Cinco Milhões de medicamentos são vendidos fora das Farmácias

Em 2009, venderam-se 5,1 milhões de embalagens de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias, o que representa 23,2 milhões de euros. Face ao ano anterior, houve um aumento de 24,3% nas embalagens e 28,1% no valor. Os dados do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) revelam que este segmento já representava, no final do ano, 11% do total da quota do mercado dos medicamentos adquiridos sem receita.

A venda deste tipo de medicamentos fora das farmácias foi aprovada no primeiro Conselho de Ministros do primeiro Governo de José Sócrates em 2005. E suscitou fortes críticas por parte da Associação Nacional das Farmácias (ANF), que até então detinha o monopólio da venda de todos os remédios. A medida acabou por ser aplicada no terreno só no final desse ano, em Novembro.

Em 2006 foram vendidas 864.525 embalagens, traduzindo-se em 3,8 milhões de euros. A quota de mercado deste segmento tem vindo sempre a subir desde então. No entanto, a quota global do mercado dos medicamentos não sujeitos a receita médica continua a representar apenas 16% (em volume) e 6% (em valor) do mercado total de ambulatório, o qual movimentou 40,5 milhões de embalagens no valor de 210,6 milhões de euros.

Os dados do Infarmed revelam ainda que os medicamentos mais vendidos são os analgésicos e antipiréticos, com um total de 1,2 milhões de embalagens, no montante de 2,9 milhões de euros, ou seja, quase um quarto do total das vendas e 12,7% em valor. A seguir surgem os modificadores da motilidade intestinal, com 620.592 embalagens no valor de 2,6 milhões de euros e uma quota de mercado de, respectivamente, 12,1% e 11,5%.

Entre as 462 entidades autorizadas a comercializar este tipo de medicamentos, a PHARMACONTINENTE - Saúde e Higiene, SA, foi a que mais embalagens vendeu, com um total de 1,1 milhões, no valor de 4,9 milhões de euros, representando uma quota de mercado de, respectivamente, 21,6 e 21,3 por cento. A seguir surge a Modelo Continente Hipermercados, SA, com uma quota de mercado de quase 19 por cento quer em embalagens vendidas quer em valor. O terceiro lugar é ocupado pela Pingo Doce Distribuição Alimentar, SA, com uma quota de 13,7 por cento, e pela Companhia Portuguesa de Hipermercados, SA, em termos de valor, com uma quota de 12,1 por.

A análise por regiões permite concluir que foi no distrito de Lisboa que se venderam mais medicamentos sem receita fora das farmácias, com um total de 1,4 milhões de embalagens no valor de 6,5 milhões de euros. A seguir foi no Porto (755.567 embalagens/3,3 milhões de euros) e em Setúbal (619.594 embalagens/2,8 milhões euros).

Fonte: Jornal "Público" de 14-03-2010 e autor