Portugal exporta mais de 450 milhões por ano em produtos e serviços de saúde

Portugal exporta anualmente mais de 450 milhões de euros em produtos e serviços de saúde, uma realidade que pode crescer, se a crise e «as medidas restritivas» não cortarem as pernas às empresas, segundo o presidente do Health Cluster Portugal (HCP).

Em entrevista à “Lusa” a propósito do Dia do Serviço Nacional de Saúde (SNS)- 15-09-2010, Luís Portela sublinhou que existe «uma realidade bonita» na área da saúde que «quase sempre é ignorada», em detrimento da despesa.

«Há medicamentos feitos em Portugal que são exportados, tal como matérias-primas para a produção de fármacos e dispositivos médicos, há empresas que estão a informatizar farmácias e hospitais em outros países europeus e nos Estados Unidos, e cuidados de saúde que são proporcionados por portugueses», afirmou.

Referindo-se aos 106 associados do HCP – um pólo de competitividade que visa promover e incentivar a cooperação entre as empresas, organizações, universidades e entidades públicas, com vista ao aumento do respectivo volume de negócios, das exportações e do emprego qualificado – Luís Portela disse que o seu volume de facturação é da ordem dos dois mil milhões de euros anuais.

Este responsável, que preside ao conselho de administração da Bial, o maior laboratório português, reconhece que «a crise tem tirado alguma capacidade de investimento para se poder dar asas ao potencial de desenvolvimento muito grande das empresas portuguesas» do sector.

A este propósito, Luís Portela exemplificou com a crise que a Indústria Farmacêutica atravessa e que resulta, em parte, das «medidas restritivas» que têm sido aplicadas no sector, como o corte nos preços ou a obrigatoriedade de prescrição de medicamentos mais baratos.«Estas medidas retiraram capacidade à Indústria Farmacêutica”, afirmou, classificando como «momento de alguma delicadeza» o que o sector atravessa.

Segundo Luís Portela, «Portugal produz produtos e serviços competitivos à escala global» e as exportações poderão ser bem mais dentro de cinco a dez anos, tendo em conta «o potencial de desenvolvimento» que existe.

Fontes: Agência "Lusa" de 14 de Setembro de 2010, "Netfarma" e autor