Governo avança com lei para liberalizar margens de lucro da venda de medicamentos

O Estado vai fixar um preço máximo para os medicamentos e o mercado terá de se entender quanto à repartição dos lucros.

A ideia é atribuir aos privados matérias que durante décadas estiveram controladas. Actualmente, os preços, as comparticipações e as margens dependem do Estado, que é quem paga a maior fatia da despesa com os medicamentos. Sempre foi consensual que esta era a forma de evitar distorções no mercado, mas agora quer limitar-se a intervenção do Estado.


Qual a razão da mudança? Ninguém dá a cara para apontar o dedo da influência da ANF nesta proposta saída do gabinete do secretário de Estado do Comércio Fernando Serrasqueiro. É um facto que o presidente da ANF já se mostrou favorável à liberalização das margens de lucro. Com a compra da distribuidora Alliance Healthcare, a ANF passou a controlar cerca de 23% do mercado grossista. As margens liberalizadas vão gerar mais ganhos, não só através do reforço da presença no mercado retalhista mas também com a possível revitalização da central de compras. Estas consequências estão descritas num estudo da consultora AT Kearney, que conclui que a ANF é a mais bem posicionada para beneficiar com um cenário de desregulação.

Fonte: Jornal Expresso de 16 de Maio 2009