Famílias gastam mais dinheiro quando Estado investe menos em saúde

Famílias gastam mais dinheiro quando Estado investe menos em saúde -

Países com baixos níveis de gastos públicos na saúde normalmente têm elevados níveis de gastos directos das famílias, o que pode levar a efeitos adversos nos resultados de saúde, refere a Organização Mundial de Saúde.

A relação é directa, aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS) no Relatório Europeu de Saúde 2018, divulgado esta quarta-feira. Nos países em que se investe menos dinheiro público na Saúde, as famílias gastam mais do seu orçamento familiar para assegurar a prestação de cuidados. Portugal investe mais dinheiro público que a média da Região Europa, mas longe da Suécia e Holanda, países onde este investimento é o mais alto da região.

“A evidência mostra uma forte relação entre os gastos públicos em saúde e os gastos directos das famílias [o chamado out-of-pocket]. Países com baixos níveis de gastos públicos na Saúde normalmente têm elevados níveis de gastos directos das famílias, o que, por sua vez, pode levar a dificuldades financeiras para as famílias e efeitos adversos nos resultados de saúde”, refere a OMS.

O relatório acrescenta que existem várias análises internacionais que sugerem que as famílias que gastam menos de 15% do seu orçamento em saúde estão menos sujeitas a experienciar dificuldades e empobrecimento.

Contudo, aponta a OMS, em 2014, “40 países da Região Europa tinham proporções superiores a este limiar crítico, valores semelhantes aos resultados do Relatório de Saúde Europeu de 2015”.

Portugal está próximo da média da Região Europa da OMS. De acordo com o relatório, cujo dados mais recentes que apresenta são de 2014, os gastos das famílias com saúde representavam 26,8%, enquanto que a média estava em 26,6%. Já os gastos públicos eram de 6,2% e 5,7%, respectivamente.

Mas existem grandes diferenças entre os países, como a própria OMS salienta, havendo países em que os gastos das famílias são de 5,2% - caso da Holanda – e noutros em que chega aos 72% (Azerbeijão). Também existem grandes diferenças de investimento em saúde de acordo com o PIB. A Suécia apresenta gastos públicos de 10% enquanto que o Azerbeijão não ia além do 1,2%.

 

Mais esperança de vida

Uma das prioridades para 2020 é reduzir as desigualdades e garantir o acesso universal a cuidados de saúde em toda a Europa. Os gastos de saúde em percentagem do PIB e as despesas da família são por isso um ponto importante para perceber o que há ainda a fazer.

E não é apenas neste ponto que os países têm de continuar a trabalhar, aponta a OMS. Apesar da esperança média de vida à nascença ter aumentado nos últimos cinco anos e ir ao encontro dos objectivos estabelecidos para 2020 – a média da Região Europa passou de 76,7 anos em 2010 para 77,9 anos em 2015 –, ainda existem grandes diferenças entre os países (que pode chegar a 10 anos) e entre géneros. Os últimos dados sobre Portugal são de 2014, com uma esperança média de vida à nascença de 81,4 anos.

Fonte: Site do Jornal "Público" e autor em 12 de Setembro de 2018.