Grandes farmacêuticas rendidas aos genéricos

O negócio dos genéricos é tão legítimo quanto o dos medicamentos protegidos por patentes. Além disso, os medicamentos genéricos são apetecíveis em tempo de crise, porque garantem a mesma qualidade e eficácia a preços mais baixos.

São cada vez mais as pessoas que compram genéricos, daí que não seja de estranhar que muitos grupos farmacêuticos já apostem neste mercado, com empresas dedicadas em exclusivo aos genéricos, coabitando de forma tranquila com o segmento de medicamentos de marca, escreve o Diário Económico.

Nestes casos, as questões comerciais ditam muitas vezes as decisões e a produção de genéricos por parte de farmacêuticas inovadoras até se torna mais fácil, pela não necessidade de investimento. Assim, a aposta permitirá aumentar as receitas sem grandes custos. O grupo português Tecnimede, por exemplo, opera no mercado dos genéricos através da Farmoz – que comercializa genéricos com o nome da empresa e produtos de ‘consumer healthcare’ - e da Pentafarma, que comercializa genéricos commarca de fantasia. António Donato, administrador do grupo, diz ao DE que “o volume de negócios da Farmoz cresceu 10%, atingindo os 14 milhões de euros, enquanto a Pentafarma registou vendas no valor de 15 milhões de euros”. O responsável assume que 2012 se perspectiva um ano difícil , sobretudo “se existirem novas descidas de preços, agravadas pela recente legislação de prescrição por DCI”, que , diz, “prejudicam o crescimento dos genéricos”. Mas avança que a empresa “está preparada para o pior cenário”.

Também a Novartis, companhia multinacional presente em 140 países, actua no mercado de genéricos, através da Sandoz, actualmente no quarto lugar do ranking nacional das companhias. Mas a empresa “pretende alcançar o terceiro lugar”, diz ao DE Luís Rocha, director de relações externas e acesso ao medicamento da Novartis que explica que a empresa pretende atingir esse objectivo “não só através da disponibilização de medicamentos genéricos a preços acessíveis, mas também pelo investimento em tecnologias inovadoras ao serviço do desenvolvimento e da produção de medicamentos diferenciados”. A aquisição, em 2009, da EBEWE Pharma, especialista em genéricos injectáveis para a área de oncologia “foi um passo importante nessa direcção”, assume Luis Rocha.

Actualmente são 65 as empresas que actuam no mercado de genéricos em Portugal, entre as que trabalham em exclusivo neste mercado e os grandes grupos que já se renderam a este segmento. A maior empresa farmacêutica portuguesa, a Bial, é a que mais aposta em I&D, mas não deixou de se seduzir pelo mercado de genéricos. O mesmo aconteceu com a AstraZeneca que vê neste segmento, uma oportunidade para expandir o acesso às moléculas, a preços reduzidos, depois do fim das patentes e com a GlaxoSmithKline. O grupo Jaba Recordati, que vende medicamentos para mais de cem países, também actua no mercado de genéricos através da Jaba Genéricos, detendo, actualmente, uma quota de mercado de 1,4%, mas ambicionado atingir os 2,5%, como assume, em delcarações ao DE, Jorge Norte Martins, Generics&Consumer Health Business Director da Jaba Recordati.

Também a gigante Pfizer já se rendeu ao mercado de genéricos, tendo entrando em Portugal com a sua produtora de genéricos indiana Auribindo Portugal, no passado mês de Julho, com uma aposta forte na informação junto da classe médica e na disponibilização de medicamentos a custos reduzidos. Na fase de arranque da actividade comercial em Portugal, o portefólio da Aurobindo inclui dez produtos com 31 formas de apresentação, prevendo-se um ritmo de lançamentos de, pelomenos, um ou dois fármacos porm ês nos próximos dois anos. No mundo, a meta da Pfizer nos genéricos é disputar a liderança do mercado. A farmacêutica tem vindo a alargar o portfólio tendo já mais de cem genéricos disponíveis na América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia.

Outros exemplos são a Bluepharma, que aspira a estar entre as empresas mais representativas do sector dos genéricos, e a Lilly Portugal.

Também a Sanofi percebeu o quanto é apetecível este mercado e resolveu diversificar o negócio, adquirindo empresas fabricantes de genéricos. O portfólio das empresas Zentiva, Medley e Kendrick estão a contribuir para concretizar este objectivo. Esta aposta da Sanofi já tornou a multinacional líder de mercado neste segmento na América Latina e Central e Europa de Leste.

A MSD que sempre revelou relutância em entrar neste mercado, rendeu-se em 2010, a este segmento, através da parceria com a Sun Pharma, que visa desenvolver, fabricar e comercializar novas combinações e formulações de genéricos inovadores de marca nos mercados emergentes.

Fontes: Jornal "Diário EConómico", RCM Pharma e autor em 22 de Fevereiro de 2012