Gripe. Epidemia moderada já causa dificuldades nos hospitais

Gripe. Epidemia moderada já causa dificuldades nos hospitais - 

Nos últimos dias, Santa Maria e São José tiveram de acionar plano de contingência para abrir mais camas para internamento. DGS fala em "pressão", mas diz que há capacidade de resposta.

Portugal está numa situação de epidemia de gripe, ainda leve a moderada, mas alguns dos principais hospitais do país, como Santa Maria e São José, já tiveram de ativar o plano de contingência interno e abrir mais camas para internamentos. O Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que integra os hospitais Pulido Valente e Santa Maria, acionou este plano para fazer face ao aumento médio de cem doentes por dia, em comparação com igual período do ano passado, abrindo 40 camas para internamento. O pico da epidemia deverá ser atingido nos próximos dias.

"Nas últimas 24 horas registaram-se cerca de 900 episódios de urgência nos serviços de urgência do CHLN", disse ontem a administração do centro, num comunicado emitido ao final da tarde. Números a que corresponde também um aumento dos internamentos, que nos últimos dois dias "passou de 10,6% para 12,2%, em linha com o crescimento da complexidade dos doentes" e das situações de doenças múltiplas "próprias da sua elevada faixa etária", referiu ainda o CHLN, adiantando que foram confirmados 68 casos de gripe, 44 dos quais resultaram em internamento. O comunicado acrescenta que a situação "tem exigido bastante dos profissionais", que "têm correspondido em pleno".

No CHLC, que agrupa os hospitais São José, Curry Cabral, Capuchos, o pediátrico Dona Estefânia e a Maternidade Alfredo da Costa, "na noite de dia 2 para 3 foi necessário ativar o plano de contingência Interno", abrindo 16 camas extra de apoio à urgência que, entretanto, "já foram encerradas". O gabinete de comunicação deste centro hospitalar explicou ao DN que a afluência às unidades de urgência (geral polivalente, pediátrica e ginecológica/obstétrica) "registou nos últimos dias um pico, que tem vindo a diminuir". As principais razões para esta afluência, na urgência polivalente, são "episódios agudos de doenças crónicas, doenças cardiorrespiratórias e alguns casos (poucos) de gripe", referiram. O Amadora-Sintra registava ontem, até às quatro da tarde, a entrada de 248 doentes para atendimento nas urgências, um número substancialmente inferior ao do dia anterior, que no mesmo período temporal registou 483 utentes. De acordo com o gabinete de comunicação desta unidade, os tempos de espera "não estão fora do normal". Nos centros hospitalares Universitário de Coimbra e de São João, no Porto, a situação foi descrita como tranquila, com as urgências a funcionarem dentro da normalidade.

Epidemia leve a moderada. Por agora

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu ontem que os últimos dias têm sido "de pressão nos serviços", e que há hospitais a suspender as cirurgias programadas, rejeitando, no entanto, qualquer disfunção no atendimento aos doentes. O mesmo foi sublinhado por Ricardo Mestre, da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que considerou que os hospitais têm respondido de forma adequada ao "aumento da procura dos serviços de urgência". O responsável da ACSS admitiu que "episodicamente" haverá hospitais "com um tempo ou outro de resposta acima do normal", mas, em geral, as urgências têm respondido dentro do tempo "clinicamente aceitável". Graça Freitas adiantou que Portugal está nesta altura em epidemia de gripe, moderada (no Norte do país) a leve (no Centro e Sul). Até agora foram internados nos cuidados intensivos 15 doentes, oito na última semana, todos idosos com múltiplas doenças. O vírus dominante é do tipo B, o que a responsável da DGS qualificou como "uma boa notícia", dado que a intensidade é habitualmente menor do que nos vírus de tipo A.

 

Um problema que "se perpetua"

Ontem, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul veio defender em comunicado que a "urgência hospitalar não pode depender do improviso e da sorte". "A recorrente rutura dos serviços de urgência hospitalar é uma consequência da falta de pessoal, da falta de vagas nas unidades de cuidados intensivos e nas enfermarias e do corte dos meios de tratamento de situações de urgência e mesmo de emergência", acusa o sindicato, sublinhando que esta é uma questão que se "perpetua ao longo dos anos". "Onde anda a comissão de reforma hospitalar", questiona ainda, afirmando que esta "não tem qualquer capacidade para continuar" e apelando ao ministro da Saúde para que acabe com esta comissão.ar.

 

 Fonte:  Site do Jornal "Diário de notícias" e autor em 05 de Janeiro de 2018