Apifarma não renova acordo com tutela se despesa com medicamentos se mantiver em 1% do PIB

O presidente da Apifarma afirmou hoje que não assinará o acordo com o Ministério da Saúde para 2013 se forem mantidas as metas «irrealistas» e inferiores à média europeia de manter a despesa com medicamentos em 1% do PIB.

Num encontro com jornalistas, Almeida Lopes lembrou que a industria reduziu 600 milhões de euros entre 2011 e 2012 (300 milhões em cada ano), tendo de atingir no final de 2012 em despesa pública com medicamentos 1,22% do PIB, quer em ambulatório quer em meio hospitalar.

«Claramente estamos abaixo de todas as médias europeias e muito para lá dos objetivos iniciais da própria troika», afirmou o presidente da Apifarma, acrescentando que esta é uma opção do Governo.

Para Almeida Lopes, as metas de 1% do PIB «não são exequíveis» e constituem «um disparate sem paralelo em país nenhum».

A título de exemplo cita o caso da Grécia, um país com a mesma população e o dobro do consumo de medicamentos e cujo objetivo é de apenas 1% em ambulatório em 2014.

A opção para Portugal coloca o país «em comparação com alguns antigos países de leste» e vai criar uma situação «insustentável» para os doentes (com o desaparecimento de medicamentos do mercado), além da destruição de toda a cadeia de valor do medicamento.

Assegurando que não será possível atingir os números propostos pelo Governo, Almeida Lopes disse que a industria vai continuar a negociar com a tutela, mas avançou que não assinará o acordo de redução de despesa com medicamentos para o próximo ano se as metas não forem alteradas.

«O que a Apifarma pode fazer é não continuar o acordo para 2013», caso o cenário se mantenha inalterado, disse.

Fontes: "Netfarma" e autor em 08 de Novembro de 2012