SNS: um terço das cirurgias marcadas estão em atraso

SNS: um terço das cirurgias marcadas estão em atraso - 

Em Outubro do ano passado, mais de 67 mil utentes aguardavam por uma cirurgia já fora do prazo recomendado, o equivalente a cercada de 32%. Ainda assim, a lista de espera para uma operação atingiu o valor mais baixo dos últimos quatro anos.

O número de cirurgias em atraso tem vindo a aumentar ao longo dos últimos meses e, segundo o "Jornal de Notícias", registaram-se em Outubro 67.121 utentes a aguardar operação já fora do tempo recomendado, o equivalente a um terço do total de 209.385 operações em lista de espera.

De acordo com os dados do Portal da Transparência do Sistema Nacional de Saúde (SNS), 20,5% dos doentes esperavam por uma operação já fora dos prazos recomendados em Janeiro de 2019, enquanto que em Outubro do ano passado a taxa subiu para os 32,1%. No entanto, é preciso recuar quatro anos para encontrar um valor tão baixo de inscritos para cirurgias, fruto da diminuição das cirurgias programadas.

"Os recursos não são elásticos e foram redimensionados para a covid. O que teve efeitos nos atrasos da actividade cirúrgica, além de que tudo hoje se faz mais lentamente: protecções individuais, circuitos alterados, testes aos utentes", explicou ao "Jornal de Notícias" Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

Alexandre Lourenço alerta para a urgência de reabilitar os cuidados de saúde primários, que não estão a referenciar doentes para cirurgias, o que se reflecte no baixo número de operações marcadas. "Não estão a ser diagnosticadas patologias que seriam depois referenciadas para os hospitais para plano terapêutico, incluindo cirurgia", explica.

 

Fonte: Site do Jornal "Expresso" e autor em 7 de Janeiro de 2021.