Duas em cada três mortes abaixo dos 75 eram evitáveis

Duas em cada três mortes abaixo dos 75 eram evitáveis - 

Doenças cardiovasculares e cancro do pulmão respondem por um terço da mortalidade prematura. Médicos apontam o dedo aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo.

Duas em cada três mortes de pessoas com menos de 75 anos, registadas em Portugal, em 2016, podiam ter sido evitadas. São 22 138 óbitos, representando 67,6% de todas as mortes naquela categoria etária, de acordo com dados divulgados quinta-feira pelo gabinete de estatísticas europeu. As doenças cardiovasculares e o cancro do pulmão respondem por um terço dessa mortalidade prematura.

A opinião na comunidade médica é consensual. Maus hábitos alimentares e sedentarismo estão entre as principais causas, com a obesidade e a diabetes a pesarem, negativamente, nas estatísticas.

De referir, ainda, que os dados apurados para Portugal estão em linha com a média da União Europeia a 28 - 68%, num total de 1,2 milhões de mortes evitáveis.

Ao JN, o cardiologista Hélder Pereira explica que "as doenças cardiovasculares continuam a estar no topo, apesar da tendência de descida, enquanto o cancro tem vindo a aumentar", isto falando dos países ocidentais.

Para tal tem contribuído, sobretudo, os avanços na área do tratamento. "Há um novo fármaco para a diabetes com um impacto muito importante na insuficiência cardíaca, pelo que a tendência é de diminuição na população ocidental", frisa o também director do serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Prevenção desde a escola

Contudo, do lado da prevenção "há muito a fazer, com a obesidade e a diabetes a aumentar", adianta Hélder Pereira, nomeadamente no que diz respeito a um estilo de vida saudável, que pressupõe exercício e bons hábitos alimentares. Corroborado pelo oncologista António Araújo, para quem a prevenção deve começar logo no 1.º Ciclo.

Segundo o director do serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto, "é importantíssimo investir na educação da população de forma a que adquira hábitos de vidas saudáveis, provado que está que a dieta mediterrânica é excelente para se manter saudável".

A que se soma, adianta António Araújo, "o exercício físico, o evitar fumar e consumir álcool em quantidades exageradas".

Quanto aos números do Eurostat não se mostra surpreendido. "Estão em linha com o que é esperado porque nos países desenvolvidos, fruto da má alimentação e do sedentarismo, as doenças cardiovasculares têm sido predominantes, logo a seguir ao cancro do pulmão". Obrigando a "focar, sobretudo, na área da prevenção".

Preveníveis e tratáveis

O Eurostat avança, aliás, para uma análise mais fina, apurando, desse total de mortes, quantas poderiam ter sido "preveníveis" (através de intervenções eficazes no domínio da saúde pública e da prevenção primária) e "tratáveis" (com abordagens atempadas e eficazes em matéria de cuidados de saúde).

E dos mais de 22 mil óbitos evitáveis no nosso país, 61,4% teriam sido por via da prevenção e o remanescente por via do tratamento.

De referir, ainda, que as taxas de mortalidade "preveníveis" eram mais elevadas nos homens. No caso das mulheres, a principal causa de morte de doença "tratável" era o cancro da mama, respondendo por mais de um quarto.

 

Fonte:  Site do "Jornal de Notícias" e autor em 6 de Agosto de 2019