tem de ser partilhado.

No projecto financiado pelos fundos europeus, vai usar-se dados do Twitter e métodos clássicos de investigação em ciências sociais, como entrevistas, usando as redes sociais como "um macroscópio.

O intuito não é criar nenhuma ferramenta para combater 'fake news', mas chegar a um "conhecimento fundamental e compreender melhor o comportamento humano".

Os algoritmos das redes sociais, que escolhem para os utilizadores notícias relacionadas com os seus gostos e preferências, estão a amplificar desvios cognitivos dos humanos, como a tendência de partir de uma opinião e procurar a sua confirmação.

Outro viés cognitivo, conhecido como efeito Dunning-Kruger, faz com que se tenha mais confiança no que se sabe do que conhecimento, o que também se manifesta na disseminação de notícias falsas, como se os humanos não tivessem evoluído para "parar e pensar" perante um título chamativo para determinar se é verdade ou não.

Joana Gonçalves de Sá salientou que o projecto tem implicações éticas, uma vez que se pretende chegar a um conhecimento profundo sobre os utilizadores das redes sociais, que "não pode cair nas mãos erradas".

 

Fonte:  Site "noticiasaominuto.com" e autor em 3 de Setembro de 2019

Primeiro medicamento à base de cannabis já está à venda nas farmácias

Primeiro medicamento à base de cannabis já está à venda nas farmácias - 

Doentes adultos com esclerose múltipla podem ter acesso a medicamento. O preço por embalagem ronda os 300 euros, já com comparticipação.

O primeiro medicamento à base de cannabis já está disponível nas farmácias de rua. O Sativex está aprovado para o alívio da espasticidade (aumento involuntário da contracção muscular) moderada a grave associada à esclerose múltipla e o preço final por embalagem rondará os 300 euros para o doente — valor que contempla já uma comparticipação de 37%, segundo adiantou ao PÚBLICO o Infarmed.

Incluído no grupo farmacoterapêutico dos analgésicos e antipiréticos, o Sativex contém os dois princípios activos da cannabis (o THC e o CBD) e é administrado na forma de spray oral.

O medicamento já dispunha de autorização de introdução no mercado português desde 2012, mas nunca tinha chegado a ser comercializado, podendo apenas ser pedido por via de uma autorização especial. E, entre 2016 e 2017, o Centro Hospitalar de Lisboa Central, por exemplo, tinha dispensado 21 unidades daquele medicamento.

A espasticidade, caracterizada pela contracção muscular involuntária nos membros e tronco é uma das causas de incapacidade dos doentes com esclerose múltipla e pode ser muito dolorosa e interferir nas mais simples actividades diárias dos doentes. O objectivo do Sativex é ajudar a assegurar uma vida normal aos doentes que não sentiram um alívio dos sintomas com as alternativas de tratamento existentes.

A farmacêutica Almirall, responsável pela comercialização deste medicamento, sustenta em comunicado que o Sativex foi aprovado em 20 países e, actualmente, está a ser comercializado e comparticipado em nove países da Europa, incluindo Alemanha, Espanha e Itália.

 

Fonte:  Site do Jornal "Público" e autor em 3 de Setembro de 2019