Portugal está entre os países com medicamentos mais baratos

Portugal está entre os países com medicamentos mais baratos - 

 

Estudo de nível mundial coloca Portugal entre as economias com os menores preços para treze substâncias activas, face ao encargo médio. Os EUA lideram com os custos mais elevados.

Portugal é um dos países com os medicamentos mais baratos entre 50 economias analisadas pela tecnológica da área da saúde Medbelle, uma startup baseada em Londres, no Reino Unido, que fez uma comparação dos custos com fármacos a nível mundial – numa lógica de perceber onde é que existem mais restrições no acesso a cuidados de saúde, já que o preço dos remédios é uma importante barreira.

Foram comparados os preços de treze moléculas, entre os remédios que são mais utilizados no mundo, e os países foram classificados num ranking em função do desvio em relação ao preço médio apurado para estas drogas. Face ao custo padrão, em Portugal este pacote de treze fármacos custa menos 15,76%, o que nos coloca na 33ª posição da lista.

Os remédios analisados são usados numa variedade ampla de doenças mais comuns e vão desde os problemas cardíacos à asma, passando pela ansiedade e disfunção eréctil. Além de ter contabilizado os preços de marca e dos genéricos correspondentes, a Medbelle normalizou as dosagens para tornar os preços comparáveis. “O fruto da nossa investigação é um índice que compara 50 países quando às diferenças de custos para alguns dos medicamentos mais utilizados e indispensáveis entre 50 países”, explica a startup. Além disso, o estudo não teve em conta se os custos com medicamentos são cobertos por um sistema público e saúde ou se são pagos directamente pelos doentes.

A Medbelle calculou, então, o preço médio por dose e observou quanto é que cada país se desvia deste valor. Os EUA surgem no topo do ranking com um desvio de mais 306,82%, ou seja, os norte-americanos pagam quatro vezes mais face ao custo médio, enquanto na Tailândia se registam os preços mais baixos, pois neste país é necessário pagar menos 93.93%. Esta abrangência “espelha a disparidade a que estão sujeitos os pacientes para ter acesso aos mesmos fármacos”, faz notar a Medbelle.

A Alemanha surge logo a seguir aos EUA (com medicamentos 125,64% mais caros) e, por exemplo, Espanha está na sétima posição, com um custo 78,34% acima do preço médio. Também a Grécia pontua pior que Portugal ao figurar em 22º lugar da lista, com um desvio de mais 4,75% face ao custo médio do pacote de treze drogas.

 

PREÇOS ESMAGADOS:

Não é novidade que o preço dos remédios vendidos nas farmácias nacionais tem vindo a ser esmagado consecutivamente, não só através da imposição administrativa de preços, como pelos incentivos à introdução de medicamentos genéricos (segundo dados do sector das farmácias, as regras em Portugal, são de baixar entre 25% a 50% o preço do medicamento original).

São, aliás, os preços dos genéricos que colocam Portugal entre os países onde as treze terapêuticas são mais acessíveis porque aqui o desvio atinge os -60,99% face à média dos treze remédios genéricos analisados, enquanto na comparação só entre medicamentos de marca, Portugal apresenta um custo 4,09% superior.

Entre as treze drogas estudadas, o tenofovir, destinado à hepatite B e HIV/SIDA, foi a molécula que mais contribuiu para o preços baixos de Portugal, com um custo 67,21% inferior à média, enquanto, pelo contrário, o preço menos competitivo é do atorvastatin, que trata o colesterol elevado, e que custa nas farmácias portuguesas mais 129,23% do que média.

Note-se que o facto de Portugal ter medicamentos baratos não é necessariamente uma garantia de acesso a estas terapias, já que os problemas de abastecimento do mercado têm sido uma constante, com os doentes a terem que se dirigir mais do que uma vez à farmácia para conseguirem todos os remédios de que necessitam. Aliás, frequentemente há produtos esgotados. Esta realidade decorre de vários factores, entre os quais a exportação paralela de medicamentos de Portugal para outros países onde os preços são mais elevados (como a Alemanha), embora existam regras, restrições e controlo por parte das autoridades em relação a esta prática. Outro problema são as dificuldades económicas das farmácias – cujas margens decresceram, sobretudo, desde a troika, com a imposição de preços mais baixos nos fármacos - que as inibe de armazenar embalagens em quantidade suficiente para não haver rupturas nos stocks. Outra questão tem que ver com o desinteresse económico dos laboratórios de produzir algumas moléculas cujos preços desceram a um nível em que o custo de produção supera o preço de venda.

  

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 22 de Novembro de 2019.