APOGEN: Descida do preço dos medicamentos pode «matar» genéricos

«A nossa apreensão é que a mecânica que está criada faça descer tanto os preços que acabe por matar os medicamentos genéricos», disse à “Renascença” o presidente da APOGEN.

A Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos (APOGEN) não tem dúvidas de que as regras que ontem entraram em vigor para os medicamentos vão resultar na redução generalizada dos preços, mas teme as consequências para os genéricos.

«Em princípio, o que irá acontecer é uma redução generalizada do preço dos medicamentos e também uma redução do preço dos genéricos, que nalguns casos, será muito significativa. No geral, acreditamos que o facto do preço dos genéricos ser acessível é um aspecto positivo, quer para o Estado quer para a população, mas temos algum medo de que se esteja a reduzir demasiado o preço e que isso acabe por levar à retirada de muitos medicamentos do mercado, por impossibilidade total de comercialização», afirmou à “Renascença” o presidente da APOGEN, Paulo Lilaia.

As regras que entraram em vigor determinam novos mecanismos para a formação de preços e ainda que os novos genéricos têm de ser 50% mais baratos que o preço de referência.

Paulo Lilaia lembra que há fármacos cujo preço já baixou de modo significativo: «O omeprazol e sinvastatina, para o tratamento das úlceras e do colesterol, cujo preço, em pouco mais de um ano desceu em cerca de 80%».

«A nossa apreensão é que a mecânica que está criada faça descer tanto os preços que acabe por matar os medicamentos genéricos e, se isso acontecer, vem a parte negativa, que é a transferência da prescrição para medicamentos de preço muito mais elevado, muitas vezes sem vantagens em termos de eficácia e segurança», sublinhou.

Fontes: Jornal "Netfarma" e autor em 06 de Janeiro de 2012