INFARMED cria rede nacional para combater venda pela internet de medicamentos falsificados

O presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) anunciou a criação de uma rede nacional para combater a venda de medicamentos falsos na Internet, um negócio que se estima gerar 50 milhões de euros a nível mundial.

Essa rede nacional, que arrancará ainda este ano, será formada pelo Infarmed, Alfândegas, Polícia Judiciária, tribunais e indústria farmacêutica, avançou Vasco Maria, em conferência de imprensa, em Lisboa.

Para debater este problema, o Infarmed, em colaboração com o Conselho da Europa, está a realizar uma semana de formação sobre contrafacção farmacêutica, que encontra na Internet o seu principal meio de distribuição.

Na conferência de imprensa, em que foi divulgada uma sondagem que indica que seis por cento dos internautas compram remédios on-line, sendo os mais procurados os para emagrecer e anti-depressivos, Vasco Maria alertou que “mais de 50 por cento dos medicamentos vendidos pela Internet são falsos”.

O presidente do Infarmed revelou, também, que 90 por cento dos medicamentos apreendidos em Portugal, numa operação internacional em Novembro de 2009, eram contrafeitos, uma situação confirmada laboratorialmente.

Muitos remédios, cuja embalagem era exactamente igual à original, não tinham a substância activa que reclamavam ou tinham substância tóxicas muito perigosas para a saúde, especificou.

A rede nacional, que vai combater este crime, deverá alertar para estes problemas e identificar e levar a julgamento quem se envolve nestas redes criminosas, sublinhou Vasco Maria.

“Embora já exista uma colaboração excelente entre o Infarmed e as Alfândegas, e a Polícia Judiciária estar cada vez mais envolvida, é importante a criação desta rede”, frisou. Vasco Maria sublinhou que “é um problema global e exige uma resposta global”, alertando que começam a aparecer medicamentos para outras áreas terapêuticas, como oncologia e hipertensão arterial. Aludindo à sondagem divulgada, o presidente do Infarmed afirmou que “existem portugueses a correr sérios riscos de saúde por comprarem medicamentos em sites não autorizados”. A aparente qualidade do “site” não garante a qualidade dos medicamentos, frisou, considerando que é preciso continuar a desenvolver campanhas de informação. “Muitas vezes estes medicamentos não têm a substância activa que deviam ter, ou têm em menor quantidade, o que é grave, e às vezes contêm produtos altamente tóxicos que podem matar”, vincou. O responsável adiantou, no entanto, que não há registos de morte em Portugal, nem evidências de que exista alguma fábrica que produza estes medicamente no País ou na Europa. No entanto, “não podemos excluir essa hipótese com total segurança”, referiu, informando que estes produtos vêm predominantemente da China e da Índia.

Em Novembro passado, o Infarmed confiscou “largas dezenas de milhares de euros em medicamentos”, que eram transportados em encomendas postais que foram apreendidas, no âmbito de uma operação mundial concertada entre 27 países de combate à venda ilegal de fármacos via internet. “É lucro para os contrafactores e prejuízo para as empresas”, rematou Vasco Maria.

Fonte: "Agência Lusa" e autor de 21-01-2010