Cancro faz subir a fatura dos hospitais públicos com medicamentos

Cancro faz subir a fatura dos hospitais públicos com medicamentos - 

 

Doenças órfãs já representam 13,1% do total da despesa do Serviço Nacional de Saúde com fármacos em meio hospitalar, que de janeiro a outubro ascendeu a 1117 milhões de euros. Já o VIH custa menos ao Estado.

A despesa com medicamentos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ascendeu a 1117 milhões de euros, em outubro, mais 1,4% face ao período homólogo de 2018, o que corresponde a um incremento de 15,8 milhões de euros, segundo dados do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamentos e Produtos de Saúde.

As terapêuticas para tratar casos de cancro justificam praticamente todo o aumento das faturas das unidades hospitalares públicas com fármacos, respondendo por um encargo de 332,9 milhões de euros, mais 13,1% face a outubro do ano passado, o que corresponde a um extra de 38,5 milhões de euros.

De seguida, as patologias que mais contribuíram para a subida da despesa com medicamentos em meio hospitalar foram as doenças lisossomais (grupo de doenças hereditárias do metabolismo), numa fatura global de 45,3 milhões de euros, mais 22,7% (8,4 milhões de euros), e a amiloidose (grupo de doenças que têm em comum o depósito extra-celular de proteínas do tipo amiloide comprometendo tecidos e órgãos), que custou 20,6 milhões de euros, mais 62,6% (7,9 milhões de euros).

Especificamente no caso dos medicamentos órfãos, note-se que já representam 13,1% do total da despesa, o que correspondeu de janeiro a outubro a 147 milhões de euros, mais 31,5% (35,1 milhões de euros). Neste grupo de drogas há ainda que registar o aumento da despesa com medicamentos órfãos na área de oncologia em mais 20%, o que corresponde a 13,9 milhões de euros.

Já os gastos com o tratamento do VIH diminuíram 13,1% (menos 23,3 milhões de euros) para 153,6 milhões de euros.

A região Norte foi onde se registou o maior aumento da despesa, com mais 19,2 milhões de euros, num total de 381,4 milhões de euros, seguida da região Centro, com mais 4,3 milhões de euros, num total de 186,9 milhões de euros.

Já a região de Lisboa e Vale do Tejo que responde pela maior fatia da despesa do SNS com fármacos em meio hospitalar (478,1 milhões de euros) registou uma descida nos encargos de 0,7% (menos 3,3 milhões de euros).

  

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 31 de Dezembro de 2019.