370 mil doentes pararam tratamento por falta de medicamentos

370 mil doentes pararam tratamento por falta de medicamentos:

 

Nos últimos 12 meses, 3,4 milhões de utentes não conseguiram comprar todos os fármacos prescritos por falhas no fornecimento, obrigando quase metade a recorrer ao médico e mais de 300 mil a ter mesmo de suspender o tratamento, diz a Associação Nacional das Farmácias.

O diagnóstico não é bom e é feito pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR): 370 mil doentes em Portugal (5,72% dos utentes das farmácias) foram obrigados a suspender o tratamento por falta de medicamentos no mercado. Em causa estão problemas de indisponibilidade de fármacos registados nos últimos 12 meses com origem laboratórios que muitas vezes preferem vender para países onde os preços são mais elevados, armazenistas e distribuidores ou até das próprias farmácias que para reduzirem os encargos, reduzem igualmente os stocks.

No total, 3,4 milhões de utentes - mais de metade da população que recorreu às farmácias comunitárias - não conseguiram em algum momento comprar todos os medicamentos prescritos. A ausência de stock implicou que um em cada cinco doentes (1,4 milhões) tenha tido de recorrer a consulta com o médico para alterar o tratamento.

 

3H25 À PROCURA DE REMÉDIOS:

Na maioria dos casos (55%) não foi confirmada a disponibilidade dos fármacos para entrega posterior ao doente. Só em 13,5% das situações foi possível garantir o medicamento em menos de 12 horas. Em média, cada doente precisou de três horas e 25 minutos, e quase três idas a uma farmácia, a tentar aviar a receita completa.

Segundo o estudo do laboratório CEFAR, da Associação Nacional das Farmácias, o recurso às consultas suplementares para alterar a prescrição gerou custos mais elevados para o sistema de saúde e para a população. Os cálculos feitos indicam encargos de 35,3 a 43,8 milhões de euros para o sistema e de 2,1 a 4,4 milhões de euros para os doentes.

E as farmácias comunitárias também foram prejudicadas pelas falhas de abastecimento. Um estabelecimento de média dimensão terá sofrido um impacto direto de cerca de 2.500 euros por semana, ou seja, de dez mil euros a cada mês.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 30 de Junho de 2019.